domingo, 17 de novembro de 2013

UM AUSTERO PROFESSOR

EDUCAÇÃO

(1ª parte) A EQUIPE


No dia 2 de abril, foi neste dia, no ano de 1910, na pequena Pedro Leopoldo, em Minas Gerais, que renascia o filho do casal Maria João de Deus e João de Paula Cândido.
Seu nome de batismo Francisco de Paula Cândido, mais tarde modificado para Francisco Cândido Xavier, para neutralizar as perseguições sofridas pelo jovem Chico no órgão público em que trabalhava pelo fato de ser espírita.
Nesta nossa homenagem, vamos nos ater a um aspecto que, com certeza, teve muito a ver com as vitórias espirituais alcançadas por Chico nesta recente existência e o consequente cumprimento e ampliação da missão que viera desempenhar em nossa dimensão.
É justamente aquele que ressalta a presença austera do espírito Emmanuel ao lado do médium.
Muitas foram as situações em que a palavra de Emmanuel refreou os ímpetos de Chico ante as situações instigantes que se apresentavam.
E isso certamente tem a ver com as condições estabelecidas pelo instrutor espiritual em fins de 1931, quando Chico o viu pela primeira vez, aos vinte e um anos, após quatro de exercício continuado da mediunidade.
Recordando aquele dia, Chico contava:
“Orava sob uma árvore junto ao Açude, pitoresco local na saída de Pedro Leopoldo, para o norte quando, vi, à pequena distância uma grande cruz luminosa. Pouco a pouco, dentre os raios que formava, surgiu alguém. Era um espírito simpático, envergando túnica semelhante à dos sacerdotes, que me dirigiu a palavra com carinho”.
Não se sabe o que teriam conversado naquele crepúsculo, mas conta o Médium que foi esse o seu primeiro encontro com Emmanuel, na vida presente. E acentua que em certo ponto do entendimento o orientador espiritual perguntou-lhe:
– Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade com o Evangelho de Jesus?
– Sim, se os bons Espíritos não me abandonarem... – respondeu o Médium.
– Não será você desamparado, – disse-lhe Emmanuel – mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.
– E o senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso? – tornou o Chico.
– Perfeitamente, desde que você procure respeitar três pontos básicos para o serviço...
Porque o protetor se calasse, o rapaz perguntou:
– Qual é o primeiro?
A resposta veio firme:
– Disciplina.
– E o segundo?
– Disciplina.
– E o terceiro?
– Disciplina.
APRENDENDO A SE DISCIPLINAR
O Benfeitor Emmanuel realmente falava sério, pois não só no que tange à mediunidade de Chico, mas às suas reações ante as situações da vida, passaram a ser objeto de severo controle.
Ainda em 1931, um fato demonstra bem isso.
Lembrando a situação, Chico narra:
... Certa noite a nossa reunião havia terminado mais ou menos de manhã – uma hora da madrugada, quando voltei para a nossa residência. Ao abrir a porta, encontrei, então, uma situação muito desagradável. É que a nossa casa contava com dois gatos muito queridos e eles haviam naturalmente, naquela noite, sofrido uma, vamos dizer, indigestão e tinham deixado nossa sala num estado muito difícil, porque estava muito suja. Os gatos haviam defecado num espaço relativamente grande da sala. Então, sentindo as emanações daquelas matérias que estavam espalhadas pelo chão, me lembrei da moça que trabalhava conosco em nossa casa, na cozinha, e pensei comigo mesmo:
“Vou chamar essa nossa companheira de serviço e pedir-lhe que faça uma limpeza de manhã, uma limpeza correta, porque a sala está numa situação muito desagradável.”
Então, no mesmo instante, vi nosso Emmanuel como que materializado ao meu lado dizendo:
– “Mas você, que vem de uma reunião espírita cristã, que tratou do Espiritismo em nome de Jesus Cristo, em nome de Allan Kardec, está fugindo da sua obrigação, exigindo que uma pobre menina que já está fatigada por haver trabalhado com panelas, nos tanques, para que não te faltasse comida, para que não faltasse à família roupa lavada, você vai exigir que ela venha limpar esta sala quando é sua obrigação limpar este chão e restituí-la tão limpa à família como você ensina no Centro Espírita? Você vai pegar um pano, vai trazer água, sabão e vamos lavar.”
Fui buscar água, sabão, pano e fomos lavando. Ele perto de mim. Quando achava que já estava terminada a tarefa, ele dizia:
– “Não, a sala tem odores desagradáveis, tem que lavar direitinho, de maneira que ninguém nem saiba que os gatos a sujaram”.
Então, tive que deixar a sala bem limpa, porque ele disse:
– “No Espiritismo a pessoa tem que começar estudando nos grandes livros e começar também lavando as privadas, trabalhando, fazendo sopa, ajudando os que estão com fome, lavando as feridas de nossos irmãos e distribuindo aquilo que for possível, porque se nós não tivermos coragem de ajudar na limpeza de um banheiro, de uma privada, nós também estaremos estudando os grandes livros da nossa Doutrina, em vão”.
A INESQUECÍVEL PERGUNTA
O “Parnaso de Além Túmulo”, com carinhoso entusiasmo de Manoel Quintão, foi lançado em julho de 1932.
No mesmo mês, o padre Júlio Maria, de Manhumirim, em Minas, no seu jornal “O Lusíada” escreveu áspera crítica, condenando o livro e o Médium.

