terça-feira, 30 de junho de 2015

CURSO INTERNET
1ª PARTE
CURSO PARA PRINCIPIANTES NA DOUTRINA ESPÍRITA
Maria Cotroni Valenti
mariazinha.cotronivalenti@gmail.com

11ª. AULA PARTE A
EUTANASIA À LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA

Todos já ouvimos falar, inclusive já argumentamos sobre a eutanásia.
Essa palavra pode ter dois sentidos.
Comumente ela é usada como a prática pela qual se busca abreviar a vida de um doente irrecuperável.
Mas ela é também aplicada para livrar da morte lenta e dolorosa.
A prática , a eutanásia não é uma novidade.
Era usada na Grécia e na Roma antiga onde se sacrificavam os gladiadores e os guerreiros muito feridos.
Fazia-se isso como princípio de caridade.
Eliminavam até os muito velhos quando acreditavam que não serviam para mais nada.
Hipocrates, considerado o pai da medicina, viveu muito antes de Cristo.
Ditou um código de juramento: A ninguém darei para agradar, remédio mortal, nem conselho algum que o conduza à destruição. Isso quer dizer que a ética da medicina reprova esta atitude.
O evangelho diz: Quem nos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus?
Nunca se sabe o que está reservado para aqueles últimos momentos.
Também reprova quando diz: A ciência médica tem o dever de preservar a vida em toda e
qualquer circunstância e não pode eliminar o doente.
Num congresso de médicos Espíritas em Santos, O diretor do I.M.L. na época apresentou a seguinte tese: - O ser humano vem ao mundo naturalmente. Traz os recursos naturais e necessários para a vida. Tem o direito de usar esses recursos até se esgotarem. Portanto não pode ser eliminado antes de esgotá-los. A morte não pode ser precipitada. E dentro dessa mesma tese está o seguinte: Devem-se aplicar todos os recursos para aliviar as dores e outros incômodos até a morte natural, sem usar artifícios para prolongar a vida (maquinas e aparelhos). Porque tem que ser respeitado o direito de morrer assim que terminar os recursos naturais. Isso quer dizer: não prolongar e não cortar.
Segundo a doutrina Espírita - Cada Espírito traz para a Terra ,em cada existência, o fruto da própria semeadura.
Aqueles momentos dolorosos que a medicina não lhe pode poupar fazem parte da experiência que ele busca.
Ele pode meditar mais profundamente, perdoar, arrepender-se do mal praticado, cair em si, se livrar de certas ilusões, e outras coisas. Se precipitar a morte ele perde essa chance.
Além do que, os fluidos vitais que ainda lhe restam no corpo podem ser explorados por Espíritos atrasados.

(Fonte: Diálogo dos Vivos / Religião dos Espíritos - Chico Xavier)
3 - Introdução ao Estudo de A Grande Síntese

1a apostila - do cap. 1 ao 9 e resumo biográfico.

Organizada por Gilson Freire

Introdução ao estudo da Grande Síntese

6  Monismo

Viagem a síntese máxima  princípio único

A Grande Síntese nos leva a uma viagem insólita, uma viagem ao espírito. Conduzindo-nos no estudo do funcionamento orgânico do Universo, caminha da periferia, a matéria, ao centro, onde está o espírito. 

Caminha em aproximações gradativas e retornos periódicos de conceitos, que paulatinamente amadurecem e nos eleva, à sua síntese máxima. Esta viagem do espírito é a jornada da alma que regressa ao seu princípio, da criatura que volta ao seu Criador, o centro do Universo.

Nossa realidade está pulverizada e limitada nas barreiras do tempo e do espaço, a unidade foi fragmentada, mas percorrendo o caminho inverso a esta descida nos reencontraremos com a unidade, com a visão do Absoluto, visão que jamais a nossa razão poderá nos proporcionar. 

Do monoteísmo ao monismo

A Grande Síntese nos conduz a um princípio único, a realidade de todas as coisas, onde existe uma lei única, que tudo dirige, que explica todos os fenômenos. Um conceito central chamado monismo.

Do politeísmo passamos ao monoteísmo, onde definimos um Deus único, porém um deus antropomórfico e fora da criação. Passamos agora do monoteísmo ao monismo, isto é, a  um conceito de um Deus que é a criação, formando uma unidade com o ser.

A razão desta viagem

A finalidade é dar ao homem nova consciência cósmica, fazendo-o sentir-se não apenas eterno e membro de uma humanidade que abraça todo os seres do Universo, mas também potência que desempenha um papel no funcionamento orgânico da própria Criação. É dar ao homem novas normas de comportamento, pois sabendo olhar nos abismo de seu próprio destino, saberá agir cada vez de forma mais elevada.

Nesta estrada nosso coração se acenderá de nova paixão. Paixão de ascensão, a idéia que nos domina, e de amor, o sentimento que nos inflama.

A Ciência do novo homem

Como referido no capítulo I, além de um roteiro, A Grande Síntese proporciona novo direcionamento para nossas pesquisas. Nova ciência, novo sistema místico, que consiste na penetração dos  fenômenos com a alma possuída de nova sensibilidade, além dos seus meros sentidos materiais. Transformando-nos em delicado instrumento de pesquisa, refinado pela aperfeiçoamento moral, nos conduzirá a formação de Nova Ciência, ciência conduzida pelos caminhos do amor e da elevação espiritual, fundamentos do novo homem.

7 - Aspecto estático, dinâmico e mecânico do Universo

Comentando

A observação de nós mesmos nos mostra que somos constituídos de matéria  organizada em órgãos. Temos em nós ainda, impulsos elétricos trafegando pelos nervos, energias que nos movem, geram calor, atividade, ânimo e trabalho, portanto podemos considerar que temos em nós o elemento energia. Além disto trazemos uma consciência, que pode ser sentida quando nos perguntamos quem somos, quando pensamos ou desejamos e, na percepção do nosso próprio eu, uma substância imaterial, feita apenas de conceito, de emoção, de pensamento. Ai identificamos uma unidade que chamamos espírito, presente não somente em nós, mas em toda manifestação da vida, como forma de individualização do eu. Portanto, mesmo que não tenhamos uma maneira objetiva de provar a existência do espírito, não podemos negá-lo, pois isto seria negar a nossa própria existência. Assim, chegamos a conclusão que somos uma unidade ternária formada de matéria, energia e espírito.

E o Universo que nos rodeia, de que está constituído? De matéria, pois esta é inquestionável dada a sua realidade que nos impressiona sobremaneira os sentidos. De energia também, que se manifesta por movimentos e irradiações, como a luz e o som, exemplos de manifestações ondulatórias, que também nos impressiona de tal modo os sentidos, que não se pode questionar a sua existência. Mas e o espírito? Podemos identificá-lo no Universo também? Ora, o Universo não é um corpo de leis muito bem identificadas? Ele não traz em si uma grande idéia, idéia geradora de mundos e vida? Claramente vemos nele leis e princípios sempre imutáveis e inteligentes, que normalmente são expressos em fórmulas matemáticas.

Há portanto no Universo uma idéia que o dirige, que podemos chamar de espírito do Universo. Assim, como em nosso corpo, identificamos a presença dos três estados no Universo: espírito, energia e matéria. Estes estados se inter-relacionam? Haverá algum ponto de união entre eles? Nossa ciência já descobriu que energia e matéria são manifestação de uma mesma substância, ainda não determinada em sua essência e natureza. Haverá uma inter-relação também entre estes e o espírito? Nascerão de uma mesma substância que se transmuta nestas formas conhecidas? Eis o que nos propõe responder a A Grande Síntese.
A unidade ternária do Universo

O Universo é uma unidade ternária, ou seja, pode ser dividida em três partes ou aspectos: estático, dinâmico e mecânico.

Aspecto Estático

Neste aspecto a unidade-todo é considerada na estrutura material que o compõe, as suas partes. Partes que se correspondem formando um organismo, que se coordenam em um objetivo comum. Portanto temos aqui matéria, estrutura ou forma.

Aspecto Dinâmico

Aqui identificamos o seu movimento, o vir-a-ser. Movimento que pressupõe trajetória, finalidade, transformismo. Movimento que coordena as partes em um funcionamento harmônico, em objetivos comuns. 

Temos aqui a energia, as irradiações, o dinamismo do Universo.

Aspecto Mecânico

O Universo é um conjunto de leis e princípios, configurando o seu aspecto mecânico, lembrando que o termo aqui é definido como a ciência que trata das leis do movimento e do equilíbrio. Temos aqui o espírito, a idéia, a inteligência do Universo.

Três aspecto sempre coesos  a unidade do Universo

Estes três aspectos não se acham isolados, mas em toda parte estão coesos e conexos. Esta é a idéia que domina todo o nosso Universo e se expressa em todos os seus fenômenos, em todos os seus reinos, biológico, astronômico, físico ou químico. Este é a unidade que permeia o Universo, a grande idéia central que o governa.

A unidade é ordem

A unidade do Universo se manifesta sobretudo como ordem, porque o primeiro aspecto, o princípio, a idéia, se manifesta como ordem. Ordem que coordena e coloca em seu próprio lugar todos os fenômenos de nosso cosmo, de modo que cada um tenha sua própria trajetória, dada pelo princípio dinâmico. Vontade de existir, de mover-se, de individualizar-se, de atingir uma meta, são orientados por essa ordem.

A lei se adapta a cada fenômeno e a sua necessidade. Além de adaptável é  compensadora, abarcando todas as possibilidades da substância. É ordem, mais poderosa do que toda desordem. É equilíbrio, alegria, bem. A desordem, o mal e a dor somente existem como pacotes isolados de desordem dentro da ordem, como reações isoladas.

Determinismo e livre-arbítrio

Ordem e lei que não pressupõem um determinismo fatalista e inviolável. A ordem não é rígida e admite espaços de elasticidades onde a desordem pode se manifestar. A desordem se manifesta em formas de pacotes limitados, encerrados dentro de suas unidades dimensionais e coordenados dentro de uma ordem maior. Assim é que dentro do caos do universo infra-atômico se constrói a ordem aparente de nossa matéria macroscópica. É assim que dentro da ordem da vida, podemos nos manifestar como desordens temporárias, dentro dos limites de nosso raio de ação. De modo que o livre-arbítrio está sempre contido por um determinismo, que se dilata a medida que a evolução se processa.
3 = PODER DA FÉ

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

A fé: mãe da esperança e da caridade

11. Para ser proveitosa, a fé tem de ser ativa; não deve entorpecer-se. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, cumpre-lhe velar atentamente pelo desenvolvimento dos filhos que gerou.

A esperança e a caridade são corolários da fé e formam com esta uma trindade inseparável. Não é a fé que faculta a esperança na realização das promessas do Senhor? Se não tiverdes fé, que esperareis? Não é a fé que dá o amor? Se não tendes fé, qual será o vosso reconhecimento e, portanto, o vosso amor?
Inspiração divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a base da regeneração. Preciso é, pois, que essa base seja forte e durável, porquanto, se a mais ligeira dúvida a abalar que será do edifício que sobre ela construirdes? Levantai, conseguintemente, esse edifício sobre alicerces inamovíveis. Seja mais forte a vossa fé do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, visto que a fé que não afronta o ridículo dos homens não é fé verdadeira.

A fé sincera é empolgante e contagiosa; comunica-se aos que não na tinham, ou, mesmo, não desejariam tê-la.

