terça-feira, 30 de setembro de 2014

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D I A S D I F Í C E I S

Há dias que parecem não ter sido feitos para ti.


Amontoam-se tantas dificuldades, inúmeras frustrações e incontáveis 
aborrecimentos, que chegas a pensar que conduzes o globo do mundo sobre os 
ombros dilacerados.

Desde cedo, ao te ergueres do leito, pela manhã, encontras a indisposição 
moral do companheiro ou da companheira, que te arremessa todos os espinhos 
que o mau humor conseguiu acumular ao longo da noite.

Sentes o travo do fel despejado em tua alma, mas crês que tudo se modificará nos momentos seguintes.

Sais à rua, para atender a esse ou àquele compromisso cotidiano, e te 
defrontas com a agrestia de muitos que manejam veículos nas vias públicas e 
que os convertem em armas contra os outros; constatas o azedume do 
funcionário ou do balconista que te atende mal, ou vês o cinismo de 
negociantes que anseiam por te entregar produtos de má qualidade a preços 
exorbitantes, supondo-te imbecil. Mesmo assim, admites que, logo, tudo se 
alterará, melhorando as situações em torno.

Encontras-te com familiares ou pessoas amigas que te derramam sobre a mente 
todo o quadro dos problemas e tragédias que vivenciam, numa enxurrada de 
tormentos, perturbando a tua harmonia ainda frágil, embora não te permitam 
desabafar as tuas angústias, teus dramas ou tuas mágoas represadas na alma. 
Em tais circunstâncias, pensas que deves aguardar que essas pessoas se 
resolvam com a vida até um novo encontro.

São esses os dias em que as palavras que dizes recebem negativa 
interpretação, o carinho que ofereces é mal visto, tua simpatia parece mero 
interesse, tuas reservas são vistas como soberba ou má vontade. Se falas, ou 
se calas, desagradas.

Em dias assim, ainda quando te esforces por entender tudo e a todos, sofres 
muito e a costumeira tendência, nessas ocasiões, é a da vitimação 
automática, quando se passa a desenvolver sentimentos de autopiedade.

No entanto, esses dias infelizes pedem-nos vigilância e prece fervorosa, 
para que não nos percamos nesses cipoais de pensamentos, de sentimentos e de 
atitudes perturbadores.

São dias de avaliação, de testes impostos pelas regentes leis da vida 
terrena, desejosas de que te observes e verifiques tuas ações e reações à 
frente das mais diversas situações da existência.

Quando perceberes que muita coisa à tua volta passa a emitir um som 
desarmônico aos teus ouvidos; se notares que escolhendo direito ou esquerdo 
não escapas da ácida crítica, o teu dever será o de te ajustares ao bom 
senso. Instrui-te com as situações e acumula o aprendizado das horas, 
passando a observar bem melhor as circunstâncias que te cercam, para que 
melhor entendas, para que, enfim, evoluas.

Não te olvides de que ouvimos a voz do MESTRE NAZARENO, há distanciados dois 
milênios, a dizer-nos: No mundo só tereis aflições...

Conhecedores dessa realidade, abrindo a alma para compreende que a cada dia 
basta o seu mal..., tratarás de te recompor, caso tenhas te deixado ferir 
por tantos petardos, quando o ideal teria sido agir como o bambuzal diante 
da ventania. Curvar-se, deixar passar o vendaval, a fim de te reergueres com 
tranqüilidade, passando o momento difícil.

Há de fato, dias difíceis, duros, caracterizando o teu estádio de provações 
indispensáveis ao teu processo de evolução. A ti, porém, caberá erguer a 
fronte buscando o rumo das estrelas formosas, que ao longe brilham, e 
agradecer a DEUS por poderes afrontar tantos e difíceis desafios, 
mantendo-te firme, mesmo assim.

Nos dias difíceis da tua existências, procura não te entregares ao 
pessimismo, nem ao lodo do derrotismo, evitando alimentar todo e qualquer 
sentimento de culpa, que te inspirariam o abandono dos teus compromissos, o que seria teu gesto mais infeliz.

Põe-te de pé, perante quaisquer obstáculos, e sê fiel aos teus labores, aos 
deveres de aprender, servir e crescer, que te trouxeram novamente ao mundo terrestre.

Se lograres a superação suspirada, nesses dias sombrios para ti, terás 
vencido mais um embate no rol dos muitos combates que compõem a pauta da guerra em que a terra se encontra engolfada.

Confia na ação e no poder da luz, que o CRISTO representa, e segue com 
entusiasmo para a conquista de ti mesmo, guardando-te em equilíbrio, seja 
qual for ou como for cada um dos teus dias.

(Mensagem Psicografada em 30.12.2002 - Raul Teixeira/Camilo)

Amigo, você anda ansioso.

Você quer retirar da vida algo que parece indispensável, mas que ela lhe nega. E aí nasce sua insatisfação.
Ao invés de querer ter, receber, sugar algo da vida, procure dar. Dando, você entrará no ritmo da vida abundante e passará a receber multiplicado.  Preocupe-se em dar. Estude como fazê-lo. Olhe para a frente e para o alto. Siga avante.  Estar disposto a mais dar do que receber é conquistar a libertade.

Extraído de
Sementes de felicidade
As conquistas do íntimo alteram o seu destino.

O plano de Deus para você depende de como você age com os outros. Se amorosamente, atrai os benefícios da paz. Nada lhe faltará.

