segunda-feira, 30 de novembro de 2015

As obras básicas da Codificação Espírita preparadas por Allan Kardec, também chamadas de Pentateuco Kardequiano, são as seguintes por ordem de publicação: O Livro dos Espíritos (18 de abril de 1857). O Livro dos Médiuns (1861). O Evangelho segundo o Espiritismo (1864). O Céu e o Inferno (1865) e  A Gênese (1868). Em tais livros, encontramos os fundamentos para a formação da consciência cristã, uma vez que não basta apenas freqüentar casas espíritas, é preciso conhecer a Doutrina dos Espíritos nos seus detalhes para que ela se transforme em elemento educador da criatura humana, preparando-a para viver no mundo de regeneração. Não existe, efetivamente, espírita verdadeiro sem que estude e medite a respeito dos ensinamentos revelados pelos Espíritos Superiores.

1. O Livro dos Espíritos
Com este livro, a 18 e abril de 1857, raiou para o mundo a era espírita. Nele se cumpria a promessa evangélica do Consolador, do Paracleto ou Espírito da Verdade. Dizer isso equivale a afirmar que «O Livro dos Espíritos» é o código de uma nova fase da evolução humana. E é exatamente essa a sua posição na história do pensamento. Este não é um livro comum, que se pode ler de um dia para o outro e depois esquecer num canto da estante. Nosso dever é estudá-lo e meditá-lo, lendo-o e relendo-o constantemente. Sobre este livro se ergue todo um edifício: o da doutrina espírita. Ele é a pedra fundamental do Espiritismo, o seu marco inicial. O Espiritismo surgiu com ele e com ele se propagou., com ele se impôs e consolidou no mundo. Antes deste livro não havia Espiritismo, e nem mesmo esta palavra existia. Falava-se em Espiritualismo e Neo-Espiritualismo, de maneira geral, vaga e nebulosa. Os fatos espíritas, que sempre existiram, eram interpretados das mais diversas maneiras. Mas, depois que Kardec o lançou à publicidade, «contendo os princípios da doutrina espírita», uma nova luz brilhou nos horizontes mentais do mundo. Contém as bases fundamentais do Espiritismo, revelado em tríplice aspecto: o científico, o filosófico e o religioso. (10)
Kardec inseriu na folha de rosto deste livro a seguinte frase: Filosofia Espiritualista. Demonstrou, assim, qual é  o caráter  geral do Espiritismo. Encontramos também na folha de rosto do livro os princípios da Doutrina Espírita: Sobre a imortalidade da alma, a natureza dos Espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da Humanidade  segundo os ensinos dados por Espíritos superiores com o concurso de diversos médiuns  recebidos e coordenados por Allan Kardec. A primeira edição, com 501 questões, contém o ensino dado pelos Espíritos, liderados pelo Espírito de Verdade. Receberam as mensagens as jovens médiuns Caroline e Julie Boudin, a senhora Japhet e outros médiuns. Na segunda edição, a obra foi ampliada para 1019 questões (na verdade, são 1018 questões, pois a numeração pula de 1017 para 1019), acrescida de notas e comentários.
É interessante conhecer algumas impressões provocadas pela primeira edição de O Livro dos Espíritos (lembramos que esta edição continha 501 questões) e que foram registradas pelo jornal francês Courrier de Paris, em 11 de junho de 1857 (12):
Em seguida, o articulista faz comentários a respeito das partes constituintes do livro. Destacamos alguns desses comentários:
Kardec já sabia que a  primeira edição de  O Livro dos Espíritos estava incompleta, como atesta o seguinte dialogado ocorrido entre o Codificador e o    Espírito de Verdade:
Pergunta (à Verdade)  Uma parte da obra foi revista, quererás ter a bondade de dizer o que dela pensas?
Resposta  O que foi revisto está bem; mas, quando a obra estiver acabada, deverás tornar a revê-la, a fim de ampliá-la em certos pontos e abreviá-la noutros.
P.  Entendes que deva ser publicada antes que os acontecimentos preditos se tenham realizado?
R.  Uma parte, sim; tudo não, pois, afirmo-te, vamos ter capítulos muito espinhosos. Por muito importante que seja esse primeiro trabalho, ele não é, de certo modo, mais do que uma introdução. Assumirá proporções que longe estás agora de suspeitar. Tu mesmo compreenderás que certas partes só muito mais tarde e gradualmente poderão ser dadas a lume, à medida que as novas idéias se desenvolverem e enraizarem. Dar tudo de uma vez fora imprudente. Importa dar tempo a que a opinião se forme. Toparás com alguns impacientes que procurarão empurrar-te para diante: não lhes dês ouvidos. Vê, observa, sonda o terreno, dispõe-te a esperar e faze como o general cauteloso que não ataca, senão quando chega o momento favorável. (1)
Dez anos após a primeira edição de O Livro dos Espíritos, em 1867, Kardec se lembra dessas observações do Espírito de Verdade, escrevendo:  Na época em que essa comunicação foi dada, eu apenas tinha em vista O Livro dos Espíritos e longe estava, como disse o Espírito, de imaginar as proporções que tomaria o conjunto do trabalho. Os acontecimentos preditos só decorridos muitos anos teriam de verificar-se, tanto que neste momento ainda não se deram. As obras que até agora apareceram foram publicadas sucessivamente e eu fui induzido a elaborá-las, à medida que as novas idéias se desenvolveram. Das que restam por fazer, a mais importante, a que se poderá considerar a cúpula do edifício e que, com efeito, encerra os capítulos mais espinhosos, não poderia ser publicada, sem prejuízo, antes do período dos desastres. Eu, então, um único livro via e não compreendia que esse pudesse cindir-se, enquanto que o Espírito aludia aos que teriam de seguir-se e cuja publicação prematura apresentaria inconvenientes. Dispõe-te a esperar, disse o Espírito; não dês ouvidos aos impacientes que procurem empurrar-te para diante. Os impacientes não faltaram e, se eu os escutara, teria atirado o navio em cheio nos arrecifes. Coisa estranha! ao passo que uns me incitavam a andar mais depressa, outros me acusavam de não ir tão devagar quanto devia. Não dei ouvidos nem a uns, nem a outros, tomando sempre por bússola a marcha das idéias. De que confiança no futuro não me enchia eu, à proporção que via realizar-se o que fora predito e que comprovava a profundeza e a sabedoria das instruções dos meus protetores invisíveis! (2)
Importa considerar que O Livro dos Espíritos, antes da publicação, foi cuidadosamente analisado e revisto tanto por Kardec quanto pelos Espíritos: Depois de haver eu procedido à leitura de alguns capítulos de O Livro dos Espíritos, concernentes às leis morais, o médium espontaneamente escreveu: Compreendeste bem o objetivo do teu trabalho. O plano está bem concebido. Estamos satisfeitos contigo. Continua; mas, lembra-te, sobretudo quando a obra se achar concluída, de que te recomendamos que a mandes imprimir e propagar. É de utilidade geral. Estamos satisfeitos e nunca te abandonaremos. Crê em Deus e avante. (3)

