domingo, 23 de outubro de 2016

A DOR NUMA VISAO DIFERENTE

A DOR NUMA VISÃO DIFERENTE 

Adésio Alves Machado

Crer que pode fugir da dor, libertar-se da dor, esquecer-se da dor é uma manifestação atavicamente entendida na vida da grande maioria da humanidade. Porque, também, é uma atitude por demais simplista, acomodatícia que não oferece solução ao magno problema que assinala o ser humano 

Orando, preceituam muitas das religiões vigentes no Cristianismo, encontrar-se-iam a liberação das águas tempestuosas do sofrimento. Na prece seria encontrada a liberação pura e simples da tumultuosa dor, como se a Providência Divina exercesse o papel de acumular solicitações para de imediato atendê-las indiscriminadamente, longe de analisar a questão profunda do mérito e do demérito. 

Há, ainda, os vinculados às correntes materialistas ou científicas, cujo caráter se acha entorpecido pela descrença na vida imortal, e assim, julgam-se capacitados a anular o passado culposo e suficientemente fortes para libertar os infratores, dispensando-lhes de responder pelos delitos contra a Perfeita Lei. 

 Por esses o prazer é buscado avidamente, sem que, no entanto, logrem atender a sede do gozo, fugindo, então, para os escorregadios labirintos das drogas enlouquecedoras, procurando, através delas, a exaltação da felicidade a que se julgam merecedores usufruir. 

Contudo, a dor continua imperturbável, ela que é a servidora da alma, sacudindo e despertando as mentes, no afã de realizar aquilo que é divino - a manutenção do equilíbrio da Lei. 

Emerge ela aqui e ali, com mil aparências, mas sempre mostrada numa identidade que muitos poucos ousam escutá-la e procuram entendê-la. 

Para encará-la surgiu em épocas remotas o estoicismo, tendo como ponto básico de apoio o desprezo pelos bens terrenos, o qual, aliado ao culto das virtudes promoveria o equilíbrio do homem, valorizando-o e potencializando-o para vencer a dor, pois desta forma, poderia enfrentá-la com nobreza e fé. 

Sócrates foi um exemplo de estoicismo, quando encarcerado após vil julgamento, preconizava, mesmo da prisão, o cultivo da moral e da virtude como únicos meios para se transpor o acúleo da dor. 

 O pobrezinho de Assis, Francisco, experimentou zombaria, humilhações mil,  porém manteve a força pulsante do amor em seus atos e palavras exercitando as virtudes cristãs, nunca deixando de bendizer a dor. 

 As Vozes encarceraram Joana D’Arc, e ela, estimulada pelos Veneráveis amigos espirituais, que nunca deixaram de conduzi-la pacientemente, suportou a dor do cárcere, o opróbrio e após infamante julgamento, foi mais uma a morrer queimada, mas chamando por JESUS, crendo nEle, com isso superando a dor. 

 Afirma soberana Joanna de Ângelis que a dor é moeda de resgate, exercício para fixação do bem e alta concessão divina. 

 Vivesse o homem ausente da dor ignoraria a paz, não levaria em consideração a 
necessidade da alegria e maldiria a saúde, perdendo, desta maneira, a inestimável oportunidade de exercitar lições para que o bem fizesse morada definitiva em sua tela mental. 

 Estejamos onde estivermos, na cadeira de rodas; nos tormentos morais; nas limitações dos objetivos; nas sombrias convivências familiares, sociais e trabalhistas; diante da dor no corpo, na mente e na alma, onde queime a brasa da dor, esforcemo-nos por agradecer a DEUS o ensejo de reaprender e reparar.

Não deixemos nunca de considerar que, enquanto a dor nos queima, milhares, milhões de irmãos em humanidade lançam-se desabridamente pelos estreitos caminhos da irresponsabilidade, conduzidos pela loucura do gozo insaciável. Acalmemo-nos, mesmo que a dor esteja nos vergastando. 

 O Amigo Incondicional de todas as horas, JESUS, elegeu a dor como a companheira de seus dias terrenais e aproveitou, através dela a nos deixar um precioso ensino, sem nunca recorrer ao verbalismo nem à retórica, mostrando que se pode ser feliz em todos os instantes, sem nunca deixar de exaltar o amor e a bondade como roteiro 
de iluminação. 

Amesquinhado, com o céu particular carregado de nuvens sombrias, carregando preocupações, diante de angústias ultrizes levantemos a cabeça e tornemos nossas mãos em asas de amor e paz e com elas, através do trabalho no bem, louvemos ao Senhor da Vida, para que, assim, um dia alcemos vôo às Regiões da libertação plena após resgatarmos as nossas dívidas na contabilidade divina. 

 Recebamos, pois, a dor com alegria, com amor e nunca descoraçoemos nem entremos em desvario. 

Apoio Joanna de Ângelis - livro “Dimensões da Verdade”, psicografia de Divaldo Pereira 
Franco. 
(Artigo publicado originalmente no Jornal Espírita de Pernambuco – maio de 1999)

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sábado, 22 de outubro de 2016

A DIFERENÇA ENTRE CRER E TER FE

A Diferença entre Crer e ter Fé

Equipe Consciesp

“Se o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez creia.

Esse homem pode, em teoria, aceitar que Deus existe e, apesar disso, não ter fé"

O notável professor, filósofo e humanista brasileiro, Huberto Rohden, em um de seus oportunos comentários inseridos no livro “A Mensagem Viva do Cristo”, obra que compreende a tradução feita por ele mesmo dos quatro evangelhos, diretamente do grego do primeiro século, convida-nos a refletir sobre a significativa distinção entre crer e ter fé. Para ele, a não compreensão dessa questão tem deturpado a teologia e trazido enorme prejuízo à mensagem do Cristo ao longo desses 2000 anos.

Escreve ele: 

“Desde os primeiros séculos do Cristianismo, quando o texto grego do Evangelho foi traduzido para o latim, principiou a funesta identificação de crer com ter fé. A palavra grega para fé é pistis, cujo verbo é pisteuein.

Infelizmente, o substantivo latino fides, o correspondente a pistis, não tem verbo e assim, os tradutores latinos se viram obrigados a recorrer a um verbo de outro radical para exprimir o grego pisteuein, ter fé. O verbo latino que substituiu o grego pisteuein é credere, que em português deu crer. Nenhuma das cinco línguas neo latinas — português, espanhol, italiano, francês, rumeno — possui verbo derivado do substantivo fides; fé; todas essas línguas são obrigadas a recorrer a um verbo derivado de credere. Ora, a palavra pistis ou fides significa originariamente harmonia, sintonia, consonância. Ter fé é estabelecer ou ter sintonia, harmonia entre o espírito humano e o espírito
divino.”

Se o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez creia

Para o ilustre filósofo, aí está um dos maiores problemas que em muito vem prejudicando a teologia e, para explicar a diferença de significado entre uma coisa e outra, estabelece ele o seguinte paralelo ilustrativo: “Um receptor de rádio só recebe a onde eletrônica emitida pela estação emissora, quando o receptor está sintonizado ou afinado perfeitamente com a freqüência da emissora. Se a emissora, por exemplo, emite uma onda de freqüência 100, o meu receptor só reage a essa onda e recebe-a quando está sintonizado com a freqüência 100. Só neste caso, o meu receptor tem fé, fidelidade, harmonia; fideliza com a emissora”. 

Dentro desse contexto, “se o espírito humano não está sintonizado com o espírito de Deus, ele não tem fé, embora talvez creia. Esse homem pode, em teoria, aceitar que Deus existe e, apesar disso, não ter fé. Ter fé é estar em sintonia com Deus, tanto pela consciência como também pela vivência, ao passo que um homem sem sintonia com Deus pela consciência e pela vivência, pela mística e pela ética, pode crer vagamente em Deus. Crer é um ato de boa vontade; ter fé é uma atitude de consciência e de vivência”, argumenta o professor Rohden. 

Salvação não é outra coisa senão a harmonia da consciência e da vivência com Deus. 

Para ele, a conhecida frase “quem crer será salvo, quem não crer será condenado”, é absurda e blasfema no sentido em que ela é geralmente usada pelos teólogos. No entanto, “se lhe dermos o sentido verdadeiro ‘quem tiver fé será salvo’ ela está certa, porque salvação não é outra coisa senão a harmonia da consciência e da vivência com Deus”. 

Em sua opinião, de sincero buscador, erudito e filósofo espiritualista “a substituição de ter fé por crer há quase 2000 anos, está desgraçando a teologia, deturpando profundamente a mensagem do Cristo”. 


Consciência Espírita 

Centro de Estudos Espíritas Paulo Apóstolo 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Dr. Cyro Masci

artigo gentilmente cedido para cópia pelo Dr. Cyro  Masci

EMAIL:cyromasci@regra.com.br

O sobrevivente Por que eu? Fases do trauma Sintomas Como sobreviver? Como auxiliar o sobrevivente Tratamento especializado O SOBREVIVENTE

Sobreviver a uma catástrofe é uma das coisas mais difíceis que se pode imaginar. Há muitos anos, situações de desespero eram mais comuns, e muitas famílias optavam por ter muitos filhos, porque a chance de que alguns deles viessem a morrer era alta. Epidemias devastavam cidades, as guerras eram frequentes, e episódios de violência mais comuns. A vida enfim era um esperado vale de lágrimas.

Atualmente a coisa mudou. Não é incomum que uma pessoa atravesse a vida inteira sem enfrentar uma tragédia. Não se trata do fato de que problemas e crises deixaram de acontecer. Eles acontecem, como a perda do emprego, a dificuldade financeira, algumas doenças em família, familiares idosos que falecem.

Mas lá pelas tantas algumas pessoas são submetidas a uma experiência excepcionalmente ruim, como a perda inexplicável de um filho, ser vítima de um incêndio, estupro ou sequestro. Para algumas pessoas episódios como a perda de emprego, ser espancado ou preso, ou mesmo um processo judicial pode ser vivenciado como uma extraordinária catástrofe, e sofrem da mesma maneira.

As pessoas que sobrevivem a essas catástrofes apresentam um quadro que se chama Estresse Pós Traumático, e é dele que estamos tratando.

POR QUE EU?

Essa é a pergunta que todas as pessoas que passaram por experiência particularmente traumática fazem. Não há uma resposta pronta     e essa pergunta costuma ecoar dentro da cabeça por um longo tempo. Quanto é esse tempo? Se a experiência traumática for leve, de 3  a 6 meses. Uma perda de um parente próximo, de 6 meses a 2 anos. E infelizmente para traumas mais devastadores, anos a fio ou a vida inteira. Em geral os sintomas tem início nos primeiros 3 meses após o evento, mas pode acontecer desse intervalo chegar a muito mais tempo, às vezes anos.

