quarta-feira, 25 de maio de 2016

TIA VILMA #Vilma de Macedo Souza

Antonio Lucena

Exemplo de ser humano: mãe dedicada, extremada esposa, companheira devotada. Esta a imagem que ficará na lembrança de quem teve a felicidade de conviver com Vilma de Macedo Souza, expositora inspirada, modelo de trabalhadora espírita, cantadora do Evangelho.

Tia Vilma, como era conhecida, nasceu em 23 de março de 1929, na cidade do Rio de Janeiro. Filha de Nelcio Raimundo de Macedo e Armeni Santos de Macedo, primogênita de nove irmãos: Manoel, Leila, Jussara, Jaira, Jussema, Juaciara, Marcílio e Stélio. Desde cedo, teve a responsabilidade de ajudar a genitora a criar os irmãos.

Aos 14 anos, empregou-se na fábrica de lâmpadas General Electric, em Maria da Graça, dois anos depois foi trabalhar com o pai no jornal “Diário de Notícias”. Desde pequenina seu divertimento maior era brincar de dar aulas aos irmãos menores, uma vocação nata para o magistério. Desejava muito estudar, mas seus pais não tinham recursos. Teve, por isso, que interromper os estudos e trabalhar, para ajudar na manutenção da família. Naquela época era muito difícil a gratuidade do ensino. Quando via uma garotada uniformizada na rua, muitas vezes chorava, achando que seria impossível para ela. Mais tarde, já moça feita, conseguiu, graças a uma bolsa de estudos, terminar o ginásio no Colégio Cardeal Leme. Aluna dedicada, destacou-se em seus estudos, ganhando várias medalhas por seu desempenho. Mesmo trabalhando para manter-se e à família, formou-se na Escola Normal Carmela Dutra, em 1953. Sendo uma das primeiras colocadas, teve o direito de escolher a escola em que desejava lecionar. Optou por uma bem longe de sua residência, na zona rural, em Barros Filho, que só tinha praticamente o prédio. Desejava acompanhar o nascimento de uma escola desde a sua estrutura inicial até o seu funcionamento. Durante dez anos trabalhou naquele estabelecimento de ensino, querida e acatada por todos.

Tia Vilma casou-se no dia 30 de janeiro de 1961, aos 31 anos de idade, com Wilson de Souza, natural de Angra dos Reis. E com ele teve quatro filhos: Paulo Estevão, Ana Matilde, Pedro Marcos e João Emanuel. Tia Vilma soube conciliar perfeitamente profissão, família e atividade doutrinária, sem jamais se descuidar daqueles que buscavam uma orientação ou uma ajuda espiritual. Suas noras Cláudia e Judite eram tratadas como verdadeiras filhas e, para completar, chegou sua netinha Jade, trazendo imensa alegria.

Em 1980, depois dos filhos criados, voltou a estudar e formou-se em pedagogia, tornando-se especialista em Educação, pela Sociedade Universitária Augusto Motta.

No Espiritismo, por meio século, trabalhou na evangelização infantil. Colaborou com Idalinda de Aguiar Mattos na evangelização nos presídios do complexo Frei Caneca, Manicômio Judiciário, Talavera Bruce, Esmeraldino Bandeira, Colônia Penal Cândido Mendes, por mais de 25 anos. Dedicou-se também à evangelização na Comunidade do Jacarezinho, por 20 anos. Devido ao seu estado de saúde e precária condição física, iniciou um novo atendimento de evangelização no próprio lar.

Era expositora muito solicitada e levava a todo o Estado do Rio de Janeiro, e muitos outros, palestras entremeadas de músicas, acompanhada ao violão por seu querido esposo. Participou de diversas edições da Confraternização das Mocidades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro (Comeerj), do Encontro Estadual da Família Espírita (Enefe) e da Jornada de Estudos Espíritas de Teresópolis, com música para a evangelização. Gravou quatro fitas-cassete e seis CDs pela Federação Espírita Brasileira, tendo deixado vários manuscritos de poesias e composições ainda inéditas.

Por 26 anos pertenceu à Associação Espírita Nosso Lar, em Del Castilho, e por 24 anos à União Espírita Fernandes Figueira e Bezerra de Menezes, tendo presidido esta última por 12 anos consecutivos.

Destacamos a seriedade e o extremado senso de responsabilidade demonstrados nas tarefas que assumia no campo do bem e na evangelização, na divulgação do Espiritismo e no auxílio aos necessitados. Repetia sempre: “No trabalho com Jesus não se brinca”. A música foi uma das suas maiores realizações. Autora de inúmeras composições, todas pautadas nos ensinamentos evangélicos.

Tia Vilma teve uma vida dedicada à educação, à família e à Doutrina dos Espíritos. Mesmo nos últimos anos, apesar da limitação de suas condições físicas, não recusava trabalho. No dia 2 de novembro de 2004 realizou sua última palestra, e no dia 5, serenamente, no Rio de Janeiro, regressou à Espiritualidade. Como ela mesma dizia: “Perseveremos no Bem, confiantes em Jesus, e haverá paz em nossos corações”.

https://www.youtube.com/watch?v=1XFDCl6iC7I


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Sábado, 4/12/2004 - no 1914

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