Dentre outras coisas dizia que o Chico devia possuir uma pele de rinoceronte para caber tantos espíritos.
Os comentários irônicos e as acusações gratuitas eram tantas que o Médium, inexperiente e muito jovem ainda, se sentiu demasiadamente chocado e foi constrangido a buscar o leito.
“Então, a luta era aquela? – pensava, com dor de cabeça. Valia a pena ser médium e ficar exposto, assim, ao juízo temerário dos outros? Seria justo aguentar aqueles xingatórios quando estava possuído das melhores intenções?”
Por mais de duas horas se via em semelhante contenda íntima, quando viu Emmanuel ao seu lado.
Contou ao Mentor o que se passava e supôs que o espírito amigo o acariciaria sem restrições.
Emmanuel, porém, de pé, com severa fisionomia, falou-lhe firme:
– Mas eu não vejo razão para solenizar este assunto...
– Entretanto, o senhor está vendo... O padre disse que eu tenho uma pele de rinoceronte... – clamou o Médium.
– Se não tem, precisa ter, - disse-lhe o protetor – porque se você quiser cultivar uma pele muito frágil, cairá sempre com qualquer alfinetada e não nos seria possível a viagem da mediunidade nos caminhos do mundo...
Contudo, temos o nosso brio, a nossa dignidade – acrescentou o Chico – e é difícil viver com o desrespeito público.
Foi então que Emmanuel o fitou com mais firmeza e exclamou:
– Escute. Se Jesus que era Jesus, saiu da Terra pelos braços da cruz, você está esperando uma carruagem para viver entre os homens?
NUNCA ESTAMOS SÓS