Pacientes com câncer costumam desenvolver uma sequência de reações já bastante conhecida. E não são apenas as pessoas com esse tipo de problema. Muitas pessoas que passam por um trauma passam por um processo que segue determinadas fases. Vamos a elas:

FASE I

A Notícia: Você fica sabendo da grande mudança na sua vida. É uma ameaça ao seu equilíbrio. A reação mais comum é a de negação. "Não pode ser verdade, não comigo!". A maioria das pessoas passa por essa fase num estado de letargia, como se a coisa toda não fosse com ela.

FASE II

Primeiro Contato: A pessoa começa lentamente a perceber o que se passa. Pode achar assustador e irritante, ou mesmo agradável e excitante. Esse é um primeiro contato com a realidade, e suas impressões não devem ser levadas inteiramente a sério. Por isso, é importante que a pessoa saiba que possivelmente irá mudar de opinião, e não deve ter nenhum compromisso com esses sentimentos iniciais. Isso é mais difícil quando a pessoa inicialmente fica até animada e com o passar do tempo começa a mudar sua visão.

FASE III

Para sair dessa vou...: A maioria das pessoas começa a tentar uma solução improvisada. Pode querer barganhar com alguma   divindade. Pode achar que o pior já passou e que vai sair dessa fácil, fácil! O problema dessa fase é que a pessoa ainda não entrou em contato integral com a dura realidade. Pode estar querendo evitar o sofrimento de ver a real dimensão da crise e achar uma saída em  que haja pouco ou nenhum prejuízo. O sonho de sair por cima de tudo e de todos! Um mito que custa muito caro, já que é apenas quando percebemos nossa fragilidade e nossa parcela de responsabilidade no que se passa que crescemos. É somente quando adquirimos consciência das nossas deficiências e azares que conseguimos ter uma saudável humildade. Para quem se arrepia com essa palavra, vale lembrar que ela tem o mesmo radical que húmus, que significa terra fértil, propícia para   crescimento...

FASE IV

Dureza!!! "É péssimo! Não há nenhuma esperança! Só podia acontecer comigo mesmo, que sempre fui um azarado na vida. Eu não mereço! Ou melhor, mereço sim... Eu não vou aguentar! É muito doloroso. Demais..." Nessa fase, a pessoa entra em contato integral com a dor das perdas. Fica face a face com o inevitável. É o momento decisivo, que antecede a vitória final. Aceitar o inevitável, aceitar a perda, aceitar que nem sempre se vence, aceitar que a vida é assim mesmo. A sabedoria nessa fase é parar de procurar culpados, causas para o que aconteceu, aguentar o baque e ver o que se pode fazer depois disso tudo.

FASE V

A vida continua... "É duro, mas parece que já estou conseguindo superar. No final, acho que tudo vai dar certo. Eu posso aguentar isso!" O ciclo começa a terminar. Um pouco mais de tempo e as perspectivas de um futuro melhor recomeçam. Em outras palavras, volta a existir esperança. Toda pessoa sai com algumas feridas, algumas mais abertas, outras já cicatrizadas. Vale destacar o que muitos não percebem: o indivíduo acabou por sair crescido, mais adulto, mais sábio, melhor preparado para a vida! Aumentou de maneira extraordinária seu arsenal para resolver problemas no futuro, além de possivelmente adquirir maior sensibilidade para ajudar outras pessoas em  dificuldades

SINTOMAS

Algumas vezes esse processo não termina tão bem assim. Seja porque a experiência foi traumática demais, ou a pessoa já possuía dificuldade anterior em encarar dificuldades, o tempo começa a passar e alguns sintomas começam a se tornar mais estáveis. São eles:

Culpa - muitas vezes culpa por ter sobrevivido, ou pelas coisas que teve que fazer para sobreviver; Ansiedade - em geral a vítima evita as situações que lembram o trauma, tem dificuldade para adormecer, assusta-se com facilidade; Depressão - muitas vezes perda das crenças, sensação de inutilidade, vergonha, desespero ou desamparo, além de retraimento para a vida social e um certo entorpecimento para a vida. ; Revivendo - Com muita frequência o sobrevivente volta a lembrar do trauma, seja em episódios de flashback que invadem a mente, seja em sonhos. Algumas vezes ocorre exatamente o oposto e o sobrevivente não consegue se lembrar de nada. ;

COMO SOBREVIVER?

Episódios realmente catastróficos, como um estupro, sequestro, acidente de avião ou perda de um filho, trazem uma dor enorme e absolutamente compreensível. E já existem inúmeros estudos que apontam para uma boa melhora se a pessoa conseguir falar a    respeito de suas dificuldades e de seu sofrimento. É imperativo ventilar o que se está pensando, pois só assim haverá a oportunidade de se ver o problema sob perspectivas que você não havia pensado, e que possivelmente não irá ver se não falar.

E essas novas perspectivas não vem necessariamente do que a outra pessoa lhe fala, mas sim do próprio ato de colocar os pensamentos para fora. Não adianta achar que já está pensando bastante a respeito. Falar é muito diferente do que pensar.

Se a pessoa que você resolveu se abrir não for um profissional, talvez seja interessante verificar se ela possui capacidade para tolerar a angústia alheia. Uma rápida olhada no passado de seu relacionamento possivelmente lhe dará a resposta: essa pessoa foi capaz de tolerar as dificuldades dos outros ouvindo antes de dar sua opinião, ou é um poço de bons conselhos, que na verdade tentam apenas fazer o outro ficar quieto?

Você também poderá procurar um ouvinte profissional, como um psiquiatra, um psicólogo ou um assistente social. Mas esteja certo de que o profissional sabe como agir em situações de crise pessoal. A menos que você deseje aproveitar a oportunidade, torne explícito que você não está procurando um tratamento prolongado, mas alguém que o auxilie a pensar melhor. De qualquer modo deixe bem claro o que você procura e esteja certo de que o profissional aceitou esse papel.

Ao falar sobre o episódio traumático, em geral as vítimas tem como resultado imediato uma certa depressão. Mas com o passar do tempo, quem teve oportunidade de desabafar tem uma redução em torno de 50 % de doenças físicas relacionadas ao estresse e uma melhora considerável de seu sistema imunitário.

Seja um amigo, seja um profissional, é certo de que o apoio situacional eficiente é sempre muito útil, e pode ser muito eficiente se certos tópicos forem lembrados.

COMO AUXILIAR O SOBREVIVENTE

O que uma pessoa, profissional ou não, precisa lembrar no momento em que está com um sobrevivente? Lembre-se especialmente de que apoiar não é palpitar. Apoiar é tolerar: O princípio fundamental que deve ser lembrado é o de que o caminho a ser percorrido não    é um linha reta, e não pode ser um círculo vicioso. O que se procura é uma caminho com altos e baixos, mas no qual se caminha para a frente.

Quando a pessoa se encontra no alto, procura-se incentivar na busca de soluções concretas ou medidas para o futuro. Quando na     baixa, tolera-se a angústia e permite-se um saudável extravasar de sentimentos, especialmente os temores. Algumas medidas específicas incluem:

Não entrar na conspiração do silêncio: fazer de conta que tudo está bem é o que de pior pode ocorrer. Há uma crise a ser solucionada. Existem emoções confusas a serem vistas.

Estimular a pessoa a falar, facilitando o desabafo, procurando tolerar a mágoa e a irritação. É preciso tocar com cuidado no não dito, nos temores racionais e irracionais. Fazendo isso, a pessoa estará conseguindo extravasar sua angústia sem precisar achar um bode expiatório.

Não querer e não exigir soluções de uma única vez. É preciso ajudar a pessoa a enfrentar a crise em doses controláveis.

Tomar cuidado para não incentivar o silêncio e o recolhimento com frases como "foi a vontade de Deus" ou "a vida deve continuar", que na realidade são ordens para quebrar os verdadeiros sentimentos e substitui-los por frases feitas. Em geral indicam dificuldade pessoal de quem está ouvindo.

É comum a fantasia de que a pessoa possa estar perdendo o juízo, ficando louca. Quando possível, aproveitando uma pergunta direta ou uma outra deixa, afirme ao indivíduo que isso não é verdade.

Não estimular soluções mágicas. Se a pessoa tiver uma fé religiosa, ótimo. Se acreditar que estará recebendo auxílio superior, melhor ainda! O que se está tentando evitar é que o indivíduo abandone sua obrigação de achar a saída da crise com uma barganha mística, ou então passando a sua responsabilidade de viver a alguma entidade superior.

Não acreditar em fortalezas. Ninguém sai impune de uma crise. É melhor não acreditar que está tudo bem, porque certamente não está. Estimule o desabafo.

Ser moderado nos empurrões. É muito comum que o indivíduo que está ouvindo resolva dar um chacoalhão, estimulando a pessoa a agir, a não ficar se lastimando. Em geral quem está sob uma crise encontra-se deprimido, e é muito frequente que indivíduos depressivos busquem punições de maneira inconsciente. Quem ouve sente sua angústia diminuir através dos berros. E quem tem o problema parece melhorar, mas não porque achou a saída, e sim por ser   punida!

A postura de quem se propõe a ouvir deve ser a de oferecer o ombro de igual para igual, mostrando que tem fé na capacidade do indivíduo superar a crise.

Promover apoio ambiental, não acreditando que a pessoa não está precisando de nada. O ideal é agir com descrição, não permitindo que a pessoa se sinta inútil, fraca ou incompetente.

E se houver dúvida sobre falar ou não falar, é melhor calar. O princípio é tolerar a ansiedade nos momentos em que o indivíduo está por baixo. E estimular à busca de soluções (que não são necessariamente ações imediatas) quando se está por cima. A ideia do caminho com altos e baixos, mas em que se caminha para frente, não deve ser esquecida.

Lembre-se do princípio do armário de cozinha: quando a louça despenca de lá de cima, haverá um momento de aflição, mas será necessário jogar fora o que está irremediavelmente perdido e aproveitar o que está intacto. A partir daí seguir a vida com o que ela oferece de bom.