Kardec faz questão de explicar, na introdução do livro, que o Espiritismo apresenta características e metodologias próprias, não devendo, portanto, ser confundido com outras interpretações espiritualistas. As palavras espiritualismo e espiritualista têm uma acepção muito geral: qualquer um que acredite ter em si outra coisa além da matéria é espiritualista. Ao contrário, os termos ESPIRITISMO e ESPÍRITA são neologismos, isto é, palavras inventadas por seu codificador, Allan Kardec, que definiu o Espiritismo como "uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e de suas relações com o mundo corporal. O Espiritismo é então bem definido como uma ciência. Mas se distingue das disciplinas científicas já estabelecidas e estudadas nas academias pelo objeto de seus estudos: o elemento espiritual.  (8)  Um espírita é então um espiritualista, pois tem a certeza experimental da existência dos Espíritos, que são as almas dos homens em transição entre o túmulo e o berço. São  estas as bases das convicções espiritualistas do espírita, mas as conseqüências do Espiritismo se refletem no  plano da ética. (9)
Entre a Terra e o Céu_27_Preparando a volta

TRECHOS DO CAPÍTULO

"Quatro semanas correram céleres, quando fomos realmente procurados por Odila, no Templo do Socorro, para um entendimento particular.
Clarêncio, Hilário e eu recebemo-la quase sem surpresa.
Vinha algo triste e preocupada.
Com respeitosa delicadeza, contou-nos a experiência inquietante que atravessava.
Júlio prosseguia apresentando na fenda glótica a mesma ferida. Instalara-se com ele em aposentos  adequados  na Escola das Mães e ao filhinho dispensava todo o cuidado suscetível de reerguer-lhe as energias, entretanto,  a  luta continuava... Recursos medicamentosos e passes magnéticos não faltavam, contudo, não surtiam efeito.
Daria tudo para vê-lo feliz.
Esperava a descoberta de algum milagre, capaz de atender-lhe o anseio de mãe, no entanto, visitara em companhia de Blandina outros setores de assistência  à  infância  torturada;  vira  inúmeras  crianças  infelizes,  portadoras de problemas talvez mais dolorosos que aqueles do filhinho bem-amado.
Apavorara-se.
Jamais supusera a existência de tantas enfermidades depois da morte.
Tentara obter os bons ofícios de vários amigos, para esclarecer-se convenientemente, e todos, à uma, repetiam sempre que os  compromissos  morais  adquiridos  conscientemente  na  carne  somente  na  carne  deveriam  ser resolvidos, e que, por isso mesmo, a reencarnação para Júlio era o único caminho a seguir.
O corpo físico funcionaria como abafador da moléstia da alma, sanando-a, pouco a pouco.
"- Perfeitamente, atalhou o Ministro, completando-lhe a frase - estou certo de que Amaro continuará  sendo para o menino um admirável companheiro, entretanto, não podemos dispensar no cometimento  o  concurso  de  Zulmira.
Precisamos dela no trabalho maternal. Para isso, é imprescindível te faças mais devotada, mais amiga... Um esforço pede outro. Sem o lubrificante da cooperação, a máquina da vida não funciona.
. . .
- Devo buscar alguma regra específica?
- Creio - ponderou o nosso orientador - que as tuas visitas afetuosas ao antigo lar, consolidando-lhe a harmonia, são providência básica para que Júlio encontre um clima de confiança. Admito que o nosso pequeno reclama especiais atenções, considerando-se-lhe a posição de enfermo, para quem a reencarnação apresenta obstáculos justos.
"A reencarnação como lei exigia o concurso da amizade para cumprir-se? os desafetos da vida influíam em nosso futuro? o trabalho reencarnatório não seria uma imposição natural?
Clarêncio ouviu atencioso, as indagações e respondeu, satisfeito:
- A lei é sempre a lei. Cabe-nos tão somente respeitá-la e cumpri-la. Nossa atitude, porém,  pode  favorecer-lhe  ou contrariar-lhe o curso, em favor ou em prejuízo de nós mesmos. O renascimento na carne  funciona  em  condições idênticas para todos, contudo, à medida que se nos desenvolvem o conhecimento e o amor, conseguimos colaborar em todos os serviços do aperfeiçoamento moral em nossas recapitulações. A alma, como a planta, pode ressurgir em qualquer trato de solo, mas não seria justo relegar sementes selecionadas a terrenos incultos. A reencarnação, por si, tanto quanto ocorre nos reinos inferiores à evolução humana, obedece a princípios embriogênicos automáticos, com bases na sintonia magnética; contudo, em se tratando de criaturas com alguns  passos  à  frente  da  multidão comum, é possível ajustar providências que favoreçam a execução da tarefa a cumprir. Nesses casos, a plantação de simpatia é fator decisivo na obtenção dos recursos de que necessitamos...
"Em noite próxima, Odila conduziria a segunda esposa de Amaro ao encontro de Júlio, como derradeira preliminar do trabalho reencarnatório.
No momento aprazado, achávamo-nos a postos.
. . .
Enlaçada pelos braços das duas protetoras, a ex-obsediada parecia feliz, não obstante a impressão de medo e insegurança que lhe transparecia do olhar.
Respondeu-nos as saudações com a estranheza de quase todos os encarnados que alcançam as esferas superiores da vida espiritual, antes da morte física, e, logo após, sustentada  pelas  companheiras,  aproximou-se  do  pequeno enfermo, identificando-o, espantada.
- Será Júlio, meu Deus?
- É verdadeiramente Júlio! - confirmou Odila, fraternal - para ele te rogamos socorro! Nosso pequeno precisa renascer, Zulmira! Poderás auxiliá-lo, oferecendo-lhe o regaço de mãe?
. . .
- Estou pronta! Devo a Júlio cuidados que lhe neguei... Louvo reconhecidamente a Deus por  esta  graça!  Sinto que assim nunca mais serei assaltada pelo remorso de não haver feito por ele quanto me competia!...  Será  meu  filho, sim!... Conchegá-lo-ei de encontro ao peito! O Senhor amparam-me!...
Abraçou o menino enfermo e afigurou-se-nos, desde então, incapaz de qualquer sintonia conosco.
Talvez, religada, de súbito, a inquietantes recordações da fixação mental que atravessara, pareceu-nos cega e surda, sob o império de inesperada introversão.
O Ministro, atendendo ao apelo de Clara, abeirou-se dela e amparou-a, recomendando:
- Convém seja nossa irmã restituída ao lar terrestre. O choque repetido será prejuízo grave. Amanhã, reconduziremos nosso pequeno ao santuário doméstico de onde veio, confiando-o, enfim, à tarefa do recomeço.
A sugestão foi obedecida.
E enquanto Zulmira voltava ao templo familiar, arquivávamos nossa expectação, à espera do dia seguinte."