A entrega do coração aos pensamentos nocivos agrava e sobrecarrega o plano de sua vida e faz aparecer a dor. Nada pára no Universo, nem você. Caminhe para frente, construindo um destino de alegria e paz.  O destino de felicidade surge das boas ações de cada dia.

Extraído de
Sementes de felicidade

Marcha Inexorável

Recebido em Hofhein - Alemanha
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Francor



Ninguém foge ao destino que lhe está reservado, que é a conquista da paz real e a vitória total sobre as paixões.

Passo a passo, vai-se superando, mesmo que sob as injunções do sofrimento, quando se recusa aos nobres impositivos do amor, e elevando-se, sem sessar, no rumo a angelitude.

O improviso não faz parte dessas Leis Soberanas, encontrando-se delineados os objetivos existenciais e os recursos próprios para que se torne factível o encontro com as consciências pessoal e divina.

Ao ser humano cabe o dever de investir esforço e sacrifício incessantes, trabalhando a conquista das luzes do conhecimento e das bençãos do sentimento, para apressar a própria felicidade.

Recordando-se que o Mestre comanda a barca terrestre e o Grande Arquiteto administra o Universo, a marcha é inexorável no rumo da Grande Luz que a todos banha desde ontem.

EFETIVAMENTE

Em nós mesmos o problema essencial.
*
Efetivamente, nada temos a ver com a manutenção do Sol, na imensidade 
do Espaço, mas responderemos, inevitavelmente, pelo que estamos fazendo 
da quota de luz que ele nos fornece.
*
Não nos cabe qualquer responsabilidade pelo giro da Terra, 
no plano cósmico; no entanto, seremos interpelados quanto ao 
nosso procedimento para com o pedaço de chão que nos agasalha.
*
Não prestaremos informes sobre a evolução do planeta em quee stagiamos
, mas chega sempre o dia em que se nos perguntará quanto ao 
tempo e ao corpo, à profissão e ao meio de trabalho que o mundo nos confia.
*
Não se nos indagará com respeito à administração da Justiça Universal 
no orbe em que vivemos; no entanto, daremos contas das obrigações que 
assumimos perante superiores e subalterno, colegas e afeiçoados que 
nos partilham a convivência.
*
Não se nos inquirirá quanto aos destinos supremos da Humanidade, 
mas sofreremos exame natural e direto no que se refere à nossa 
conduta, diante do lar e da família, tanto quanto à frente dos 
irmãos e companheiros que nos comungam a intimidade.
*
Não podemos impedir as catástofres da Natureza e nem evitar as 
calamidades sociais. Outros poderes controam a mecânica dos astros, 
o equilíbrio da Terra, o aprimoramento da vida, a sustentação do 
direito e o engrandecimento dos povos.

Reconheçamos, todavia, que nem as constelações, nem o Globo que 
nos serve de moradia, nem as instituições que supervisionam o 
progresso, nem o tribunal e nem o tempo de nossa fé, conquanto nos 
sustentem e nos auxiliem, não conseguirão efetuar a tarefa que 
as Leis Divinas situam conosco, para que se realizem por nós.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. in: Viajor)

Se soubéssemos

 
Se o homicida, o caluniador, o desertor, o ingrato, o egoísta, o glutão conhecessem de antemão, respectivamente, a dor, o sofrimento, a falta de alegria de viver, a amargura, a solidão e a doença e a morte prematura ─ que a vida lhes cobrará no reajuste do seu destino, jamais se afastariam do caminho reto.

Terríveis são os resultados de nosso desrespeito às leis divinas.

Perdoemos, pois, a quem nos fere e calunia. Em verdade, os que se rendem às sugestões perturbadoras do mal não sabem o que fazem.

Fonte viva. Emmanuel/F. C. Xavier

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Atenção divina


Deus, nosso Pai, tem formas simples e eficazes para nos auxiliar.
Aqui, serve-Se do vento para levar uma mensagem a quem necessite.
Acolá, utiliza uma mente disposta a servir, para ouvir o clamor de um enfermo, e atendê-lo.
Envia a chuva a espaços regulares, programa as tempestades para a melhoria da atmosfera, estabelece o ciclo das estações.
Serve-Se das asas dos pássaros e dos insetos, bem como da brisa mansa para a fecundação de diversas espécies vegetais.
Por vezes, um descuido de alguém passa a se constituir no atendimento Divino.
Assim foi o que ocorreu certa vez com um viajante que, por ser inexperiente, perdeu-se em imenso deserto.
Quase a morrer de fome e sede, avistou uma palmeira. À sua sombra encontrou uma fonte de água pura e fresca, com a qual aplacou a sede.
Mas a fome ainda o magoava. Descansando o corpo, recostando-se na árvore, encontrou um pequenino saco de couro.
Pensando que dentro dele encontraria algo para comer, talvez algumas ervilhas ou pequenos pedaços de carne, o homem abriu o saquinho com rapidez.
Grande foi seu desapontamento ao lhe examinar o conteúdo: eram pérolas!
Que ironia!, pensou o infeliz. Estou a sucumbir de fome e só o que encontro são pérolas que de nada me servem.
Por ser um homem de fé, o viajante não se desesperou e ali mesmo orou fervorosamente ao Criador, pedindo ajuda.
Mal se haviam escoado alguns minutos, quando ele ouviu o galope apressado de um cavalo.
Logo se viu frente a frente com um cavaleiro nervoso e inquieto. Era o dono das pérolas.
Percebendo que o outro encontrara o tesouro, tomou-se de alegria.
Como reconhecimento, deu-lhe a comer das provisões que trazia consigo. Na seqüência, convidou-o a montar seu próprio animal e o conduziu até o termo da sua viagem, evitando que o viajante tornasse a se perder.
Quando se despediram, o cavaleiro falou ao viajante:
Percebe como a Divina Providência agiu? No primeiro momento, tive como uma grande desgraça a perda das minhas pérolas.
Contudo, nada mais oportuno. Retornando para as procurar cheguei a tempo de lhe socorrer.
Por meios aparentemente singelos, Deus nos livra, às vezes, de grandes flagelos.
* * *
Em tempo algum as coletividades humanas deixaram de receber a sublime colaboração dos Enviados de Deus, na solução dos grandes problemas do Mundo.
Os Enviados pela Providência Divina à Terra agem nos campos das ciências, da filosofia, da literatura, das artes, das religiões, da política, isto é, em todos os campos.
Redação do Momento Espírita, com base no cap. A obra da Providência, do livro Lendas do céu e da terra, ed. Melhoramentos e na perg. 280 do livro O consolador, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb.

