quinta-feira, 12 de maio de 2016

Céu inferno_060_2ª parte cap. V - Suicidas - François-Simon Louvet

Céu inferno_060_2ª parte cap. V - Suicidas - François-Simon Louvet

TEXTO PARA ESTUDO

A comunicação seguinte foi dada espontaneamente numa reunião espírita, no Havre, em 12 de fevereiro de 1863:

“Tende piedade de um pobre miserável que sofre, há muito tempo, de tão cruéis torturas! Oh! O vazio... o espaço... eu caio, eu caio, acudam! ... Meu Deus, tive uma vida tão miserável! ... Era um pobre diabo; sofria, frequentemente, de fome nos meus velhos dias; foi por isso que me pus a beber e tinha vergonha e desgosto de tudo... Eu queria morrer e me atirei... Oh! Meu Deus, que momento! ... Por que, pois, desejar acabá-la quando estava tão próximo do fim? Orai, para que eu não veja mais sempre esse vazio abaixo de mim... Vou quebrar-me nessas pedras! ... A isso vos conjuro, a vós que tendes conhecimento das misérias daqueles que não estão mais nesse mundo, dirijo-me a vós, embora não me conheçais, porque sofro tanto... Por que querer provas? Eu sofro, não é isto bastante? Se tivesse fome, no lugar deste sofrimento mais terrível, mas invisível para vós, não hesitaríeis em me aliviar dando-me um pedaço de pão. Eu vos peço orar por mim... Não posso permanecer por mais tempo... Pedi a um desses felizes, que estão aqui, e sabereis quem eu era. Orai por mim.”
FRANÇOIS-SIMON LOUVET

O guia do médium – Aquele que acaba de se dirigir a ti, meu filho, é um pobre infeliz que tinha uma prova de miséria na Terra, mas o desgosto a roubou; faltou-lhe a coragem, e o infortunado, em lugar de olhar para o alto, como deveria fazê-lo, deu-se à bebedeira; desceu aos últimos limites do desespero, e pôs termo à sua triste prova lançando-se da torre de François I, em 22 de julho de 1857. Tende piedade de sua pobre alma, que não é avançada, mas que, todavia, tem bastante conhecimento da vida futura para sofrer e desejar uma nova prova. Orai a Deus para conceder-lhe essa graça, e fareis uma boa obra.

Tendo-se pesquisado, encontrou-se no Journal du Havre, de 23 de julho de 1857, o artigo seguinte, do qual aqui está a substância:

“Ontem, às quatro horas, os que passeavam no cais ficaram dolorosamente impressionados com um horrível acidente: um homem lançou-se da torre e foi quebrar-se sobre as pedras. Era um velho puxador de sirga, que suas inclinações à embriaguez levaram ao suicídio. Chama-se François-Victor-Simon Louvet. Seu corpo foi transportado para a casa de uma de suas filhas, rua de Corderie; tinha a idade de sessenta e sete anos.”

Depois de quase seis anos que esse homem morreu, se vê sempre caindo da torre e indo se quebrar nas pedras; espanta-se do vazio que tem diante de si; está nas apreensões da queda... e isso há seis anos! Quanto isso durará? Ninguém o sabe, e essa incerteza aumenta as suas angústias. Isso não vale o inferno e suas chamas? Quem revelou esses castigos? Foram inventados? Não; são aqueles mesmos que os sofrem que vêm descrevê-los, como outros descrevem as suas alegrias. Frequentemente o fazem espontaneamente, sem que se pense neles, o que exclui toda ideia de que se seja o joguete da própria imaginação.


QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1. Quem era François-Simon Louvet?

2. Por que ele pedia que orassem por ele?

3. Depois de quase seis anos de seu desencarne, ele ainda se vê caindo da torre e indo se quebrar nas pedras. Quanto tempo mais isso durará?

4. Esses sofrimentos foram inventados por alguém?

Conclusão:

1. Um homem que tinha na Terra a prova da miséria, mas o desgosto a roubou; faltou-lhe a coragem, e o infortunado, em lugar de olhar para o alto, como deveria fazê-lo, deu-se à bebedeira; desceu aos últimos limites do desespero, e pôs termo à sua triste prova lançando-se da torre de François I, em 22 de julho de 1857.

2. Ao orar, mostra-se que há piedade sobre a pessoa e, nesse caso, mesmo que sua alma não seja avançada, tem bastante conhecimento da vida futura para sofrer e desejar uma nova prova. Além de fazer bem ao Espírito que sofre.

3. Ninguém sabe ao certo, e essa incerteza aumenta as angústias de Simon.

4. Esses sofrimentos não são inventados e não é o inferno: são aqueles mesmos que os sofreram que vêm descrevê-los, como outros descrevem suas alegrias.

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