Encontra palavras persuasivas que vão à alma. ao passo que a fé aparente usa de palavras sonoras que deixam frio e indiferente quem as escuta. Pregai pelo exemplo da vossa fé, para a incutirdes nos homens. Pregai pelo exemplo das vossas obras para lhes demonstrardes o merecimento da fé. Pregai pela vossa esperança firme, para lhes dardes a ver a confiança que fortifica e põe a criatura em condições de enfrentar todas as vicissitudes da vida.

Tende, pois, a fé, com o que ela contém de belo e de bom, com a sua pureza, com a sua racionalidade. Não admitais a fé sem comprovação, cega filha da cegueira. Amai a Deus, mas sabendo porque o amais; crede nas suas promessas, mas sabendo porque acreditais nelas; segui os nossos conselhos, mas compenetrados do um que vos apontamos e dos meios que vos trazemos para o atingirdes. Crede e esperai sem desfalecimento: os milagres são obras da fé. - José, Espírito protetor. (Bordéus, 1862.)

A fé humana e a divina

12. No homem, a fé é o sentimento inato de seus destinos futuros; é a consciência que ele tem das faculdades imensas depositadas em gérmen no seu íntimo, a princípio em estado latente, e que lhe cumpre fazer que desabrochem e cresçam pela ação da sua vontade.

Até ao presente, a fé não foi compreendida senão pelo lado religioso, porque o Cristo a exalçou como poderosa alavanca e porque o têm considerado apenas como chefe de uma religião. Entretanto, o Cristo, que operou milagres materiais, mostrou, por esses milagres mesmos, o que pode o homem, quando tem fé, isto é, a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode obter satisfação. Também os apóstolos não operaram milagres, seguindo-lhe o exemplo? Ora, que eram esses milagres, senão efeitos naturais, cujas causas os homens de então desconheciam, mas que, hoje, em grande parte se explicam e que pelo estudo do Espiritismo e do Magnetismo se tornarão completamente compreensíveis?

A fé é humana ou divina, conforme o homem aplica suas faculdades à satisfação das necessidades terrenas, ou das suas aspirações celestiais e futuras. O homem de gênio, que se lança à realização de algum grande empreendimento, triunfa, se tem fé, porque sente em si que pode e há de chegar ao fim colimado, certeza que lhe faculta imensa força. O homem de bem que, crente em seu futuro celeste, deseja encher de belas e nobres ações a sua existência, haure na sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda aí se operam milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não há maus pendures que se não chegue a vencer.

O Magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que ele cura e produz esses fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres.

Repito: a fé é humana e divina. Se todos os encarnados se achassem bem persuadidos da força que em si trazem, e se quisessem pôr a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o a que, até hoje, eles chamaram prodígios e que, no entanto, não passa de um desenvolvimento das faculdades humanas. Um Espírito Protetor. (Paris, 1863.)
5 = A REENCARNAÇÃO

Gabriel Delanne

Tradução de Carlos Imbassahy publicada pela Federação Espírita Brasileira

4a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos VIII a XII.

Questões para debate

A. Existe a hereditariedade intelectual ou a hereditariedade é apenas fisiológica? (Cap. VIII, págs. 173 a 176. Ver itens 115 a 117 do texto abaixo. Consulte ainda o item 140 deste resumo .)

B. Como explicar a existência dos meninos prodígios? (Cap. VIII, págs. 176 a 183. Ver itens 117 a 120 do texto abaixo.)

C. Qual é a explicação mais plausível das reminiscências de vidas anteriores? (Cap. IX, págs. 187 a 196. Ver itens 121 a 126 do texto abaixo.)

D. Que faculdade possuem os psicômetras? (Cap. IX,  págs. 199 a 202. Ver item 128 do texto abaixo.)

E. Que valor tem, nos estudos sobre a reencarnação, o caso de Laura Raynaud? (Cap. X,  págs. 215 a 228. Ver item 131 do texto abaixo.)

F. Por que as lembranças de vida anterior são mais freqüentes entre as crianças? (Cap. XI, págs. 236 a 246. Ver itens 137 a 139 do texto abaixo.)

G. Os Espíritos sabem quando vão reencarnar? E sabendo disso podem anunciá-lo aos encarnados? (Cap. XII, págs. 253 a 264. Ver itens 145 a 147 do texto abaixo.)

H. Que lições podemos extrair do caso de Alexandrina, filha do Dr. Carmelo Samona? (Cap. XII, págs. 264 a 277. Ver itens 148 a 152 do texto abaixo.)

Texto para consulta

115. Os fatos da hereditariedade, segundo Ribot, podem ser classificados da seguinte maneira: hereditariedade direta, de retorno ou atavismo, colateral ou indireta e hereditariedade telegônica. (PÁG.  173)

116. A hereditariedade morfológica é a lei, embora apresente numerosas exceções para os caracteres secundários. Do ponto de vista intelectual, ela inexiste, havendo considerável número de exemplos de grandes sábios que saíram dos meios mais ignorantes, como Descartes, Bacon e Kant. (PÁG.  175)

117. As crianças prodígios constituem a melhor prova de que a inteligência independe do organismo que a serve. (PÁG.  176)

118. Encontram-se vários exemplos de  prodigiosa precocidade em todas as épocas e em todos os países:
Haendel compunha aos dez anos; Mozart aos 4 anos executava uma sonata e aos 11 compôs duas óperas. (PÁG.  176)

119. Os exemplos de precocidade intelectual se encontram também na pintura, na poesia, na literatura e nas ciências em geral, e são inconciliáveis com a teoria que vê na inteligência um produto do organismo. (PÁGS.  178 a 182)

120. A hipótese espírita da preexistência do homem é a única que dá uma explicação lógica das crianças prodígios. É um erro, porém, pensar que tais crianças eram simples médiuns, visto que podiam a qualquer momento e em qualquer circunstância dar provas de suas surpreendentes aptidões. (PÁG.  183)

121. As reminiscências só podem ser explicadas com o ter a alma vivido anteriormente, embora nossos contraditores digam que não se trata de recordações de vidas passadas, mas uma doença da memória  "a falsa memória", para Ribot, ou "o sentimento do já visto" ou "do já experimentado", para o Dr. Chauvet. Chamam-lhe também "paramnesia". (PÁG.  187)

122. Quando o sentimento do já visto se impõe ao observador por fatos contemporâneos, conversas ou leituras, é conseqüência de uma doença da memória e não há razão para disso nos ocuparmos. (PÁG.  189)

123. Dá-se o contrário com a reminiscência, quando ao ver uma paisagem pela primeira vez esse sentimento se faz acompanhar e se completa pelo conhecimento de coisas e pormenores. (PÁG.  189)

124. Pode acontecer, porém, que o paciente vê em sonho cidades nunca visitadas e então as descreve. Flammarion refere exemplos disso. (PÁG.  189)

125. É pelo estudo das circunstâncias que poderemos distinguir a reminiscência de vidas anteriores duma lucidez durante o sono e duma perversão da memória, ou paramnesia. (PÁG.  193)

126. As reminiscências de vida anterior relatadas por crianças apresentam, por vezes, tantos pormenores que é difícil explicar o fato de outro modo que não seja a reencarnação. (PÁGS.  195 e 196)

127. Nem sempre a verificação do fato é possível,  mas há muitos casos em que a realidade dos depoimentos pode ser comprovada. (PÁG.  199)

128. Existem pessoas chamadas psicômetras, que têm a faculdade de reconstituir cenas do passado quando se lhes põe nas mãos um objeto qualquer associado àquelas cenas. Uma pedra de um sarcófago egípcio, por exemplo, pode evocar a idéia do Egito e de cenas funerárias que ali se desenrolaram. Parece que, quando certas pessoas reconhecem, repentinamente, cidades ou regiões nunca vistas, esses novos lugares exercem sobre elas uma ação análoga à experimentada pelos psicômetras. Delanne relata, a respeito desse fato, alguns exemplos interessantes. (PÁGS.  199 a 202)

129. O caso Matilde de Krapkoff, em 1893, é desses ambíguos em que hesitamos em classificar se se trata de lembranças de uma vida anterior, ou de lucidez possibilitada pela faculdade de clarividência. (PÁGS.  202 a 206)

130. O caso referido pela Sra. Spapleton apresenta características que permitem colocá-la entre as que nos dão provas de uma vida anterior. Existe  algo mais que o "o sentimento do já visto" para as descrições do castelo de Versalhes. (PÁGS.  208 a 213)

131. O caso de reencarnação de Laura Raynaud, descrito pelo Dr. Durville, pôde ser completamente verificado e documentado. (PÁGS.  215 a 228)

132. Verificamos que certas crianças têm a intuição de haver vivido anteriormente, enquanto outras conservam indiscutíveis lembranças de suas vidas passadas. (PÁG.  229)

133. A clarividência pode explicar certos fatos, mas não explica o conhecimento de que uma senhora tivesse morrido no início do século XIX  de doença do peito, nem que fosse inumada em uma igreja, nem a certeza que tinha de haver vivido anteriormente, como se deu com Laura Raynaud. (PÁG.  229)

134. Juliano lembrava-se de ter sido Alexandre da Macedônia. Empédocles dizia ter sido rapaz e moça. Ponson du Terrail recordava-se de ter vivido ao tempo de Henrique III e Henrique IV. Devemos ater-nos, porém, às narrativas que trazem consigo  a prova de autenticidade. (PÁG.  232)

135. Muitas vezes, no sonambulismo e nas enfermidades, o paciente repete frases inteiras ouvidas no teatro ou lidas antigamente, profundamente esquecidas no estado normal. Mas uma palestra sustentada em língua desusada, gozando o indivíduo de todas as faculdades, supõe o funcionamento de um mecanismo, muito tempo inativo, que se revela no momento próprio. (PÁG.  234)

136. Não se improvisa uma linguagem; ora, se a essa ressurreição mnemônica se juntam lembranças precisas de fatos e lugares, há fortes indícios de que a reencarnação é a explicação mais lógica desses fenômenos. (PÁG.  234)

137. Jules-Alphonse, de 7 anos de idade, cura com a imposição de suas mãos, ou com o auxílio de remédios vegetais que ele receita. Quando se pergunta onde as houve, responde que ao tempo em que era médico. (PÁG.  236)

138. As lembranças de uma vida anterior se revelam mais freqüentemente entre as crianças, porque o perispírito, antes da puberdade, possui ainda um movimento vibratório que, em certas circunstâncias, pode adquirir bastante intensidade, para fazer recordações da existência anterior. (PÁG.  237)

139. O fenômeno, nas crianças, de lembranças de vida passada não é particular a uma época ou a uma nação. Delanne narra uma série de casos ocorridos em diferentes países. (PÁGS.  238 a 246)

140. Como vimos, a hereditariedade fisiológica não existe para os fenômenos intelectuais, não só porque os homens de gênio saem muitas vezes dos meios menos cultivados, como porque seus descendentes não lhes herdam as faculdades. (PÁG.  247)

141. O Espírito que se encarna traz, em estado latente, o resultado de seus estudos anteriores e, quando as circunstâncias o permitem, certas crianças apresentam, desde a mais tenra idade, aptidões incríveis para a aquisição de conhecimentos que exigem, em outras pessoas, longos anos de estudo. (PÁGS.  247 e 248)

142. Na maior parte dos casos, a clarividência não deve ser invocada como explicação do fenômeno, porque, para que a lucidez possa ser posta em ação, é preciso, em regra, uma causa que estabeleça uma relação entre o vidente e a cena descrita. (PÁG.  248)

