segunda-feira, 18 de abril de 2016

DOS CONFRADES - REFLEXÕES SOBRE A INGRATIDÃO

DOS CONFRADES

REFLEXÕES SOBRE A INGRATIDÃO

Assaruhy Franco de Moraes 

A ingratidão, que é desapreço, apresenta-se como grave imperfeição da alma, que deve ser corrigida  Joanna de Ângelis (Jesus e atualidade  capítulo19).

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 13, item 19, o Guia Protetor observa que Deus permite que, muitas vezes, sejamos pagos com a ingratidão, não necessariamente porque seja nosso merecimento, mas sim para que seja testada a nossa capacidade de perseverar no bem.

Mas tal perseverança é fruto de um prolongado processo de entendimento. É preciso que saibamos abstrair a imperfeição da alma do nosso semelhante e admitir que um benefício jamais se perde, mesmo que tenha sido pago com a ingratidão.

Certa vez, ao comentar com meu pai um fato ocorrido com ele, no qual foi alvo de dolorosa ingratidão, recebi um profundo ensinamento que sempre norteou as minhas ações: na linha de que um benefício jamais se perde, respondeu-me que se a pessoa beneficiada não havia entendido o que recebera, ele não deixava de considerar o bem proporcionado como única coisa que poderia ter feito. Havia cumprido as ordenanças de sua consciência. Quanto ao beneficiado, um dia haveria de cumprir as ordenanças de sua responsabilidade... Jamais a ingratidão o faria refrear o bem.

Sem dúvida, muito maior que a ingratidão, é a semente do bem que fica plantada na aridez da alma do ingrato.

Mais tarde, quando essa alma se fertilizar pelo suor do aprendizado e se fortalecer pela força da razão, vai recordar-se de tudo o que recebeu um dia e não retribuiu. Nesse momento, o bem recebido terá continuidade e se estenderá pela eternidade, só que agora potencializado pelas lágrimas de agradecimento do ex-ingrato.

Agostinho nos ensina que de todas as provas as mais duras são as do coração... sendo a ingratidão um dos frutos diretos do egoísmo. É realmente no coração onde ela mais se manifesta, e deve ser também ali, sede abstrata do amor, que o homem deve encontrar forças para superar os impactos que sofre, evitando a amargura, a mágoa e o ressentimento, poderosos venenos da alma e, na maioria das vezes, origem de tantas perseguições e ódios centenários, que as Casas Espíritas conhecem em suas reuniões de assistência espiritual.

O Espírito Albino Teixeira, em mensagem psicografada por Chico Xavier, em março de 1964, na Comunhão Espírita Cristã, de Uberaba (MG), disse:

Quando o fracasso nos desafia de perto, quando a tentação e a enfermidade nos visitam, quando a nossa esperança se dissolve no sofrimento, quando a provação se nos afigura invencível, quando somos apontados pelo dedo da injúria, quando os próprios amigos nos abandonam, quando todas as circunstâncias nos contrariam, quando a mágoa aparece, quando a incompreensão nos procura, ameaçadora, quando somos intimados a esquecer-nos, em benefício dos outros... Então é chegado para nós o teste do aproveitamento espiritual, na Escola da Vida, para efeito de promoção.

O remédio para a ingratidão é o esquecimento, assim como a prevenção da mágoa é não acolhê-la, e nisso temos o exemplo do Mestre dos Mestres que, no meio da enorme turbulência do seu martírio, não acolheu a mágoa pela ingratidão sofrida, e sim ocupou seu coração em pedir ao Pai que perdoasse seus algozes, simplesmente porque eles não sabiam o que estavam fazendo... E será que os ingratos de todos os tempos, sabem?

O Boletim, informativo do Centro Espírita Bezerra de Menezes (Rua Maia Lacerda, 155  Estácio  CEP 20250-001 Rio de Janeiro, RJ  telefone (21) 2273-9398).


Conselho Espírita Internacional
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Sábado, 30/10/2004 - no 1909

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