QUESTÕES PARA ESTUDO

1.- Espíritos enfermos. Essa constatação causou perplexidade a Odila, que jamais imaginara existir enfermidades após a morte. Vamos refletir um pouco sobre isso. Pode o espírito ficar enfermo mesmo após deixar o corpo físico?
Como se dá isso?

2.- André Luiz explica que o novo corpo físico de Júlio " ... funcionaria como abafador da moléstia da alma, sanando-a, pouco a pouco...". Como a reencarnação pode funcionar como um "abafador da moléstia da alma"?

3.- Vemos que a reencarnação de Júlio está sendo preparada pelos trabalhadores espirituais, programando, inclusive, o meio familiar em que ele renascerá. Podemos concluir que todo retorno ao corpo físico é precedido dos mesmos cuidados?

4.- Por que Clarêncio recomendou a Odila "visitas afetuosas ao antigo lar", no qual Júlio renasceria?

Conclusão:
QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1.- Espíritos enfermos. Essa constatação causou perplexidade a Odila, que jamais imaginara existir enfermidades após a morte. Vamos refletir um pouco sobre isso. Pode o espírito ficar enfermo, mesmo após deixar o  corpo  físico?
Como se dá isso?
No plano espiritual, o espírito se apresenta revestido de seu perispírito, que, dentre outras funções,  tem  a  de  servir como corpo para identificá-lo naquela dimensão. Trata-se de um organismo semimaterial, sutil, plasmável, submetido ao comando do espírito. Esse comando se dá através da mente, que é o campo pelo qual o espírito  extravasa  seus pensamentos e sentimentos. A atuação da mente sobre o perispírito, operando nele modificações, sutilizando-o ou o densificando, é regida por um automatismo que funciona independentemente  de  qualquer  iniciativa  do  espírito.  O espírito é o que pensa. Pelo simples ato de pensar, seu pensamento é refletido no perispírito e atua sobre ele.
Sendo assim, o psiquismo é que vai definir o estado em que o espírito se encontrará após a desencarnação. O seu corpo espiritual, ou seja, o seu perispírito, que fará as vezes do corpo  físico  utilizado  no  mundo  da  matéria,  será reflexo da sua condição psíquica. Espírito psiquicamente sadio, corpo espiritual são; espírito psiquicamente doente, corpo espiritual enfermo. Essa é a lei.
Por espírito psiquicamente sadio, devemos entender aquele que, na Terra, vivenciou as leis morais.  Aquele que foi um homem de bem, que os Espíritos codificadores definiram como sendo o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade. Este não portará doenças ao retornar ao mundo espiritual. Ao contrário, o que na passagem pela carne dedicou-se à prática do mal, do egoísmo, do desejo de vingança, dos vícios, que levou uma vida marcada por contrariedades às leis naturais, retornará do mundo físico portando algum tipo de enfermidade. Seu psiquismo doentio refletirá no corpo espiritual, tornando-o enfermo. A enfermidade, como desarmonia espiritual, sobrevive no perispírito, mesmo após a morte do corpo físico.  
Os espíritos encontrados por Odila ao visitar o filho, inclusive o próprio Júlio, portavam enfermidades geradas pelos seus psiquismos. Desencarnaram em situação de desequilíbrio espiritual (seu filho, por exemplo, ainda trazia as conseqüências de uma pretérita desencarnação mediante suicídio, na qual se envenenará. Plasmou no corpo espiritual uma doença na região dos órgãos que compõem o centro laríngeo, danificado pela ingestão da substância venenosa).
Aguardavam todos o momento mais propício para buscarem seu refazimento por intermédio da reencarnação.

2.- André Luiz explica que o novo corpo físico de Júlio " ... funcionaria como abafador da moléstia da alma, sanando-a, pouco a pouco...". Como a reencarnação pode funcionar como um "abafador da moléstia da alma"?
A reencarnação é o instrumento pedagógico de que Deus se utiliza para nos propiciar a oportunidade de nos melhorar, de atingirmos a perfeição relativa. Somente sofrendo a prova de uma nova existência é que o espírito pode se depurar.
O corpo físico funciona como uma espécie de válvula, através da qual são  drenadas  as  enfermidades  causadas  no perispírito pelo desajuste psíquico. Julio deveria retomar um corpo carnal a fim de purgar de seu perispírito dos gravames que imprimiu com seu procedimento contrário às leis naturais, ao se suicidar, como meio de fuga às provas que deveria se submeter.

3.- Vemos que a reencarnação de Júlio está sendo preparada pelos trabalhadores espirituais, programando, inclusive, o meio familiar em que ele renascerá. Podemos concluir que todo retorno ao corpo físico é precedido dos  mesmos cuidados?
O retorno do espírito ao plano da matéria, assim como acontece quando da volta ao plano espiritual, dá-se sempre em condições ditadas pelo seu merecimento, pelo seu nível de evolução. Alguns são merecedores da intercessão de espíritos que se encontram mais adiantados, que lhe são afins e, dessa maneira, são objetos de cuidados  especiais.
Outros há, entretanto, muito atrasados e ainda persistentes no mal, que sequer têm consciência do ato reencarnatório em que estão envolvidos e retornam à carne inconscientes, como crianças adormecidas. Não tendo como participar do planejamento reencarnatório, devido à sua baixa evolução e não possuindo merecimento, caem na vala  comum  das reencarnações automáticas, atendendo às necessidades evolutivas e que se concretizam  com  base  unicamente  na sintonia magnética.

 4.- Por que Clarêncio recomendou a Odila "visitas afetuosas ao antigo lar", no qual Júlio renasceria?

Como explicou Clarêncio, o renascimento na carne funciona em condições idênticas para todos. Porém, alguns fatores podem favorecer a execução da tarefa a que se propõe o reencarnante. Um desses fatores é o ambiente familiar no qual o reencarnante reiniciará sua experiência. Renascendo num lar harmonioso, onde os espíritos que o habitam estão sintonizados com o bem e afinizados entre si, o espírito receberá toda uma carga magnética saudável, que o fortalecerá para a nova luta que se inicia. Odila recebeu de Clarêncio orientação para trabalhar nesse sentido, preparando um ambiente favorável à chegada de Júlio.

domingo, 29 de novembro de 2015

ELUCIDÁRIO DE EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS 14


Capítulo XII  1ª parte

Alma e Desencarnação

Bactéria: designação de organismos microscópicos, unicelulares (uma só célula), de numerosas espécies, que se reproduzem por cissiparidade (divisão transversal), havendo as bactérias essenciais ao sustento da vida, e as patogênias (geram doenças).

