sábado, 28 de maio de 2016

ETERNO É O AMOR

ETERNO É O AMOR

Giovanni Scognamillo


Após a experiência dolorosa da partida do filho Daniel, Liszt, o grande músico, imprime novo rumo no conceito de interpretar a vida e passa a compor páginas musicais que traduzem, sem palavras articuladas, o que ia por dentro de sua alma, como se pode notar no poema sinfônico “Os mortos”, feito em memória do filho. “Era um apreciador de minha música e me rendia elogios afetivos, e não o fará menos agora que se encontra no reino dos eterizados” – afirmou ele. E diante desta exclamação, ou confissão, aumenta-nos a certeza de que Liszt não aceitava a morte como um ponto final da vida. E confiante prossegue: “Não se apregoa que eterno é o amor? Ora, sinto-me envolvido por esse amor, e é melhor assim” – isso dizia referindo-se às vibrações de afeto que recebia, emitidas, sem dúvida, pelo Espírito Daniel. Afinal, ensinam-nos os benfeitores espirituais que o amor e a afinidade não se rompem, não se desfazem pelo simples fato da pessoa amada se encontrar, por força da desencarnação, no mundo dos Espíritos.

Nesta fase crucial da existência, o compositor recebeu integral apoio moral e orientação espiritual do Abade Lammenais, do escritor e jornalista Henry Heine e da escritora George Sand, e estes são tidos e reconhecidos como expoentes, em seus campos de atuação.

Fácil, pois, imaginar o quanto de sofrimento se abateu sobre o músico-filósofo, uma alma sensível, sob os golpes da separação física e sem nada poder fazer para sustar a morte inevitável do ente amado.

Fosse nos dias de hoje, por certo, uma alma caridosa enviaria ao pai lamentoso a consoladora quanto esclarecedora página ditada por Emmanuel através do médium Chico Xavier, e que se encontra no capítulo 58 do livro “Religião dos Espíritos”, editado pela Federação Espírita Brasileira, mensagem esta intitulada “Ante os que partiram”.

Refugiando-se nas preces, Liszt enaltece o poder dessa comunhão com Deus, e confessa aos amigos a ação terapêutica e confortadora que vinha recebendo como resposta aos apelos lançados para o Mais Alto. Inegável avanço fez ele, e as percepções psíquicas se ampliaram, tornando-o mais sensível à inspiração. Algumas vezes o sofrimento moral se faz necessário como impulsionador até mesmo das faculdades psíquicas diante da resistência que alguns oferecem quando chamados ao trabalho na seara de Jesus através do concurso da mediunidade.

Surgem as dificuldades, despontam os problemas para despertar a criatura ante o quadro de serviço a ser realizado.

Vale reproduzir as alentadoras palavras de Franz Liszt e que tomamos como depoimento de quem sabia orar e a quem dirigir seus pedidos. Vamos usar o texto no singular conforme a fonte consultada e com atitude de confidentes ouvir o seu testemunho:

“Somente a oração me alivia. Estou moralmente triste, mas Deus me tem dado forças para superar esta crise e a Luz da Sua misericórdia brilhará nas trevas em que me debato. Ora, o que digo? Os efeitos dessa misericórdia já se fazem sentir, afinal clamei tanto por ela e por ela fui socorrido”.

Temos aqui uma mensagem de fé, de esperança e um estímulo para não esmorecermos ante os problemas e dificuldades, pois, lá do Mais Alto, os anjos protetores estão sempre dispostos a mobilizar recursos de auxílio quando os acionamos através desse ato tão simples, dessa atitude tão positiva e que tanto enleva os corações em provas: a prece. Pela oração, sincera, munida de fé e resignação, movimentamos energias imponderáveis a nosso favor ou de nossos semelhantes. Os céus sempre responderam aos nossos apelos e Deus não se cansa no atendimento aos Seus filhos em trânsito por este mundo de expiações e provas.

Acompanhando as andanças do músico-filósofo veremos como ele reage a uma homenagem que lhe é prestada e, ainda, a sua surpresa quando lhe aparece o Espírito do filho Daniel.



SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com

Sábado, 27/11/2004 - no 1913

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