TRATAMENTO ESPECIALIZADO

As medidas apontadas são excepcionalmente úteis, em especial se aplicadas ao sobrevivente logo após o episódio traumático. Mas se os sintomas persistirem, convém procurar um auxílio médico, com um psiquiatra. Atualmente os medicamentos antidepressivos podem auxiliar um pouco, mas quando administrados de modo isolado, tem sua utilidades bastante diminuída. Já a associação de medicamentos com terapia comportamental dão resultados bem melhores. A técnica que melhor tem apresentado resultados são uma combinação de inoculação de estresse com exposição prolongada. Essas técnicas devem ser aplicadas exclusivamente por profissionais habilitados, mas quando bem administradas chegam a diminuir acentuadamente os sintomas do Estresse Pós Traumático em 80 %   após 9 a 10 sessões.

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

VARIAÇOES DE HUMOR

VARIAÇÕES DE HUMOR

Richard Simonetti

-Eu estava muito bem, saudável, animado...De repente, sem motivo palpável, caí na “fossa" - uma angústia invencível, uma profunda sensação de infelicidade, como se a vida não tivesse mais graça...

Queixas assim são frequentes nas pessoas que procuram o Centro Espírita. Nesse estado toma corpo, não raro, a ideia de que a morte   é a solução.

Conversávamos, certa feita, num hospital, com um rapaz que tentara o suicídio ingerindo substância tóxica. Socorrido a tempo, amargava sofrida recuperação.

Tentamos definir o motivo de tão grave iniciativa:

- Alguma desilusão sentimental?

- Absolutamente. Não tenho namorada.

- Problemas familiares?

- Pelo contrário. Dou-me muito bem com meus pais e irmãos.

- Perdeu o emprego?

-Trabalho há anos na mesma firma. O patrão parece contente comigo.

- Então, o que foi?

- É que eu estava entediado de viver. Entrei em estado de tristeza e achei que seria melhor morrer.

- Já se sentiu assim, anteriormente?

- Sim, de vez em quando...

*****

Em psicologia o paciente poderia ser definido como ciclo tímico, alguém com temperamento sujeito a variações intensas de humor - alegria e tristeza, euforia e angústia, serenidade e tensão. Tem períodos de grande energia, confiança, exaltação, alternados com aflições. Muita disposição e iniciativas hoje; amanhã temores e inibições.

Os períodos negativos podem prolongar-se, instalando a depressão, a exigir tratamento especializado na área da psiquiatria. Como ela se alterna com estados de euforia, em que o paciente parece totalmente recuperado, sem que nada tenha ocorrido para justificar a mudança de humor, emprega-se a expressão "depressão endógena", algo que tem sua origem nas tendências constitucionais herdadas, algo que faz parte da personalidade do indivíduo.

Há uma retificação a fazer. A tendência à depressão é uma herança, realmente, não de nossos pais, mas de nós mesmos, porquanto as características fundamentais de nossa personalidade representam, essencialmente, a soma de nossas experiências em vidas   pretéritas.

O que fizemos no passado determina o que somos no presente. Poderíamos colocar em dúvida a justiça de Deus se assim não fosse, porquanto é inadmissível, além de não encontrar respaldo científico, a existência de uma herança psicológica embutida nos elementos genéticos.

O que pesa sobre nossos ombros, favorecendo os estados depressivos, é a carga dos desvios cometidos, das tendências inferiores desenvolvidas, dos vícios cultivados, do mal praticado. Há pessoas que, pressionadas por esse peso mergulham tão fundo na angústia que parecem cultivar a volúpia do sofrimento, com o que comprometem a própria estabilidade física, favorecendo a evolução de desajustes intermináveis.

***** De certa forma somos todos ciclotímicos, temos variações de humor, sem que isso se constitua num estado mórbido: hoje em paz com a vida; amanhã brigados com a humanidade. Nas nuvens por algum tempo; depois na   "fossa".

E nem sempre, como ocorre com o paciente ciclotímico, há justificativa para essa alternância. Pelo contrário: frequentemente nosso humor opõe-se às circunstâncias, como o indivíduo plenamente realizado no terreno afetivo, social e profissional que, não obstante, experimenta períodos de angústia; no outro extremo, o doente preso ao leito, padecendo dores e incômodos, que tem momento de indefinível alegria e bem - estar.

Essa ciclotímia guarda relação com os processos de influência espiritual. Estados depressivos podem originar-se da atuação de Espíritos perturbados e perturbadores, que consciente ou inconscientemente nos assediam. Popularmente emprega-se o termo "encosto" para esse envolvimento.

Por outro lado, os estados de euforia, sem motivo aparente, resultam do contato com benfeitores espirituais que imprimem em nosso psiquismo algo de suas vibrações alentadoras.

-Hoje estou em estado de graça. Acordei bem disposto, feliz , sem nenhum "grilo" na cabeça - diz alguém , sem saber que tal disposição é fruto de ajuda recebida no plano espiritual durante as horas de sono físico , favorecendo-lhe um "alto astral".
*****

Importante lembrar, também, o ambiente como fator de indução que pode precipitar estados de depressão, ou euforia.

Num velório, onde os familiares do morto deixam-se dominar pelo desespero, em angústia extrema, marcada por gritos e choro convulsivo, muitas pessoas se sentirão deprimidas, porquanto os sentimentos negativos são tão contagiosos como uma gripe. Se não possuímos defesas espirituais tenderemos a assimilá-los com muita facilidade.

Inversamente, comparecendo a uma reunião de cunho religioso, onde se cultua a prece, no empenho de comunhão com a Espiritualidade, ouvindo exortações relacionadas com a virtude e o bem, experimentaremos maravilhosa sensação de paz, como se houvéssemos ingerido milagroso elixir.

Há outro aspecto muito interessante, abordado pelo Espírito François de Genève , no capítulo V , de "O Evangelho Segundo o Espiritismo":

"Sabeis porque, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida? É que o vosso Espírito, aspirando à felicidade e à liberdade, se esgota, jungido ao corpo que lhe serve de prisão, em vãos esforços para sair dele. Reconhecendo inúteis esses esforços, cai no desânimo e, como o corpo lhe sofre a influência, toma-vos a lassidão, o abatimento, uma espécie de apatia e vos julgais infelizes.

"Crede-me, resisti com energia a essas impressões, que vos enfraquecem a vontade. São inatas no espírito de todos os homens as aspirações por uma vida melhor; mas, não a busqueis neste mundo e, agora, quando Deus vos envia os Espíritos que lhe pertencem, para vos instruírem acerca da felicidade que lê vos reserva, aguardai pacientemente o anjo da libertação, para vos ajudar a romper os liames que vos mantém cativo o Espírito. Lembrai-vos de que, durante o vosso degredo na Terra, tendes que desempenhar uma missão de que não suspeitais, quer dedicando-vos à vossa família, quer cumprindo as diversas obrigações que Deus vos confiou. Se, no curso desse degredo-provação , exonerando-vos dos vossos encargos , sobre vós desabarem os cuidados , as inquietações e tribulações , sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão braços , a fim de guiar-vos a uma região inacessível às aflições da Terra."
*****

Podemos concluir, em resumo, que a ciclotimia de nossa personalidade ocorre em função de pressões ambientes, de influências espirituais, do peso do passado e das saudades do além.

E como superar as variações de humor, mantendo a serenidade e a paz em todas as situações?

É evidente que não a faremos da noite para o dia, como quem opera um prodígio, mesmo porque isso envolve uma profunda mudança em nossa maneira de pensar e agir, o que pede o concurso do tempo.

Considerando, entretanto, que influências boas ou más passam necessariamente pelos condutos de nosso pensamento, podemos começar com o esforço por disciplinarmos nossa mente, não nos permitindo ideais negativas.

O apóstolo Paulo, orientando a comunidade cristã, em relação aos testemunhos necessários, ressalta bem isso, ao proclamar, na Epístola aos Filipenses (4:8):

"Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento".

(Página extraída da obra Espírita: “Uma Razão Para Viver”)


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DEPRESSAO


DEPRESSÃO

Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco

A depressão tem a sua gênese no Espírito, que reencarna com alta dose de culpa, quando renteando no processo da evolução sob fatores negativos que lhe assinalam a marcha e de que na o se resolveu por liberar-se em definitivo.

Com a consciência culpada, sofrendo os gravames que lhe dilaceram a alegria íntima, imprime nas células os elementos que as desconectam, propiciando, em largo prazo, o desencadeamento dessa psicose que domina uma centena de milhões de criaturas na atualidade.

***

Se desejarmos examinar as causas psicológicas, genéticas e orgânicas, bem estudadas pelas ciências que se encarregam de penetrar o problema, temos que levar em conta o Espirito imortal, gerador dos quadros emocionais e físicos de que necessita, para crescer na direção de Deus.

A depressão instala-se, a pouco e pouco, porque as correntes psíquicas desconexas que a desencadeiam, desarticulam, vagarosamente, o equilíbrio mental.

Quando irrompe, exteriorizando-se, dominadora, suas raízes estão fixadas nos painéis da alma rebelde ou receosa de prosseguir nos compromissos redentores abraçados.

Face as suas cáusticas manifestações, a terapia de emergência faz-se imprescindível, embora, os métodos acadêmicos vigentes, pura e simplesmente, não sejam suficientes para erradicá-la.

***

Permanecendo as ocorrências psicossociais, socioeconômicas, psico-afetivas, que produzem a ansiedade, certamente se repetirão os distúrbios no comportamento do indivíduo conduzindo a novos estados depressivos.

***

Abre-te ao amor e combaterás as ocorrências depressivas, movimentando-te em paz na área da afetividade com o pensamento em Deus.

Evita a hora vazia e resguarda-te da sofreguidão pelo excesso de trabalho.

Adestra-te, mentalmente, na resignação diante do que te ocorra de desagradável e não possas mudar. Quando sitiado pela ideia depressiva alarga o campo de raciocínio e combate o pensamento pessimista.

Açodado pelas reminiscências perniciosas, de contornos imprecisos, sobrepõe as aspirações da luta e age, vencendo o cansaço.

***

Quem se habilita na ação bem conduzida e dirige o raciocínio com equilíbrio, não tomba nas redes bem urdidas da depressão. Toda vez que uma ideia prejudicial intentar espraiar-se nas telas do pensamento obnubilando-se a razão, recorre à prece e à polivalência de conceitos, impedindo-lhe a fixação.

***

Agradecendo a Deus a benção do renascimento na carne, conscientiza-te da sua utilidade e significação superior, combatendo os receios do passado espiritual, os mecanismos inconscientes de culpa, e produze com alegria.
Recebendo ou não tratamento especializado sob a orientação de algum facultativo, aprofunda a terapia espiritual e reage, compreendendo que todos os males que infelicitam o homem procedem do Espirito que ele é, no qual se encontram estruturadas as conquistas e as quedas, no largo mecanismo da evolução inevitável. 