143. É preciso, no entanto, um número mais importante desses testemunhos, para que esse gênero particular de fenômenos entre definitivamente no domínio da Ciência. (N.R.: Leiam-se, sobre o assunto: "Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação", de Ian Stevenson, e "Reencarnação no Brasil", de Hernani Guimarães Andrade, editado em 1987.) (PÁG.  249)

144. A lei das vidas sucessivas, como vimos, não se nos apresenta mais como simples teoria filosófica, visto que se pode apoiar em fatos experimentais, como os da regressão da memória, levada além do nascimento atual. (PÁG.  250)

145. Existem casos em que o Espírito previne os familiares de seu retorno à Terra. Delanne relata inúmeros exemplos a respeito. (PÁGS.  253 a 256)

146. Após relatar casos de reencarnação anunciados em sessões espíritas, Delanne comenta o caso de uma jovem que tivera um ódio implacável do irmão e, desejando progredir, solicitou uma reencarnação como filha dele. (PÁG.  260)

147. Léon Denis refere  o  caso de um Espírito que anunciou sua próxima encarnação e, como sinal para
o seu reconhecimento, acrescentou que teria uma cicatriz de 2 centímetros do lado direito da cabeça, o que ocorreu. (PÁG.  264)
148. O caso da jovem Alexandrina, filha do Dr. Carmelo Samona, conhecido nos meios científicos da Itália, é relatado por Delanne. (PÁGS.  264 a 270)

149. Reencarnada, a nova Alexandrina apresenta o mesmo aspecto físico da vida precedente: era ela cópia fiel da primeira, afirma o pai. (PÁG.  271)

150. A objeção de que a pequena Alexandrina não poderia manifestar-se, se a reencarnação tivesse começado, é inexata, pois sabemos que o Espírito encarnado pode perfeitamente dar comunicações e, com mais forte razão, quando não se acha, ainda, completamente ligado ao corpo. (PÁG.  276)

151. Os hábitos de Alexandrina reencarnada não se podem atribuir à influência do meio e da educação, porque sua irmã gêmea, Maria Pace, difere completamente de Alexandrina. (PÁG.  276)

152. Onze anos depois do nascimento de Alexandrina II, as semelhanças com a primeira persistiam: além de canhota, tinha os mesmos hábitos e recordações de lugares e experiências vividas na vida precedente. (PÁG.  277)

153. Os fenômenos referentes ao aviso de uma futura reencarnação são bastante numerosos para se imporem como realidade. (PÁG.  278)

Londrina, fevereiro de 2001
GEEAG - Grupo de Estudos Espíritas Abel Gomes
Astolfo Olegário de Oliveira Filho
A Reencarnação.doc
A ALMA É IMORTAL

Obra de Gabriel Delanne, traduzida por Guillon Ribeiro. FEB, 6a  edição.

4a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos IV e V da 1a Parte e Capítulo I da 2a Parte.

Questões para debate

A. Delanne extraiu três lições de um caso de desdobramento narrado pelo dr. Paul Gibier em seu livro Análise das Coisas. Quais são elas? (Págs. 101 a 104 do livro; itens 92 a 94 do texto de consulta.)

B. Em que, segundo Delanne, consiste o fenômeno da bicorporeidade? (Págs. 110 a 112 do livro; itens 97 a 99 do texto de consulta.)

C. Que é preciso para a alma desprender-se? (Págs. 113 e 114 do livro; itens 100 a 103 do texto de consulta.)

D. Que fenômenos foram assinalados na vida de Afonso de Liguori, Antônio de Pádua e Maria de Agreda? (Págs. 115 a 119 do livro; itens 104 a 106 do texto de consulta.)

E. Há relatos confiáveis dando conta de que as aparições produzem impressões sobre os animais? (Págs. 120 a

124 do livro; itens 107 a 111 do texto de consulta.)

F. O livro As Alucinações Telepáticas, mencionado por Delanne, também contém relatos de aparições de pessoas falecidas? (Págs. 124 a 129 do livro; itens 112 a 114 do texto de consulta.)

G. Depois de contestar o argumento de que as aparições não passariam de simples alucinações, Delanne afirma que o Espiritismo tem direito ao nome de ciência. Por quê? (Págs. 129 a 135 do livro; itens 115 a 117 do texto de consulta.)

H. Que significa o termo animismo e que é que a teoria animista nos permite concluir? (Págs. 135 a 138 do livro; itens 118 a 120 do texto de consulta.)

Texto para consulta

91. Refere a sra. Stone, em depoimento contido na obra As Alucinações Telepáticas, ter sido vista três vezes por pessoas diversas em lugares onde não se achava fisicamente presente. Após relatar os três episódios, Delanne observa que a sra. Stone se desprendia quando ela se achava de cama. O desdobramento explica os fatos, visto que, numa outra circunstância, sua cunhada pôde ver-lhe distinta e simultaneamente o corpo físico e o corpo fluídico. (Págs. 99 e 100)

92. Em seu livro Análise das Coisas, dr. Paul Gibier refere um caso de desdobramento involuntário, mas consciente, de um moço de trinta anos, talentoso artista gravador. Informações interessantes podem ser colhidas desse relato: I) Ao mirar-se diante de um espelho, o Espírito desdobrado não viu a sua imagem. II) Mal se formou nele o desejo de visitar a casa do vizinho, achou-se nela, de súbito, sem saber como pôde atravessar a parede com tanta facilidade. III) Para mudar de lugar, não era preciso mais do que querer. Aparecia então imediatamente onde desejasse. (Págs. 101 a 103)

93. Três lições podem ser, segundo Delanne, extraídas dessa experiência. A primeira, o fato de que a exteriorização da alma não resultou de uma alucinação, porque é inteiramente real a visão do apartamento vizinho, que o rapaz não conhecia. A segunda, a demonstração de que a alma, quando desprendida do corpo, possui uma forma definida e tem o poder de passar através dos obstáculos materiais, bastando-lhe a vontade para transportar-se aonde queira. A terceira, a informação de que a alma, quando desprendida, tem uma vista mais penetrante do que no estado normal, pois que o moço via o seu próprio coração a bater dentro do peito. (Págs. 103 e 104)

94. Uma última observação pertinente ao fenômeno:  a impossibilidade revelada pelo rapaz de mover, quando desdobrado, o disco do parafuso de seu lampião. Essa impossibilidade, peculiar a todos os Espíritos no espaço, decorre da rarefação do perispírito. Pode dar-se, porém, que - graças a um afluxo de energia tomada ao corpo material - o envoltório fluídico adquira o poder de objetivação em grau suficiente para atuar sobre objetos materiais. A aparição da mãe de Helena Alexander evidenciava essa substancialidade (veja-se o item 87 deste resumo). (Pág. 104)

95. Delanne transcreve, então, na seqüência de seu livro, dois fatos de aparições tangíveis de vivos. (Págs. 105 a 107)

96. Os Anais Psíquicos, edição de setembro-outubro de 1896, narram o seguinte fato relatado pelo sr. Stead. No dia 13 de outubro, um domingo, ele viu entrar no templo a sra. A..., cujo estado de saúde inspirava sérias inquietações. Um dos membros da congregação lhe ofereceu um livro de preces, que ela aceitou e posteriormente ergueu por várias vezes durante o ofício religioso. Visitando a enferma no dia seguinte, o sr. Stead certificou-se de que a sra. A... não saíra de casa naquele domingo, devido ao grave estado de saúde que a retinha no leito. (Págs. 107 e 108)

97. Depois de transcrever um fato em que a aparição também conversou com as pessoas e um outro em que o duplo bateu à porta e bebeu um copo dágua, Delanne observa que nesses fatos não mais se trata de telepatia, mas, sim, de bicorporeidade completa. A aparição que anda, conversa, engole água não pode ser uma imagem mental: é verdadeira materialização da alma de um vivo. (Pág. 110)

98. Se a imagem se materializa suficientemente para abrir ou fechar uma porta, para dar beijos, para segurar um livro, para conversar, etc., temos de admitir que em tais fatos há mais do que simples impressão mental do paciente. (Pág. 111)

99. No curso da vida, a alma se acha intimamente unida ao corpo, do qual não se separa completamente, senão pela morte. Mas, sob a ação de diversas influências: sono natural, sono provocado, perturbações patológicas, ou forte emoção, lhe é possível exteriorizar-se bastante para se transportar, quase instantaneamente, a determinado lugar e, em lá chegando, tornar-se visível de maneira a ser reconhecida. (Pág.  112)

100. Refere Leuret, na obra Fragmentos psicológicos sobre a loucura, que um homem convalescente de grave febre se julgava formado de dois indivíduos, um dos quais se encontrava de cama, enquanto o outro passeava. Pariset, que fora atacado, quando jovem, de um tifo epidêmico, passou muitos dias num aniquilamento próximo da morte. Certa manhã, despertou feliz e, coisa maravilhosa, julgava ter dois corpos, que pareciam deitados em leitos diferentes. (Pág.  113)

101. Cahagnet, o célebre magnetizador, diz ter conhecido muitas pessoas com quem se deram fatos desses - desdobramentos - que, diz ele, são muito freqüentes em estado de doença. (Pág. 113)

102. Observa Delanne que, de modo geral, os relatos mostram que para a alma desprender-se é preciso que o corpo esteja mergulhado em sono, ou que os laços que a prendem ao corpo se hajam afrouxado por uma emoção forte ou por doença. As práticas magnéticas ou os agentes anestésicos acarretam também, por vezes, os mesmos resultados. (Pág. 114)

103. Outra constatação importante, resultante dos exemplos citados, é que a forma visível da alma é cópia absolutamente fiel do corpo terrestre. A identidade entre a pessoa e seu duplo é completa, e não se limita à reprodução dos contornos exteriores do ser material, pois que alcança até a íntima estrutura perispirítica, ou seja, todos os órgãos do ser humano existem na sua reprodução fluídica. (Pág. 114)

104. Em seu livro A Humanidade Póstuma, Dassier relata o caso de uma mulher que procurou um adivinho que vivia recluso, nas cercanias de Filadélfia (EUA), com o objetivo de obter notícias de seu marido, um capitão de navio que partira para longa viagem pela Europa e pela África. O adivinho adormeceu num aposento contíguo ao da consulta e, desdobrando-se, encontrou o capitão num café em Londres, colhendo a informação de que em breve ele regressaria ao lar. De volta à casa, o marinheiro confirmou ter-se encontrado realmente com o adivinho em Londres. (Págs. 115 e 116)

105. Delanne encerra o capítulo transcrevendo um caso de desdobramento provocado relatado na Revista Espírita de 1858 e o conhecido episódio que se deu com Afonso de Liguori, constante do livro A História Geral da Igreja, escrita pelo barão Henrion. Como se sabe, estando adormecido em sua casa por dois dias, Afonso de Liguori, ao despertar, informou ter assistido o papa Clemente XIV, que havia acabado de morrer. O fato ocorreu a
22-9-1774 e reza a história que Clemente XIV deixou de viver às 7 horas da manhã do referido dia, assistido, entre outros, por Afonso de Liguori. (Págs. 118 e 119)

106. Casos análogos, diz Delanne, ocorreram com Santo Antônio de Pádua, S. Francisco Xavier e, sobretudo, com Maria de Agreda, cujos desdobramentos se produziram durante muitos anos. (Pág. 119)

