segunda-feira, 2 de maio de 2016

#A MIGALHA

A MIGALHA

George Abreu de Sousa


Com impressionante facilidade, absorvermos as energias negativas que nos rodeiam. 

Sempre que permitimos a arquitetura do mal em nossos pensamentos, perdemos a confiança no bem. 

Os benfeitores espirituais não querem isso. Eles acompanham, bem próximos, a nossa vida e procuram reverter essa nossa prática de dar asas às sugestões negativas. Incentivam-nos a afugentar o desânimo e nunca desistir das aspirações superiores. 

Quando temos um gesto de caridade, tão pequeno que nem valorizamos, são esses protetores invisíveis que se aproximam de nós, fazendo-nos sentir agradável vibração, pois para eles todo bem que fazemos, por menor que seja, é avanço de incalculáveis proporções. 

Tomando para estudo a lição 91 do livro Vinha de Luz, intitulada Migalha e multidão, na qual recordamos a passagem da multiplicação dos pães e peixes por Jesus, quando uma migalha foi capaz de alimentar toda uma multidão faminta. O benfeitor Emmanuel extrai dessa passagem, e do seu simbolismo, uma sugestão que devemos cultivar: a de sempre valorizarmos todas as migalhas de benefícios que recebemos e as que oferecemos. 

Trata-se de uma lição que põe luz sobre os pequeninos feitos no bem, jamais desprezíveis para Deus, e que proporcionam um efeito muito superior à causa, motivo suficiente para serem chamados de milagre. 

Percorramos as lembranças de nossa vida e reconheçamos que nosso presente só está sendo possível porque almas abençoadas nos ampararam no passado, suprindo nossas necessidades quando muito precisávamos. 

Ainda nada tínhamos nesse mundo, quando seios abençoados nos nutriram e nos sustentaram a vida. Ao nosso socorro vieram avós, tios, irmãos, que não nos deixaram sucumbir quando éramos incapazes de prover nosso próprio sustento. Não mediram o que nos deram, ofereceram espontaneamente aquele pouco que se tornou muito, e que influenciou definitivamente nossa vida. 

Quantos de nós, ainda muito pequenos, tivemos ajuda dos que trabalharam em nossa casa. É verdade que lá estavam para garantir o pão de cada dia, mas, ainda assim, velaram por nossa segurança e alimentação, e temos que reconhecer que tudo que receberam não pagou o bem que nos proporcionaram. 

No ensino fundamental, professoras contribuíram com a nossa formação. Fisionomias que nunca mais esqueceremos e que não mais voltaríamos a ver, foram como anjos que vieram para nos prover a alfabetização. Outros tantos abençoados professores nos ergueram da ignorância. 

Tivemos os amigos passageiros de jornada, companheiros das dificuldades, que por mútua simpatia nos ajudaram a tornar nossa estrada mais fácil e possível.

Olhando para trás, reconheçamos que em cada passo que demos, um tutor na Terra nos guardava, oferecendo um pouco de si. 

Entre todos esses que passaram na nossa vida, alguns estão idosos e outros já estão na espiritualidade. Nada nos cobram pelo bem que nos proporcionaram, mas, por dever de justiça, devemos neles pensar com a alma agradecida. Se não podemos abraçá-los por que se foram da nossa vida, talvez possamos aquecê-los, onde estiverem, enviando-lhes nossos pensamentos de profunda gratidão. 

Um agradecimento pode parecer um bem menor, mas, como já vimos, nenhum ato de bondade é irrelevante para Deus, muito menos a gratidão. 

Por toda a vida, recebemos migalhas aqui e ali. Sem elas não teríamos conseguido chegar onde estamos. São migalhas que se transformaram, pela força que esse Universo possui de multiplicar pedacinhos de pão, de fazer crescer pequeninas alegrias, de tornar inesquecível uma fatia de atenção e, assim, com tão pouco, consegue saciar a multidão de nossas necessidades. 

De modo análogo, o que fizermos para melhorar a vida de nosso próximo terá resultados que não poderemos alcançar, vindos do poder de Deus de multiplicar toda migalha oferecida no bem. 

É significante, sim, um único prato de comida dado; tem valor a roupa que doamos, ainda que não nos sirva mais; tem importância a simples atenção que oferecemos, porque toda caridade, por menor que pareça, tem muito valor, e quem menospreza um benefício qualquer oferecido, desconhece a dimensão que um ato de generosidade pode tomar. 

Olhemos para o lado, estamos rodeados de inúmeras pessoas. Elas estão fazendo algo por nós. São dádivas que precisamos saber considerar. Olhemos, então, o que também estamos fazendo, e sintamos toda a alegria proveniente da constatação de nossa generosidade. Nem desprezaremos os benefícios que recebemos, nem diminuiremos a alegria pelo serviço que prestamos. Toda migalha será bem-vinda. 

É costume do mal exigir que peçamos sempre mais, sem agradecer pelo que já recebemos. Sutilmente incute-se em nós a ideia de que a moeda que sai da nossa mão não resolverá o problema de quem recebe. O bem sugere o contrário, pede que você agradeça toda migalha que recebe, e lhe diz que a sua moeda fará toda a diferença na mão que lhe foi estendida. 

Em todos os sentidos, o bem se multiplicará, pois assim ensinou nosso Senhor Jesus, tendo nas mãos tão somente cinco pães e dois peixes.

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES 
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Edição 2248 Maio 2015

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