(Mensagem extraída da obra "Receitas de Paz")


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2 - COMPORTAMENTO DEPRESSIVO

Maria Thereza Carreço Oliveira

A depressão é um mal-estar muito presente na civilização, neste fim de século. Grave é aquele processo depressivo que afeta, de diferentes maneiras, o humor, o pensamento, as funções corporais e o comportamento de uma pessoa.

Na depressão, muitas vezes, o pensamento se torna negativo em relação a si mesmo, ao presente e ao futuro. As pessoas deprimidas podem ter dificuldades para se concentrar e memorizar e com frequência têm problemas para tomar decisões. À medida em que a depressão vai se tornando mais grave, pode ocorrer o sentimento de menosprezo e desespero. As pessoas que pensam que a vida não vale mais a pena ser vivida apresentam com frequência ideias suicidas.

O que pode causar a depressão?

Alguns boletins médicos apresentam como possíveis causas:

Dificuldades numa relação.

Preocupações financeiras.

Stress.

"Perdas" de entes queridos.

Herança genética - alguns pesquisadores acreditam que pessoas com suscetibilidade genética podem tornar-se mais vulneráveis à depressão.

Fatores fisiológicos ou bioquímicos - que hoje se constitui em interessante área de pesquisa.

Acredita-se que a depressão seja causada por um desequilíbrio entre substâncias químicas cerebrais (neurotransmissores). Outros fatores fisiológicos seriam algumas doenças, vários remédios e também o álcool e outras substâncias das quais as pessoas abusam.

Numa avaliação social, Dr. Washington Loyello, professor adjunto de Psiquiatria da Universidade do Est. do Rio de Janeiro, opina:

"A valorização exacerbada do dinheiro e das posições sociais somada ao incessante apelo ao consumismo faz com que o homem ocidental sofra uma série de tensões e frustrações que podem acabar culminando com o aparecimento de algum distúrbio mental".

Para o psiquiatra, "no sistema capitalista, onde a criação artificial de necessidades funciona como força motriz, o homem é espicaçado através da propaganda a um consumo desnecessário de bens, o que o leva a envidar esforços cada vez maiores a fim de obtê-los.
Evidentemente que a conquista desse objetivo gera um imenso desgaste, enquanto seu fracasso acarreta uma enorme gama de frustrações. Não há então uma solução de satisfação. Somos sempre arremessados em extremos insatisfatórios".

Ainda assinala o médico, em adição aos aspectos competitivos da sociedade e da criação de necessidades, estão as reais situações de dificuldades. "Há pessoas que não têm como comer ou dormir direito, não dispõem de um mínimo de condições de sobrevida". E para Loyello, ansiedade e depressão seriam as consequências mais comuns e ilustrativas do caos pós-moderno.

Outro psiquiatra -- Dr. Eustáquio Portela Nunes, nos dá sua opinião, dentro do contexto social:

"A depressão é, para este final de século o que a histeria foi para seu início. Esse fato se deve às vertiginosas transformações operadas no período. A depressão resulta da ausência e esperança, da incerteza em relação ao que está por vir. Entre os deprimidos é onde ocorre o maior número de suicídios. O homem paga um alto tributo por ser o único animal que se angustia, uma sensação essencialmente ligada ao medo do futuro. É o único ser vivo na natureza que sabe que vai morrer e chega um momento, geralmente na idade média da vida, em que o presente cobra do passado os sonhos irrealizados e é nessa fase que a depressão encontra terreno fértil para se instalar".

"Outro aspecto da depressão, uma sensação de perda de pontos de apoio, é semelhante à experimentada com a morte de entes queridos. A perda está vinculada a ideias de diminuição, subtração, desvalorização, que produzem um sentimento de tristeza, desânimo e desinteresse pela vida", analisa Dr. Washington Loyello.

As estatísticas apontam a quarta década da vida como a época mais propícia ao surgimento do mal, embora outros dados já indiquem uma alteração na saúde mental de jovens na faixa etária entre 15 e 24 anos -- a taxa de suicídio triplicou nos últimos 20 anos, segundo a Associação Mundial de Psiquiatria. "O amplo espectro de sintomas da depressão compreende tristeza, diminuição da vontade, sentimento exagerado de culpa, perda de perspectiva, desejo de fuga da vida, redução da mobilidade e da capacidade cognitiva, além de insônia ou hiperssonia".

Esses aspectos são abordagens psicossociais que a comunidade médica apresenta dentro de seu campo de ação. E o aspecto espiritual, seria relevante, no caso da depressão?

Sem dúvida, e a Doutrina Espírita nos coloca alguns pontos que, refletidos, leva-nos a considerar não somente os aspectos psicofísicos e sociais.

O princípio doutrinário da reencarnação nos permite raciocinar sobre a imensa bagagem da qual o espírito imortal é portador. Ora, essa bagagem tem conteúdo positivo e negativo que foi acumulado ao longo das vidas sucessivas.

O espírito registra todo o seu quadro comportamental através do perispírito, que o intermedeia ao corpo físico.

Muitas sequelas graves que se apresentam como doença no corpo são resultados de distúrbios comportamentais que se apresentaram no passado remoto ou recente. A depressão pode ser um quadro desses, agravado pelos agentes externos. O corpo físico somatiza desequilíbrios do espírito.

Há, ainda, o assédio espiritual de outros seres, já desencarnados, que a Doutrina Espírita caracteriza como processo obsessivo, influenciando aquele que já se encontra predisposto às influenciações dessa natureza.

Ou seja, o processo depressivo indica um espírito angustiado, que ainda não conseguiu achar um denominador comum nas suas ações, um espírito que se debate nas suas emoções sobre as quais perdeu o controle.

Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, assim se expressa:

"Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.

A mole humana passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.

A doença, todavia, é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microrganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita. Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o  corpo.

Momentaneamente, com a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, porém, a situação em outro quadro patológico mais tarde.

A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se     instalam."  (Plenitude-Alvorada Editora)

A medicina tradicional recomenda o tratamento com medicamentos capazes de contornar rapidamente os sintomas e mais o acompanhamento psicoterápico. A Doutrina Espírita vai além, considerando que o significado da vida é muito mais amplo que conquistas sociais.

Ainda utilizamos Joana de Ângelis que traduz o pensamento espírita:

"O Espiritismo vem conclamando o homem para o respeito a Deus, a si mesmo, ao próximo, a todas as expressões vivas ou no que lhe constituem o ambiente em que está localizado, para aprender e ser feliz, assim adquirindo a sua plenitude.

Considerando a problemática humana, existente no próprio indivíduo -- o desconhecimento de si mesmo e tendo em vista os urgentes fatores que desencadeiam o sofrimento, arrastando multidões à sandice, ao desalento, à alucinação, às fugas inglórias pelo suicídio e pelos vícios, propõe que o homem conheça a si próprio a fim de se trabalhar.

Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas profundas das enfermidades.  A cura sempre provém da força da própria vida, quando canalizada corretamente".

Adquirir uma consciência responsável é meta nossa, na presente encarnação, o que nos facilitaria a educação do pensamento e a disciplina dos hábitos. Educar o pensamento é direcioná-lo de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis.

Um processo de autocura inclui, segundo ainda Joanna de Ângelis na mesma obra:

 1 Observar o pensamento para que irradie energias   positivas:

desejar a saúde.

concentrar na saúde.

visualizer a saude.


2 Manter sintonia mental com Deus, fonte do poder.

3 Cuidar do aspecto físico: descanso, dieta, higiene, ordem nas atividades.

4 Canalização dos pensamentos e das emoções para o amor, a compaixão, a justiça, a equanimidade e a paz.

A obsessão é estudada em profundidade pelo Espiritismo -- fatores causais -- e a Casa Espírita propõe métodos corretos para atender os que se acham envolvidos.

O amor seria o primeiro medicamento para a terapia antiobsessiva. A mediunidade é grande oportunidade para identificar e curar obsessões e, devidamente educada, aplicada em finalidades relevantes.

A desobsessão é terapia especializada da Casa Espírita mas o processo implica em reforma moral do obsidiado.

O deprimido precisa curar a alma, a fim de que se instale a alegria, a paz, a saúde integral. É uma luta longa, mas o esforço para levá-la a termo construirá bases morais sólidas, naquele que se dispõe a realizar.
*******
"Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem".

(O Evang. Segundo o Espiritismo -- Allan Kardec -- Introdução -- item XIX -- resumo da Doutrina de Sócrates e Platão-FEB).


https://chat.whatsapp.com/HKQU0pYcQ84818HfHZbKxR

2 - COMPORTAMENTO DEPRESSIVO

Maria Thereza Carreço Oliveira

A depressão é um mal-estar muito presente na civilização, neste fim de século. Grave é aquele processo depressivo que afeta, de diferentes maneiras, o humor, o pensamento, as funções corporais e o comportamento de uma pessoa.

Na depressão, muitas vezes, o pensamento se torna negativo em relação a si mesmo, ao presente e ao futuro. As pessoas deprimidas podem ter dificuldades para se concentrar e memorizar e com frequência têm problemas para tomar decisões. À medida em que a depressão vai se tornando mais grave, pode ocorrer o sentimento de menosprezo e desespero. As pessoas que pensam que a vida não vale mais a pena ser vivida apresentam com frequência ideias suicidas.

O que pode causar a depressão?

Alguns boletins médicos apresentam como possíveis causas:

Dificuldades numa relação.

Preocupações financeiras.

Stress.

"Perdas" de entes queridos.

Herança genética - alguns pesquisadores acreditam que pessoas com suscetibilidade genética podem tornar-se mais vulneráveis à depressão.

Fatores fisiológicos ou bioquímicos - que hoje se constitui em interessante área de pesquisa.

Acredita-se que a depressão seja causada por um desequilíbrio entre substâncias químicas cerebrais (neurotransmissores). Outros fatores fisiológicos seriam algumas doenças, vários remédios e também o álcool e outras substâncias das quais as pessoas abusam.

Numa avaliação social, Dr. Washington Loyello, professor adjunto de Psiquiatria da Universidade do Est. do Rio de Janeiro, opina:

"A valorização exacerbada do dinheiro e das posições sociais somada ao incessante apelo ao consumismo faz com que o homem ocidental sofra uma série de tensões e frustrações que podem acabar culminando com o aparecimento de algum distúrbio mental".

Para o psiquiatra, "no sistema capitalista, onde a criação artificial de necessidades funciona como força motriz, o homem é espicaçado através da propaganda a um consumo desnecessário de bens, o que o leva a envidar esforços cada vez maiores a fim de obtê-los.
Evidentemente que a conquista desse objetivo gera um imenso desgaste, enquanto seu fracasso acarreta uma enorme gama de frustrações. Não há então uma solução de satisfação. Somos sempre arremessados em extremos insatisfatórios".