Biológico: relativo ao desenvolvimento e às condições de vida dos seres vivos.

Cariocinese: modo de manipulação das células, por divisão indireta; mitose.

Casulo: invólucro construído por larvas ou insetos.

Célula: a menor unidade de função e de organização no conjunto orgânico (nos seres vivos), que apresenta todas as características de vida.

Célula Feminina: a célula sexual ou germinal (reprodutora) feminina; óvulo.

Circuito Fechado: analogia com o trajeto fechado (circuito fechado) percorrido pela corrente elétrica; nos condutores, de modo a permitir a contínua circulação da corrente por um gerador.

Corpo Espiritual: o psicossoma ou perispírito.

Cósmico: relativo ao Cosmo (Universo) e sua propriedade de abranger a contextura de um todo.

Crisálida: analogia com o estado intermediário por que passam certos insetos para se transformarem de lagarta (larva) em borboleta.

Esporo: forma de alta resistência que as bactérias podem assumir.

Filogenético: relativo à filogênese, estudo das relações de descendência biológica dos organismos, e da evolução de uma espécie ou grupo biológico a partir de formas primitivas de origem.

Fisiológico: relativo ao funcionamento do organismo.

Fisiopsicossomático: que pertence, simultaneamente, aos domínios do corpo físico e do corpo psicossomático, sendo este o psicossoma (corpo espiritual ou perispírito)

Fulcro: ponto ou base de sustentação; pivô de rotação.

Gene: partícula cromossômica pela qual se transmitem os caracteres hereditários. Cromossomo é uma estrutura presente no núcleo da célula, facilmente corável.

Genésico: relativo à gênese ou geração.

Germinativo: referente à partícula de matéria capaz de se desenvolver e formar um animal ou planta.

Hemimetábolo: inseto que apresenta metamorfose incompleta, em que as diferenças entre a larva e a forma definitiva não são muito notáveis, assemelhando-se em tudo no estado larval.

Hibernação: entorpecimento ou sono letárgico de certos animais e vegetais durante o inverno.

Histogênese: formação e desenvolvimento dos tecidos orgânicos.

Histílise: destruição ou dissolução dos tecidos orgânicos.

Infraprimitivo: referente a organismo em começo de evolução. O que se encontra em estágio de evolução abaixo do que se considera primitivo.

Intra-uterino: que se situa ou ocorre dentro do útero.

Larva: o primeiro estágio por que passam certas espécies animais antes de atingirem a fase adulta; lagarta (nos insetos).

Letargia: estado caracterizado por sono profundo e contínuo, em que as funções da vida se atenuam de tal modo que parecem suspensas.

Malófago: inseto sem asas, parecido com o piolho, parasito de mamífero e aves.

Mamífero: designação dos animais vertebrados de corpo provido de pêlos e que possuem glândulas mamarias.

Matriz: lugar de onde uma coisa se gera ou cria.

Metamorfose: mudança de forma ou de estrutura, como a que ocorre durante as fases da vida de alguns animais, como os insetos e anfíbios. Pode ser completa (integral) ou incompleta. A completa ocorre nos insetos que, entre o estado larval e o definitivo, apresentam o estado de pupa; a incompleta ocorre nos insetos em que as diferenças entre a larva e a forma definitiva não são muito evidentes.

Monoideísmo: estado de alma dominado por uma idéia central, fixa.

Oclusão: fechamento de uma abertura natural do organismo.

Ontogenético: referente à ontogênese, que é o desenvolvimento do indivíduo desde a fecundação até a maturidade para reprodução.

Ovóide: em morfologia, ovóide é a qualificação de órgão ou parte maciça em forma de ovo, a que se assemelha o corpo ovóide resultante da deformação perispiritual causada por uma idéia fixa.

Palingenesia: volta á vida; renascimento; reencarnação.

Pensamento Contínuo: pensamento constante, ininterrupto, que caracteriza a capacidade mental do homem, em oposição ao pensamento fragmentário (descontínuo), próprio dos animais irracionais.

Plasma: massa formadora e essencial de um órgão.

Psicossomático: que pertence, simultaneamente, aos domínios do corpo físico e do psicossoma (corpo espiritual ou perispírito).

Pupa: estado intermediário entre a larva e a forma definitiva, nos insetos que tem metamorfose completa (com profundas alterações), como, por exemplo, na lagarta das mariposas.

Simbiose: associação de dois seres de espécie distinta, com influência de um sobre o outro, ou de ambos entre si, podendo, essas relações, ser úteis ou prejudiciais às duas partes, favorável ou nocivas para uma delas apenas.

Somático: referente ao corpo físico.

Transubstanciar: transformar em outra substância. Transformar uma coisa em outra.


J.M.M.
JOSÉ MARQUES MESQUITA

sábado, 28 de novembro de 2015

(Espiritismo) - Nl08 14 Simbiose Espiritual

Centro Virtual de Divulgação e Estudo do Espiritismo - CVDEE
Sala de Estudos André Luiz
 Livro em estudo: Evolução em dois mundos (Editora FEB)                                                Autor: Espírito André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Primeira parte - Capítulo XIV - Simbiose espiritual (parte I)
Comentários: Eurípides Kühl

SUSTENTO DO PRINCIPIO INTELIGENTE
O princípio inteligente, que exercitara a projeção de impulsos mentais fragmentários para nutrir-se durante largas eras, alçado ao Plano Espiritual, na condição de consciência humana desencarnada, começa a plasmar novos meios de exteriorização, em favor do sustento próprio.                                                                         
No mundo das plantas, com o parênquima clorofiliano, aprendeu a decifrar os segredos da fotossíntese, absorvendo energia luminosa para elaborar as matérias orgânicas, e lançando de si os gases essenciais que contribuem para o equilíbrio da atmosfera.                                                                       
No domínio de certas bactérias, inteirou-se dos processos da quimiossíntese, aproveitando a energia química haurida na oxidação de corpos minerais.
Entre os seres superiores, consagrou-se à biossíntese, em novo câmbio de substâncias nos vários períodos da experiência física, para garantir a segurança própria, sob o ponto de vista material e energético.
Habituado aos fenômenos do anabolismo, na incorporação dos elementos de que se nutre, e do catabolismo, na desassimilação respectiva, automatiza-se-Ihe a existência, em metamorfose contínua das forças que lhe alcançam a máquina fisiológica, através dos alimentos necessários à restauração constante das células e ao equilíbrio dos reguladores orgânicos.