Em meados de 1932, o “Centro Espírita Luiz Gonzaga” estava reduzido a um quadro de cinco pessoas, José Hermínio Perácio, D. Carmen Pena Perácio, José Xavier, D. Geni Pena Xavier e o Chico.
Os doentes e obsidiados surgiram sempre, mas, logo depois das primeiras melhoras, desapareciam como por encanto.
Perácio e senhora, contudo, precisavam transferir-se para Belo Horizonte por impositivos da vida familiar.
O grupo ficou limitado a três companheiros.
D. Geni, porém, a esposa de José Xavier, adoeceu e a casa passou a contar apenas com os dois irmãos.
José, no entanto, era seleiro e, naquela ocasião, foi procurado por um credor que lhe vendia couros, credor esse que insistia em receber-lhe os serviços noturnos, numa oficina de arreios, em forma de pagamento.
Por isso, apesar de sua boa vontade, necessitava interromper a frequência ao grupo, pelo menos, por alguns meses.
Vendo-se sozinho, o Médium também quis ausentar-se. Mas, na primeira noite, em que se achou a sós no Centro, sem saber como agir, Emmanuel apareceu-lhe e disse:
– Você não pode afastar-se. Prossigamos em serviço.
– Continuar como? Não temos frequentadores...
– E nós? – disse o espírito amigo. – Nós também precisamos ouvir o Evangelho para reduzir nossos erros. E, além de nós, temos aqui numerosos desencarnados que precisam de esclarecimento e consolo. Abra a reunião na hora regulamentar, estudemos juntos a lição do Senhor, e não encerre a sessão antes de duas horas de trabalho.
Foi assim que, por muitos meses, de 1932 a 1934, o Chico abria o pequeno salão do Centro e fazia a prece de abertura, às oito da noite em ponto.
GANHANDO CONHECIMENTOS E EXPERIÊNCIA
Em janeiro de 1933, alguns meses depois de haver sido lançado o “Parnaso de Além-Túmulo” e quando Chico ainda trabalhava na condição de caixeiro do pequeno armazém do Sr. José Felizardo Sobrinho, em Pedro Leopoldo, teve sua casa visitada pelo Dr. José Álvaro Santos, que, então, residia em Belo Horizonte.
Lembra Chico que o distinto poeta e escritor, lera o livro dos poetas desencarnados e queria conhecê-lo.
Morávamos então, – família numerosa que éramos, – numa casa pequenina e prestes a cair, enquanto que, de minha parte, trabalhava de sete da manhã às oito horas da noite, fosse atendendo o balcão, ou entregando mercadorias a domicílio, com o salário de quarenta cruzeiros (naquele tempo quarenta mil réis) mensais.
O Sr. José Álvaro Santos comoveu-se com nossa situação e disse a meu pai que estimaria obter-me um emprego conveniente na capital mineira, mas, para isso considerava necessário que o acompanhasse, a fim de colocar-me em contato com amigos belorizontinos.
Deveria segui-lo para o tentame, permanecendo, ao seu lado, pelo menos três meses. Meu pai, certa manhã, conversou comigo, falando das melhoras materiais em perspectiva. Nossa família lutava com dificuldades, enquanto que eu, aos vinte e um anos de idade me fizera maior e podia alcançar ordenado mais rendoso.
Nada respondi e, mais tarde, à noite, no momento preciso de minhas orações, pedi a Emmanuel alguma opinião, a respeito do assunto. Nosso benfeitor espiritual esclareceu-me que o plano era impróprio e que me cabia o dever de continuar empregado onde me achava, pois, o amparo de que precisávamos viria do Alto no momento oportuno.
Firmei a resolução de não me afastar da família, entretanto, no dia seguinte, meu pai insistiu. Não era justo que me negasse à melhora de nível. Contava comigo. As possibilidades em Belo Horizonte eram grandes.
Sentindo de perto as lutas materiais de meu pai, sensibilizei-me e voltei à oração, rogando a Emmanuel novo conselho.
O nosso grande amigo espiritual fez-se visível para mim e falou francamente:

– “A tentativa é inoportuna e desaconselhável, mas não desejamos que contraries teu pai. Já que a situação se mostra assim tão difícil, podes perfeitamente seguir para Belo Horizonte, onde ganharás conhecimentos e experiências de que muito necessitas.
Não abandones a prática da oração.
Estaremos contigo, através da prece.”
Desde esse aviso, a medida precipitou-se.
Meu pai conseguiu três meses de licença no armazém, em que eu servia e rumei com o Sr. José Álvaro Santos para a capital mineira que, até então, não conhecia. Ele me hospedou numa chácara, pertencente a conhecido médico de Belo Horizonte, que cedera a vivenda ao estimado escritor e à sua família, para descanso, por algum tempo.

