quarta-feira, 25 de maio de 2016

A CURA MORAL DOS ENCARNADOS

George Abreu de Sousa


Mesmo sendo a educação moral dos encarnados uma questão prioritária para a evolução humana, tanto os Espíritos quanto os educadores da Terra têm dificuldades de melhorar os discípulos a eles confiados. Mergulhados no torpor das leis da experiência física, os homens se recusam a largar o apetite pelas paixões, escutar o bom-senso, dar espaço à consciência.

É comum, sob as influências do corpo, as almas distanciarem-se da sua origem espiritual, agarrando-se às seduções da vida, embrutecendo-se em vários graus, podendo chegar à barbárie se de todo preferirem esquecer de onde vieram e para onde retornarão. Para elas, as questões divinas não têm qualquer significado, são indiferentes diante dos apelos dos homens e diante de Deus, e quando abraçam uma causa religiosa o fazem com ideias preconcebidas e por interesse.

Desse arrastamento pode ficar livre o Espírito que se arrepende, que diante das evidências que agora vê, constata que a morte não aconteceu, e trata de sua recuperação moral com maior desejo e intensidade.

Mesmo Espíritos de natureza má que, frequentemente, comparecem às reuniões espíritas apresentando muita agressividade e pouca aceitação à ajuda oferecida, cedem no decorrer dos trabalhos, atendendo aos conselhos dos doutrinadores e ao magnetismo dos instrutores do invisível.

Não raro, para surpresa dos médiuns presentes às reuniões de atendimento, os irmãos desencarnados apresentam rápida transformação, reagindo, muito sensíveis, às palavras de esclarecimento e à influência das orações. Os componentes da mesa mediúnica são testemunhas de uma transformação notável, considerando-se os quase imediatos efeitos que são alcançados. Ainda mais expressivo é o resultado sobre os Espíritos quando comparado à lenta reação dos encarnados, tão avessos à própria cura moral.

Essa diferença de reação entre encarnados e desencarnados chamou a atenção do Codificador, nas suas reuniões práticas, o que lhe fez levantar o seguinte tema na Sociedade Espírita de Paris:

Porque a educação moral dos Espíritos é mais fácil que a dos encarnados?  perguntou Allan Kardec.

Vários Espíritos atenderam-lhe ao questionamento, com respostas que viveram ao encontro de sua percepção, confirmada, assim, pelos instrutores do além. Tendo o Espírito abandonado definitivamente o corpo, pode testemunhar as consequências da vida, os atos praticados, os arrependimentos e os júbilos, reagindo mais rapidamente aos estímulos morais; em tese não sofrem mais as condições inferiores, provenientes da matéria, livres que estão dos arrastamentos decorrentes das provas a que estavam submetidos.

O rápido amadurecimento das ideias dos desencarnados provém da sua experiência com a morte e das fortes revelações que dela resultam.

Essa é a explicação para os que se deparam com uma pessoa com quem antes conviviam, dela conhecendo, portanto, os costumes, as crenças, a limitação dos conhecimentos, os preconceitos. Para surpresa dos que a veem comunicar-se na condição de Espírito, apresenta, após desencarnar, um conhecimento mais refinado, uma religiosidade mais acentuada, uma filosofia mais apurada, sempre resultado da rápida assimilação da vida de Espírito.

Muitas pessoas rejeitam a veracidade das mensagens dos seus entes queridos por desejarem uma identificação precisa com os pensamentos acanhados que tinham em vida física, desconsiderando a possibilidade de mudanças ensejadas pela morte.

Uma consequência prática de se entender a diferença entre a perspectiva do encarnado e a realidade do desencarnado, será a menor perda de material verídico produzido através da psicografia, rejeitado tão somente por desconhecimento da real natureza da experiência após a morte física.

O estudo que motivou este artigo está na Revista Espírita, de Allan Kardec, de julho de 1865, publicação da Federação Espírita Brasileira.


SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Agosto 2013  no 2227

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