sexta-feira, 15 de abril de 2016

DESNIVEIS CULTURAIS

DESNÍVEIS CULTURAIS

D.Villela

A civilização ocidental surgiu na Europa, dali irradiando-se para outros continentes, juntamente com algumas de suas características: religião cristã, tecnologia, arte etc. Esse processo de expansão iniciou-se no período conhecido como Renascimento (que cobre, aproximadamente, os séculos XV e XVI) e expressões como novo mundo, extremo oriente, populações pagãs refletem uma visão eurocêntrica, bem como um forte sentimento de superioridade com relação aos demais povos e regiões do planeta.

Surpreendeu aos primeiros viajantes e estudiosos europeus a variedade de etnias e culturas com que se defrontaram então, algumas das quais apresentavam-se ainda em fase primária de desenvolvimento (ausência de escrita, utensílios muito toscos, o caráter rude dos costumes), constatando-se, igualmente, sua incapacidade de adaptação ou assimilação de novos hábitos ou técnicas. Este fato colocava uma questão nova para o pensamento religioso: supondo-se que as almas fossem criadas por ocasião do nascimento, como explicar tão forte diferença? Estaria Deus  a Soberana Justiça  criando seres desigualmente dotados em termos de inteligência, sentimento e habilidade?

Na Idade Média a opinião dos teólogos quanto ao destino das criaturas após a morte era radical: só quem houvesse conhecido e aceito a mensagem cristã poderia ter acesso ao céu, onde foram admitidos também alguns vultos ilustres do Velho Testamento. Todo o restante da humanidade (pensemos nas antigas civilizações do Egito e da Mesopotâmia, da Grécia e de Roma, bem como da Índia, China...) estaria no inferno, como se antes da vinda do Mestre, Deus tivesse criado seres de segunda ordem, descartáveis, excluídos do seu amor. Essa ideia absurda só foi abandonada ao longo dos séculos XIX e XX. Aliás, uma das justificativas para a escravidão foi de natureza religiosa: era necessário salvar aquelas pessoas mergulhadas na ignorância e no erro... por isso, os escravos deveriam ser batizados, assegurandose-lhes, desse modo, os benefícios da felicidade após a morte, embora a crueldade a que eram submetidos durante a vida...

A existência de profundos desníveis culturais entre vastas comunidades no passado, bem como a presença de populações primitivas ainda em nossos dias, são temas pouco abordados na pregação cristã que, na verdade, não dispõe de explicação satisfatória para tais ocorrências, perfeitamente compreensíveis, contudo, à luz dos conceitos de reencarnação, causa e efeito e progresso, constantes da Doutrina Espírita.

Desigualdades quanto a aptidões e maturidade  em termos individuais e coletivos  correspondem a posições diferentes ao longo da estrada evolutiva a ser percorrida por todos.

O mosaico da grande família humana compõe-se, assim, de muitos povos com características não-uniformes  pelo contrário, extremamente variadas  atendidos, todos, pela Sabedoria Divina em termos de organização social e orientação religiosa.

O Livro dos Espíritos (questão 789 e comentários).


Conselho Espírita Internacional
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Sábado, 30/10/2004 - no 1909

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