Comentários
Já arrimado da condição de mentalizar, mesmo que primariamente, encontramos o Espírito, quando desenfeixado da vestimenta física, buscando novos meios de se exteriorizar, para com isso melhorar seu sustento.
No físico, as experiências acumuladas pelo Princípio Inteligente (P. I.) ao longo das várias etapas percorridas, particularmente a partir do reino vegetal, culminaram com a propriedade de absorver energia solar, a qual, depois de aproveitada, metaboliza e expele, de si, gases que participarão do equilíbrio atmosférico bom ar. Tudo isso, sem deslembrar o aprendizado proporcionado pela apropriação da oxidação mineral, por parte de certas bactérias.
Evoluindo agora, já humano, o P. I. haure energias oriundas de alimentos (anabolismo), transformando-as em substâncias orgânicas em si mesmo. É assim que é garantida a permanente renovação celular (crescimento, do bebê ao adulto). 
Em processo subseqüente, ocorre a desassimilação (catabolismo) dos líquidos, sólidos e gasosos degradados, inaproveitáveis ou supérfluos.

INICIO DA MENTOSSÍNTESE
Erguido, porém, à geração do pensamento ininterrupto, altera-se-lhe, na individualidade, o modo particular de ser.
O princípio inteligente inicia-se, desde então, nas operações que classificaremos como sendo de mentossíntese, porque baseadas na troca de fluidos mentais multiformes, através dos quais emite as próprias idéias e radiações, assimilando as radiações e idéias alheias.
O impulso que lhe surgia na mente embrionária, por interesse acidental de posse, ante a necessidade de alimento esporádico, é agora desejo consciente. E, sobretudo, o anseio genésico instintivo que se lhe sobrepunha à vida normal, em períodos certos, converteu-se em atração afetiva constante.
Aparece, assim, a sede de satisfação invariável como estímulo à experiência e prefigura-se-lhe nalma a excelsitude do amor encravado no egoísmo, como o diamante em formação no carbono obscuro.
A morte física interrompe-lhe as construções no terreno da propriedade e do afeto e a criatura humana, a iniciar-se no pensamento contínuo, sente-se quebrada e aflita, cada vez que se desvencilha do corpo carnal adulto.
A liberação da veste densa impõe-lhe novas condições vibratórias, como que obrigando-o à ocultação temporária entre os seus para que se lhe revitalizem as experiências, qual ocorre à planta necessitada de poda para exaltar-se em renovação do próprio valor.
Épocas numerosas são empregadas para que o homem senhoreie o corpo espiritual, nos círculos da consciência mais ampla, porque, como deve compreender por si o caminho em que se conduzirá para a Glória Divina, cabe-lhe também debitar a si mesmo os bens e os males e as alegrias e as dores da caminhada.
Arrebatado aos que mais ama e ainda incapaz de entender a transformação da paisagem doméstica de que foi alijado, revolta-se comumente contra as novas lições da vida a que é convocado, em plano diferente, e permanece fluidicamente algemado aos que se lhe afinam com o sangue e com os desejos, comungando-lhes a experiência vulgar.
Nesse sentido, será, pois, razoável recordar que em seu recuado pretérito aprendeu, automaticamente, a respirar e a viver, justaposto ao hausto e ao calor alheios.

Comentários
Detentor do pensamento contínuo inicia-se o que o Autor espiritual denomina mentossíntese, ou seja, troca (emissão e recepção) de fluidos de várias gradações energéticas, geradoras de radiações e idéias.
Como resultante, brota-lhe a sublimidade do amor o que antes era anseio sexual com desejo de posse agora se afigura como busca de vivência afetiva constante.
A morte física expõe ao Espírito que qualquer posse material é-lhe e sempre será transitória, bem como se interrompe a presença do objeto humano afetivo. As vidas sucessivas causam-lhe revolta pela perda dos afins, aos quais busca fixar-se (eis aí um dos quadros da obsessão). Custará, mas um dia entenderá que essa sublime engenharia é a mesma que regula a poda das plantas, com isso proporcionando-lhes abençoada renovação...

SIMBIOSE ÚTIL
Revisemos, assim, a simbiose entre os vegetais, como, por exemplo, a que existe entre o cogumelo e a alga, na esfera dos liquens, em que as hifas ou filamentos dos cogumelos se intrometem nas gonídias ou células das algas e projetam-lhes no interior certos apêndices, equivalendo a complicados haustórios, efetuando a sucção das matérias orgânicas que a alga elabora por intermédio da fotossíntese.
O cogumelo empalma-lhe a existência, todavia, em compensação, a alga se revela protegida por ele contra a perda de água, e dele recolhe, por absorção permanente, água e sais minerais, gás carbônico e elementos azotados, motivo pelo qual os liquens conseguem superar as maiores dificuldades do meio.
Entretanto, o processo de semelhante associação pode estender-se em ocorrências completamente novas. É que se dois liquens, estruturados por diferentes cogumelos, se encontram, podem viver, um ao lado do outro, com talo comum, pelo fenômeno da parabiose ou união natural de indivíduos vivos.
Dessa maneira, a mesma alga pode produzir liquens diversos com cogumelos variados, podendo também suceder que um líquen se transfigure de aspecto, quando uma espécie micológica se sucede à outra.
Julgava-se antigamente, na botânica terrestre, que os liquens participassem do grupo das criptogâmicas, mas Schwendener incumbiu-se de salientar-lhes a existência complexa, e Bonnier e Bornet, mais tarde, chamaram a si a obrigação de positivar-lhes a simbiose, experimentando a cultura independente de ambos os elementos integrantes, cultura essa que, iniciada no século findo, somente nos tempos últimos logrou pleno êxito, evidenciando, porém, que a vida desses mesmos componentes, sem o ajuste da simbiose, é indiscutivelmente frágil e precária.
Outro exemplo de agregação da mesma natureza vamos encontrar em certas plantas leguminosas que guardam os seus tubérculos nas raízes, cujas nodosidades albergam determinadas bactérias do solo que realizam a assimilação do azoto atmosférico, processo esse pelo qual essas plantas se fazem preciosas à gleba, devolvendo-lhe o azoto despendido em serviço.

