quinta-feira, 26 de maio de 2016

BOA NOVA

BOA NOVA

D. Villela


Questionam os estudiosos o período escolhido pelo monge Dionísio, o Pequeno, no século VI d.C., como sendo o do nascimento de Jesus e início da era cristã, que, segundo aqueles especialistas, deveria recuar cerca de quatro anos. Não é difícil, no entanto, reconhecer a importância relativa dessa precisão ante a grandeza da missão de Jesus, pelo que os orientadores espirituais em seus comentários sobre o Natal, destacam sempre a extraordinária significação da Boa Nova para a evolução da Humanidade.

Observando-se o fato em perspectiva, é possível identificar a cuidadosa preparação que o antecedeu e que incluiu a unidade administrativa do Império Romano, possibilitando a livre circulação de pessoas e ideias por todo o seu vasto território; o idioma grego, espalhado cerca de 300 anos antes por Alexandre, o Grande, em toda a costa do Mar Mediterrâneo e conhecido também pelas pessoas mais cultas; a excelência da mensagem trazida pelo Mestre, que nos falava do Pai, amoroso e justo, e do mundo espiritual que nos envolve e ao qual também pertencemos por nossa própria natureza e, por fim, o extraordinário valor dos seus primeiros divulgadores, espíritos de escol, que não vacilavam ante o sacrifício de suas vidas por fidelidade a Jesus, condições estas que possibilitaram estivesse a mensagem cristã, em algumas poucas décadas, espalhada nos territórios dominados pelos romanos, e isto sem qualquer apoio material, enfrentando, não raro, incompreensão e hostilidade e sem dispor dos modernos meios de comunicação de massa.

Todos sabemos dos desvios posteriores do movimento cristão, que se afastou da simplicidade e autenticidade originais, adotando o culto externo, ligando-se ao poder humano e praticando, mais tarde, extensamente, a opressão e a violência, devendo ressaltar-se, no entanto, que tal não se deveu a alguma deficiência da mensagem cristã, mas à nossa imaturidade espiritual, perfeitamente conhecida pelo Mestre que, aliás, prometeu a vinda do Consolador para lembrar-nos o que Ele dissera e trazer-nos novos ensinamentos.

É interessante e instrutivo, por outro lado, observar que a chegada da Boa Nova, desde a manjedoura humilde até a crucificação, absurda e cruel, realizou-se sem qualquer alarde, desconhecida pelos poderosos da época, apenas notada e hostilizada pelos integrantes do Sinédrio judaico, por ameaçar com suas propostas de religiosidade verdadeira, as vantagens e privilégios de que desfrutavam. Esse período apresenta, contudo, lições de valor permanente para os seguidores de Jesus em todas as épocas, cujo esquecimento acarreta, fatalmente, o insucesso de qualquer ação no bem: simplicidade, sinceridade, desinteresse pessoal, a organização como meio e a mensagem como finalidade.

Interessante assinalar, por fim, que o ciclo, só recentemente elaborado e popularizado pela administração: planejar, executar, avaliar e corrigir desvios, iniciando, então, novo ciclo, é perfeitamente identificável nesse processo. É assim que a Espiritualidade Superior trabalha, sem esquecermos de que ao lado da racionalidade e objetividade desse procedimento, temos a permeá-lo, constantemente, o sentimento do amor, que acrescenta outra dimensão àquelas quatro etapas, cuja sucessão nos conduz à felicidade no alinhamento de nossas vidas com as Leis Divinas, que nos ensinam a construir invariavelmente o bem de todos, logo, também nosso, na criação da alegria e da paz para todos, percebidas, igualmente, como também nossas.


SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Dezembro 2012 – no 2219


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