O escritor que tanto desejou proteger-me aproximou-me não só da família dele, à qual me liguei por laços de grande estima, como também de alguns intelectuais da capital de Minas.
Achei-me de improviso num ambiente que não conhecia. Muitos livros e elevadas conversações literárias. Meu protetor me apresentava na condição de médium do “Parnaso de Além-Túmulo” e as visitas, segundo creio, julgavam que eu fosse pessoa de muita cultura.
Eu, naturalmente, ouvia as conversações em silêncio ou respondia a essa ou aquela pergunta por monossílabos. Não sabia eu, então cousa alguma sobre os autores principalmente europeus, que eram citados nas palestras.
Lembro-me que falavam muitas vezes sobre trabalhos de Crookes e Richet quando se referiam a investigadores da mediunidade e comentavam poesias e trabalhos de Baudelaire, Musset e outros poetas cujos nomes não guardei na lembrança, além de vários poetas brasileiros como Bilac, Alberto de Oliveira, Augusto dos Anjos e Cruz e Souza.
Pelo tom das palestras percebi que a maior parte dos visitantes me supunham o autor do “Parnaso”.
Como eu receava cometer disparates em meio de amigos tão cultos, permanecia quase que em absoluto silêncio.
Nesse clima de carinho esperei, em vão, pelo suspirado emprego em Belo Horizonte.
Por mais procurasse auxiliar-me, através de várias apresentações aos amigos, meu benfeitor não conseguiu colocar-me no tempo previsto.
De minha parte, não poderia ficar esperando por mais de três meses.
Quase findo o prazo de minha esperança de achar trabalho na capital de Minas, acompanhei o Sr. José Álvaro Santos para sua residência em Lagoa Santa, onde me despediria dele para o regresso a Pedro Leopoldo.
Meu benfeitor partiu, realmente, para o Rio, enquanto me demorei na referida cidade, mais algumas horas aguardando condução para Vespasiano, de onde seguiria para minha terra, num comboio da Central do Brasil.
Enquanto aguardava, dois amigos me procuraram. Antes de tudo, perguntaram pelo meu protetor, verificando-lhe a ausência.
Um deles me disse, então, que um emprego para mim, em Belo Horizonte, estava sendo obtido. Não só o emprego, mas também os recursos para que eu me instruísse convenientemente. Além disso, outras vantagens surgiriam beneficiando todo o meu grupo familiar.
Lembrei-me de meu pai, contando comigo, e senti imensa alegria. Sim, iria trabalhar e depressa...
Mas quando mostrei meu grande contentamento, o portador do comunicado me disse que havia condições. Para obter a colocação, eu deveria renunciar ao Espiritismo e dizer que o livro “Parnaso de Além-Túmulo” era meu mesmo e não dos Espíritos.
Neguei-me a concordar. Expliquei de que modo os Espíritos haviam escrito o livro por minhas mãos.
O proponente sorriu e me disse:
– Chico, você conhece um passarinho chamado sofrê?
Disse que não, ao que ele acentuou:
– O sofrê é um pássaro que imita os outros. Você nasceu com a vocação desse passarinho entre os poetas. Não acredite em Espíritos. Esses poemas que você julga psicografar são seus, somente seus.
Muito triste e desencantado com o que ouvia, pensei em Emmanuel e como se eu ligasse uma tomada nos ouvidos para a voz dele, escutei-o, ao meu lado:
– Sim, volte a Pedro Leopoldo e procuremos trabalhar. Você não é um sofrê, mas precisa sofrer para aprender.

(Continua)


Nota: Por uma falha de revisão, na edição anterior, omitimos o nome do autor da matéria: RUBENS SANTINI.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 401
FEVEREIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
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Rua Souza Caldas, 343 - Fone: (11) 2764-5700
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Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)


PROGRESSO OU RETROCESSO

JUVENTUDE

O JOVEM E SEUS PROBLEMAS


“Às vezes, fico pensando comigo mesmo se a Humanidade não está piorando, dia-a-dia.
A gente vê tanta maldade, tanta violência, tanta corrupção, que acaba desacreditando de tudo. Não parece que estamos partindo para um mundo melhor. O que vejo, hoje, é um mundo mais conturbado, pessoas inseguras, populações assustadas. Fico pensando se Jesus conseguiu seu objetivo”.
Analisando a história da Humanidade do ponto de vista de seu desenvolvimento moral, devemos considerar o progresso individual e o progresso coletivo. Coletivamente, tudo leva a crer que a humanidade vem progredindo moralmente ao longo tempo. Percebemos isso, por exemplo, no terreno das leis. As leis, hoje, são mais humanas que as do passado. Ao longo dos séculos, a sociedade veio percebendo que deveria tratar as pessoas com mais Humanidade.

