quarta-feira, 27 de abril de 2016

CONVITES

CONVITES

D. Villela

Jesus veio trazer vigoroso impulso à nossa evolução, destacando a excelência do amor e conscientizando-nos de nossa dimensão espiritual. Para auxiliá-lo nessa tarefa, reuniu um grupo de Espíritos de escol, os apóstolos, que o acompanharam durante sua permanência entre nós e deram continuidade ao trabalho após a sua partida. É admirável como a simples presença do Mestre e seu convite direto bastavam para despertar naqueles indivíduos a noção desse compromisso, levando--os a deixar seus interesses e atividades, passando, de imediato, a segui-lo, recebendo-lhe as instruções e secundando-o em seu ministério. Mateus, por exemplo, descreve em seu Evangelho como ele próprio foi chamado: Jesus, saindo dali, ao passar viu um homem sentado ante uma mesa de impostos, chamado Mateus, ao qual disse: Segue-me, e logo este se levantou e o seguiu (Mateus, 9:9). O mesmo se passou com Pedro e André, Tiago e João, pescadores, que chamados por aquele desconhecido, deixaram as redes, tornando-se seus discípulos.

Parece difícil, senão impossível, explicar  a não ser recorrendo ao milagre  como possa alguém adotar atitude tão radical. O fato, contudo, apesar de extraordinário, é natural, decorrendo da elevada condição espiritual daqueles que iriam compor o grêmio apostólico, que se sentiam desde logo profundamente ligados ao Mestre. Jesus, por sua vez, podia identificá-los perfeitamente por possuir a chamada dupla vista; isto é, sua percepção não se limitava ao mundo físico, mas abrangia também a realidade espiritual. Essa faculdade, observada por Allan Kardec em algumas pessoas, que a apresentavam de forma limitada e esporádica, Jesus a possuía em grau máximo e em caráter permanente, podendo, em consequência, agir com aquela segurança que tanto nos surpreende: Segue-me!

A propósito, assim se expressou o Codificador: A penetração do pensamento e, por conseguinte, certas previsões, são a consequência da visão espiritual. Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, seria necessário que conhecesse suas disposições íntimas, para saber que o seguiriam e que eram capazes de cumprir a missão da qual deveria encarregá-los. Seria necessário que eles mesmos tivessem a intuição dessa missão para, sem hesitação, atenderem ao chamado de Jesus. Ocorreu o mesmo no dia da Ceia, quando anunciou que um dos doze o trairia, e o designou dizendo que seria aquele que pusesse a mão no prato; e quando disse que Pedro o negaria.

Útil lembrar, por fim, que embora imensamente distantes da grandeza espiritual dos auxiliares mais próximos do Mestre, somos, por nossa vez, alvo dos convites da esfera superior para que, prosseguindo em nossas tarefas e responsabilidades, abandonemos as ilusões e hábitos menos felizes que tanto nos dificultam a marcha.

Que possamos, pois, permanecer atentos e dispostos à aceitação desses apelos amorosos, para que estejamos cada vez mais sintonizados com o bem, cuja presença em nossas vidas se faz acompanhar, invariavelmente, pela paz, a esperança e a alegria.

A Gênese (cap. 15, itens 8 e 9).


SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Edição 2255 Dezembro 2015

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