Ainda assinala o médico, em adição aos aspectos competitivos da sociedade e da criação de necessidades, estão as reais situações de dificuldades. "Há pessoas que não têm como comer ou dormir direito, não dispõem de um mínimo de condições de sobrevida". E para Loyello, ansiedade e depressão seriam as consequências mais comuns e ilustrativas do caos pós-moderno.

Outro psiquiatra -- Dr. Eustáquio Portela Nunes, nos dá sua opinião, dentro do contexto social:

"A depressão é, para este final de século o que a histeria foi para seu início. Esse fato se deve às vertiginosas transformações operadas no período. A depressão resulta da ausência e esperança, da incerteza em relação ao que está por vir. Entre os deprimidos é onde ocorre o maior número de suicídios. O homem paga um alto tributo por ser o único animal que se angustia, uma sensação essencialmente ligada ao medo do futuro. É o único ser vivo na natureza que sabe que vai morrer e chega um momento, geralmente na idade média da vida, em que o presente cobra do passado os sonhos irrealizados e é nessa fase que a depressão encontra terreno fértil para se instalar".

"Outro aspecto da depressão, uma sensação de perda de pontos de apoio, é semelhante à experimentada com a morte de entes queridos. A perda está vinculada a ideias de diminuição, subtração, desvalorização, que produzem um sentimento de tristeza, desânimo e desinteresse pela vida", analisa Dr. Washington Loyello.

As estatísticas apontam a quarta década da vida como a época mais propícia ao surgimento do mal, embora outros dados já indiquem uma alteração na saúde mental de jovens na faixa etária entre 15 e 24 anos -- a taxa de suicídio triplicou nos últimos 20 anos, segundo a Associação Mundial de Psiquiatria. "O amplo espectro de sintomas da depressão compreende tristeza, diminuição da vontade, sentimento exagerado de culpa, perda de perspectiva, desejo de fuga da vida, redução da mobilidade e da capacidade cognitiva, além de insônia ou hiperssonia".

Esses aspectos são abordagens psicossociais que a comunidade médica apresenta dentro de seu campo de ação. E o aspecto espiritual, seria relevante, no caso da depressão?

Sem dúvida, e a Doutrina Espírita nos coloca alguns pontos que, refletidos, leva-nos a considerar não somente os aspectos psicofísicos e sociais.

O princípio doutrinário da reencarnação nos permite raciocinar sobre a imensa bagagem da qual o espírito imortal é portador. Ora, essa bagagem tem conteúdo positivo e negativo que foi acumulado ao longo das vidas sucessivas.

O espírito registra todo o seu quadro comportamental através do perispírito, que o intermedeia ao corpo físico.

Muitas sequelas graves que se apresentam como doença no corpo são resultados de distúrbios comportamentais que se apresentaram no passado remoto ou recente. A depressão pode ser um quadro desses, agravado pelos agentes externos. O corpo físico somatiza desequilíbrios do espírito.

Há, ainda, o assédio espiritual de outros seres, já desencarnados, que a Doutrina Espírita caracteriza como processo obsessivo, influenciando aquele que já se encontra predisposto às influenciações dessa natureza.

Ou seja, o processo depressivo indica um espírito angustiado, que ainda não conseguiu achar um denominador comum nas suas ações, um espírito que se debate nas suas emoções sobre as quais perdeu o controle.

Joanna de Ângelis, através da psicografia de Divaldo Pereira Franco, assim se expressa:

"Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.

A mole humana passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.

A doença, todavia, é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microrganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita. Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o  corpo.

Momentaneamente, com a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, porém, a situação em outro quadro patológico mais tarde.

A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se     instalam."  (Plenitude-Alvorada Editora)

A medicina tradicional recomenda o tratamento com medicamentos capazes de contornar rapidamente os sintomas e mais o acompanhamento psicoterápico. A Doutrina Espírita vai além, considerando que o significado da vida é muito mais amplo que conquistas sociais.

Ainda utilizamos Joana de Ângelis que traduz o pensamento espírita:

"O Espiritismo vem conclamando o homem para o respeito a Deus, a si mesmo, ao próximo, a todas as expressões vivas ou no que lhe constituem o ambiente em que está localizado, para aprender e ser feliz, assim adquirindo a sua plenitude.

Considerando a problemática humana, existente no próprio indivíduo -- o desconhecimento de si mesmo e tendo em vista os urgentes fatores que desencadeiam o sofrimento, arrastando multidões à sandice, ao desalento, à alucinação, às fugas inglórias pelo suicídio e pelos vícios, propõe que o homem conheça a si próprio a fim de se trabalhar.

Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas profundas das enfermidades.  A cura sempre provém da força da própria vida, quando canalizada corretamente".

Adquirir uma consciência responsável é meta nossa, na presente encarnação, o que nos facilitaria a educação do pensamento e a disciplina dos hábitos. Educar o pensamento é direcioná-lo de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis.

Um processo de autocura inclui, segundo ainda Joanna de Ângelis na mesma obra:

 1 Observar o pensamento para que irradie energias   positivas:

desejar a saúde.

concentrar na saúde.

visualizer a saude.


2 Manter sintonia mental com Deus, fonte do poder.

3 Cuidar do aspecto físico: descanso, dieta, higiene, ordem nas atividades.

4 Canalização dos pensamentos e das emoções para o amor, a compaixão, a justiça, a equanimidade e a paz.

A obsessão é estudada em profundidade pelo Espiritismo -- fatores causais -- e a Casa Espírita propõe métodos corretos para atender os que se acham envolvidos.

O amor seria o primeiro medicamento para a terapia antiobsessiva. A mediunidade é grande oportunidade para identificar e curar obsessões e, devidamente educada, aplicada em finalidades relevantes.

A desobsessão é terapia especializada da Casa Espírita mas o processo implica em reforma moral do obsidiado.

O deprimido precisa curar a alma, a fim de que se instale a alegria, a paz, a saúde integral. É uma luta longa, mas o esforço para levá-la a termo construirá bases morais sólidas, naquele que se dispõe a realizar.
*******
"Se os médicos são malsucedidos, tratando da maior parte das moléstias, é que tratam do corpo, sem tratarem da alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impossível é que uma parte dele passe bem".

(O Evang. Segundo o Espiritismo -- Allan Kardec -- Introdução -- item XIX -- resumo da Doutrina de Sócrates e Platão-FEB).


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segunda-feira, 17 de outubro de 2016

MENSAGEM DE CONFORTO

André Luiz - Francisco Cândido Xavier

TEXTO ANTIDEPRESSIVO

Quando você se observar, à beira do desânimo, acelere o passo para frente, proibindo-se parar. Ore, pedindo a Deus mais luz para vencer as sombras.

Faça algo de bom, além do cansaço em que se veja.

Leia uma página edificante, que lhe auxilie o raciocínio na mudança construtiva de ideias. Tente contato de pessoas, cuja conversação lhe melhore o clima espiritual.

Procure um ambiente, no qual lhe seja possível ouvir palavras e instruções que lhe enobreçam os pensamentos. Preste um favor, especialmente aquele favor que você esteja adiando.

Visite um enfermo, buscando reconforto naqueles que atravessam dificuldades maiores que as suas.

Atenda às tarefas imediatas que esperam por você e que lhe impeçam qualquer demora nas nuvens do desalento.

Guarde a convicção de que todos estamos caminhando para adiante, através de problemas e lutas, na aquisição de experiência , e de que a vida concorda com as pausas de refazimento das nossas forças , mas não se acomoda com a inércia em momento algum.

(Mensagem extraída da obra "Busca e Acharás")

https://plus.google.com/100343651772602206043/posts/QhU8BLixDPa?_utm_source=1-2-2

sábado, 15 de outubro de 2016

Estudo Espírita

Promovido pelo IRC-Espiritismo
http://www.irc-espiritismo.org.br
Centro Espírita Léon Denis
http://www.celd.org.br

Tema: Felicidade – Parte II
(“O Livro dos Espíritos” – questões 920 a 925)

Expositor: Mauro Bueno

Manaus

Dirigente do Estudo:

Mauro Bueno

Oração Inicial:

Vamos nestes instantes iniciais das atividades deste canal, buscarmos estar junto a Deus nosso Pai Criador e junto a Jesus, nosso amigo e nosso Mestre Jesus. E pedir-lhes que nos envolva nas bênçãos que necessitamos, para tornarmos os estudos da noite uma realidade do nosso dia-a-dia. Mestre Amado Jesus, vós que sois o Modelo de Pedagogo ao nosso mundo terrestre, favoreça-nos com o auxílio do entendimento e da compreensão dilatados, para que possamos melhor assimilar as lições da noite e as tuas lições de amor e bondade. Abençoe, Mestre, a todos que aqui chegaram aos que não puderam vir, encarnados e desencarnados e abençoe também nosso amigo e irmão que, dedicadamente, prepara e que coordenará as tarefas de aprendizado. Assim envolvidos em Tua Paz, Mestre Jesus, estejas conosco, hoje e sempre. Assim seja!

Exposição:

<@MBueno_Estudos>A questão 920 de “O Livro dos Espíritos” nos diz que o homem não pode gozar de completa felicidade na Terra, pois nossa vida nos foi dada como mecanismo de expiação, em ressarcimento ao males cometidos, ou como mecanismo de provas, onde submetemo-nos com vistas a tornarem-nos espíritos melhores, mais próximos da felicidade alcançada pelos espíritos superiores.

Ela também ressalta que É RESPONSABILIDADE DO PRÓPRIO ESPÍRITO minimizar seus males e ser tão feliz quanto possível na Terra.

Deve então o espírita procurar conforto e ascensão social através do trabalho íntegro e honesto, bem como através de aplicados estudos?

A resposta é SIM! Deve! Mas sobretudo, sem perder de vista o uso que fará deste poder que amealha: "...quanto mais rico e poderoso é ele, tanto mais obrigações tem que cumprir e tanto mais abundantes são os meios de que dispõe para fazer o bem e o mal. Deus experimenta o pobre pela resignação e o rico pelo emprego que dá aos seus bens e ao seu poder. ("O Livro dos Espíritos" - questão 816)

Não se pode esquecer que o trabalho íntegro e o estudo sistemático são auxiliares da LEI DO PROGRESSO, a qual estamos todos subordinados.

