sábado, 28 de maio de 2016

COERÊNCIA

COERÊNCIA

 D. Villela


Aquele que me confessar e reconhecer diante dos homens, eu também o reconhecerei e confessarei diante de meu Pai que está nos céus, e aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que está nos céus  Jesus (Mateus, 10: 32 e 33).

a passagem acima, o Mestre focaliza a determinação e a coragem necessárias para que alguém possa apresentar-se como cristão, independentemente das circunstâncias, devendo notar-se, por outro lado, que Jesus não se refere a mero convencionalismo, estando implícita em suas palavras a necessária coerência entre discurso e ação, enunciados verbais e conduta no dia a dia, compreendendo-se, então, toda a profundidade do enunciado, pois observa-se, então, e se observa ainda hoje, a conhecida dualidade: as pessoas declaram-se seguidoras dessa ou daquela orientação religiosa, preocupando-se apenas com os aspectos externos dessa vinculação (frequência ao templo, rituais), mas ignorando na vida comum as diretrizes morais que todas elas contêm e que preconizam sempre a prática do bem, vivendo, de fato, segundo o conhecido paradigma de egoísmo e ilusão que governa a convivência da grande maioria, embora a filiação religiosa que muitos se atribuem. Assim, na passagem citada, confessar e reconhecer equivalem a também proceder conforme as diretrizes evangélicas.

A Doutrina Espírita propõe a associação permanente entre teoria e prática, destacando a necessidade de estudo e vivência de seus postulados e afirmando mesmo que reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más (O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 17, item 4). Fica evidente nesse enunciado que as   inclinações más estão presentes em nossa estrutura espiritual, dada a nossa condição de individualidades ainda pouco amadurecidas, vivendo, por isso mesmo, em um mundo de expiações e provas, onde prepondera o mal. O próprio Mestre, aliás, confirma essa realidade, ressaltando que não são os que gozam de saúde que precisam de médico (Mateus, 9: 12), mostrando, assim, que viera justamente para promover a nossa renovação espiritual.

Quanto à outra parte daquela definição, que focaliza a necessidade de mudanças  reconhece-se... pela sua transformação moral... , refere-se ela ao processo de educação ou de autoeducação, que se realiza na vivência religiosa, que não possui, assim, hora nem local e muito menos fórmulas para ser praticada, podendo e devendo ocorrer na Casa Espírita mas com a clara percepção de que se trata de exercício permanente.

As consequências desse empenho acham-se igualmente focalizadas nas palavras de Jesus também eu os reconhecerei diante de meu Pai. E é exatamente este o propósito da Doutrina Espírita, ou seja, que seus seguidores sinceros possam ser reconhecidos como cristãos também no mundo espiritual, onde a maioria dos títulos e designações terrestres deixam de ter valor.

O Espiritismo propõe autenticidade.

“O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 24, itens 13 a 15)

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Janeiro 2014 – no 2232

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