107. Sob o título Aparição real de minha mulher depois de morta, o dr. Woetzel publicou em 1804 um livro que causou grande sensação nos primeiros anos do século XIX. Woetzel pedira à sua mulher, quando enferma, que, se ela viesse a morrer, lhe aparecesse. Algumas semanas depois de sua morte, uma janela do seu quarto se abriu e ele viu a forma de sua esposa, que lhe disse com voz meiga: Carlos, sou imortal; um dia tornaremos a ver-nos. A aparição e essas palavras repetiram-se segunda vez, mostrando-se a falecida vestida de branco e com o aspecto que tinha em vida. (Págs. 120 e 121)

108. Um cão, que da primeira vez não dera sinal de ter percebido coisa alguma, da segunda se pôs a farejar e a descrever um círculo, como se o fizesse em torno de alguma pessoa conhecida. (Pág. 121)

109. O dr. Justinus Kerner, em sua obra sobre a vidente de Prévorst, refere também que, toda vez que o Espírito lhe aparecia, um galgo negro parecia sentir-lhe a presença e corria para junto de alguém logo que a aparição se tornava perceptível à vidente. Desde o dia em que viu o vulto, o cão nunca mais quis ficar sozinho durante a noite. (Pág. 121)

110. Vários fatos, relatados na seqüência por Delanne, demonstram que as aparições, como verificado pelo dr. Kerner, produzem impressões sobre os animais. Ora, conforme observou o naturalista Alfred Russel Wallace, isso não ocorreria se fossem verdadeiras as teorias da alucinação e da telepatia. (Págs. 121 e 122)

111. Além disso, se nas aparições ocorrem fenômenos físicos produzidos por ela, evidente se torna que não é uma imagem mental quem as executa. (Págs. 123 e 124)

112. A obra As Alucinações Telepáticas traz relatos de diversas aparições de pessoas falecidas, como a narrada pela sra. Stella Chieri, da Itália, que lia um livro junto da lareira, quando a porta do recinto se abriu e Bertie (que morrera minutos antes) entrou. Ela se levantou bruscamente, a fim de aproximar do fogo uma poltrona para ele, pois lhe pareceu que o jovem estivesse com frio e não trazia capote, embora na ocasião nevasse. Depois que a aparição se desfez é que a sra. Chieri ficou sabendo, através do sr. G..., que Bertie havia morrido em seu quarto meia hora antes. (Págs. 124 e 125)

113. Relato semelhante foi feito pela sra. Bishop, em março de 1884. Segundo essa escritora, um índio de nome Mountain Jim, que ela conhecera na América, apareceu-lhe no quarto de um hotel na Suíça no dia exato em que seu corpo morrera em sua aldeia. Mountain Jim surgiu de repente diante dela e lhe disse: Vim, como prometi.

Depois, fez um sinal com a mão e disse: Adeus!, fato que prova que o Espírito dispõe de um órgão para produzir sons articulados e de uma força para acioná-lo. (Págs. 127 e 128)

114. Morto na baía de Hong Kong a 21-8-1869, em conseqüência de um ataque de insolação, o sr. Cox apareceu, algumas horas depois, no quarto de seu filho, um menino de sete anos, em Devonport (Irlanda), e logo depois a uma irmã, sra. Minnie Cox, junto da lareira da casa. Como a sra. Cox não sabia de sua morte, ela ficou aterrada e cobriu a cabeça com um lençol, mas pôde ouvi-lo nitidamente a chamá-la pelo nome, o que foi repetido três vezes. (Págs. 128 e 129)

115. Delanne transcreve em seguida um relato datado de 19-5-1883, extraído da obra As Alucinações Telepáticas, em que se registrou a aparição de três Espíritos e, na seqüência, reproduz um caso em que o morto pôde ser visto por diversas pessoas. Diz Delanne que, além desses, a obra citada apresenta 63 outros fatos análogos, o que desmonta a tese da alucinação, porque é ir muito longe imaginar que várias pessoas possam ser vítimas de uma mesma ilusão. (Págs. 129 a 133)

116. A negação, para legitimar-se, diz Delanne, precisa de limites, porquanto não lhe é possível manter-se, desde que seja posta em face de provas experimentais que atestam a realidade das manifestações. Em todos os casos referidos, a certeza da visão em si mesma não é contestada. O que os opugnadores negam é que seja objetiva, ou seja, que se haja produzido algures, que não no cérebro do operador ou dos assistentes. (Págs. 133 e 134)

117. Uma ciência só se acha verdadeiramente constituída quando pode verificar, por meio da experiência, as hipóteses que os fatos lhe sugerem. O Espiritismo tem direito ao nome de ciência, porque não se limitou à simples observação dos fenômenos naturais que revelam a existência da alma, mas empregou todos os processos para chegar à demonstração de suas teorias. O magnetismo e a ciência pura serviram-lhe, nesse sentido, de poderosos auxiliares. (Pág. 135)

118. Os numerosos exemplos verificados do desdobramento da alma mostraram que era possível reproduzir experimentalmente esses fenômenos. Deu-se então a denominação de animismo à ação extracorpórea da alma, porém semelhante distinção é puramente nominal, visto que tais manifestações são sempre idênticas, quer durante a vida, quer após a morte. A alma pode, pois, não apenas produzir fenômenos de transmissão do pensamento ou de aparições, mas também provocar deslocamentos de objetos materiais que lhe atestem a presença. (Págs. 135 e 136)

119. Ora, se a alma humana tem o poder de agir fora do seu corpo, lógico é se admita que dispõe ela do mesmo poder depois da morte, se sobrevive integralmente e se se põe em comunicação com um organismo vivo, análogo ao que possuía antes de morrer. (Pág. 136)

120. Dito isto, Delanne relata um fato de aparição voluntária em que o agente resolveu, por moto próprio, aparecer num quarto em que dormiam duas pessoas de suas relações. Posteriormente, durante a vigília, ele as visitou, ocasião em que a mais velha contou-lhe tê-lo visto no domingo anterior, quando ele se desdobrara e fora à casa delas. (Págs. 137 e 138)

Londrina, janeiro de 2004
Astolfo O. de Oliveira Filho
A alma é imortal

segunda-feira, 29 de junho de 2015


 Léon Denis

A fé é a confiança da criatura em seus destinos, é o sentimento que a eleva à infinita Potestade, é a certeza de estar no caminho que vai ter à verdade. A fé cega é como o farol cujo vermelho clarão não pode traspassar o nevoeiro; a fé esclarecida é foco elétrico que ilumina com brilhante luz a estrada a percorrer.
Ninguém adquire essa fé sem ter passado pelas tribulações da dúvida, sem ter padecido as angústias que embaraçam o caminho dos investigadores. Muitos param em esmorecida indecisão e flutuam longo tempo entre opostas correntezas. Feliz quem crê, sabe, vê e caminha firme. A fé então é profunda, inabalável, e o habilita a superar os maiores obstáculos. Foi neste sentido que se disse que a fé transporta montanhas, pois, como tais, podem ser consideradas as dificuldades que os inovadores encontram no seu caminho, ou sejam as paixões, a ignorância, os preconceitos e o interesse material
Geralmente, considera-se a fé somente como crença em certos dogmas religiosos, aceitos sem exame. Mas a verdadeira fé está na convicção que nos anima e nos arrebata para os ideais elevados. Há a fé em si próprio, em uma obra material qualquer, a fé política, a fé na pátria. Para o artista, para o pensador, a fé é o sentimento do ideal, é a visão do sublime fanal aceso pela mão divina, nos alcantis eternos, a fim de guiar a Humanidade ao Bem e à Verdade.
E' cega a fé religiosa que anula a razão e se submete ao juízo dos outros, que aceita um corpo de doutrina verdadeiro ou falso, e a ele se cativa totalmente Na sua impaciência e nos seus excessos, a fé cega recorre facilmente à perfídia, à subjugação, e conduz ao fanatismo.
Ainda sob este aspecto, ela é um poderoso incentivo, pois tem ensinado os homens a se humilharem e a sofrerem. Pervertida pelo espírito de domínio, ela tem sido a causa de muitos crimes , mas, em suas conseqüências funestas , também deixa transparecer as suas grandes vantagens.
Ora, se a fé cega pôde produzir tais efeitos, o que não fará a fé esclarecida pela razão, a fé que julga, discerne e compreende? Certos teólogos nos exortam a desprezar a razão, a renegá-la, a rebatê-la.
Deveremos por isso repudiá-la, mesmo quando ela nos mostra o bem e o belo? Esses teólogos alegam os erros em que a razão caiu e parecem esquecer lastimosamente que a razão foi quem descobriu esses erros e nos ajudou a corrigi-los.
A razão é uma faculdade superior, destinada a esclarecer-nos sobre todas as coisas e que, como todas as outras faculdades, se desenvolve e se aumenta pelo exercício. A razão humana é um reflexo da Razão eterna. E, Deus em nos. disse S. Paulo. Desconhecer-lhe o valor e a utilidade é menosprezar a natureza humana, é ultrajar a própria Divindade. Querer substituir a razão pela fé é ignorar que ambas são solidárias e inseparáveis, que se consolidam e se vivificam uma à outra. A união de ambas abre ao pensamento um campo mais vasto: harmoniza as nossas faculdades e nos traz a paz interna.
A fé é mãe dos nobres sentimentos e dos grandes feitos. O homem profundamente firme e convicto é imperturbável diante do perigo, do mesmo modo que nas tribulações. Superior às lisonjas, às seduções, às ameaças, ao bramir das paixões, ele ouve uma voz ressoar nas profundezas da sua consciência, instigando-o à luta, encorajando-o nos momentos perigosos.
Para produzir tais resultados, a fé precisa repousar na base sólida que lhe oferecem o livre exame e a liberdade de pensamento. Em vez de dogmas e mistérios, cumpre que ela só reconheça princípios decorrentes da observação direta, do estudo das leis naturais. Tal é o caráter da fé espírita.
4 = A REENCARNAÇÃO

Gabriel Delanne

Tradução de Carlos Imbassahy publicada pela Federação Espírita Brasileira

3a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos VI e VII.

Questões para debate

A. Existe alguma ligação entre os estados psíquicos e físicos de uma pessoa? (Cap. VI, págs. 128 e 129. Ver itens 83 e 84 do texto abaixo.)
B. A sugestão hipnótica é o único processo que permite a lembrança do passado? (Cap. VI, págs. 126 a 128, 132 a 134. Ver itens 81, 82, 85 e 86 do texto abaixo.)
C. Diante das experiências conhecidas, pode-se dizer que tudo que vivenciamos e aprendemos se fixa para sempre em nós e deixa aí traços inapagáveis? (Cap. VI, págs. 134 e 135. Ver itens 87 e 88 do texto abaixo.)
D. Que é criptomnesia? (Cap. VI,  págs. 137 e 138. Ver itens 90 e 91 do texto abaixo.)
E. Que vinculação existe entre o sistema nervoso e o perispírito? (Cap. VII, págs. 142 e 143. Ver itens 92 a 96 do texto abaixo.)
F. Que experiências estabeleceram a certeza absoluta da existência do perispírito? (Cap. VII, pág. 143. Ver itens 97 e 98 do texto abaixo.)
G. É possível ativar a recordação do passado por meio do magnetismo? (Cap. VII, págs. 145 a 149. Ver itens 101 a 104 do texto abaixo.)
H. Que fato torna possível renovar as lembranças do passado a uma pessoa que, mesmo desencarnada, tenha esquecido suas existências anteriores? (Cap. VII, págs. 166 a 171. Ver itens 109 a 114 do texto abaixo.)