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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

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14ª Oração Diária - WebTV Nova Luz

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

TODOS OS DIAS


“... e eis que eu estou convosco, todos os dias, até a consumação
dos séculos.” - JESUS. (Mateus, 28:20).

Não te digas sem a inspiração de Jesus para adotar rumo certo.
A atualidade terrestre mostra cientificamente que a comunhão espiritual não depende do espaço ou do tempo.
Podes fitar um orientador da comunidade e colher-lhe a palavra, a longa distância, através da televisão...
Conversar com um amigo, de um continente a outro, com o auxílio do telefone...
Escutar o cantor predileto, que atua de longe, por intermédio do rádio...
Recolher a mensagem de alguém, na tira de um telegrama...
Acompanhar, nas colunas da imprensa, o cronista simpático que nunca viste em pessoa...
Assim também, nossas ligações com o Cristo de Deus.
Jesus não é mestre ausente ou símbolo morto. Ainda e sempre, é para nós, os que declaramos aceitar-lhe a governança, o mentor vigilante e o exemplo vivo.
Basta recapitular-lhe as lições para refletí-lo. E, ao retratá-lo em nós, segundo as nossas acanhadas concepções, receberemos dele a idéia ou o socorro de que careçamos, a fim de escolher com acerto e agir com justiça.
Prometeu-nos o Mestre, ao falar aos discípulos:
- “Eis que eu estou convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos.”
Como é fácil de perceber, o Senhor está conosco, esperando, porém, que estejamos com ele.


Emmanuel

O sentimento de justiça está na Natureza ou resulta de idéias adquiridas?

Kardec Afirma

Em “O LIVRO DOS ESPÍRITOS”, questões 873, 874 e 875.

O sentimento de justiça está na Natureza ou resulta de idéias adquiridas?

- Tanto está na Natureza, que vos revoltais ao pensamento de uma injustiça. O progresso moral desenvolve, sem dúvida, esse sentimento, mas não o dá:
Deus o colocou no coração do homem. Eis porque, encontrareis, freqüentemente, entre os homens simples e primitivos, noções mais exatas da justiça que entre
os que têm muito saber.

Se a justiça é uma lei natural, como ocorre que os homens a entendam de maneiras tão diferentes, e que um ache justo aquilo que parece injusto a
outro?

- É que, freqüentemente, aí se misturam paixões que alteram esse sentimento, como a maioria dos outros sentimentos naturais, e fazem ver as coisas sob um
falso ponto de vista.

Como se pode definir a justiça?

- A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um.

- O que determina esses direitos?

- Duas coisas os determinam: a lei humana e a lei natural.

Tendo os homens feito leis apropriadas aos seus costumes e ao seu caráter, essas leis estabeleceram direitos que puderam variar com o progresso dos conhecimentos. Vede se vossas leis de hoje, sem serem perfeitas, consagram os mesmos direitos da Idade Média. Esses direitos antiquados, que vos parecem monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época.


O direito estabelecido pelos homens, portanto, não está sempre conforme a justiça. Aliás, ele não regula senão certas relações sociais, enquanto que, na vida particular, há uma imensidade de atos que são unicamente da alçada do tribunal da consciência.

DURA REALIDADE (FINAL)