Tanto assim que uma das maiores conquistas sociais alcançadas nos últimos tempos foi a Declaração dos Direitos Humanos (desde a Revolução Francesa, no final do século XVIII), hoje a bandeira de vários movimentos que se verificam em todo o mundo, e da própria Anistia Internacional, órgão da ONU – Organização das Nações Unidas. O homem já deu alguns passos importantes, desde a Idade Antiga. Por exemplo, no que diz respeito à guerra. As guerras, hoje, devem obedecer a leis específicas; no passado, os vitoriosos massacravam os vencidos, escravizavam os homens e matavam as mulheres e crianças. Atualmente, existem convenções internacionais que defendem o direito dos prisioneiros de guerra, que não podem ser maltratados ou torturados. Hoje já existe uma grande preocupação em relação à erradicação da pobreza e do analfabetismo, protege-se a natureza, há movimentos em todo o mundo que atuam em favor da criança, da mulher, dos idosos, das minorias e da paz.
Foi digna de nota a recente manifestação de pessoas, em todo o mundo, repudiando a invasão do Iraque, decretada pelo presidente norte-americano. Tudo isso, e muito mais, é indiscutivelmente sinais de grande avanço moral da Humanidade. Na sua obra “Uma Ética para Um Novo Milênio”, o Dalai Lama aborda muito bem este tema e aponta para uma perspectiva promissora para a Humanidade. É bem verdade que ainda existe maldade no mundo. Mas, em contrapartida, há cada vez mais uma enorme preocupação em erradicá-la, e o homem não só conseguiu vencer determinados problemas de ordem moral, porque ainda somos muito egoístas. Todos nós reconhecemos a necessidade de mudança, já somos conscientes de que o mundo pede paz e colaboração de todos, mas ainda nos achamos muito acomodados. Desse modo, o panorama geral sofre o impacto dessas disposições doentias que ainda persistem no mundo, onde o interesse individual continua prevalecendo contra o interesse da coletividade dentro de nossa própria casa. Tudo leva a crer que precisamos ser estimulados por dentro, em valores que tocam as fibras da alma.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

“A Certeza definitiva de que a vida continua”

Série: A HISTÓRIA DE UMA MENSAGEM
“A Certeza definitiva de que a vida continua”
(39.ª Parte)

A história de hoje nos faz, mais uma vez, voltar a 03 de maio de 1982, em São Paulo.
Era madrugada quando a jovem Liane Helena Anéas de Paula, juntamente com o noivo Marcos e mais os primos Alvimar e Márcia Marilda, envolveram-se num trágico acidente de trânsito que decretou a desencarnação de todos eles. Na plenitude de seus 19 anos, Liane era autêntica em suas ações, defensora dos mais fracos, amiga e companheira ideal, sendo alvo de várias homenagens por parte dos amigos, o que revelava o reconhecimento de todos por seu valor. A dor de seus pais e irmão seria abrandada meses depois, através da mensagem psicografada em Uberaba, Minas, auxiliando-os a suportar as amarguras no caminho dos compromissos assumidos por nós na rota da evolução. Posteriormente, Lika transmitiria outra mensagem aos familiares, demonstrando a sua adaptação à nova vida e revelando outros detalhes da situação dos que se acidentaram com ela.
APENAS MAIS UM DETALHE.