Texto para consulta

79. O estado produzido pelo sonambulismo abarca toda espécie de memória, compreendidas as do sono e as da vida ordinária. (PÁG.  124)

80. A ressurreição das lembranças esquecidas de uma parte da vida, que Pitres chamou de "ecmenesia", foi assinalada por muitos autores. (PÁG.  126)

81. Não só as lembranças visuais ou auditivas se conservam, mas as aquisições intelectuais, asseveram Bourru e Burot, que descrevem a regressão de memória a que foi submetida uma jovem de nome Jeanne. (PÁGS.  126 e 127)

82. Há casos em que a revivescência do passado decorre de uma crise de histeria (caso Albertina); noutros, o fato se deve à sugestão. (PÁG.  128)

83. Podemos supor que as lembranças sucessivas se acumulam por andares e que as contemporâneas se ligam de maneira íntima, de tal sorte que não são unicamente as lembranças psicológicas que sobrevivem, mas todos os estados fisiológicos concomitantes: renovado um, o outro aparece. (PÁGS.  128 e 129)

84. Pierre Janet confirma essa ligação indissolúvel dos estados psíquicos e físicos do corpo, em um período qualquer de sua vida. (PÁG.  129)

85. A sugestão durante o sono hipnótico não é o único processo que permite a lembrança do passado; a regressão pode dar-se em casos de certas doenças, excitação maníaca e no êxtase. (PÁG.  132)

86. Emoções violentas têm como resultado pôr em ação, de repente, o mecanismo da memória, tal como se dá no momento da morte. (PÁG.  134)

87. Parece evidente, diante dos casos examinados, que todas as sensações que experimentamos são registradas e deixam em nós traços indeléveis; e o mais notável é que o esquecimento não implica, de forma nenhuma, o aniquilamento das lembranças. (PÁG.  134)

88. Todas as nossas lembranças, mesmo aquelas que não podemos renovar, vivem em nós de maneira latente e constituem os fundamentos de nossa personalidade; cada lembrança, física ou intelectual, contribui para a edificação de nossa vida mental. Pierre Janet o confirma. (PÁG.  135)

89. Um dos processos utilizados para exteriorizar as imagens mentais é o da bola de cristal. As visões que aí se obtêm, segundo pesquisadores ingleses, seriam alucinações visuais que exteriorizam imagens contidas no cérebro do experimentador sem deixar, porém, recordação consciente. (PÁG.  136)

90. Sem exagerar a importância dos fenômenos anímicos, é preciso, contudo, conhecê-los bem, para não supô-los fenômenos espiríticos, como os casos de criptomnesia (memória latente), que se assemelham à clarividência. (PÁG.  137)

91. Eis um exemplo: O Sr. Brodelbank perdeu uma faca. Seis meses depois, sonhou que a faca estava no bolso de uma calça usada. Acordando, procurou a calça e encontrou a faca no lugar indicado. (PÁG.  137)

92. Se admitirmos, com Claude Bernard, que todos os movimentos produzidos no organismo exigem a destruição da substância viva, como explicar que nos velhos são as lembranças da mocidade que mais persistem? Essa anomalia seria inexplicável, se o sistema nervoso fosse o registrador de todas as sensações, e não o perispírito. (PÁG.  142)

93. É aqui que intervém o ensino de Kardec sobre o corpo espiritual, a que deu o nome de perispírito: ele é o molde no qual a matéria física se incorpora,  ou, mais exatamente, o plano ideal que contém as leis organogê-
nicas do ser humano. (PÁG.  142)

94. Ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso, toda sensação, que abala a massa nervosa, desprende essa espécie de energia a que deram os mais diversos nomes: fluido nervoso, fluido magnético, força psíquica... (PÁG.  142)

95. Essa energia age sobre o perispírito para comunicar-lhe o movimento vibratório particular, segundo o território nervoso excitado (vibração visual, auditiva, táctil, muscular etc.), de maneira que a atenção da alma seja acordada e se produza o fenômeno da percepção. (PÁG.  142)

96. Desde esse momento, essa vibração faz parte, para sempre, do organismo perispiritual, porque, em virtude da lei de conservação da energia, ela é indestrutível. (PÁGS.  142 e 143)

97. Foram as experiências espíritas que estabeleceram a certeza absoluta da existência desse corpo espiritual, que se torna visível durante o desdobramento do ser humano, as aparições e as materializações. (PÁG.  143)

98. Porque o perispírito é indestrutível, conservamos após a morte a integridade de nossas aquisições e a memória. (PÁG.  143)

99. A separação entre o espírito e a matéria produz um período de perturbação, durante o qual a alma não tem consciência exata de sua nova situação; pouco a pouco, essa espécie de doença perispiritual tem fim, quer normalmente, quer sob a influência dos Espíritos protetores. (PÁG.  144)

100. Em certos pacientes o estado fisiológico é inseparável do psicológico, que lhe está associado; isso nos permite entender como, durante uma materialização, o Espírito pode reconstituir seu corpo físico por simples ato de sua vontade, isto é, por auto-sugestão. (PÁG.  144)

101. Se a memória da última vida terrestre é renovada depois da morte, o mesmo não se dá, em muitos casos, com as existências anteriores. (PÁG.  145)

102. Vimos que existem séries de memórias superpostas e que as camadas superficiais são acessíveis à consciência; se quisermos penetrar, porém, mais profundamente no armazém das lembranças, é preciso mergulhar o paciente no estado  sonambúlico,  para dar ao perispírito o movimento vibratório que lhe é próprio.  Há no corpo  espiritual zonas  de  intensidade vibratória prodigiosamente diversas, e as camadas perispirituais das vidas anteriores têm um mínimo de movimentos vibratórios, que as torna inconscientes para os Espíritos pouco evolvidos: é por isso que ignoram se viveram anteriormente. (PÁG.  145)

103. É possível despertar tais recordações, magnetizando-os. Kardec alude a isso na "Revista Espírita" (caso Dr. Cailleu). Se magnetizarmos um paciente terrestre, de maneira a atingir as camadas profundas do perispírito, poderemos renovar a memória de suas vidas anteriores, como fizeram os espíritas espanhóis e o Coronel de Rochas. (PÁGS.  146 e 147)

104. Em 1887, Fernandez Colavida obteve idêntico resultado, no Grupo Espírita "Paz", na Espanha. O registro é de Estevan Marata. (PÁG.  149)

105. Em obra publicada em 1911, o Coronel de Rochas refere suas experiências de regressão de memória, com passes e sugestão. (PÁG.  158)

106. Flournoy, professor de Psicologia em Genebra, estudou de perto o caso Helena Smith, que descrevia duas existências anteriores, como Maria Antonieta e uma princesa hindu, e a vida no planeta Marte. (PÁGS.  159 e 160)

107. No caso da princesa Simandini, as investigações do prof. Flournoy conduzem à conclusão de que Helena é a reencarnação da princesa. (PÁG.  163)

108. Para Flournoy, a mediunidade  não é incompatível com uma vida normal e regular, e o médium não
é necessariamente um nevropata. (PÁG.  164)

109. A experiência confirma o despertar dos conhecimentos anteriormente adquiridos, no período de transe do estado sonambúlico. (PÁGS.  166 e 167)

110. Muitos exemplos mostram Espíritos descrevendo, em sessões mediúnicas, suas vidas anteriores e dando provas disso. (PÁGS.  168 e 169)

111. Todas as sensações visuais, auditivas, tácteis, cenestésicas, que agem sobre nós, ficam gravadas de maneira indelével no perispírito e podem renascer espontaneamente, ou durante o sono sonambúlico. (PÁG.  170)

112. Parece que cada período da vida deixa no  perispírito impressões sucessivas inapagáveis, formadas por associações dinâmicas estáveis que se superpõem sem se confundir, mas cujo movimento vibratório diminui à medida que o tempo passa, até cair abaixo do limiar da consciência espírita. (PÁG.  170)

113. Se dermos a esse corpo fluídico movimentos vibratórios análogos aos que ele registou em qualquer momento de sua existência, far-se-á renascer todas as lembranças concomitantes desse período. (PÁG.  171)

114. Foi o que sucedeu nas experiências de Richet, Bourru, Burot, Pitres, Rochas e outros, mas nem todos os pacientes se acham aptos a fazer renascer o passado, em virtude de múltiplas causas, e a principal resulta, ao que parece, do que se poderia chamar a densidade perispiritual, isto é, a imperfeição relativa do corpo fluídico, cujas vibrações não podem achar a intensidade necessária para ressuscitar o passado. (PÁG.  171)

Londrina, fevereiro de 2001
GEEAG - Grupo de Estudos Espíritas Abel Gomes
Astolfo Olegário de Oliveira Filho
A Reencarnação.doc

4 = A REENCARNAÇÃO

Gabriel Delanne

Tradução de Carlos Imbassahy publicada pela Federação Espírita Brasileira

3a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos VI e VII.

Questões para debate

A. Existe alguma ligação entre os estados psíquicos e físicos de uma pessoa? (Cap. VI, págs. 128 e 129. Ver itens 83 e 84 do texto abaixo.)
B. A sugestão hipnótica é o único processo que permite a lembrança do passado? (Cap. VI, págs. 126 a 128, 132 a 134. Ver itens 81, 82, 85 e 86 do texto abaixo.)
C. Diante das experiências conhecidas, pode-se dizer que tudo que vivenciamos e aprendemos se fixa para sempre em nós e deixa aí traços inapagáveis? (Cap. VI, págs. 134 e 135. Ver itens 87 e 88 do texto abaixo.)
D. Que é criptomnesia? (Cap. VI,  págs. 137 e 138. Ver itens 90 e 91 do texto abaixo.)
E. Que vinculação existe entre o sistema nervoso e o perispírito? (Cap. VII, págs. 142 e 143. Ver itens 92 a 96 do texto abaixo.)
F. Que experiências estabeleceram a certeza absoluta da existência do perispírito? (Cap. VII, pág. 143. Ver itens 97 e 98 do texto abaixo.)
G. É possível ativar a recordação do passado por meio do magnetismo? (Cap. VII, págs. 145 a 149. Ver itens 101 a 104 do texto abaixo.)
H. Que fato torna possível renovar as lembranças do passado a uma pessoa que, mesmo desencarnada, tenha esquecido suas existências anteriores? (Cap. VII, págs. 166 a 171. Ver itens 109 a 114 do texto abaixo.)