Dos cinco casos selecionados para compor este material, o reproduzido a seguir é o único que não foi obtido pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier.
Na verdade, trata-se de depoimento apresentado na obra “TESTEMUNHO DE AMOR”, em que Antonio Carlos Borelli Jr., espírito de um jovem desencarnado de forma trágica, procura confortar, esclarecer e orientar seus pais abalados com a perda do filho.
A médium é Eni de Carvalho Rocha Costa -, de Belo Horizonte, MG.
Na Colônia a que fora acolhido, depois de um período de convalescença, tem autorização para visitar as demais instalações da instituição, reencontrando-se com alguns familiares, entre os quais seu tio Geraldo que lhe relata seus primeiros tempos no Plano Espiritual, Parte desse depoimento é o que apresentamos à apreciação dos leitores.
HERDEIROS DE NÓS MESMOS.
“- Eu passei por uma grande perturbação.
Sem ser propriamente um mau Espírito, enquadrava-me no grupo de levianos e ajustei-me com aqueles com quem me afinava espiritualmente.
A vida, fosse como fosse, era uma festa que precisava ser comemorada e nós estávamos à disposição para o que desse e viesse.
Vez por outra nos afligíamos com nossa situação de “Mortos-vivos”, mas esta inquietação não durava muito.
Divertir era nossa lei e, em busca de baixos prazeres, percorríamos bares e botequins, e sorvendo as emanações do álcool e drogas outras, adentrávamos em antros podres, soltando as rédeas de nossos instintos primitivos.
Embora eu não compactuasse com determinadas atitudes de meus companheiros, ou melhor, meus comparsas, também não me opunha e, assim, ia tocando o barco.
Expandindo-me à noite e me encostando durante o dia em lares alheios, cujas portas encontrava aberta, vivi três anos.
O tédio e o cansaço ameaçavam-me freqüentemente e muitas vezes pensei em abandonar aqueles arruaceiros, mas a sensualidade desgovernada não me ajudava e depois de semanas de reclusão, retornava animadíssimo à boêmia.
Porém, em uma madrugada, ao deixarmos um dos antros de perdição que visitávamos com certa assiduidade, eis que um bando de criaturas horripilantes caiu de surpresa sobre nós.
Houve gritos, discussões, troca de empurrões e um, após o outro, meus parceiros foram sendo subjugados de modo violento, cruel e impiedoso (...)
Não sei porque, os patrulheiros das trevas não me notaram a fuga.
Aproveitando-me da confusão que se generalizara, pois que outro grupo de soldados se acercava e disputava as mesmas vítimas, qual verme gigantesco, colado ao chão rastejei de volta ao antro de onde saíra e, buscando a entrada dos fundos, tomei a direção oposta à deles e corri como um louco desesperado.
Imaginando-me perseguido, enveredei-me por ruelas sombrias e lamacentas, pelas quais nunca havia transitado, embrenhei-me em matagais pegajosos que terminavam em becos fétidos e escorregadios e por fim, sem fôlego, exausto, tropecei em alguma coisa e fui caindo, caindo, caindo...
Minutos, que me pareceram séculos, passaram-se e porque eu nada escutasse, além dos ruídos de minha respiração ofegante e dos meus dentes batendo uns contra os outros, bem devagar abri os olhos e me reconheci perdido.
Estava em um vale sinistro, cercado por montanhas negras e pontiagudas.
Força estranha pressionava-me o cérebro e além da dolorosa sensação de abandono e risco, eu pressentia que olhos debochados e magnetizantes vigiavam-me todos os movimentos.
Levantei-me e logo me estendi no chão.
Estava como que chumbado ao solo.
Sem saber o que fazer e em nada conseguindo pensar, aguardei o pior.
Alguém bateu no meu ombro e estremeci de pavor.
Voltei-me e vi uma Entidade de cor negra e cabelos tão brancos quanto algodão.
Apoiando-se em um cajado, com voz doce e enérgica a um só tempo, ele perguntou-me:
- “Meu filho o que faz por aqui? Você não sabe que estas bandas são muito perigosas? Vamos, vamos sair desse lugar.”
O frágil e trêmulo velhinho abraçou-me e depois de um belo vôo, chegamos a uma das Estâncias do Invisível, chamada, carinhosamente, por ele e seus irmãos, de Senzala de Luz.
Gentis, amorosos, dedicados ao extremo, os ex-escravos levaram-me para uma cachoeira e só depois de delicioso banho, é que me dei conta do estado miserável em que me achava.
Como pude descer tanto? – indaguei a mim mesmo, ralado de remorso e vergonha, mas não tive tempo para me recriminar, porque logo em seguida recebi roupas limpas e fui colocado em um leito de lençóis brancos e perfumados e quando me serviram leite com açúcar queimado e mel, ah, não tive dúvidas, finalmente eu havia encontrado uma das dependências do Céu.
Excelentes psicólogos, no dia seguinte, acordaram-me cedo e começaram a trabalhar comigo.
Pacientes, tolerantes, não mediam esforços no sentido de me libertarem das perturbações que ainda me envolviam.
Aos poucos fui melhorando e eles passaram a me orientar no dificílimo caminho do “CONHECE-TE A TI MESMO” e, paralelamente, iniciaram-me nos Estudos dos Evangelhos do Cristo Jesus.
“Todos os dias eu agradeço a Deus por ter sido sempre gentil no tratar com as pessoas pobres e humildes. O “infeliz mendigo”, a quem tive a sorte de poder ajudar um dia, estava ligado a este Grupo de Espíritos por termos e poderosos laços de afeição e o respeito, o carinho que lhe dispensei, despertou a simpatia de todos eles pela minha pessoa.
Ah, não fosse “Pai Joaquim”, outra seria a minha sorte.
Aliás, não sei o que seria do mundo, pois cada noite, sob a direção de Entidades de elevada hierarquia no Mundo espiritual, vestidos de humildade pura e santa, como “Milicianos do Bem”, eles saem em trabalho de socorro e proteção aos encarnados e desencarnados também e tem conseguido evitar muitas dores e muitas tragédias.
Pena que nos Grandes Centros Espíritas - claro que existem exceções – eles sejam esquecidos pelos médiuns, que preferindo sempre trabalhar com Entidades, cujos nomes são mais conhecidos, ignoram que possuem irmãos outros, que embora pertencentes às regiões mais simples do invisível, nem por isso os deixam de proteger e auxiliar nos momentos mais críticos e dolorosos!”