Hoje estão cada vez mais difundidos os livros e os métodos de auto-ajuda. A maioria deles está baseada em PERCEPÇÃO, ou seja, a maneira pela qual entendemos algo. Como nos relacionamos com as pessoas, nossos amigos, nossos superiores e subordinados, nossos colegas, parentes, conhecidos?

Bem, já está provado e muito bem provado que vemos o que queremos ver... Somos parciais em nossas percepções.

Duas pessoas olham um quadro, em momentos distintos, uma diz:

Que lindo quadro! Que cativante expressão nos olhares das pessoas aqui retratadas...

Algum tempo depois chega outra pessoa e diz:

A moldura não combina com a cor da parede! Que desastre! Que falta de bom gosto tem esta pessoa que pôs este quadro aqui...

Quem somos nós??? Como olhamos para este quadro? O que dizemos quando vemos o quadro, retratando toda nossa existência, tudo o que existe ao nosso redor? Buscamos o que quis expressar o pintor? Ou maldizemos em lamúrias isto ou aquilo o tempo todo?

Precisamos ser ricos e poderosos? Ou basta o necessário ao desenvolvimento de nossa missão na Terra? Os espíritos respondem:

"Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro." ("O Livro dos Espíritos" - questão 922)

Como pode o homem conhecer o limite do necessário? ("O Livro dos Espíritos" – questão 715)

"Aquele que é ponderado o conhece por intuição. Muitos só chegam a conhecê-lo por experiência e à sua própria custa."

É preciso buscar sempre o que há de positivo, qual é a lição, o que há de bom em cada momento. Absolutamente não existe mal sobre a Terra! Existe ignorância do bem, e sua ausência é que resulta nos escândalos que vemos por aí. :c))

Espíritas, amai-vos e instruí-vos (Kardec) Busquem sim o conforto, busquem sim maiores conhecimentos de tudo, não se abandonem a posição que os leve a miséria! Cresçam socialmente. Nunca façam da riqueza a missão de suas vidas, pois talvez, não estejam preparados para uma das MAIS TERRÍVEIS DE TODAS AS PROVAS: a riqueza!!! E não se abandonem à miséria...

“Qual das duas provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da riqueza?” ("O Livro dos Espíritos" – questão 815)

"São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos."

“Por que favorece Deus, com os dons da riqueza, a certos homens que não parecem tê-las merecido?” ("O Livro dos Espíritos" – questão 925)

"Isso significa um favor aos olhos dos que apenas vêem o presente. Mas, ficai sabendo, a riqueza é, de ordinário, a prova mais perigosa do que a miséria."

Mas, ainda nos afirma Kardec:

"...Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.... Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas.

Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso" (Comentários de Kardec A “Fora da Caridade Não Há Salvação” em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo.XV, item 3. “O de que precisa o Espírito para ser salvo”. “Parábola do Bom Samaritano”)
Desigualdade das riquezas

8. A desigualdade das riquezas é um dos problemas que inutilmente se procurará resolver, desde que se considere apenas a vida atual. A primeira questão que se apresenta é esta: Por que não são igualmente ricos todos os homens?

Não o são por uma razão muito simples: por não serem igualmente inteligentes, ativos e laboriosos para adquirir, nem sóbrios e previdentes para conservar.

E, aliás, ponto matematicamente demonstrado que a riqueza, repartida com igualdade, a cada um daria uma parcela mínima e insuficiente; que, supondo efetuada essa repartição, o equilíbrio em pouco tempo estaria desfeito, pela diversidade dos caracteres e das aptidões; que, supondo-a possível e durável, tendo cada um somente com que viver, o resultado seria o aniquilamento de todos os grandes trabalhos que concorrem para o progresso e para o bem-estar da Humanidade; que, admitido desse ela a cada um o necessário, já não haveria o aguilhão que impele os homens às grandes descobertas e aos empreendimentos úteis. Se Deus a concentra em certos pontos, é para que daí se expanda em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades. (Comentários de Kardec A “Fora da Caridade Não Há Salvação”, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo XV, item 8)

A sabedoria é o EQUILÍBRIO!!!! :c)))) A correta percepção da felicidade, dos reais valores do espírito nos poupa de diversos sofrimentos.

Veja exemplos que estão na literatura:

“Memórias de um Suicida”: Espírito não divulgado, pela médium Yvonne A. Pereira

Do próprio espírito que suicidou-se devido a falência material e por julgar-se incapaz de gerar o próprio sustento. "Há Dois Mil Anos" e "50 Anos Depois". Emmanuel, pelo médium Chico Xavier

De sua vida de patrício romano e legado na Judéia ao tempo do Cristo. Comentando sobre sua encarnação pregressa como Públio Lentulus Sura (bisavô de si mesmo), onde espoliava o Estado, gananciosamente e como Públio Lentulus auxiliando a combater justamente o que praticara. Depois como o bom e culto escravo Nestório, cristão.
"Nosso Lar". André Luís, pelo médium Chico Xavier.

“Que fechara as portas de seu lar e familiares a toda beneficência que poderia executar...

Que de tormentos, ao contrário, se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é. Esse é sempre rico, porquanto, se olha para baixo de si e não para, cima, vê sempre criaturas que têm menos do que ele.

E calmo, porque não cria para si necessidades quiméricas. E não será uma felicidade a calma, em meio das tempestades da vida? - Fénelon. (Lião, 1860.) “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo V, “Bem-Aventurados os Aflitos” - questão 23

Sobre a riqueza, ainda nos fala Kardec:

“Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela.

Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez.

Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno.

A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação. Deploram-se, com razão, o péssimo uso que alguns fazem das suas riquezas, as ignóbeis paixões que a cobiça provoca, e pergunta-se: Deus será justo, dando-as a tais criaturas?

E exato que, se o homem só tivesse uma única existência, nada justificaria semelhante repartição dos bens da Terra; se, entretanto, não tivermos em vista apenas a vida atual e, ao contrário, considerarmos o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça.

Carece, pois, o pobre de motivo assim para acusar a Providência, como para invejar os ricos e estes para se glorificarem do que possuem. Se abusam, não será com decretos ou leis suntuárias que se remediará o mal. As leis podem, de momento, mudar o exterior, mas não logram mudar o coração; daí vem serem elas de duração efêmera e quase sempre seguidas de uma reação mais desenfreada. A origem do mal reside no egoísmo e no orgulho: os abusos de toda espécie cessarão quando os homens se regerem pela lei da caridade.”

E ainda dizem sobre tais bens:

“Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens. Tanto eles não constituem propriedade individual do homem, que Deus freqüentemente anula todas as previsões e a riqueza foge àquele que se julga com os melhores títulos para possuí-la.”

Sem muito esforço eu colaria aqui muitas e muitas páginas de exemplos. A literatura espírita nos traz a mancheias. :c))) (t)

Perguntas/Respostas:

[01] <+_angelo_> Porque a felicidade terrena parece estar sempre ligado a posse de bens terrenos? (t)

<@MBueno_Estudos> Veja Angelo, o que os espíritos nos respondem: Eles nos dizem que o homem enxerga apenas uma vida e que por isso, pretende desfrutar de tudo o que pode nesta sua única vida. O Espiritismo nos ensina que não é bem assim, que seremos chamados a prestar contas de todas as posses e talentos dos quais fomos munidos. “Qual das duas provas é mais terrível para o homem, a da desgraça ou a da riqueza? ("O Livro dos Espíritos" – questão 815)
"São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.”(t)

[02] <+Amiga_espirita> Eu acho que a felicidade fica difícil por virmos com defeitos ou imperfeições de outras vidas!(t).

<@MBueno_Estudos> A felicidade na verdade não está limitada pelos erros das vidas passadas, lembremos que "O Livro dos Espíritos" nos diz que somos os únicos responsáveis por nossa própria felicidade. Muitas vezes não percebemos o quanto somos felizes e ficamos adiando esta sensação indefinidamente, dizendo: “eu serei feliz quando tal coisa ocorrer, ou serei feliz quando tiver tal coisa.” Felicidade aqui na Terra é limitada, porém, cada qual tem um quinhão e cumpre-se necessário buscá-lo.(t)

[03] <+}FFeItIcEiRa{> Ao meu ver a "Felicidade" relacionada ao dinheiro ou a matéria, também pode ser uma felicidade verdadeira! Desde que utilizemos esses bens para a prática do bem, não é? O importante é sabermos sempre utilizarmos do que possuímos, pois foi permitido por Deus o termos, para prática do Bem! Aí sim, encontraremos a felicidade naquilo que denominamos "bens materiais", não é? (t)

<@MBueno_Estudos> A sua percepção está corretíssima! Veja que os bens materiais bem aplicados são fonte de felicidade e de conforto para muitos desvalidos. A bem-aventurança na riqueza é um dos atos mais valorosos, dada a sua dificuldade neste planeta que ainda prega o egoísmo. (t)

[04]<+solmar> Não concordo! Acho a felicidade ilimitada e a infelicidade sim, limitada, talvez por isto, encontro felicidade em pequenas coisas e isto incomoda a muita gente. Porque?

<@MBueno_Estudos> Chamamos isto de inteligência emocional. Você consegue perceber-se feliz por coisas que aos olhos dos outros parecem pequenas. As pessoas desejam ser felizes e, ao perceber que outras o parecem ser, querem isto para si. Este ressentimento que você percebe nada mais é que desequilíbrio do espírito que ainda busca o caminho.(t)

[05] <+solmar> Inteligência Emocional é a felicidade nas pequenas coisas de belo que a vida nos oferece?

<@MBueno_Estudos> Uma parte desta inteligência, Solmar. (t)

[06]<+solmar> Uma colega de trabalho chegou ao cúmulo de me dizer que se sentia incomodada, em me ver sempre sorridente, e posso garantir que nem sempre a coisas corriam tão bem para mim. A partir daí, fiquei mais atenta em não demonstrar felicidade na vida do cotidiano.

<@MBueno_Estudos> Não turbe vosso espírito pelo pensamento dos demais (t)

[07] <+}FFeItIcEiRa{> Acho que a inveja é um sentimento que devemos revidar com amor e compreensão! Na verdade, a pessoa que a sente, certamente, gostaria de possuir aquilo que possuímos, entretanto, aquilo que possuímos, muitas vezes, para nós não é o suficiente! E invejamos a maneira de ser daquele que nos inveja! Por isso o importante é agradecermos tudo que temos e o que não temos! Pois devido a nossa pouca evolução, a inveja muitas vezes domina.