Texto para consulta

79. O estado produzido pelo sonambulismo abarca toda espécie de memória, compreendidas as do sono e as da vida ordinária. (PÁG.  124)

80. A ressurreição das lembranças esquecidas de uma parte da vida, que Pitres chamou de "ecmenesia", foi assinalada por muitos autores. (PÁG.  126)

81. Não só as lembranças visuais ou auditivas se conservam, mas as aquisições intelectuais, asseveram Bourru e Burot, que descrevem a regressão de memória a que foi submetida uma jovem de nome Jeanne. (PÁGS.  126 e 127)

82. Há casos em que a revivescência do passado decorre de uma crise de histeria (caso Albertina); noutros, o fato se deve à sugestão. (PÁG.  128)

83. Podemos supor que as lembranças sucessivas se acumulam por andares e que as contemporâneas se ligam de maneira íntima, de tal sorte que não são unicamente as lembranças psicológicas que sobrevivem, mas todos os estados fisiológicos concomitantes: renovado um, o outro aparece. (PÁGS.  128 e 129)

84. Pierre Janet confirma essa ligação indissolúvel dos estados psíquicos e físicos do corpo, em um período qualquer de sua vida. (PÁG.  129)

85. A sugestão durante o sono hipnótico não é o único processo que permite a lembrança do passado; a regressão pode dar-se em casos de certas doenças, excitação maníaca e no êxtase. (PÁG.  132)

86. Emoções violentas têm como resultado pôr em ação, de repente, o mecanismo da memória, tal como se dá no momento da morte. (PÁG.  134)

87. Parece evidente, diante dos casos examinados, que todas as sensações que experimentamos são registradas e deixam em nós traços indeléveis; e o mais notável é que o esquecimento não implica, de forma nenhuma, o aniquilamento das lembranças. (PÁG.  134)

88. Todas as nossas lembranças, mesmo aquelas que não podemos renovar, vivem em nós de maneira latente e constituem os fundamentos de nossa personalidade; cada lembrança, física ou intelectual, contribui para a edificação de nossa vida mental. Pierre Janet o confirma. (PÁG.  135)

89. Um dos processos utilizados para exteriorizar as imagens mentais é o da bola de cristal. As visões que aí se obtêm, segundo pesquisadores ingleses, seriam alucinações visuais que exteriorizam imagens contidas no cérebro do experimentador sem deixar, porém, recordação consciente. (PÁG.  136)

90. Sem exagerar a importância dos fenômenos anímicos, é preciso, contudo, conhecê-los bem, para não supô-los fenômenos espiríticos, como os casos de criptomnesia (memória latente), que se assemelham à clarividência. (PÁG.  137)

91. Eis um exemplo: O Sr. Brodelbank perdeu uma faca. Seis meses depois, sonhou que a faca estava no bolso de uma calça usada. Acordando, procurou a calça e encontrou a faca no lugar indicado. (PÁG.  137)

92. Se admitirmos, com Claude Bernard, que todos os movimentos produzidos no organismo exigem a destruição da substância viva, como explicar que nos velhos são as lembranças da mocidade que mais persistem? Essa anomalia seria inexplicável, se o sistema nervoso fosse o registrador de todas as sensações, e não o perispírito. (PÁG.  142)

93. É aqui que intervém o ensino de Kardec sobre o corpo espiritual, a que deu o nome de perispírito: ele é o molde no qual a matéria física se incorpora,  ou, mais exatamente, o plano ideal que contém as leis organogê-
nicas do ser humano. (PÁG.  142)

94. Ligado ao corpo por intermédio do sistema nervoso, toda sensação, que abala a massa nervosa, desprende essa espécie de energia a que deram os mais diversos nomes: fluido nervoso, fluido magnético, força psíquica... (PÁG.  142)

95. Essa energia age sobre o perispírito para comunicar-lhe o movimento vibratório particular, segundo o território nervoso excitado (vibração visual, auditiva, táctil, muscular etc.), de maneira que a atenção da alma seja acordada e se produza o fenômeno da percepção. (PÁG.  142)

96. Desde esse momento, essa vibração faz parte, para sempre, do organismo perispiritual, porque, em virtude da lei de conservação da energia, ela é indestrutível. (PÁGS.  142 e 143)

97. Foram as experiências espíritas que estabeleceram a certeza absoluta da existência desse corpo espiritual, que se torna visível durante o desdobramento do ser humano, as aparições e as materializações. (PÁG.  143)

98. Porque o perispírito é indestrutível, conservamos após a morte a integridade de nossas aquisições e a memória. (PÁG.  143)

99. A separação entre o espírito e a matéria produz um período de perturbação, durante o qual a alma não tem consciência exata de sua nova situação; pouco a pouco, essa espécie de doença perispiritual tem fim, quer normalmente, quer sob a influência dos Espíritos protetores. (PÁG.  144)

100. Em certos pacientes o estado fisiológico é inseparável do psicológico, que lhe está associado; isso nos permite entender como, durante uma materialização, o Espírito pode reconstituir seu corpo físico por simples ato de sua vontade, isto é, por auto-sugestão. (PÁG.  144)

101. Se a memória da última vida terrestre é renovada depois da morte, o mesmo não se dá, em muitos casos, com as existências anteriores. (PÁG.  145)

102. Vimos que existem séries de memórias superpostas e que as camadas superficiais são acessíveis à consciência; se quisermos penetrar, porém, mais profundamente no armazém das lembranças, é preciso mergulhar o paciente no estado  sonambúlico,  para dar ao perispírito o movimento vibratório que lhe é próprio.  Há no corpo  espiritual zonas  de  intensidade vibratória prodigiosamente diversas, e as camadas perispirituais das vidas anteriores têm um mínimo de movimentos vibratórios, que as torna inconscientes para os Espíritos pouco evolvidos: é por isso que ignoram se viveram anteriormente. (PÁG.  145)

103. É possível despertar tais recordações, magnetizando-os. Kardec alude a isso na "Revista Espírita" (caso Dr. Cailleu). Se magnetizarmos um paciente terrestre, de maneira a atingir as camadas profundas do perispírito, poderemos renovar a memória de suas vidas anteriores, como fizeram os espíritas espanhóis e o Coronel de Rochas. (PÁGS.  146 e 147)

104. Em 1887, Fernandez Colavida obteve idêntico resultado, no Grupo Espírita "Paz", na Espanha. O registro é de Estevan Marata. (PÁG.  149)

105. Em obra publicada em 1911, o Coronel de Rochas refere suas experiências de regressão de memória, com passes e sugestão. (PÁG.  158)

106. Flournoy, professor de Psicologia em Genebra, estudou de perto o caso Helena Smith, que descrevia duas existências anteriores, como Maria Antonieta e uma princesa hindu, e a vida no planeta Marte. (PÁGS.  159 e 160)

107. No caso da princesa Simandini, as investigações do prof. Flournoy conduzem à conclusão de que Helena é a reencarnação da princesa. (PÁG.  163)

108. Para Flournoy, a mediunidade  não é incompatível com uma vida normal e regular, e o médium não
é necessariamente um nevropata. (PÁG.  164)

109. A experiência confirma o despertar dos conhecimentos anteriormente adquiridos, no período de transe do estado sonambúlico. (PÁGS.  166 e 167)

110. Muitos exemplos mostram Espíritos descrevendo, em sessões mediúnicas, suas vidas anteriores e dando provas disso. (PÁGS.  168 e 169)

111. Todas as sensações visuais, auditivas, tácteis, cenestésicas, que agem sobre nós, ficam gravadas de maneira indelével no perispírito e podem renascer espontaneamente, ou durante o sono sonambúlico. (PÁG.  170)

112. Parece que cada período da vida deixa no  perispírito impressões sucessivas inapagáveis, formadas por associações dinâmicas estáveis que se superpõem sem se confundir, mas cujo movimento vibratório diminui à medida que o tempo passa, até cair abaixo do limiar da consciência espírita. (PÁG.  170)

113. Se dermos a esse corpo fluídico movimentos vibratórios análogos aos que ele registou em qualquer momento de sua existência, far-se-á renascer todas as lembranças concomitantes desse período. (PÁG.  171)

114. Foi o que sucedeu nas experiências de Richet, Bourru, Burot, Pitres, Rochas e outros, mas nem todos os pacientes se acham aptos a fazer renascer o passado, em virtude de múltiplas causas, e a principal resulta, ao que parece, do que se poderia chamar a densidade perispiritual, isto é, a imperfeição relativa do corpo fluídico, cujas vibrações não podem achar a intensidade necessária para ressuscitar o passado. (PÁG.  171)

Londrina, fevereiro de 2001
GEEAG - Grupo de Estudos Espíritas Abel Gomes
Astolfo Olegário de Oliveira Filho
A Reencarnação.doc

A ALMA É IMORTAL

Obra de Gabriel Delanne, traduzida por Guillon Ribeiro. FEB, 6a  edição.
3a Reunião

Objeto do estudo: Capítulos III e IV da 1a Parte.

Questões para debate

A. Que fato relacionado com o fenômeno das mesas girantes, ocorrido em Fossano, foi relatado pelo professor Morgari na Sociedade Espírita de Turim? (Págs. 70 e 71 do livro; itens 61 e 62 do texto de consulta.)

B. Que manifestações registradas pelo dr. Moroni comprovam que as comunicações espíritas não decorrem de uma simples exteriorização do médium, mas da ação de um Espírito a ele estranho? (Págs. 71 a 74 do livro; itens 63 a 68 do texto de consulta.)

C. Três experiências mediúnicas realizadas com a participação do médium Sauvage são descritas no livro. Quais são elas? (Págs. 76 a 78 do livro; itens 69 a 71 do texto de consulta.) 

D. Que pormenores revelaram os sonhos tidos pela Sra. Fleurot com Blaise Pascal e que é que  esse fato revela? (Págs. 80 a 82 do livro; itens 72 a 75 do texto de consulta.)

E. Episódio semelhante ao de Blaise Pascal ocorreu com o poeta Vergílio. Como, neste caso, a vidente teve certeza de sua vidência? (Págs. 82 e 83 do livro; itens 76 a 78 do texto de consulta.)

F. Que é que levou à fundação na Inglaterra da Sociedade de Pesquisas Psíquicas e quais foram seus primeiros resultados? (Págs. 87 e 88 do livro; itens 80 a 82 do texto de consulta.)

G. Que provas acerca da objetividade das aparições são mencionadas pelo cientista Alfred Russel Wallace em seu livro Os milagres do moderno espiritualismo? (Págs. 88 e 89 do livro; itens 83 e 84 do texto de consulta.)


H. Dois casos de aparições espontâneas envolvendo a Sra. Reddell e o grande poeta Goethe são mencionados por Delanne. Como tais fatos se deram? (Págs. 91 a 96 do livro; itens 86 a 90 do texto de consulta.)