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX N° 355
MAIO 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

DURA REALIDADE (2ª PARTE)

Cada caso é um caso. Diferentemente da idéia que as pessoas fazem, as repercussões da forma como viveram determinará sua forma de despertar no mundo invisível. Alegria ou tristeza, ventura ou sofrimento dependem da própria pessoa. Na sequência dessa matéria, mais dois importantes depoimentos. Meditemos sobre os mesmos, inclusive observando o rigor da LEI DE CAUSA E EFEITO, inexorável. Aqui e no Plano Espiritual
A Fuga impossível
M. Silva, sacerdote católico.
“Enterrado vivo! Enquanto no corpo carnal, respirando o ar livre e puro, não mentalizareis o sofrimento encerrado nestas duas palavras. O despertar no sepulcro, o estreito espaço do esquife, a treva subterrânea, o ruído estranho e indefinível dos vermes a se movimentarem no grande silêncio, a asfixia irremediável e a agonia do pavor, ultrapassando a agonia da morte!... Além de tudo, comigo, o estrangulamento terminava para, em seguida, reaparecer.
A cada espasmo de angústia, sucedia-me nova crise de sufocação. E, de permeio aos estertores que pareciam intermináveis, acusadoras vozes gritavam-me aos ouvidos a extensão de minha vingança! As horas eram séculos de tortura mental. Pouco a pouco, no entanto, adelgaçaram-se as trevas em derredor e pude ver, enfim, o duende que me atormentava. Ah! Lembrei-me, então, de tudo... Era um padre como eu mesmo. O padre José Maria.
E a tragédia de quarenta anos antes reconstituiu-se-me na memória. Eu era um sacerdote, assaz moço, quando fui designado para substituí-lo numa paróquia do interior. Doente e envelhecido, morava ele em companhia de uma sobrinha-neta, a jovem Paulina, cujos dotes de mulher me seduziram, desde logo, a atenção. Com as facilidades da convivência e suportando embora os escrúpulos da minha condição, ela e eu, depois de algum tempo, compartilhávamos o mesmo afeto, com graves compromissos. Transcorridos alguns meses de felicidade mesclada de preocupação, certa noite, achando-nos a sós, o enfermo chamou-me a contas.
Não seria mais justo arrepiar caminho?
Como adotara semelhante procedimento sob o teto que me acolhera?
Diante das inflexíveis e duras palavras dele, entreguei-me à ira, e agredi-o sem consideração. Contudo, à primeira bofetada de minha covardia, o doente tombou, cadaverizado. Entorpecido de espanto, deixei que a versão do colapso cardíaco crescesse no ânimo de nossos domésticos. E, ocultando cuidadosamente a alteração havida, recebi do médico as anotações do óbito, presidindo aos funerais com eficiência.
Findos os primeiros sete dias de estupor e deslocação, quando eu rezava a missa em memória do morto, eis que Paulina, asseverando enxergar o tio,enlouqueceu de inesperado, acabando a sua curta e infortunada existência no hospício. Desde essa época até a estação do sepulcro, meus dias rolaram tristes e vazios como sói acontecer com todos os padres que usam a fé religiosa nos lábios, sem vivê-la no coração. Ah! Somente naquele minuto terrível de reencontro, compreendi que o velho companheiro havia atravessado os tormentos do enterrado vivo, que eu também experimentava naquelas circunstâncias para ressarcir meu torvo débito. O choque, porém, deslocou-me dos panos repelentes do túmulo. Senti-me inexplicavelmente libertado dos ossos que ainda me apresavam e, trazido ao solo comum, respirei, por fim, o ar doce e leve da noite. Ajoelhei-me contrito aos pés de meu credor e debalde supliquei piedade e perdão. O antigo sacerdote, indignado, desafiou-me ao revide. Não pude fugir à reação, engalfinhamo-nos e, talvez, alentados pela vingança, seus dedos estavam convertidos em garras dilacerantes... Humilhado e vencido, confiei-me às lágrimas... Em preces de arrependimento e compunção, roguei socorro... Fui então recolhido por nossos benfeitores e, junto deles, minha odisséia desceu da culminância... Internado num hospital e admitido a uma escola, tenho hoje a segurança que me conforta e a lição que me reergue; no entanto, quando retorno ao campo humano, seguindo, de perto, a equipe dos missionários do bem e da luz que nos amparam, sou novamente surpreendido pelo adversário que me procura e persegue sem repouso. Ainda agora, em vos dirigindo a palavra, ei-lo fora do círculo magnético em que a oração nos protege, exclamando, desesperado:
- Maldito sejas! Teu crime é tua sombra!...
Como vedes, sou um companheiro que vos fala da retaguarda. Um homem desencarnado, entre os raios da esperança e os tormentos da culpa...
Tenho a cabeça buscando as auras do Céu e os pés chumbados ao inferno que estabeleci para mim mesmo...