“Agradeço as suas lembranças do nosso três de maio passado... Ouvi suas preces e anotações, considerando que seria tão oportuno o nosso encontro nessa data, mas entendi que para nos utilizarmos da letra, não seria tão fácil naquele aniversário repleto de orações e de lágrimas. Após deixá-la com as nossas flores e com as nossas reflexões à frente dos retratos queridos, voltei-me ao nosso recanto espiritual, onde o Marcos, a Márcia Marilda, o Alvimar e a Vó Cida me esperavam.”
Liane ou Lika revela neste ponto de sua mensagem o conhecimento das manifestações de carinho de sua mãe por ocasião da passagem da data de seu renascimento espiritual. Cita, também, o fato de estar abrigada, com as demais vítimas do acidente que determinou a morte física de todos, em determinado estabelecimento do Plano Espiritual, para onde retornou após testemunhar as homenagens que lhe prestou sua mãe. A existência de institutos, hospitais ou colônias situadas nos Planos Espirituais não é novidade, pois bem antes de NOSSO LAR, o espírito Maria João de Deus na obra CARTAS DE UMA MORTA, publicada pela LAKE, de São Paulo, além de A VIDA ALÉM DO VÉU, já faziam revelações sobre elas.
PÁLIDA NOÇÃO.
“Regressava de seu ambiente amável com minhas forças renovadas e pedi aos amigos me auxiliassem a incentivar a renovação do nosso Marcos, que gradativamente se retoma.
Não obstante melhorando sempre, ele ainda assinala recordações que lhe reconstituem o delírio dos primeiros dias em nosso novo mundo de trabalho e de esperança. Pedi à Marilda e ao Alvimar organizarmos uma corrente de paz e carinho, para que o nosso Marcos viesse conosco à própria Terra, sem que ele soubesse de antemão o itinerário.
Uma excursão reconstituinte, eu disse a ele, e logo após retornaremos. Marcos ainda não consegue locomover-se com facilidade no setor da volitação. Entretanto, coloquei-o entre as mãos da Márcia e as minhas, enquanto o Alvimar se nos ligava ao trio na condição de acompanhante.”
Como se vê, mais de um ano havia se passado e, Marcos, um dos vitimados pelo acidente, apresentava pequena melhora. Realmente é muito variável o tempo necessário para que o desencarnado supere o trauma da morte.
Vários fatores interferem e contribuem para isso. A ignorância sobre a sobrevivência, a influência das mentalizações dos familiares que ficaram na retaguarda, as provas a que deve ser submetido o desencarnante, a inaceitação do espírito quanto ao abrupto desligamento.
Curiosa a referência sobre a distância a ser percorrida por ela e pelos amparadores do noivo, permitindo-nos ter pelo menos uma noção sobre a distância espacial do local onde permaneciam instalados.
VOLITAÇÃO.
“Foi a primeira experiência do Marcos na travessia do mar aéreo, que rodeia a vida física do Planeta. E volitamos com tamanha alegria, que me pareceu estarmos num balé da Tutti-Frutti, ensaiando passos que os homens desconhecem. Descemos na periferia de uma bela cidade, e, retomando o senso de equilíbrio, qual se retomássemos o corpo terrestre, caminhamos para o centro urbano, enfeitado de belas hortênsias que refletiam a luz do Sol ao anoitecer.”
Lika comenta sobre o meio de locomoção de que se servem, ela e os companheiros, para acessar a dimensão mais material que constitui a área por nós ocupada. Volitação é uma forma de deslocamento utilizado por espíritos que já possuem certo domínio sobre si mesmos e ocupam níveis espirituais mais elevados.
O elemento principal é o pensamento que impulsiona os corpos espirituais na direção do destino pretendido.
INTERAÇÃO.