Comentários
Na simbiose dois seres de diferentes espécies se associam, influenciando-se reciprocamente, resultando bênçãos ou problemas, para ambos ou apenas para um deles. Vejamos simbioses boas:
- nos vegetais, o exemplo é a simbiose do cogumelo e da alga: aquele a esconde e protege contra perda de água, daí originando-se alguns liquens (vegetais); em contrapartida, quando a alga elabora a fotossíntese e elementos nutritivos, estes serão apropriados pelo cogumelo.
- em outras circunstâncias naturais, dois liquens formados por diferentes cogumelos poderão coabitar talo comum, no fenômeno denominado parabiose (união natural e permanente de indivíduos vivos caso, por exemplo, dos gêmeos xifópagos).
- a mesma alga poderá produzir liquens diversos, com vários cogumelos. No caso dos cogumelos sofrerem sucessão poderá ocorrer mudança de aspecto dos respectivos liquens.
- há simbiose próspera também entre algumas leguminosas e certas bactérias, as quais se fixam nas raízes, com isso fixando o nitrogênio no solo, a benefício da gleba.

SIMBIOSE EXPLORADORA
Contudo, além desses fenômenos em que a simbiose é simples e útil, temos as ocorrências desagradáveis, como sejam as micorrizas das orquidáceas, em que o cogumelo comparece como sendo invasor da raiz da planta, caso esse em que a planta assume atitude anormal para adaptar-se, de algum modo, às disposições do assaltante, encontrando, por vezes, a morte, quando persiste esse ou aquele excesso no conflito para a combinação necessária.
Nesse acontecimento, como assinalou Caullery, com justeza de conceituação, tal simbiose deve ser capitulada na patologia comum, por enquadrar-se perfeitamente ao parasitismo.
Identificaremos, ainda, a simbiose entre algas e animais, em que as algas se alojam no plasma das células que atacam, como acontece a protozoários e esponjas, turbelários e moluscos, nos quais se implantam, seguras.

Comentários
 Vejamos agora aquelas simbioses que podemos considerar danosas...
- orquídeas podem se parasitar ou morrer se suas raízes se associarem a cogumelos invasores;
- há associações entre algas e animais, com aquelas se alojando no plasma (massa formadora e essencial de um órgão) das células que atacam. É o caso de protozoários (animais unicelulares) e esponjas (animais marinhos ou de água doce); turbelários e moluscos (lesmas, ostras, caramujos, etc.).
   
QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Como se dá a evolução do mecanismo de sustento do princípio inteligente?
2) O que é a mentossíntese, segundo André Luiz?
3) Que conseqüências são apontadas pelo Autor como resultantes da troca de energias surgida na vida do princípio inteligente?
4) Como podemos definir a simbiose útil e quais os exemplos citados por André Luiz para demonstrá-la?
5) E quanto à simbiose exploradora? Como defini-la e exemplificá-la?

XIV
Simbiose espiritual
(final)

SIMBIOSE DAS MENTES Semelhantes processos de associação aparecem largamente empregados pela mente desencarnada, ainda tateante, na existência além-túmulo.                                                                                                          
Amedrontada perante o desconhecido, que não consegue arrostar de pronto, vale-se da receptividade dos que lhe choram a perda e demora-se colada aos que mais ama.                                                                                                                                    
E qual cogumelo que projeta para dentro dos tecidos da alga dominadores apêndices, com os quais lhe suga grande parte dos elementos orgânicos por ela própria assimilados, o Espírito desenfaixado da veste física lança habitualmente, para a intimidade dos tecidos fisiopsicossomáticos daqueles que o asilam, as emanações do seu corpo espiritual, como radículas alongadas ou sutis alavancas de força, subtraindo-lhes a vitalidade, elaborada por eles nos processos da biossíntese, sustentando-se, por vezes, largo tempo, nessa permuta viva de forças.                                                                                                                   
Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência, sofrendo-lhe temporariamente o domínio até certo ponto, mas, em troca, à face da sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdure semelhante influência, necessariamente protegida contra o assalto de forças ocultas ainda mais deprimentes. Por esse motivo, ainda agora, em plena atualidade, encontramos os problemas da mediunidade evidente, ou da irreconhecida, destacando, a cada passo, inteligências nobres intimamente aprisionadas a cultos estranhos, em matéria de fé, as quais padecem a intromissão de idéias de terror, ante a perspectiva de se afastarem das entidades familiares que lhes dominam a mente através de palavras ou símbolos mágicos, com vistas a falaciosas vantagens materiais. Essas inteligências fogem deliberadamente ao estudo que as libertaria do cativeiro interior, quando não se mostram apáticas, em perigosos processos de fanatismo, inofensivas e humildes, mas arredadas do progresso que lhes garantiria a renovação. 

Comentários:
OBS: Precisamente aqui, na minha opinião, o Espiritismo se viu brindado com a abençoada e minuciosa explicação de como se processam os meandros da obsessão.
Pedagogicamente o autor expôs as simbioses acima e agora apropria os mesmos fundamentos ao caso das mentes, de desencarnados, inseguros, por desconhecedores da própria situação.
Tendo por apoio o choro dos encarnados que lamentam sua passagem, sobre eles lançam radículas perispirituais, sugando energia vital deles, ás vezes por longo tempo...
A mente do encarnado, qual a alga, entrega-se de boamente à do desencarnado, aqui representando o papel do cogumelo.     
Dessa triste associação, em que o desencarnado não projetou, mas realiza domínio sobre o encarnado, ambos se bastam, com o encarnado, quase sempre desconhecendo que já está sendo assaltado por forças desconhecidas. Essa ignorância mútua     merece nossa compaixão, eis que ambos inauguram processo obsessivo inconsciente, à guisa de um equivocado sentimento:  amor recíproco...
Temos aqui, à mão, característico, o caso de mediunidade destrambelhada: o encarnado fazendo de tudo para cada vez mais fortalecer os grilhões que ele próprio permitiu lhe fossem atados e o desencarnado, com pavor de perder a fonte da qual se supre.
Ambos fogem da reflexão, da prece, dos estudos que os libertariam.