Texto para consulta

61. A 20 de outubro de 1863, na Sociedade de Estudos Espíritas de Turim, o professor Morgari relatou um fato muito interessante ocorrido em Fossano, quando o Espírito de determinada mulher dirigiu tocantes palavras ao professor P..., seu marido. 
Depois de falar-lhe, a pranteada esposa manifestou o desejo de ver os filhinhos do casal, que dormiam, naquele momento, em aposentos contíguos. A mesa passou então a mover-se com grande rapidez e penetrou no aposento mais próximo, onde uma das crianças, menina de três anos, dormia profundamente. Acercando-se de seu berço, a mesa se ergueu e se inclinou, no ar, para a criancinha que, sempre a dormir, lhe estendeu os braços e exclamou: Mamãe! oh! mamãe! Inquirida pelo pai, a menina confirmou que a estava realmente vendo. (Págs. 70 e 71) 

62. O testemunho de uma criança de três anos reconhecendo sua mãe não poderá ser suspeito, nem mesmo aos mais cépticos. Ninguém - assevera Delanne - poderá ver aí qualquer sugestão, pois que a criança dormia e era aquela a primeira vez que seu pai e sua tia se ocupavam com o Espiritismo. O que aí há é a confirmação da crença de que a mãe sobrevivia no espaço e continuava a prodigalizar seu amor ao marido e aos filhos. (Pág. 71)

63. Outras manifestações interessantes foram registradas pelo dr. Moroni, co-autor do livro Alguns ensaios de mediunidade hipnótica, publicado em 1889. Servia de instrumento ao dr. Moroni, para descrever os Espíritos que se manifestavam por meio da mesa, uma mulher chamada Isabel Cazetti. Em muitas ocasiões foi-lhe dado verificar que eram contrárias às crenças dos assistentes as indicações que a sonâmbula ministrava. E esta descrevia às vezes um Espírito que não era o evocado e, com efeito, a mesa deletreava um nome diverso do Espírito que fora chamado. (Págs. 71 e 72)

64. Após transcrever algumas manifestações verificadas pelo dr. Moroni, Delanne conclui que: I) Tais experiências provam que são mesmo os Espíritos, e não entidades quaisquer, que se manifestam. II) As pretensas explicações baseadas na transmissão do pensamento do evocador ao médium não se podem aplicar a fatos como o descrito no item anterior, uma vez que o médium anuncia um nome diferente do evocado e no qual os assistentes não pensam. III) As circunstâncias em que se dão os fenômenos e as mensagens ditadas pelo comunicante afastam a idéia de que o autor da manifestação seja um ser híbrido, formado dos pensamentos de todos os assistentes, nem tampouco elementais ou influências demoníacas. (Págs. 72 e 73)

65. Na verdade, informa Delanne, são as almas dos mortos que afirmam a sua sobrevivência por ações mecânicas sobre a matéria. Não apresentam eles uma forma indeterminada, mas a forma do corpo terreno que tiveram durante a encarnação. A inteligência se lhes conservou lúcida e vivaz e eles revelam-se em plena atividade após a morte. Temos em nossa presença - atesta o autor desta obra - o mesmo ser que vivia outrora neste mundo e que apenas mudou de estado físico, sem nada perder da sua personalidade de outrora. (Pág. 73)

66. Numa das experiências relatadas pelo dr. Moroni, o médium - que estava magneticamente adormecido - exclamou de súbito, agitando um braço: Ai!, acrescentando que fora Isidoro (irmão de Moroni, falecido alguns anos antes) quem o beliscara. Examinando depois o braço do médium, dr. Moroni encontrou ali, efetivamente, uma marca semelhante a um beliscão. (Pág. 74)

67. O dr. Moroni perguntou-lhe então: Se é verdade que meu irmão se acha presente aqui, dê-me ele uma prova disso. O médium, sorrindo, respondeu: Olhe lá, e apontou com o dedo uma parede que ficava distante. O médico olhou e viu ali um cabide, dependurado num prego, mover-se vivamente para a direita e para a esquerda, como se uma mão invisível o empurrasse num e noutro sentido. (Pág. 74)

68. Notemos que nesse caso a afirmativa do médium foi confirmada, corroborada por duas manifestações materiais - o beliscão em seu braço e o movimento do cabide -, o que indica que o fenômeno não se originou de uma exteriorização do médium, mas da ação de um Espírito que lhe era estranho. (Pág. 74)

69. Numa carta firmada pelo telegrafista Luís Delatre em 10-10-1896, ele relata uma experiência de tiptologia realizada em Meurchin, pequena aldeia do Pas-de-Calais. Iniciada a sessão, um Espírito vale-se das pancadas para dizer seu nome: Maria José. Presente à reunião, o sr. Sauvage exclama: É minha mãe. Aliás, acabo de ver-lhe o espectro diante de mim; mas, passou apenas e logo desapareceu. O Espírito confirmou a assertiva. (Págs. 76 e 77)

70. Logo depois dessa visão, a mesa se pôs de novo em movimento, dando pulos tão violentos que assustaram o grupo. Feita uma oração, a mesa se acalmou e outro Espírito se anunciou através de pancadas, dizendo ser a primeira mulher do sr. Grégoire, presente à sessão. O médium Sauvage viu então uma mulher, com uma coifa branca e um lenço por cima. É a touca que usou na Bélgica durante a sua enfermidade, esclareceu Grégoire. (Pág. 77)

71. Luís Delatre revela ainda que na mesma sessão o sr. Sauvage viu o Espírito de uma anciã, bastante corpulenta, rosto redondo, maçãs salientes, olhos pardos, cabelos castanhos, que sorria a olhar para o telegrafista. Era a sua própria mãe, que - valendo-se do sr. Sauvage - conversou longamente com o filho, dando-lhe provas convincentes da realidade de sua presença no recinto. (Págs. 77 e 78) 

72. Achava-se o sr. Alexandre Delanne em Cimiez, perto de Nice, onde se encontrou com o professor Fleurot e sua mulher, ocasião em que dita senhora revelou-lhe um sonho que tivera seis meses antes com Blaise Pascal. Pelo menos foi esse o nome que se formou por cima da cabeça de um vulto com quem ela conversara durante o sonho. Para certificar-se de que vira realmente o grande pensador francês, no dia seguinte ela foi ao mais afamado livreiro de Nice, para comprar um retrato de Blaise Pascal, mas nenhuma das gravuras reproduzia os traços do desconhecido que lhe falara. (Págs. 80 e 81) 

73. Voltando a ver repetidas vezes, durante o sono, o mesmo vulto, que lhe prometeu velar por ela durante sua existência terrestre, a sra. Fleurot perguntou-lhe se, em vida, haveria algum retrato que reproduzisse sua imagem, inclusive uma pequena deformidade do lábio que ele trazia na forma espiritual. Pascal disse-lhe que sim: Procura e acharás! (Pág. 81)

74. Após haver vasculhado, em vão, as livrarias de Marselha e Lião, o casal teve a inspiração de ir a Clermont-Ferrand, onde ambos viram coroada de êxito a perseverança demonstrada. Em casa de um negociante de antiguidades, havia um retrato de Pascal, com a deformação do lábio inferior, tal qual a sra. Fleurot vira em sonho. (Pág. 81)

75. Além de comprovar a real identidade do Espírito, esse fato justifica por que Pascal dissera à sra. Fleurot no primeiro dos sonhos: Se nos houvéramos apresentado a ti sob uma forma inteiramente espiritualizada, não nos terias visto, nem, ainda menos, reconhecido. Embora os Espíritos adiantados - como ensina Kardec - sejam invisíveis para os que lhes são muito inferiores quanto ao moral, nada obsta a que eles retomem o aspecto que tinham na Terra, aspecto que podem reproduzir com perfeita fidelidade, até nas mínimas particularidades. (Pág. 82)

76. O mesmo fato se deu no caso do retrato do célebre poeta Vergílio, descrito assim, em 25-9-1884, pela sra. Lúcia Grange, diretora do jornal La Lumière e extraordinária médium vidente: Vergílio - Coroado de louros. Rosto forte, um tanto longo; nariz saliente, com uma bossa do lado; olhos azul-cinza-escuros; cabelos castanho-escuros. Revestido de longa túnica, tem todas as aparências de um homem robusto e sadio. (Pág. 82)

77. Logo que foi publicado, qualificaram esse retrato de fantástico e suspeito, porque os traços de Vergílio haviam de ser delicados, visto que ele fora muito feminil, mais mulher do que uma mulher. Que responder a tais críticas? (Pág. 82)

78. Nada podia ser feito pela vidente, até que uma inesperada descoberta lhe veio dar razão. Recentemente - informa Delanne - nuns trabalhos de reparação que se faziam em Sousse, encontrou-se um afresco do primeiro século, onde se vê o poeta em atitude de compor a Eneida. O que lhe revelou a identidade foi o poder-se ler, no rolo de papel aberto diante dele, o oitavo verso do poema: Musa mihi causas memora.” Conforme a Revue Encyclopédique de Larousse, a descrição feita pela médium se aplica exatamente ao grande homem, que nada tinha de efeminado. (Págs. 82 e 83)

79. Encerrando o capítulo, Delanne relata o caso da aparição de um magistrado que se havia suicidado nas cercanias de sua casa e, em seguida, considerando não haver dúvidas de que a alma possui efetivamente um envoltório fluídico, propõe a seguinte questão: - Esse envoltório se constitui depois da morte ou está sempre ligado à alma? Se está sempre ligado à alma, há de ser possível comprovar a sua existência durante a vida. Eis o que ele se propõe a esclarecer no capítulo que se segue. (Págs. 84 e 85) 

80. O cepticismo contemporâneo - diz Delanne - foi violentamente abalado pela conversão ao Espiritismo dos mais consideráveis sábios da nossa época. A invasão do mundo terrestre pelos Espíritos se produziu mediante manifestações tão espantosas, que homens sérios se puseram a refletir e resolveram estudar por si mesmos os fatos. Sob o influxo dessas idéias, fundou-se então em 1882 na Inglaterra a Sociedade de Pesquisas Psíquicas, cujos principais resultados foram consubstanciados pelos srs. Myers, Gurney e Podmore em dois volumes intitulados: Fantasmas dos Vivos. (Pág. 87)

81. Da Sociedade britânica brotaram um ramo americano e um francês. Na França, foram membros-correspondentes seus, entre outros, os srs. Richet, Ribot, Ferré, Pierre Janet e Liébault. Note-se que, além da obra citada, a Sociedade publicava mensalmente relatos contidos em resenhas sob o nome de Proceedings. (Pág. 87)

82. As experiências tiveram por objeto, primeiramente, verificar a possibilidade de duas inteligências transmitirem uma à outra seus pensamentos, sem qualquer sinal exterior. Os resultados obtidos foram notáveis e essa ação de um espírito sobre outro, sem contacto perceptível, foi denominada Telepatia. (Pág. 88)

83. Mas, de pronto, o fenômeno assumiu outro aspecto: alguns operadores, em vez de apenas transmitirem seus pensamentos, se mostraram aos que tinham de recebê-los, havendo, pois, verdadeiras aparições. Como os experimentadores não eram espíritas, nem admitiam a existência da alma qual a define o Espiritismo, viram-se constrangidos a formular uma hipótese: o paciente impressionado não tem uma visão real, mas apenas uma alucinação, isto é, imagina ver uma aparição. A visão é, pois, subjetiva, interna e não objetiva. Daí lhe chamarem alucinação verídica ou telepática. (Págs. 88 e 89)

84. Se fosse possível passar em revista todos os fenômenos de ações telepáticas referidas nos dois livros e nos Proceedings, seria fácil, diz Delanne, demonstrar que a hipótese da alucinação não consegue explicar todos os fatos. Cinco provas da objetividade de algumas dessas aparições podem destacar-se dessas narrativas, como bem acentuou o grande naturalista Alfred Russel Wallace:  1o  - A simultaneidade da percepção do fantasma por muitas pessoas;  2o  - Ser a aparição vista por diversas testemunhas, como se ocupasse diferentes lugares, por efeito de um movimento aparente, ou então ser vista no mesmo lugar, sem embargo do deslocamento do observador;  3o  - As impressões que os fantasmas produzem nos animais; 4o  - Os efeitos físicos que a visão produz;  5o  - O fato de as aparições poderem ser fotografadas, ou de terem-no sido, quer fossem visíveis, ou não, às pessoas presentes. (Pág. 89)

85. Claro que em certos casos, assevera Delanne, a aparição é uma alucinação pura e simples, produzida pelo pensamento do agente. As circunstâncias que acompanham a visão é que devem servir de critério para julgar-se da objetividade da aparição. (Pág. 91) 