“Uma festa de crianças felizes nos surpreendeu, em pleno ar livre, e havia tanta beleza nos cânticos suaves que desferiam, e o ar se fazia de tal modo embalsamado de aromas, que ele, Marcos, encantado, nos perguntou em que mundo havíamos penetrado... Com a minha alegria natural, expliquei-lhe que estávamos na Terra mesmo e que assistíamos a uma festividade determinada, em que os júbilos infantis constituíam a nota dominante.
Marcos se alegrou vivamente, mostrando novo brilho no olhar e, em seguida, pedi aos companheiros unirmo-nos com todas as forças da vontade, a fim de superarmos as energias da gravitação. Erguemo-nos de novo, sempre juntos e, depois de algum tempo, eu mesma solicitei uma visita a uma favela de meu conhecimento.”
Percebe-se pelo relato de Lika que o grupo tinha alvo definido, ou seja, um local onde se realizava alguma atividade envolvendo crianças no Plano Físico. A percepção deles naturalmente abrangia o clima vibratório resultante da alegria reinante no local, que invariavelmente inclui a interação entre os organizadores das diferentes dimensões, formando uma atmosfera de grande elevação. Digno de nota também, a menção da utilização conjunta de todas as forças da vontade, a fim de superarem as energias da gravitação, objetivando volitarem em direção ao outro objetivo pretendido por Liane.
CONTRASTE.
“A parada se fez sem quaisquer ocorrências dignas de menção, e novamente caminhamos mantendo a postura da antiga vida física e, quase de imediato, surpreendemos o choro de dezenas de crianças que o frio supliciava.
Maio anunciava as ondas geladas que se lhe reprimiam. Andamos por becos sob o nome de supostas ruas estreitas e foi possível enxergar o retrato da penúria em tantos rostos desfigurados a que o estômago vazio imprimia uma impressão de intensa dor. Mães agoniadas e sem esperança ofereciam aos filhinhos recém-nascidos a ânfora do peito, que nenhuma gota de leite emitiam em favor dos pequeninos familentos. Alguns homens gritavam palavrões, mostrando desespero e, revolta e, em toda parte, o desconforto plantando angústia. Era tão grande o número das crianças atormentadas e chorosas, que o Marcos indagou de novo em que mundo estaríamos agora, abordando o sofrimento, e a minha resposta não se fez esperar.”
A jovem Lika intencionalmente conduziu o grupo na direção de outra realidade, a fim de realçar para Marcos o contraste entre o ambiente próprio da abastança e da escassez. Tudo isso fisicamente não muito distante, compondo quadros da dimensão física. Certamente, pretendia ela despertar no até então apático noivo a disposição de integrar-se às legiões de servidores do Bem.
SERVIR É O CAMINHO DA FELICIDADE.
“Mostrei a ele que continuávamos num outro quadro da própria Terra, e somente aí o nosso querido amigo se capacitou a compreender que víramos dois painéis diferentes um do outro, e percebeu que a festa era irmã da necessidade e nos falou de como nos cabia trabalhar a fim de cooperar no auxílio à penúria.
Vê-lo emitindo conceitos que o estimulavam ao serviço no amor aos semelhantes, foi uma grande alegria que desejo partilhar com a mãezinha Neusa. Desde então as melhoras dele se fizeram mais seguras.”
Pelo que se nota, a estratégia surtiu efeito e, agora, transcorridos vários meses de sua chegada ao Plano Espiritual, Marcos refletia positiva reação de integrar-se no campo do trabalho eficaz. Como se vê, o trabalho produtivo é o melhor remédio para nos afastarmos das lamúrias e reclamações.
A íntegra desta e outras mensagens poderá ser lida na obra ANTE O FUTURO, publicado pela IDEAL.