HISTERIA E PSICONEUROSE
Entretanto, as simbioses dessa espécie, em que tantas existências respiram em reciprocidade de furto psíquico, não se limitam aos fenômenos desse teor, nos quais Espíritos desencarnados, estanques em determinadas concepções religiosas, anestesiam ou infantilizam temporariamente consciências menos aptas ao autocontrole, porquanto se expressam igualmente nas moléstias nervosas complexas, como a hístero-epilepsia, em que o paciente sofre o espasmo tônico em opistótono, acompanhado de convulsões clônicas de feição múltipla, às vezes sem qualquer perda de consciência, equivalendo a transe mediúnico autêntico, no qual a personalidade invisível se aproveita dos estados emotivos mais intensos para acentuar a própria influenciação.            
E na mesma trilha de ajustamento simbiótico, somos defrontados na Terra, aqui e ali, pela presença de psiconeuróticos da mais extensa classificação, com diagnose extremamente difícil, entregues aos mais obscuros quadros mentais, sem se arrojarem à loucura completa.                                                                                                                        Tais entidades, imanizadas ao painel fisiológico e agregadas a ele sem o corpo de matéria mais densa, vivem assim, quase sempre por tempo longo, entrosadas psiquicamente aos seus hospedadores, porquanto o Espírito humano desencarnado, erguido a novo estado de consciência, começa a elaborar recursos magnéticos diferenciados, condizentes com os impositivos da própria sustentação, tanto quanto, no corpo terrestre, aprendeu a criar, por automatismo, as enzimas e os hormônios que lhe asseguravam o equilíbrio biológico, e, impressionando o paciente que explora, muita vez com a melhor intenção, subjuga-lhe o campo mental, impondo-lhe ao centro coronário a substância dos próprios pensamentos, que a vítima passa a acolher qual se fossem os seus próprios. Assim, em perfeita simbiose, refletem-se mutuamente, estacionários ambos no tempo, até que as leis da vida lhes reclamem, pela dificuldade ou pela dor, a alteração imprescindível. 

Comentários:
Em simbioses como a acima não ocorrem apenas proteção do desencarnado ao encarnado contra outras influências maléficas: surgem doenças nervosas, complexas, tais como a histero-epilepsia (espasmos convulsivos, em que o encarnado permanece consciente). Esse é um quadro efetivo de mediunidade, ocorrendo quase sempre quando o desencarnado se vale dos instantes de emoção violenta do encarnado, que com isso, se desguarnece por inteiro.
Na Terra são incontáveis os indivíduos psiconeuróticos, cujos quadros são difíceis de serem diagnosticados e que se aproximam da loucura completa, contudo, sem instalação.
Dispensado detalhar o futuro dessas simbioses: longa duração, fanatismo, atraso evolutivo, quando então, por Bondade Divina, a Lei do Progresso aciona dispositivos para mudança de rota, de ambos: entram em ação as dificuldades, sofrimentos diversos ou a própria dor, como remédio derradeiro, mas infalível...

OUTROS PROCESSOS SIMBIÓTICOS
De outras vezes, o desencarnado que teme as experiências do Mundo Espiritual ou que insiste em prender-se por egoísmo aos que jazem na retaguarda, se possui inteligência mais vasta que a do hospedeiro, inspira-lhe atividade progressiva que resulta em benefício do meio a que se vincula, tal como sucede com a bactéria nitrificadora  na raiz da leguminosa.       
Noutras circunstâncias, porém, efetua-se a simbiose em condições infelizes, nas quais o desencarnado permanece eivado de ódio ou perversidade enfermiça ao pé das próprias vítimas, inoculando-Ihes fluidos letais, seja copiando a ação do cogumelo que se faz verdugo da orquídea, impulsionando-a a situações anormais, quando não lhe impõe lentamente a morte, seja reproduzindo a atitude das algas invasoras no corpo dos anelídeos, conduzindo-os a longas perturbações, fenômenos esses, no entanto, que capitularemos, com apontamentos breves, em torno do vampirismo, como responsável por vários distúrbios do corpo espiritual     a se estamparem no corpo físico. 

Comentários:
No quadro das simbioses enfocadas neste capítulo surge o espantoso caso daquelas nas quais o desencarnado, mais sábio do que o encarnado que subjuga mentalmente e do qual furta energias, por temor ou inadaptação ao Mundo Espiritual, e mais por egoísmo, repassa idéias que proporcionarão melhoria deste (algo como adubo intelectual, se assim posso me expressar).
Mas pode ocorrer o contrário, sempre calcado em tal equivocada união: o desencarnado que cristaliza na mente o ódio ou maldade contra a vítima (encarnada) inocula nesta fluidos letais (caso do cogumelo contra a orquídea). Resultado: condições físicas anormais, quando não o vampirismo, passível de levar até à morte.

ANCIANIDADE DA SIMBIOSE ESPIRITUAL
Justo, assim, registrar que a simbiose espiritual permanece entre os homens, desde as eras mais remotas, em multifários processos de mediunismo consciente ou inconsciente, através dos quais os chamados mortos, traumatizados ou ignorantes, fracos ou indecisos, se aglutinam, em grande parte, ao habitat dos chamados vivos, partilhando-Ihes a existência, a absorver-lhes parcialmente a vitalidade, até que os próprios Espíritos encarnados, com a força do seu próprio trabalho, no estudo edificante e nas virtudes vividas, lhes ofereçam material para mais amplas meditações, pelas quais se habilitem à necessária transformação com que se adaptem a novos caminhos e aceitem encargos novos, à frente da evolução deles mesmos, no rumo de esferas mais elevadas.
 Pedro Leopoldo, 16/3/58.

Comentários:
Simbiose humana tem registro antigo na humanidade, caracterizando que os chamados mortos se acoplam aos vivos, com eles mantendo coabitação, naturalmente sugando-lhes a energia vital.
O processo tipifica claramente mediunidade, consciente ou inconsciente. Quando um dos dois, mas principalmente o encarnado se propõe ao estudo edificante, do que resulta vivência das virtudes, obtém a chave que o liberta de tais algemas, que ele próprio auto-implantou, via de regra desconhecendo que o fazia.
OBS: Tal libertação é como sublime alvorada que visita a alma tanto de um quanto do outro, pois como registra o dito popular a palavra convence, mas o exemplo arrasta.
 Ribeirão Preto/SP 

QUESTÕES PARA ESTUDO

1) Segundo André Luiz, como se dá a simbiose da mente de um encarnado e a de um desencarnado?
2) É possível um desencarnado, através do processo de simbiose das mentes, causar um mal a um encarnado?
3) A simbiose das mentes de um desencarnado e de um encarnado pode provocar danos ao corpo físico deste?
4) Pode a parte que esteja sendo prejudicada pela simbiose das mentes interromper os seus efeitos? De que modo?

Conclusão:

1) Como se dá a evolução do mecanismo de sustento do princípio inteligente?
  R - No reino vegetal, o princípio inteligente satisfaz a necessidade de sustento através da fotossíntese, por meio da qual absorve energia luminosa para elaborar a matéria orgânica de que precisa, expelindo de si gases essenciais ao equilíbrio da atmosfera. Atingindo a fase em que se expressa como bactéria, passa a se sustentar de substâncias orgânicas formadas sem o concurso de luz solar e, sim, com o uso de energia resultante de um processo químico. Já na condição de espírito, o princípio inteligente passa a haurir energias oriundas de alimentos, que as transforma em substâncias orgânicas em si mesmo, garantindo-lhe a permanente renovação das células. Tem, assim, a existência automatizada, através dos processos de anabolismo (assimilação de energias) e catabolismo (desassimilação dos líquidos, sólidos e gasosos desnecessários).