<@MBueno_Estudos> O sentimento de gratidão ao Criador pelo que temos é uma benção por si só. Aquele que suporta as dificuldades sem queixumes e segue em frente agradecendo a oportunidade da nova vida obtida, certamente triunfa e chega ao Plano Espiritual melhor do que saiu. É o que chamamos de "bem sofrer" (t)

[08] <+}FFeItIcEiRa{> A felicidade está em nós mesmos, não é?! Nós que a encontramos, rápida ou demoradamente, mas sempre a encontramos quando realmente a compreendemos, estou errada? (t)

<@MBueno_Estudos> Não está errada não! Está muito correta. Em nossa consciência está gravada a lei que nos conduz a felicidade. Basta aprendermos a ouvir esta consciência e alcançaremos a felicidade a seu tempo. (t)

[09] <@SafiriStudy> Quando um espírito encarnado na Terra, é feliz com as coisas simples que possui na pobreza, ou, na riqueza consegue ser caridoso, esse espirito então, pode ser considerado um espirito evoluído?

<@MBueno_Estudos> Sim Safiri. Tanto o pobre que encontra a felicidade na pobreza, quanto o rico que faz bom uso de sua fortuna, auxiliando os demais, ambos demonstram evolução. Ambos estão no caminho correto! Como nos diz o LE: não podemos ter em mente uma única vida. Todos terão a riqueza a seu turno, porém, ela é prova perigosa. (t)

[10] <@claralice_estudos> Pelas percepções que consigo fazer observo que nós, a grande maioria de espíritos encarnados no planeta, temos muita preocupação com resultados urgentes para as nossas situações de vida, e sinto que isso se dá por não termos em realidade (vida prática) os mesmos postulados que dizemos ter em relação à vida espiritual. Por favor amigo, se possível, comente isto.

<@MBueno_Estudos> A razão disto é a sensação da brevidade da vida. Como o homem não se percebe de sua imortalidade e tem o receio atávico da morte, quer fazer tudo o que pode no mínimo tempo possível. Na justa medida que a idéia da morte for sendo extinta da cultura humana, então, também se diminuirá esta pressa de se ter tudo e sentir tudo em tão breve espaço de tempo. (t)

Oração Final:

<@_Mara_> Boa noite a todos. Aproveitemos as vibrações naturais que nos visitam, tendo em vista tão somente o fato de estarmos pensando sobre a felicidade, elevemos nossos pensamentos e nossos sentimentos em direção à vida maior, e na certeza da presença amiga do Mestre, vamos abrir os nossos corações, conversando com o divino amigo: Querido Jesus, nesse momento em que vamos interrompendo esse momento de estudo e prece, esse momento de encontrar corações, unidos em pensamento e em coração, tocados e emocionados pela beleza da vida que a Doutrina nos mostra com tanta clareza e profundidade, nós te agradecemos, amigo, a sua vinda há quase 2000 anos, para nos deixar o Evangelho, roteiro de luz em nossas vidas. Agradecemos a chuva de bênçãos que se derrama sobre nós desde o advento do Espiritismo na Terra, bênçãos de luz, de conforto, de paz e de felicidade. Obrigada pela oportunidade de termos vencido todos os obstáculos, internos e externos, e aqui nos encontrarmos para aprofundar esses conhecimentos. Que esse espaço virtual seja abençoado pelas suas energias de amor e sabedoria. Que possamos sempre aqui estar usufruindo tantas bênçãos, e que possamos, querido amigo, acima de tudo, compartilhar com todos aqueles com quem convivemos, esses ensinamentos, através da nossa vivência nas nossas relações no dia-a-dia, aqui e na vida em geral. Que essas energias sublimes que se derramam sobre nós, alcancem igualmente todos os corações necessitados de consolo e esclarecimento. Esteja sempre com todos nós, amigo querido, todos nós tão necessitados ainda do teu amparo, muito obrigada por tudo, tudo mesmo. Graças a Deus. Graças a Jesus. (t)

A crise: e agora?

*A crise: e agora?*

De conversa em conversa, de jornal em jornal, de noticiário em noticiário, de televisão em televisão, ultimamente a palavra mais utilizada é a CRISE, como representação da nossa realidade social, nacional e mundial. Questionam-se soluções, efectuam-se fóruns mundiais em busca de uma saída, no entanto, a solução encontra-se bem longe dos dirigentes mundiais. Veja o que a Doutrina Espírita tem a dizer sobre esta matéria.

Desde tempos imemoriais que o homem objectivou como meta para sobreviver, ter êxito e sentir-se bem, alcançar o poder, nos seus imensos meandros. Ora é o marido déspota que almeja dominar a esposa e família, ora o negociante inescrupuloso que busca o poder no seu pé de meia avantajado, ora o político local que procura tirar partido da sua posição social, ora os políticos a nível nacional, ora esta ou aquela classe com mais ou menos capacidade de exercer “lobby” em favor do seu espírito corporativo, enfim, este “modus operandi”, é prática corrente desde tempos imemoriais.

O ser humano foi evoluindo tecnologicamente, rompeu os céus em naves espaciais, criou tecnologia de ponta que mata com precisão em questão de metros, que corrige problemas orgânicos com instrumentos quase microscópicos, rompeu as barreiras de comunicações com as várias gerações de telemóveis, está a adentrar a área da nanotecnologia, no entanto, em termos morais, o Homem mantém uma moralidade muito primitiva, onde o seu ego predomina sobre tudo, levando uma vida materialista, sem qualquer horizonte existencial “post mortem”.

Num processo de auto-fascinação, o ser humano vê-se como todo-poderoso, ao ponto de poder matar, invadir terrenos alheios, roubar, manipular, mentir, humilhar, dominar, esquecendo-se de que em breve, o seu corpo físico será sepultado, e que a vida continua no mundo espiritual, onde terá de se enfrentar com a sua consciência.

Assim sendo, e após 1857, em que a pesquisa espírita matou a morte, demonstrando à saciedade a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos espíritos, a reencarnação e a pluralidade dos mundos habitados, aquilo que as religiões tradicionais mostravam como crenças, passou a estar demonstrado cientificamente, pela ciência espírita.

Quando o Homem descobrir a sua imortalidade e a reencarnação, mudará a sua atitude, consciente de que todo o erro cometido reverterá contra si, em forma de dor física ou moral.

Modernamente, universidades pelo mundo inteiro, cientistas e pesquisadores não espíritas, têm vindo a comprovar as assertivas espíritas, no sentido de que tudo aponta para que a vida continue após a morte do corpo de carne, tamanhas são essas evidências.

Não serão os fóruns mundiais, pejados de dirigentes corruptos, comprometidos uns com os outros, materialistas, egoístas, que resolverão o problema social que estamos a viver, mas somente uma mudança de atitude interior de todos nós – fazer ao próximo o que gostarias que te fizessem (Jesus de Nazaré) – alterará o espectro mundial de crise, que é essencialmente crise de valores, crise de moralidade, crise de ética, crise de honestidade.

O Espiritismo é a doutrina do optimismo, mostrando ao Homem que, o nosso futuro será cada vez mais brilhante e, que a solução dos problemas, passa pela transformação íntima de cada um, sem se preocupar em mudar os demais. Com essa consciência espiritual que o Homem terá, da sua imortalidade, da realidade da reencarnação, ele tornar-se-á um ecologista da alma, lavando os sentimentos na prática diária da caridade, tornando-se assim melhor e, tornando melhor os que o rodeiam, bem como o espaço físico com o qual interage.

Já os espíritos superiores referem que, a humanidade tem o livre-arbítrio, mas que a evolução é o seu fim inevitável, podendo ser efectuada voluntariamente, pelo Amor, ou coercivamente, pela dor. Cabe a cada um de nós escolher o caminho do nosso futuro, dentro da assertiva de Jesus de que «a semeadura é livre mas a acolheita é obrigatória».

*Bibliografia: *

- Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos

- O Evangelho Segundo o Espiritismo

- www.adeportugal.org – Curso Básico de Espiritismo



JOSÉ LUCAS

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A CONVERTIDA DE MIGDOL, UMA APÓSTOLA

A CONVERTIDA DE MIGDOL, UMA APÓSTOLA

A biografia de Maria de Magdala é um dos
mais admiráveis temas da história do
Cristianismo, destacando-se como
exemplos inesquecíveis sua sujeição na
ilusão da beleza inóspita e sua posterior
ternura aos hansenianos do Vale dos
Imundos.
Segundo consta na tradição, a “mansão” daquela mulher,
em Magdala ou Migdol (torre), hoje el-Mejdel, à época
cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia,
era procurada pelos príncipes das sinagogas, abastados
comerciantes, bilionários senhores de terras e de escravos,
funcionários de alta categoria da administração herodiana,
que lhe assentavam no cofre moedas de ouro, jóias,
dracmas de prata, perfumes raros, presentes exóticos.
Aquela mulher ficou conhecida como Maria Madalena,
personagem que traz à tona discussões com interpretações
dessemelhantes sobre sua vida. Destarte, optamos por
esquadrinhar um consenso a propósito de determinadas
questões fundamentais, para que nossa pesquisa não
perdesse apropriada uniformização do seu conteúdo.
Há quem afirme que muito mais a tradição do que a
realidade se encarregou de difundir a suposta má fama de
Madalena. “O Talmud apresenta como casada com o judeu
Pappus Benjudah, que abandonou para unir-se ao oficial
de Herodes chamado Panther; não era necessariamente
uma "pecadora pública" nem uma "viciada" como a
descreve Gregório Magno”.(1) Muitos a identificam como
endemoninhada (por sete obsessores), prostituta (as bases
históricas dessa última afirmação parecem ser bastante
frágeis para alguns exegetas). Sabe-se, com certeza, que a Maria difamada de Magdala não era feliz.
Alguns escritores e estudiosos contemporâneos, baseados
nos Evangelhos Canônicos, nos livros apócrifos do Novo
Testamento e nos escritos gnósticos, sobretudo Margaret
George, Henry Lincoln, Michael Baigent e Richard Leigh,
autores do livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada
(1982), e Dan Brown, autor do romance O Código da
Vinci (2003), apesar de proporem teses mirabolantes,
descrevem Maria Madalena como uma apóstola.
Certa noite, instada por uma serva de confiança, permitiu
um diálogo sobre um Excelso Peregrino que percorria as
estradas da Galiléia e da Judéia. Entusiasmada, no dia
seguinte, servindo-se de frágil embarcação, atravessou o
lago para conhecer Jesus, em Cafarnaum. Os dias se
passaram até quando o Cristo esteve em Magdala, a
proprietária da famosa “casa nobre” tomou de um vaso de
alabastro que continha o perfume do lótus, comprada a
preço de ouro.
Era seu presente ao sublime Rabi da Galileu. Sabendo-O
num banquete em casa de Simão, um rico comerciante da
Galiléia, para lá se dirigiu.(2) Quase ao final da ágape,
rompendo a segurança, a famosa e afamada de Magdala(3)
irrompe na sala e se arroja aos pés do sublime Galileu. O
endinheirado Simão, dono do casarão se enche de fúria,
mas receia determinar expulsá-la.(4) O afetuoso Nazareno
exalta o gesto daquela corajosa Madalena que ajoelhada a
seus pés, rega-os com suas lágrimas, enxuga-os com seus
sedosos cabelos e os unge com o sobrenatural bálsamo que
invade todo o recinto. O divino Senhor simplesmente diz:
por esse gesto te digo que os teus muitos pecados te são
perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco
é perdoado, pouco ama. Mulher, a tua fé te salvou; vai-te
em paz.(5)