Para ser exato em minhas assertivas, não tenho ainda qualquer plano para o futuro, nem sei como apagar o incêndio de minhas velhas dívidas... Sou apenas um náufrago no oceano imenso das provas recolhido, por mercê da Divina Providência, na embarcação da caridade, suspirando pela bênção da volta à vida física. Enamorado da reencarnação que hoje vos enriquece e obedecendo aos instrutores amigos que nos inspiram, por agora, posso dizer-vos tão-somente: - Amigos atendamos ao Evangelho do Cristo, valorizai vossa luta e abstende-vos do mal”.
Os efeitos de um caso de suicídio.
Luiz Alves, enfermeiro.
“Nasci na Terra para cumprir determinada tarefa no socorro aos doentes, sob o signo da solidão individual, para que mais eficiente se tornasse meu concurso a benefício dos outros, porém, em chegando aos trinta de idade, e vendo-me pobre e sozinho, apesar dos múltiplos trabalhos de enfermagem que me angariavam larga soma de afetos, entreguei-me, acovardado,ao desespero e, com um tiro no coração,aniquilei meu corpo.Ah! Meus amigos, desde esse instante, começou a minha odisséia singular, porque me reconheci muito mais vivo do que antes, continuando ligado à minha carcaça inerte. Não dispunha de parentes ou de amigos que me solicitassem os despojos.
Entregue a uma escola de Medicina, chumbado ao meu corpo, passei a servir em demonstrações anatômicas.
Completamente anestesiado, ignorava as dores físicas, não obstante cortado de muitos modos; contudo, se tentava afastar-me da múmia que passara a ser minha sombra, o terrível sofrimento, a expressar-se por inigualável angústia, me constringia o peito, compelindo-me a voltar. Dezenas de médicos jovens estudavam em minhas vísceras os problemas operatórios que lhes inquietavam a mente indecisa, alegando que meus tecidos cadavéricos eram sempre mais vivos e mais consistentes, mal sabendo que a minha presença constante lhes mantinha a coesão.
Ninguém na Terra, enquanto no corpo denso, pode calcular o martírio de um Espírito desencarnado, indefinidamente jungido aos próprios restos. Minha aflição parecia não ter fim. Chorava, gritava, reclamava... Mas, por resposta da vida, era objeto diário da atenção dos estudantes de cirurgia, que procuravam em mim o auxílio indireto para a solicitação de enigmas profissionais, a favor de numerosos doentes. Ouvi a meu respeito incessantes observações que variavam do carinho ao sarcasmo e do ridículo à compaixão. Muitos me fitavam com piedoso olhar, mas muitos outros me sacudiam de vergonha e de sofrimento, através dos pensamentos e das palavras com que me feriam e ofendiam a dolorosa nudez. Com o transcurso do tempo, desgastou-se-me a vestimenta de carne nas atividades de cobaia, mas, ainda assim, professores e médicos afeiçoaram-se-me ao esqueleto, que diziam original e bem posto, e prossegui em meu cárcere oculto. Habitualmente assediado por aprendizes e estudiosos diversos, suportava, além disso, constante visitação de almas desencarnadas, viciosas e vagabundas, que me atiravam em rosto gargalhadas estridentes e frases vis. Vinte e seis anos decorreram sobre o meu inominável infortúnio, quando, certo dia, a desfazer-me em pranto, recordei velho amigo - o nosso Mitter.bastou isso e ele me apareceu eufórico e juvenil, como nos tempos da mocidade primeira. Compadecido, ouviu-me a horrenda história e, aplicando as mãos sobre mim, conseguiu libertar-me dos ossos, trazendo-me à vossa casa. Respirei aliviado. Como que a refundir-me num corpo diferente do meu, que ele designou como sendo um instrumento mediúnico, consegui, enfim, chorar e clamar por socorro. Vossas palavras e vossas preces, ao influxo dos benfeitores que nos assistem, operaram em mim o inesperado milagre... Reconfortei-me, reaqueci-me... De volta ao meu domicílio depois de passar por algumas horas em vosso templo de caridade, vim a saber que, graças a Deus,apesar do suicídio, em meu tremendo suplício moral conseguira cumprir a tarefa de amparo aos enfermos durante o tempo previsto. De regresso a casa, oh! Grande felicidade!... Doutor Mitter e eu observamos que com a minha ausência o velho arcabouço, apesar de protegido com segurança, se arrojara ao piso da sala, partindo-se-lhe a grande coluna. Meu coração pulsara de alegria, porque a minha insubmissão não conseguira modificar o aresto justo da Lei... E naquela hora meu júbilo acentuara-se, porque à maneira do pássaro, agora livre, fitava feliz a gaiola desfeita.
Banhava-se a paisagem no sol de rutilante manhã. Um velho professor não nos viu e nem ouviu com os sentidos corpóreos, mas registrando a palavra do benfeitor, em forma de intuição, ordenou que os meus velhos ossos fossem queimados como resíduo inútil.
Desde então, livre e calmo, consagrei me à vida nova e, visitando-vos na noite de hoje, para exprimir-vos jubilosa gratidão, ofereço-vos meu caso, não para que venhamos a rir ou a chorar, mas simplesmente a pensar.”
(Continua)