2) O que é a mentossíntese, segundo André Luiz?
   R - Adquirindo o pensamento contínuo, o princípio inteligente inicia o que André Luiz denomina "mentossíntese", que é a troca  de fluidos mentais multiformes, através dos quais emite as próprias idéias e radiações e assimila as radiações e idéias alheias. .

3) Que conseqüências são apontadas pelo Autor como resultantes da introdução do pensamento contínuo na vida do princípio inteligente?
R - Além de inaugurar a prática da troca de energias mentais, a aquisição do pensamento contínuo transforma o modo de ser do princípio inteligente. Os impulsos passam a desejos conscientes. O que antes era simples desejo sexual momentâneo transforma-se em amor, buscando uma vivência afetiva constante. Com a morte física, interrompe-se a idéia da posse definitiva das coisas e dos afetos, sofrendo o espírito perturbação, a cada vez que deixa o corpo físico. Na nova forma de vida, fora da matéria, novas vibrações lhe são impostas, obrigando-o a buscar abrigo entre àqueles com os quais se afina. Ressalta, ainda, André Luiz, que longos períodos são necessários para que o espírito se aproprie conscientemente de seu corpo espiritual, assim como para compreender que a si cabe a responsabilidade pela felicidade ou pela infelicidade.

4) Como podemos definir a simbiose útil e quais os exemplos citados por André Luiz para demonstrá-la?
R - Podemos definir a simbiose como o fenômeno através do qual dois seres de diferentes espécies se associam, influenciando-se, reciprocamente. Quando desta união resulta benefício para ambos ou para um deles, temos o que André Luiz denomina "simbiose útil". 
Como exemplos de simbiose útil, o autor cita, nos vegetais, a simbiose do cogumelo e da alga, em que o primeiro esconde e protege a segunda contra a perda de água. Desta simbiose originam-se novos organismos vegetais (liquens) e, quando a alga elabora a fotossíntese, produz elementos nutritivos, que vão servir de nutrientes ao cogumelo. Pode ocorrer, ainda, dois liquens formados por diferentes cogumelos virem coabitar um talo comum ou a mesma alga produzir liquens diversos, com vários cogumelos.
André Luiz cita, também, como exemplo de simbiose útil, a que ocorre entre algumas leguminosas e certas bactérias, que se fixam nas raízes das primeiras, realizando a assimilação de nitrogênio pelo solo, revitalizando-o.

5) E quanto à simbiose exploradora? Como defini-la e exemplificá-la?
 R - A simbiose exploradora ocorre quando o seu efeito é negativo para uma ou ambas as partes associadas, causando danos. A título de exemplo, André Luiz cita o caso das orquídeas, quando se associam a cogumelos invasores, que podem provocar a morte de suas raízes. Cita, ainda, a simbiose entre algas e animais, com aquelas se alojando no plasma das células agredidas, como acontece com protozoários, esponjas e moluscos.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1) Segundo André Luiz, como se dá a simbiose da mente de um encarnado e a de um desencarnado?
R - André Luiz explica o mecanismo da simbiose mental fazendo uma analogia com o que ocorre com as orquídeas, quando associadas a cogumelos invasores e com alguns animais, como os protozoários, esponjas e moluscos, quando invadidos por algas que se alojam no plasma de suas células. Em processo similar ao que acontece nestes casos, a mente desencarnada, ainda insegura no além-túmulo, pode se aproveitar da receptividade do encarnado que lhe chora a perda, colando-se a ela por intermédio de emanações perispirituais lançadas sobre o encarnado.  
                                                                                      
2) É possível um desencarnado, através do processo de simbiose das mentes, causar um mal a um encarnado?
R - Como acontece quando a alga e o cogumelo invasores se alojam em suas vítimas, a mente encarnada entrega-se, inconscientemente, ao domínio do desencarnado, que passa a controlá-la. Quando isto ocorre, o desencarnado subtrai-lhe vitalidade, num processo que pode durar largo tempo. São os mais variados graus de obsessão, estudados pelo Espiritismo.  Explica o Autor espiritual que, nesta hipótese, a mente encarnada, em contrapartida, sente-se protegida contra forças espirituais ainda mais danosas. Destaca, ainda, conseqüências no campo mediúnico, citando a hipótese em que inteligências encarnadas deixam-se aprisionar a cultos estranhos de fé religiosa, receosas de verem afastadas as entidades com as quais se familiarizam e que lhes dominam a mente através de palavras ou símbolos mágicos.

3) A simbiose das mentes de um desencarnado e de um encarnado pode provocar danos ao corpo físico deste?
R - Além das conseqüências de natureza espiritual acima apontadas, o processo de simbiose de mentes pode acarretar danos físicos no encarnado, através de moléstias nervosas complexas, que se expressam em forma de convulsões, nas quais a mente invisível aproveita-se do estado emotivo mais intenso da mente encarnada para aumentar seu domínio. Forma-se, então, um quadro efetivo de manifestação mediúnica danosa, de difícil diagnóstico por parte da medicina terrena. A mente desencarnada permanece agregada ao corpo do encarnado, geralmente, por longo tempo, entrosada psiquicamente ao hospedeiro. Utiliza-se de recursos magnéticos para subjugar o campo mental do encarnado, impondo-lhe seus pensamentos, que são acolhidos pela vítima como se fossem os seus próprios.
Explica André Luiz que, do mesmo modo que o desencarnado possuidor de inteligência mais desenvolvida do que o encarnado pode inspirá-lo em atividade benéfica, como acontece com a bactéria que se fixa na raiz da leguminosa possibilita a assimilação de nitrogênio pelo solo, quando a mente desencarnada encontra-se eivada de ódio ou perversidade, introduz no encarnado fluidos letais, enfermiços, provocando-lhe doenças, como acontece com o cogumelo em relação à orquídea.

4) Pode a parte que esteja sendo prejudicada pela simbiose das mentes interromper os seus efeitos? De que modo?
R - Em perfeita simbiose mental, invasor e hospedeiro podem permanecer estacionados no tempo até que a misericórdia divina, por meio de suas leis sábias e soberanas as impulsione ao progresso. Através do trabalho edificante, do estudo, da prece e da conquista de virtudes, a parte prejudicada pode interromper este processo, operando a transformação que a recolocará no caminho da evolução.
    
 Muita paz a todos

 Equipe CVDEE

Sala André Luiz