sexta-feira, 29 de abril de 2016

#63 ESTUDO DO LIVRO DOS MÉDIUNS CAPITULO XVI ITENS 185 E 186

O LIVRO DOS MÉDIUNS
(Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores)

Por
ALLAN KARDEC

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPÍTULO XVI

MÉDIUNS ESPECIAIS

Estudo 63 — Itens 185 e 186

Aptidões especiais dos médiuns

Além das categorias de médiuns que já estudamos, a mediunidade apresenta uma variedade infinita de matizes, afirma Allan Kardec, que constituem os chamados médiuns especiais, dotados de aptidões particulares, ainda não definidas, abstração feita das qualidades e conhecimentos do Espírito que se manifesta. 

A natureza das comunicações está sempre relacionada com a natureza do Espírito e traz o cunho da sua elevação, ou da sua inferioridade, de seu saber, ou de sua ignorância. Mas, apesar da semelhança de grau, do ponto de vista hierárquico, há sempre entre eles uma tendência maior para este ou aquele campo. Os Espíritos batedores, por exemplo, raramente se afastam das manifestações físicas e, entre os que dão comunicações inteligentes, há Espíritos poetas, músicos, desenhistas, moralistas, sábios, médicos etc.

Falamos dos Espíritos de mediana categoria, porque, chegando eles a um certo grau, as aptidões se confundem na unidade da perfeição. Porém, junto com a aptidão do Espírito, há a do médium, que é, instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível e no qual descobre ele qualidades particulares que não podemos apreciar.

Façamos uma comparação: um músico muito hábil tem ao seu alcance diversos violinos, que todos, para o vulgo, são bons instrumentos, mas que são muito diferentes uns dos outros para o artista consumado, o qual descobre neles matizes de extrema delicadeza, que o levam a escolher uns e a rejeitar outros, matizes que ele percebe por intuição, visto que não os pode definir. O mesmo se dá com relação aos médiuns. Em igualdade de condições quanto à potências mediúnicas, o Espírito preferirá um ou outro, conforme o gênero da comunicação que queira transmitir. Assim, por exemplo, indivíduos há que, como médiuns, escrevem admiráveis poesias, sendo certo que, em condições ordinárias, jamais puderam ou souberam fazer dois versos; outros, ao contrário, que são poetas e que, como médiuns, nunca puderam escrever senão prosa, independente do desejo que nutrem de escrever poesias. Outro tanto sucede com o desenho, com a música, etc. Alguns há que, sem possuírem de si mesmos conhecimentos científicos, demonstram especial aptidão para receber comunicações eruditas; outros, para os estudos históricos; outros servem mais facilmente de intérpretes aos Espíritos moralistas. Numa palavra, qualquer que seja a flexibilidade do médium, as comunicações que mais facilmente recebe, trazem geralmente um cunho especial; alguns existem mesmo que não saem de uma certa ordem de ideias e, quando destas se afastam, só obtêm comunicações incompletas, lacônicas e, não raro, falsas.
Além das causas de aptidão, os Espíritos também se comunicam mais ou menos dando preferência por tal ou qual médium, de acordo com as suas simpatias. Assim, em perfeita igualdade de condições, o mesmo Espírito será muito mais explícito com certos médiuns, apenas porque estes lhe convêm mais.

Seria errôneo querer obter-se, simplesmente por ter ao seu alcance um bom médium, ainda mesmo com a maior facilidade para escrever, boas comunicações de todos os gêneros. A primeira condição é de certificar-se da fonte dessas comunicações, isto é, das qualidades do Espírito que as transmite; porém, não é menos necessário ter em vista as qualidades do médium. Necessário, portanto, se estude a natureza do médium, como se estuda a do Espírito, porquanto são esses os dois elementos essenciais para a obtenção de um resultado satisfatório. Um terceiro existe, que desempenha papel igualmente importante: é a intenção, o pensamento íntimo, o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga. Isto facilmente se concebe.

Para que uma comunicação seja boa é necessário que proceda de um Espírito bom; para que esse Espírito bom POSSA transmiti-la, é indispensável dispor de um bom instrumento. Para que QUEIRA transmiti-la, é necessário que o objetivo lhe convenha.

O Espírito que lê o pensamento julga se a questão que lhe propõem merece resposta séria e se a pessoa que a formula é digna dessa resposta. Casão contrário, não perde seu tempo em lançar boas sementes em cima de pedras e, é quando os Espíritos levianos e zombeteiros entram em ação, porque, pouco lhes importando a verdade, não a encaram de muito perto e se mostram geralmente pouco escrupulosos, quer quanto aos fins, quer quanto aos meios.

Todos esses critérios são, sem dúvida alguma, aplicáveis aos outros gêneros de comunicação, como, por exemplo, a psicofonia. O bom senso indicado por Allan Kardec deve prevalecer sempre e, por isso, relembramos suas palavras quando afirma que os Espíritos zombeteiros e levianos não se importam com a verdade e, baseando-se em processos de afinidade, de interesses comuns, atendem aos “chamados” dos encarnados, não se importando com meios que justifiquem os fins. 

Bibliografia:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap XVI - 2ª Parte

Tereza Cristina D'Alessandro 
Novembro / 2006


Centro Espírita Batuíra
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Ribeirão Preto - SP

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