86. Dentre os fatos de aparições espontâneas, o livro As Alucinações Telepáticas, tradução resumida dos Fantasmas dos Vivos, publicada em francês pelo sr. Marillier, mestre da Escola de Altos Estudos, contém o relato feito pela sra. Pole Carew a 31-10-1883 envolvendo a escocesa Helena Alexander, que, momentos antes de falecer, recebeu a visita de sua mãe, que ainda estava encarnada. (Págs. 91 e 92)

87. Era madrugada quando a sra. Reddell, que cuidava de Helena, então acamada, ouviu abrir-se a porta do quarto e viu entrar uma velha muito gorda, vestindo uma camisola de dormir e uma saia de flanela vermelha, tendo à mão um castiçal de cobre, com uma vela acesa. Quando, avisados da morte de Helena, os parentes vieram para assistir aos funerais, a sra. Reddell reconheceu a velha que estivera no quarto: era a mãe de Helena que, desdobrada, fora visitá-la. (Págs. 92 e 93)

88. Se a aparição fosse apenas uma alucinação telepática, indaga Delanne, como pôde abrir a porta da casa e do quarto? É que não houve alucinação, mas uma aparição verdadeira, a mostrar que o duplo é a reprodução exata do ser vivo e que o corpo físico do agente se achava imerso em sono durante a manifestação. (Págs. 94 e 95)

89. Um fato que se passou com o grande poeta alemão Wolfgang von Goethe reforça esse entendimento. O poeta estava em Weimar com seu amigo K... quando, de súbito, viu Frederico, outro grande amigo, residente em Frankfurt, que lhe apareceu em plena rua trajando vestes do poeta e calçando suas chinelas. Quando a aparição se desfez, Goethe percebeu que tivera apenas uma visão, mas não atinou com a sua causa. Teria o amigo morrido repentinamente? (Págs. 95 e 96)

90. Ao chegar em casa, uma surpresa: Frederico ali estava, vestido com roupas do poeta e tudo então se explicou. Ele chegara à casa de Goethe todo molhado da chuva e por isso vestira as roupas do amigo. Depois, adormecera numa poltrona e sonhara ter ido ao encontro do poeta e que este o interpelara assim: Tu, aqui em Weimar? Desde esse dia, Goethe acreditou noutra vida após a terrena. (Pág. 96)


Londrina, janeiro de 2004
Astolfo O. de Oliveira Filho
A alma é imortal

CURSO INTERNET

1ª PARTE

CURSO PARA PRINCIPIANTES NA DOUTRINA ESPÍRITA

Maria Cotroni Valenti

mariazinha.cotronivalenti@gmail.com

10ª. AULA

CREMAÇÃO E TRANSPLANTES

 PARTE B

A JUSTIÇA DIVINA

justiça é um dos atributos de Deus.

Entre todas as suas qualidades, em grau supremo está a justiça. Podemos confiar plenamente porque ela não falha nunca.

Tudo que destruímos temos que reconstruir ,em qualquer circunstancia.

Deus respeita os nossos direitos assim como devemos respeitar os direitos do nosso próximo.

À medida que adquirimos progresso moral desenvolvemos o sentimento de justiça.

É a nossa consciência que vai despertando.

Kardec perguntou aos Espíritos:

- Como ocorre que os homens entendam a justiça de formas diferentes.Uns acham justo aquilo que outros vêem de forma diferente?

Os Espíritos responderam que nós misturamos as paixões por isso nossos sentimentos são alterados. Vemos mais de acordo com os nossos interesses.

- O que determina os direitos de cada um?

Eles dizem que existe a lei humana que é feita de acordo com a evolução moral e espiritual de cada época.

Pedem para comparar as leis da idade media a aqueles direitos que hoje consideramos monstruosos. Pareciam-nos normais naquela época. O s castigos, as torturas que se impunham estavam dentro das leis dos homens.

Hoje estão abolidas e proibidas.

Foi a lei de Deus que progrediu?

Não. É a nossa consciência que está mais desenvolvida.

É muito importante compreender o tribunal da nossa consciência.

Achamos que vamos ser julgados pelos superiores e, no entanto somos nossos próprios juizes.

Por isso precisamos ser nossos próprios fiscais.

História do Livro de André Luiz

Gregório era um espírito de destaque dentro do Catolicismo. Porém nada fez para ter méritos.

Ao desencarnar pensou que continuaria em posição privilegiada.

Ficou muito decepcionado a se ver sem nenhuma autoridade, uma pessoa comum.
Inconformado, formou seu próprio tribunal onde julgava as pessoas.

Condenava de acordo com a sua própria justiça.

Mas quem ia para lá e se submetia às suas ordens?

Eram pessoas que se afinavam com ele e eram atraídas pela sintonia vibratória.

Pessoas que tinham a consciência pesada, pois sabiam que tinham agido erradamente e, portanto tinham que se submeter àquele julgamento. Obedeciam à própria consciência.

Por que Deus permite isso?

Porque são pessoas afins que se burilam entre si.

À mediada que vão despertando e mudando a sintonia vibratória, vão se libertando.

É a justiça Divina agindo entre nós.


(Fonte : O Evangelho Segundo o Espiritismo

Libertação de André Luiz)
Mediunidade 1C

APONTAMENTOS SOBRE OBSESSÃO

I  CAUSAS FUNDAMENTAIS  4 causas que exteriormente podem semelhar-se na produção de perturbação espiritual ou distúrbios mentais:

Causas profundamente vinculadas a desequilíbrios da própria alma desta ou de encarnações anteriores.

Entretanto, como esses desajustes já produziram marcas ou deformidades orgânicas, o seu campo de tratamento deverá ser clínico, auxiliado espiritualmente.

a.- Neurológicas  adoecimento do cérebro (infecção,  paralisia geral por sífilis, toximanias, demência senil, arteriosclerose, tumores intracranianos, debilidade mental, imbecilidade, idiotia, epilepsia,  hidrocefalia,etc.

Sementeiras inegáveis de futuros quadros obsessivos ou de enfermidades orgânicas de longo curso

b.- Perturbações transitórias influenciação desequilibrada de espíritos perturbados (levianos), quais sejam:   perturbado/perturbador, recem-desencarnado, de amigos, de parentes, etc.

Drogas e produtos farmacêuticos  ocasionam alterações somáticas consideráveis

c.-  Auto Perturbação criatura que alimenta insatisfação íntima, que cria  e sustenta anseios desequilibrados, ambições desmedidas.

São origem: orgulho, vaidade, preguiça  avareza, ignorância, egoísmo, má   vontade, etc.

OBSESSÃO propriamente dita.

Para que haja obsessão é necessário haver  ação persistente de um espírito mau sobre um indivíduo

d.-  Obsessão Ação persistente de um espírito mau sobre um     indivíduo - definição trazida por Allan Kardec.

Para transformar em obsessão, movimentará recursos e circunstâncias que venham ocasionar prejuízos efetivos ao encarnado.

d.1.- Ação = desencarnado deseja revidar o mal recebido;

d.2.  Persistente = poderá da promessa de vingança passar à ação que deverá ser contínua, persistente.

d.3.  (de) Um = responsável principal, que acionará instrumentos, espíritos para torturas.

d.4.  Espírito Mau = inteiramente consciente do que faz, das dores que provoca intencionalmente. Ação nem sempre detectada, nem sempre visível.

II  Variação do Fenômeno

 OBSESSÃO OCULTA  influência malévola, sem chegar o obsediado a considerar-se sob a ação de um espírito mau.   Atribui a si mesmo decisões/pensamentos, mal chegando a perceber o mal que está desencadeando na família/serviço/grupamento social/religioso.

1.a - Influência afetiva => sede dos sentimentos.  A afetividade será impulsionada para 2 aspectos: Egoísmo  Orgulho

Não há grandes empeços para o trabalho obsessivo, já que são raríssimos os homens que sustentam um equilíbrio contínuo que possa protegê-los das influenciações exteriores

Egoísmo = impiedade, ciúmes, antipatia, indiferença, sensualismo, avareza, etc.

Orgulho = paixões, ódio, rancor, vingança, cobiça, raiva, maledicência, calúnia,etc.

1.b  Influência de ideação a obsessão poderá se instalar em um esses departamentos de nossa alma: inteligência
– sensação – percepção – memória associação – atenção – imaginação – raciocínio – tendências – vontade – linguagem.  (Nosso patrimônio ideativo é imenso e variado e a obsessão pode instalar-se de acordo com nossas fraquezas pessoais num desses departamentos da alma).


14ª AULA  (8ª aula teórica)- EDUCAÇÃO DOS MÉDIUNS  PRÉ MEDIUNISMO                 (Bibliografia Mediunidade Cap. 15 A 18)

        Seriedade

                  Modéstia

       Qualidades Morais     Devotamento        

QUALIDADES                                       Abnegação        

PARA SER UM                   Desinteresse

BOM MÉDIUM                   Serenidade

      Flexibilidade

        Adestramento Educação

          Auto domínio  

PARTEM DAS COLÔNIAS ESPIRITUAIS COM DESTINO Á TERRA TRABALHADORES COM DESTINO Á TERRA

TRABALHADORES PARA O CAMPO DA MEDIUNIDADE                    

Protetores espirituais, para oferecer condições favoráveis, realizam complexo e delicado trabalho preparatório no:

1. corpo físico

2. ambiente doméstico

3. meio social

4. recursos materiais

5. processos reencarnatórios, etc.

FRACASSO O maior fator é a falta de responsabilidade com os espíritos do bem

Lei que preside o Estado de Evolução = Tarefa em comunhão

        Desprezo da mediunidade

QUEDAS                                                           Mau procedimento    

              Lei que preside o Estado de Queda Vaidade

          Suscetibilidade

    Leviandade

                  Presunção

        Orgulho exploração

  Advertência

Benevolência

SUSPENSÃO     Provação
]
TEMPORÁRIA Viagens

  Serviços

Gestação

      Período de Repouso

              Circunstância do meio

AMADURECIMENTO Época em que vive

MEDIÚNICO               Conforme o efeito que se precisa obter por seu intermédio

                            Campo social

PRÉ-MEDIUNISMO  PERTURBAÇÃO PSÍQUICA E FÍSICA. AFETA MAIS OU MENOS PROFUNDAMENTE O

AMBIENTE FAMILIAR                                  

1. cérebro perturbado

2. Nervosismo

3. Sensação de peso na cabeça, ombros

4. Desassossego

5. Insônia

6. Arrepio

7. Falta de ânimo para o trabalho.

8. Profunda tristeza ou excessiva alegria sem causa aparente.

PERTURBAÇÃO

Sífilis

Cura Material        

Exaustão Física

Anemias

Cura espiritual = viciamento

PROGRAMA DE TRABALHO

justiça, conhecimentos intelectuais  conhecimentos intelectuais            

Trabalho Profissional  p/ganhar o pão honestamente                    desenvolvendo qualidades:

dever, direito, Trabalho p/aquisição conhecimentos morais responsabilidade, caridade simpatia, compreensão,

boa vontade

  Trabalho p/conquistar  a pessoa que estuda compreende melhor, podendo vir a ser mais tolerante.

Conhecimentos espirituais

Aplicação de todos esses conhecimentos

O homem que sabe, tem o conhecimento, mas guarda para si, é um homem cheio,                                                                    mas inútil.

O homem que escreve com clareza, mas guarda para si. é um homem claro, preciso, mas inútil.

O homem que transmite com clareza daquilo que sabe é um homem útil.