sexta-feira, 13 de maio de 2016

EDUCAÇÃO E JUSTIÇA

EDUCAÇÃO E JUSTIÇA



D.Villela


As religiões abraâmicas (derivadas do patriarca Abraão), Judaísmo, Cristianismo e Islamismo tiveram suas concepções acerca da Justiça Divina estabelecidas em passado distante, sendo, pois, naturalmente, influenciadas pelas condições reinantes nas sociedades de então. O inferno, com seus sofrimentos terríveis e eternos, reflete a justiça sumária e implacável praticada naqueles tempos, assim como o céu de ociosidade decorre da incompreensão quanto ao verdadeiro significado do trabalho, visto, sobretudo, como castigo reservado aos escravos. O desconhecimento das noções de reencarnação e progresso contribuiu para preservar esse quadro até época recente, quando alguns teólogos começaram a atribuir-lhes caráter simbólico.

Ao estudar essa questão, a Doutrina Espírita não partiu de qualquer ideia preconcebida, baseando-se, exclusivamente, nos depoimentos dos próprios desencarnados, das mais diversas condições, recolhidos através de inúmeros médiuns. A análise desse material foi complementada pelos comentários e esclarecimentos de elevados orientadores, obtidos, igualmente, por via mediúnica, e veio mostrar que, na verdade, nos achávamos diante de um mecanismo de acompanhamento de nossas vidas, no qual os princípios de liberdade, causalidade e progresso se harmonizavam, de forma perfeita, orientando-nos na construção de nossa felicidade.

Nova também era a forma apresentada para a anulação do mal praticado, bem como de suas consequências, que incluía três condições: arrependimento, expiação e reparação. O arrependimento (consciência do erro e pesar por tê-lo cometido) pode ocorrer em qualquer tempo ou lugar mas se for tardio o culpado sofre mais demoradamente. A expiação (experiência das mesmas dificuldades impostas ao próximo) pode se dar na vida presente, na Espiritualidade, após a morte, ou em futura existência corpórea, até que os traços da falta tenham desaparecido. A reparação (fazer o bem àqueles que foram prejudicados) pode, igualmente, verificar-se na reencarnação atual ou em futuro retorno à matéria. Como se vê, estamos muito distantes da ideia do perdão gratuito, obtido por uma graça especial ou pela intervenção de algum ministro religioso.

Céu e inferno, expressando a consequência de nossas ações, não têm localização geográfica pois são pessoais e correspondem a estados íntimos de harmonia ou afastamento em relação às Leis Divinas; mas, se quisermos falar em lugares destinados ao sofrimento, estes seriam os mundos de expiação  como o nosso  onde encontramos o conflito, a injustiça e todo o cortejo de males decorrentes do egoísmo e do orgulho, ainda preponderantes entre os que os habitam.

Podemos, por outro lado, compreender ainda melhor o alcance das afirmativas de Jesus relativas à dor (Bem-aventurados os que choram  Mateus, 5: 4), porque, na verdade, os que a experimentam em função de antigos débitos, acham-se em processo de resgate e educação, crescendo para a felicidade.

O Céu e o Inferno (Primeira Parte, capítulo 7).


Conselho Espírita Internacional
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Sábado, 13/11/2004 - no 1911

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