“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX N° 354
ABRIL 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

DURA REALIDADE (1ª Parte)

Quando, em agosto de 1865, Allan Kardec, publicou “O CÉU E O INFERNO” ou “A JUSTIÇA DIVINA SEGUNDO O ESPIRITISMO”, abriu caminho para um conhecimento mais amplo sobre a realidade que aguarda a criatura humana no trânsito da vida física para a espiritual. Especialmente na segunda parte do livro onde mais de seis dezenas de depoimentos revelam as sensações e surpresas daqueles que se despedem do plano mais material.
No século XX, surge a contribuição de vários médiuns como Fernando Lacerda, Ivone Pereira, Zilda Gama e a extraordinária de Francisco Cândido Xavier da qual podemos destacar CARTAS DE UMA MORTA (1935), NOSSO LAR (1943), VOLTEI (1947), “INSTRUÇÕES PSICOFONICAS”, “VOZES DO GRANDE ALÉM e “FALANDO A TERRA”, Dos relatos emocionados de alguns desses espíritos comunicantes, destacamos alguns trechos para nossa reflexão.
Ceitil por Ceitil
Joaquim, morador de rua.
“Minha derradeira máscara física era a de um pobre homem, que tombou na via pública, num insulto cataléptico.
Tão pobre que ninguém lhe reclamou o suposto cadáver.
Conduzido à laje úmida, não consegui falar e nem ver, contudo, não obstante a inércia, meus sentidos da audição e o olfato, tanto quanto a noção de mim mesmo, estavam vigilantes.
Impossível para mim descrever-vos o que significa o pavor de um morto-vivo.
Depois de muitas horas de expectativa, levaram-me seminu para a câmara fria.
Suportei o ar gelado, gritando intimamente sem que a minha boca hirta obedecesse.
Não posso enumerar as horas de aflição que me pareceram intermináveis.
Inutilmente procurei reagir.
Achava-me cego, mudo e paralítico...
Assinalava, porém, as frases irreverentes em torno e conseguia ajuizar, quanto à posição dos grupos a se dispersarem junto de mim...
Mais alguns minutos de espera ansiosa e senti que lâmina afiada me rasgava o abdômen.
Protestei, com mais força, no imo de minhalma, no entanto, minha língua jazia imóvel.
Tolerando padecimentos inenarráveis, observei que me abriam o tórax e me arrebatavam o coração para estudo.
Em seguida, um choque no crânio para a trepanação fez-me perder a noção de mim mesmo e desprendi-me, enfim, daquele fardo de carne viva e inerte, fugindo horrorizado qual se fora um cão hidrófobo, sem rumo...
Não tenho palavras para expressar a perturbação a que me reduzira.
E, até agora, não sou capaz de imaginar, com exatidão, as horas que despendi na correria martirizante.
Trazido, porém, à vossa casa, suave calor me regenerou o corpo frio.
Escutei as vossas advertências e orações...
E braços piedosos de enfermeiros abnegados conduziram-me de maca a um hospital que funciona como santa retaguarda, além do campo em que sustentais abençoada luta.
Banhado em águas balsâmicas, aliviaram-se-me as dores.
Transcorridos alguns dias, implorei o favor de vir ao vosso núcleo de prece, solicitando-vos cooperação para que cadáveres, constrangidos aos tormentos da autópsia, recebessem, por misericórdia, o socorro de injeções anestésicas, antes das intervenções cirúrgicas, para que as almas, ainda não desligadas, conseguissem superar o pavor cadavérico que, depois da morte, é muito mais aflitivo que a própria morte em si.
Em resposta, porém, à minha alegação, um de nossos amigos - que considero agora também por meus amigos e benfeitores -, numa simples operação magnética, mergulhou-me no conhecimento da realidade e vi-me, em tempo recuado, envergando o chapéu de um mandarim principal...
O rubi simbólico investia-me na posse de larga autoridade.
Revi-me, numa noite de festa, determinando que um dos meus companheiros, por mero capricho de meu orgulho, fosse lançado em plena nudez num pátio gelado...
Ao amanhecer, recomendei lhe furtassem os olhos.
Mandei algemá-lo qual se fora um potro selvagem, embora clamasse compaixão...
Impassível, ordenei fosse ele esfolado vivo...
Depois, quando o infeliz se debatia nas vascas da morte, decidi fosse o seu crânio aberto, antes de entregue aos abutres, em pleno campo...
Exigi, ainda, lhe abrissem o abdômen e o tórax...
Reclamei-lhe o coração numa bandeja de prata...
O toque magnético impusera-me o conhecimento de minha dívida.
As reminiscências de sucessos tão tristes confortavam-me e humilhavam-me ao mesmo tempo.
Em pranto, nas fibras mais íntimas, indaguei dos mentores que me cercavam:
- Será, então, a justiça assim tão implacável?
Onde o amor nos fundamentos da vida?
Alguém que para vós aqui se movimenta, à feição de generosa mãe de todos, explicou-me com bondade:
- Amigo, viveste na indiferença e a ociosidade atrai sobre nós, com mais pressa, as conseqüências de nossas faltas. É por essa razão que a justiça funciona matematicamente para contigo, já que não chamaste a luz do amor ao campo de teu destino.
Compreendi, então, que se houvesse amado, cultivando a árvore da fraternidade, decerto que outras sementes, outras energias e outros recursos teriam interferido em minha grande tragédia, atenuando-me o sofrimento indescritível.
É por isso que, como lembrança, trago-vos a lição do meu passado-presente, com a afirmação de que tudo farei para aproveitar os favores que estou recolhendo, recordando a vós outros – e talvez seja este o único ponto valioso de minha humilde visitação - a palavra do Evangelho, quando nos deixa entrever que só o amor é capaz de cobrir a multidão de nossos pecados.
Que a humildade e o serviço, a boa vontade e as boas obras nos orientem o caminho, porque, com semelhante material, edificaremos o elevado destino que nos aguarda no grande porvir, para exaltar a justiça consoladora - a justiça que é também misericórdia de Nosso Pai.
