terça-feira, 31 de maio de 2016

Dos possessos

            Dos possessos  


473. Pode um Espírito momentaneamente tomar o envoltório de uma pessoa viva, isto é, introduzir-se num corpo animado e agir em lugar do que nele se acha encarnado?

-“O Espírito não entra no corpo como entrais numa casa; ele se identifica com o Espírito encarnado que tem as mesmas virtudes e os mesmos defeitos, agindo conjuntamente. É sempre, porém, o espírito encarnado que age como quer sobre a matéria que o reveste. Um Espírito não pode substituir-se ao que está encarnado, porque Espírito e corpo estão ligados até o termo fixado para a existência material.”


474. Se não há possessão propriamente dita, isto é, se não há coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma encontrar-se na dependência de um outro Espírito, de maneira a ver-se por este subjugada a ponto de achar-se a sua vontade, até certo ponto, paralisada?

- “Sim. E são esses os verdadeiros possessos. Sabei, entretanto, que essa dominação jamais se processa sem a participação daquele que a sofre, seja por sua fraqueza, seja por seu desejo. Muitas vezes têm sido consideradas possessas pessoas loucas ou epilépticas, que mais necessitavam de médico do que de exorcismos.”

Na sua acepção vulgar o vocábulo possesso pressupõe a existência de demônios, isto é, uma categoria de seres, por natureza maus, e a coabitação de um desses seres com a alma no corpo de um indivíduo.

Desde porém, que não existem demônios, pelo menos neste sentido, 
e que dois Espíritos não podem, simultaneamente, ocupar o mesmo corpo, não existem possessos conforme a idéia ligada a este vocábulo.

Por possesso deve entender-se apenas a dependência absoluta em que a alma pode encontrar-se a Espíritos imperfeitos, que a subjugam.



Lição extraída do L. dos Espíritos. (Pág.179)

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