Avaliava o Mestre o coração daquela alma intensamente
amorosa, transitoriamente fraquejada sob o guante da
ilusão da beleza física desértica. Por isso investiu na sua
recuperação, incentivando a modificar de vida, o que ela
acolheu com a consistência adamantina da sua
personalidade forte e iniciou um rumo novo,
transformando-se, depois da Mãe de Jesus, no maior
exemplo de Amor na face da Terra.
Na manhã subsequente a população de Magdala soube,
surpreendida, a notícia da conversão da mulher, insígnia
da iniquidade. Ela abrira mão de todos os bens materiais
que possuía e, com o estritamente necessário, iniciara nova
vida. Juntou-se discretamente aos que seguiam o Messias,
mas infelizmente por várias vezes, recebeu a bofetada da
suspeição.
No transcurso dos meses, atingindo os momentos da
traição de Judas, da prisão de Jesus, do julgamento
arbitrário, ei-la, peregrinando para o Gólgota,
acompanhando-O. A convertida de Magdala conservou-se
ao pé da cruz, unida a Maria de Nazaré e ao jovem João
Evangelista. No instante em que a fronte do Mestre
pendeu pesada, ansiou abraçar-se outra vez aos Seus pés e
osculá-los com soberana veneração, porém se sentiu
imobilizada.
No domingo (três dias após o martírio da Cruz), chegando
ao túmulo do Mestre ao lado de Joana de Cusa, Maria
(mãe de Marcos) e outras mulheres (6), deparou com a
pedra do sepulcro deslocada, dobrados os lençóis de linho
que lhe haviam envolvido o corpo e o sepulcro vazio.
Madalena teve receio que os fanáticos judeus houvessem
furtado e escondido o corpo do Príncipe da Paz.(7)
Enquanto as demais mulheres retornaram a Jerusalém, a
fim de noticiar o sucedido, Madalena conservou-se no jardim adjacente, a chorar.
A nostalgia feita de agonia lhe enxovalhava o coração,
quando escutou a dúlcida voz do Crucificado, chamando-
a: - Mulher! “[Gyne]”(8) Ela se volta, e mal consegue
avistar um vulto, os olhos ainda embaciados pelas
lágrimas e as pupilas dilatadas pela escuridão do sepulcro.
Seria o jardineiro? Teria ele ocultado o corpo do Divino
Amigo? Então, os ouvidos descobrem o que os olhos não
podem desvendar: a voz torna a chamá-la, mas desta vez
pelo nome: Maria! Quando a filha de Magdala ouve
aquela voz transcendente chamando: “- Maria!”, ocorre
uma transformação admirável: ela reconhece o suave Rabi
redivivo, e exclama: “- Raboni(9), meu Mestre!” E,
literalmente, tenta abraçá-lo, todavia não era momento
para tocá-lO.(10)
Interessante meditar “por que razões profundas deixariam
o Divino Mestre tantas figuras mais próximas de sua vida
para surgir aos olhos de Madalena, em primeiro lugar? O
gesto de Jesus é profundamente simbólico em sua essência
divina. Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta
violência a si mesmo para seguir o Salvador, como a
inesquecível obsedada de Magdala.”.(11) A ex-vendedora
de ilusões difamada pelos madalenos, em quem se
costumava atirar injúrias, no encontro com o Mestre
materializado redescobre sua identidade e até amplia seu
horizonte existencial. Ao reconhecer Jesus, imediatamente
O coloca acima, chamando-O Raboni. O Cristo estava ali,
redivivo, radioso como a madrugada recém nascida.
Madalena foi anunciar o episódio aos apóstolos, que não
acreditaram. Por que haveria Jesus de aparecer logo para
ela? No entanto, Maria de Nazaré a abraçou e lhe pediu
detalhes. Os dias que se seguiram foram de saudades e
recordações. As notícias auspiciosas chegavam-lhe aos ouvidos.
Soube que naquele mesmo dia, indo dois discípulos para
suas residências situadas nos arrabaldes (Emaús), distante
de Jerusalém sessenta estádios(12), os discípulos enquanto
conversavam, o Cristo se lhes juntou e se pôs a caminhar
com eles (Jesus havia tido seus pés dilacerados na
crucificação); - mas não O reconheceram. “Ao
aproximarem-se de suas casas, o Crucificado queria ir
adiante. Os dois disseram-Lhe: - Fica conosco, que já é
tarde. Ele entrou com os dois. Estando com eles à mesa,
dividiu o pão, abençoou-o e lhes deu. Abriram-se-lhes ao
mesmo tempo os olhos e ambos O reconheceram; Jesus,
porém, lhes desapareceu das vistas.
Madalena soube que Jesus apareceu também para “Simão
Pedro ,Tomé, Natanael, os filhos de Zebedeu e dois outros
de seus discípulos à margem do mar de Tiberíades.”.(13)
Depois disso, “Jesus os conduziu para Betânia e, tendo
levantado as mãos, os abençoou, e, tendo-os abençoado, se
separou deles e foi arrebatado ao infinito. Quanto a eles,
depois de o terem adorado, voltaram para Jerusalém,
cheios de alegria.”.(14)
A convertida de Magdala experimentou solidão e
abandono e, para suavizar a imensa saudade do Rabi,
passou a andar pelas longas praias que tanto O
relembravam. Numa dessas tardes, encontrou leprosos que
vinham da Síria a fim de buscar o socorro da cura. Ela os
abraçou, dizendo-lhes que Jesus foi crucificado. Deteve-se
por horas a falar, saudosa, do que aprendera com quem era
o Caminho, a Verdade e a Vida. Depois, seguiu com eles
ao vale dos imundos (leprosos).
Alguns anos após, devorada pela lepra, sentindo que ia
desencarnar, desejou rever Maria de Nazaré e foi a Éfeso.
Após três dias de delírios, sentiu-se repentinamente expulsa do corpo, na praia onde encontrara os leprosos
sírios e, sua aparência era de quando jovem e bela. Nesse
momento vê caminhar sobre as águas a figura de Jesus que
lhe disse:
- Vem Maria, já atravessaste a porta estreita. Todas as tuas
culpas estão perdoadas porque muito amaste e muito
sofreste. Eu estava a tua espera. Agora dorme. Eu te
escolho para que venhas ao meu reino! Madalena
adormeceu nos braços de Jesus.
Jesus realizou duas hierarquias de “ressurreição”:
“ressurreição” do corpo, e “ressurreição” do espírito.
“Ressuscitou” Lázaro, e “ressuscitou” Madalena. Aos
olhos do mundo, a primeira dessas duas maravilhas
assume maiores proporções, mas, aos olhos de Deus, o
segundo prodígio é mais belo, mais valioso. O corpo de
Lázaro veio a morrer após aquela “ressurreição”.
Madalena nunca mais morreu, porque o que nela ressurgiu
não foi a carne, foi o espírito. O mundo se maravilha na
“ressurreição” de Lázaro. O Mundo Espiritual Superior se
extasia da “ressurreição” de Madalena.
Especula-se que após essa encarnação dos tempos
apostólicos, Maria de Magdala ainda teve outras
encarnações, até chegar a encarnar pela última vez como
Madre Teresa de Ávila (Santa Teresa de Jesus) cujo nome
verdadeiro era Teresa de Cepeda Y Ahumada, uma
revolucionaria religiosa nascida na Espanha em 1515 e
falecida em 1582.(15) “Se non è vero, é ben trovato”.(16)

Referência bibliográfica:
(1) Pastorino, Carlos T. Sabedoria do Evangelho , Rio de Janeiro: Ed
Sabedoria, 1964
(2) Não deve ser confundido com outra cena semelhante, ocorrido mais tarde
(em abril do ano seguinte) na casa de Simão, ex-leproso, em Betânia (Mat. 26:6-13,
Marc. 14:3-9 e João, 12:1-8), quando Maria de Betânia, irmã de Marta, executou o
mesmo gesto.
(3) Alguns exegetas não reconhecem Maria Madalena como sendo a mulher
da narrativa de Lucas.
(4) Por delicadeza, Marcos omite o nome da mal-afamada. Esse silêncio fez
com que na igreja antiga se desenvolvesse uma interpretação extremamente
confusa.
(5) Lucas, VII, 47 e 48
(6) De acordo com Lucas e Marcos, o objetivo, para as mulheres se dirigirem
ao túmulo, foi embalsamar o corpo de Jesus com especiarias
(7) A pilhagem de sepulturas era algo bem comum na Palestina, onde as
tumbas ficavam acima do chão. Diante disso, um crime devia ser esperado, uma
vez que Jesus foi sepultado num túmulo emprestado, de um rico doador.
(8) Em grego, mulher é gyne, de onde derivam as palavras portuguesas
“gene”, “genética”, “gênero”, “gênesis”
(9) O termo "Raboni" é mais solene que o habitual "Rabi"
(10) Na narrativa joanina , Madalena ela é destacada como primeira
testemunha do túmulo vazio (20:1-10) e como a primeira pessoa a quem o Senhor
ressurrecto apareceu (20:11-18), em contraposição aos Sinópticos, onde ela dividiu
estas experiências com várias outras mulheres (Mat. 28:1-10; Mar. 16:1-8; Luc. 24:
1-11
(11) Xavier, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida, ditado pelo
Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 1999, cap. 92)
(12) O estádio romano valia 625 pés romanos ou seja 185 metros
(13) Kardec, Allan. A Gênese, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1977, item 59
(14) Lucas, cap. XXIV, vv. 50 -53 e At :9-12
(15) Disponível em http://feparana.com.br/parolima.comacesso em 16/02/2012
(16) "Se não é verdade, é bem contado."



Jorge Hessen
http://jorgehessen.net