Joaquim
A Hora da Verdade
G - , desencarnado por problemas cardíacos.
“Industrial, administrador e homem público, em atividade intensa e incessante, não admitia que o sepulcro me requisitasse tão apressadamente à meditação.
A angina, porém, espreitava-me, vigilante, e fulminou-me sem que eu pudesse lutar.
Recordo-me de haver sido arremessado a uma espécie de sono que me não furtava a consciência e a lucidez, embora me aniquilasse os movimentos.
Incapaz de falar ouvi os gritos dos meus e senti que mãos amigas me tateavam o peito, tentando debalde restituir-me a respiração.
Não posso precisar quantos minutos gastei na vertigem que me tomara de assalto, até que, em minha aflição por despertar, notei que a forma inerte me retornava a si, que minha alma entontecida regressava ao corpo pesado; no entanto, espessa cortina de sombra parecia interpor-se agora entre os meus afeiçoados e a minha palavra ressoante, que ninguém atendia...
Inexplicavelmente assombrado, em vão pedia socorro, mas acabei por resignar-me à idéia de que estava sendo vítima de estranho pesadelo, prestes a terminar.
Ainda assim, amedrontava-me a ausência de vitalidade e calor a que me via sentenciado.
Após alguns minutos de pavoroso conflito, que a palavra terrestre não consegue determinar, tive a impressão de que me aplicavam sacos de gelo aos pés.
Por mais verberasse contra semelhante medicação, o frio alcançava-me todo o corpo, até que não pude mais...
Aquilo valia por expulsão em regra.
Procurei libertar-me e vi-me fora do leito, leve e ágil, pensando, ouvindo e vendo...
Contudo, escoavam-se as horas e, não obstante contrariado, vi-me exposto à visão pública.
Mas oh! irrisão de meu novo caminho!...
Eu, que me sentia singularmente repartido, observei que todas as pessoas com acesso ao recinto, diante de mim, revelavam-se divididas em identidade de circunstâncias, porque, sem poder explicar o fenômeno, lhes escutava as palavras faladas e as palavras imaginadas.
Muitas diziam aos meus familiares em pranto:
- Meus pêsames! Perdemos um grande amigo...
E o pensamento se lhes esguichava da cabeça, atingindo-me como inexprimível jato de força elétrica, acentuando: - não tenho pesar algum, este homem deveria realmente morrer...
Outras se enlaçavam aos amigos, e diziam com a boca:
- Meus sentimentos! O doutor G. Morreu moço, muito moço.
E acrescentavam, refletindo: -
Morreu tarde... Ainda bem que morreu...
Velhaco! deixou uma fortuna considerável... Deve ter roubado excessivamente...
Outras, ainda, comentava junto à carcaça morta:
- Homem probo, homem justo!...
E falavam de si para consigo: - Político ladrão e sem palavra! Que a terra lhe seja leve e que o inferno o proteja!...
Via-me salteado por interminável projeção de espinhos invisíveis a me espicaçarem o coração.
Torturado de vergonha, não sabia de esconder-me.
Ainda assim, quisera protestar quanto às reprovações que me pareceram descabidas.
Realmente não fora o homem que devia ter sido, no entanto, até ali, vivera como o trabalhador interessado em quitar-se com os seus compromissos.
Não seria falta de caridade atacarem-me, assim, quando plenamente inabilitado a qualquer defensiva?
Por muito tempo, perdurava a conturbação, até que encontrei algum alívio...
Muitas crianças das escolas, que eu tanto desejaria ter ajudado, oravam agora junto a mim.
Velhos empregados das empresas em que eu transitara, e de cuja existência não cogitara com maior interesse, vinham trazer-me respeitosamente, com lágrimas nos olhos, a prece e o carinho de sincera emoção.
Antigos funcionários, fatigados e humildes, aos quais estimara de longe, ofertavam-me pensamentos de amor.
Alguns poucos amigos envolveram-me em pensamentos de paz.
Aquietei-me, resignado.
Doce bálsamo de reconhecimento acalmou-me a aflição e pude chorar, enfim...
Com o pranto, consegui encomendar-me à Bondade Infinita de Deus, respirando consolo e apaziguamento.
Humilhado, aguardei paciente as surpresas da nova situação.
Estava inegavelmente morto e vivo.
O catafalco não favorecia qualquer dúvida.
Curtia dolorosas indagações, quando, em dado instante, arrebataram-me o corpo.
Achava-me livre para pensar, mas preso aos despojos hirtos pelo estranho cordão que eu não podia compreender e, em razão disso, acompanhei o cortejo triste, cauteloso e desapontado.
Não valiam agora o carinho sincero e a devoção afetiva com que muitos braços amigos me acalentavam o ataúde...
A vizinhança do cemitério abalava a escassa confiança que passara a sustentar em mim mesmo.
O largo portão aberto, a contemplação dos túmulos à entrada e a multidão que me seguia, compacta, faziam-me estarrecer.
Tentei apoiar-me em velhos companheiros de ideal e de luta, mas o ambiente repleto de palavras vazias e orações pagas como que me acentuava a aflição e o desespero.
Senti-me fraquejar.
Clamei debalde por socorro, até que, com os primeiros punhados de terra atirados sobre o esquife, caí na sepultura acolhedora, sem qualquer noção de mim mesmo.
Apagara-se o conflito.
Tudo era agora letargo, abatimento, exaustão...
Por vários dias repousei, até que, ao clarão da verdade, reconheci que as tarefas do industrial e político haviam chegado a termo.
Apesar disso, porém, a certeza da vida que não morre levantara-me a esperança.
Antigas afeições surgiram, amparando-me a luta nova e, desse modo, voltou à condição do servidor anônimo o homem que talvez indebitamente se elevara no mundo aos postos de diretiva”.
(SEGUE).

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX Nº353
Março 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)