sexta-feira, 27 de maio de 2016

CONSUMO RESPONSÁVEL

CONSUMO RESPONSÁVEL

 D. Villela



Embora a riqueza, ou seja, a concentração de recursos nas mãos de determinada pessoa (ou de algumas poucas pessoas), seja bem conhecida desde a Antiguidade, o consumo em escala maior, como ocorre hoje, é fenômeno moderno, associado à produção, diversificação e constante melhoria de bens e serviços observadas após as revoluções comercial e industrial que alteraram profundamente a economia mundial.

Todos sabemos que a pobreza e até a miséria atingem ainda extensas populações, numa situação vergonhosa e inaceitável em uma sociedade que se afirma conhecedora de valores e direitos humanos, que figuram, aliás, em documentos aceitos e firmados pela comunidade das nações (as Declarações de Direitos). Tal conjuntura é tão mais aberrante quando se sabe existirem já condições técnicas e recursos que, convenientemente direcionados, permitiriam reverter, em tempo relativamente curto, esse quadro, que somente se explica pela presença do egoísmo que ainda prepondera no relacionamento humano. O ainda na frase anterior provém do fato de constatar-se, já há algum tempo, o surgimento de movimentação em sentido contrário, que levou à criação de organismos internacionais e ao estabelecimento de metas (os Objetivos do Milênio) com vistas à mudança dessa situação dolorosa.

Mas... nas áreas já beneficiadas por condições materiais melhores outra manifestação existe, igualmente danosa, de egoísmo e imaturidade, que se caracteriza justamente pelo oposto da carência: a tendência a adquirir-se e acumular coisas não necessárias – o supérfluo – que, inutilmente, enche armários e onera orçamentos. Precisamos, então, de cuidado, da vigilância de que falou Jesus, pois a comunicação de massa nos envolve diariamente e incentiva ao consumismo, ao associar aquisição e posse com felicidade, o que todos sabemos não ser verdadeiro.

Não existe uma fórmula que permita estabelecer, com exatidão, o limite entre necessário e supérfluo, que exige, assim, constante aplicação do bom-senso. A propósito, contudo, um critério simples costuma ser lembrado: quando determinada peça de vestuário ou equipamento não são usados por nós durante dois ou mais anos, é provável que eles não sejam realmente necessários e mereçam destinação mais útil.

Futuramente, quando o bem predominar na Terra, o equilíbrio entre necessidade e suprimento se estabelecerá naturalmente, pois, se como lembrou Jesus, as Leis Divinas alimentam os pássaros, não situados ainda no patamar da razão, com mais propriedade cuidarão do homem, assegurando-lhe as condições também materiais para a felicidade e o progresso.

Até lá, que possamos encontrar na simplicidade e na fraternidade indicações seguras para sermos usuários responsáveis dos bens da vida.



“O Livro dos Espíritos” (questão 715).


SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com

Janeiro 2013 – no 2220

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