segunda-feira, 18 de abril de 2016

ASPECTO RELIGIOSO 
D. Villela 

Hesitam alguns companheiros, sobretudo na Europa, em reconhecer o aspecto religioso do Espiritismo, de vez que, na visão comum, religião é o culto à divindade por meio de rituais próprios, envolvendo ainda a crença em determinadas verdades reveladas de forma sobrenatural. Provavelmente recordam também os graves delitos cometidos em nome da fé ao longo da História. 

Na verdade, todo movimento da criatura em busca do Criador constitui manifestação de religiosidade, e uma das muitas evidências de sua presença em nossa Doutrina é justamente o culto da oração, estudada e recomendada em suas obras básicas. 

Em O Evangelho segundo o Espiritismo (capítulo 28), Allan Kardec reuniu uma série de preces ditadas pelos Espíritos com as mais diversas finalidades: agradecer um benefício, pedir forças ou saúde para um amigo, orientação diante de uma dificuldade... O Codificador teve o cuidado de frisar que elas eram apenas sugestões e não fórmulas de uso obrigatório e permanente, de vez que, conforme esclareceram os benfeitores da vida maior, a forma não é nada, o pensamento é tudo. Ore cada um segundo as suas convicções e da maneira que mais o sensibilize... 

Com essa observação, e após estudar detidamente o Pai Nosso, passa Kardec a apresentar as preces para diferentes ocasiões, começando, sugestivamente, por aquelas destinadas a assinalar o início e o término das reuniões espíritas  mais um traço de nossa dimensão religiosa  encimadas pela afirmativa de Jesus: Onde se encontrarem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu ali estarei (Mateus, 18: 20). Ele destaca, então, a importância da oração em conjunto, lembrando que sua realização não decorre apenas da proximidade física entre as pessoas que podem mesmo estar reunidas em um templo, onde façam preces em coro, permanecendo, apesar disso, espiritualmente separadas, com as mentes voltadas para diferentes interesses. 

A prece coletiva supõe comunhão de pensamentos e sentimentos, o que, além da benevolência mútua entre os membros do grupo, requer que estes acompanhem com atenção e interesse as palavras daquele que ora em voz alta, associando-se às ideias e emoções que elas exprimem. Para tanto são preferíveis as expressões espontâneas, elaboradas de improviso, em vez da fórmula conhecida, cuja repetição, conquanto possa produzir aqueles resultados, tende a levar ao automatismo e à dispersão. 

É por isso que no Espiritismo, ao lado da observação e do controle racional, bem como da reflexão filosófica, encontramos o convite permanente para a vivência religiosa sintetizada por Jesus no amor a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. 

O Evangelho segundo o Espiritismo (capítulo 28, itens 4 a 7). 

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES 
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Edição 2259  Abril 2016

 Publicação digital, sob responsabilidade da Federação Espírita Brasileira. Distribuição mensal e gratuita

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