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 401
FEVEREIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
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ESTAMOS FUNDANDO OU AFUNDANDO GRUPOS ESPÍRITAS?

COMUNICAÇÃO

 Joamar Zanolini Nazareth
jonazareth@mednet.com.br







“O espírita deve ser...(...) Claro, mas não desabrido, dando a idéia de eleger-se fiscal de consciências alheias. (...) Franco, mas não insolente, ferindo os outros.”André Luiz/Waldo Vieira, Livro: OPINIÃO ESPÍRITA, cap.7 – FEB.

Quando consta, no currículo de qualquer espírita, que este fundou uma Casa Espírita, tal fato enriquece e enobrece, sem dúvida.
Tal esforço demonstra que essa alma, com esforço e determinação, colaborou na implantação de mais um núcleo de trabalho cristão, onde inúmeras almas poderão conseguir abrigo moral, ocupação superior, oportunidade de conhecer os postulados libertadores do Espiritismo, e muitos outros ensejos que o posto de socorro, que representa um grupo espírita, propicia às criaturas.
Todavia, por mais significativo que seja fundar um Centro Espírita, se isolado de outros passos fundamentais, esse ato representa muito pouco, ou melhor, pode representar uma dor de cabeça no sentido consciencial.
Há muitos dirigentes que pensam que, por criar uma nova instituição, são delas os donos oficiais. Se criaram a instituição, são delas os donos oficiais.
Se criaram a instituição pensando nisso, já estragaram os efeitos do bom ato, contaminando-o com os vírus da vaidade, do personalismo, do egoísmo e do orgulho.
Nos dias de hoje, fundar um grupo espírita se tornou tão fácil, do ponto de vista material, que se não houver o uso do bom senso, teremos grupos sendo criados todos os meses em uma mesma cidade, exagerando no número de Centros Espíritas em uma mesma localidade.
Em relação aos grupos também cabe aquela frase lapidar de nosso querido Chico Xavier, quando disse que “começar é fácil, continuar é difícil, concluir é sacrificar-se”.
O mais difícil é a continuidade, é o desenvolvimento das atividades, a recepção aos novos colaboradores, etc.
Aliás, creio que o mais difícil e complicado, que exija mais de todos, será nessas novas casas, assim como é dificuldade até para os grupos mais antigos, criar a consciência de grupo, de equipe, saber trabalhar coletivamente, apagando vaidades pessoais para que a instituição cresça e se ilumine cada vez mais, e todos os seus membros sejam trabalhadores cada dia mais eficientes, produtivos e efetivos.
Infelizmente, diante da vaidade pessoal de achar que bastou fundar uma casa de ação espírita para garantir um ingresso em “Nosso Lar”, que alguns sustentam, somente nos resta orar por eles, e se um desses estiver vinculado à nossa instituição, tentar abrir-lhes os olhos, com equilíbrio e espírito fraterno.
Tais dirigentes se incluem no rol  daqueles que fundam Centros Espíritas, mas, em contrapartida, também afundam Centros Espíritas!
Que tomemos cuidados em não nos transformarmos em um deles.
Às vezes não fundamos centros, mas fundamos tarefas, atividades dentro da casa, trabalhos novos, e reproduzimos tal postura despótica e absurda.
Por isso, encontramos dirigentes que estufam o peito e dizem: — “Faz 40 anos que dirijo isto aqui, do meu jeito!” De outros também ouvimos:
“Eu cuido de todos os detalhes, e carrego esta casa nas minhas costas”; ou - “Sou indispensável.
Não sei o fariam sem mim”; ou ainda: — “Só eu sei como fazer ascoisas andarem por aqui!”
Uma das piores coisas que pode acontecer a uma atividade ou um Centro Espírita, em termos de rotina de trabalho, é um tarefeiro achar-se melhor que os outros, que se julgue indispensável, ou que se porte como o dono da instituição, seja ele médium, presidente, orador, trabalhador da casa.
Quando isso parte de quem fundou o grupo, mais grave se torna o problema.
Não pode qualquer instituição espírita ter um dono. Um grupo espírita, conforme o nome já diz deve funcionar como um grupo, com espírito coletivo, desenvolvendo a fraternidade, o respeito, estreitando laços e exercitando o respeito, a gratidão, a gentileza e a solidariedade, como uma escola amorosa de convivência.
É tão triste quando vemos casas sofrendo abalos enormes, com riscos à sua continuidade, quando seus donos retornam à pátria espiritual, deixando tais grupos desnorteados, pois não foram preparados para o trabalho em grupo, e sim habituaram-se a seguir as determinações de tal pessoa.
Assim, pode se dizer brejeiramente: “morre o dono, morre o gado também...”
Rompamos em definitivo com este modelo, que designa os centros espíritas não pelo nome dado à causa, mas como centro do fulano, centro do sicrano, centro do beltrano...
Cada casa espírita séria é de Deus, orientada por Jesus, dirigida por espíritos luminares, formada e construída por dezenas ou centenas de mãos materiais e espirituais, como uma colméia perene de serviço e ação no Bem.
Mesmo que tenhamos fundado uma instituição, tenhamos a humildade de compreender que fomos instrumentos do Alto para edificar um oásis de paz no meio do turbilhão humano, e não agraciados com um título inexistente, de chefes, gurus,proprietários ou imperadores da casa.
Formemos novos líderes,novos servidores, novos médiuns, novos dirigentes, novos oradores, novos colaboradores, sem espírito de preponderância.
O ideal para um dirigente espírita é trabalhar com tal empenho na direção de um grupo espiritista que ao partir para a Espiritualidade deixe apenas nobres lembranças, e não um monte de problemas pra quem fica.


FONTE: A FLAMA ESPÍRITA, n.º 2779.


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REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXXIV N° 401
FEVEREIRO 2010
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
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