sexta-feira, 3 de junho de 2016

EVANGELHO ESSENCIAL 10.1#10 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS

EVANGELHO ESSENCIAL 10.1

Eulaide Lins
Luiz Scalzitti

10 - BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO MISERICORDIOSOS

Bem-aventurados os que são misericordiosos, porque obterão misericórdia. (S.MATEUS, cap. V, v. 7.)

Se perdoares aos homens as faltas que cometem contra ti, também o Pai celestial ti perdoará os pecados; - mas, se não perdoares aos homens quando te ofendam, teu Pai celestial também não te perdoará os pecados. (S.MATEUS, cap. VI, vv. 14 e 15.)

Se contra ti pecou teu irmão, vá fazer-lhe sentir a falta em particular, a sós com ele; se te atender, terás ganho o teu irmão.

- Então, aproximando-se dele, disse-lhe Pedro: "Senhor, quantas vezes perdoarei a meu irmão, quando houver pecado contra mim?

Até sete vezes?" - Respondeu-lhe Jesus: “Não te digo que perdoes até sete vezes, e sim até setenta vezes sete vezes." (S. MATEUS, cap. XVIII, vv. 15, 21 e 22.)

Perdoai para que Deus vos perdoe

A misericórdia é o complemento da doçura, porque aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico.
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Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor demonstram alma sem elevação, nem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que está acima do mal que lhe quiseram fazer. Uma esta sempre ansiosa, de uma irritabilidade desconfiada e amargurada; a outra é calma, cheia de mansidão e caridade.
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Infeliz daquele que diz: eu nunca perdoarei. Esse, se não for condenado pelos homens, sê-lo-á por Deus. Com que direito pedirá o perdão de suas próprias faltas, se ele mesmo não perdoa as dos outros?
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Jesus nos ensina que a misericórdia não deve ter limites, quando diz que cada um perdoe ao seu irmão, não sete vezes, mas setenta vezes sete .
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Há duas maneiras bem diferentes de perdoar: uma, grande, nobre, verdadeiramente generosa, sem segunda intenção, que evita, com delicadeza, ferir o amor-próprio e a suscetibilidade do adversário, mesmo quando a culpa foi inteiramente dele; a outra é quando o ofendido, ou aquele que assim se julga, impõe ao outro condições humilhantes e lhe faz sentir o peso de um perdão que irrita, em vez de acalmar; se estende a mão ao ofensor, não o faz com benevolência, mas com ostentação, a fim de poder dizer a todos: Olhem como sou generoso! Nessas circunstâncias, é impossível uma reconciliação sincera de ambas as partes. Não há aí generosidade; mas apenas uma forma de satisfazer ao orgulho.
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Em todas as divergências, aquele que se mostra mais conciliador, que demonstra mais desinteresse, caridade e verdadeira grandeza de alma conquistará sempre a simpatia das pessoas imparciais.

Reconciliação com os adversários

Reconcilia-te o mais depressa possível com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que ele não te entregue ao juiz, o juiz não te entregue ao ministro da justiça e não sejas mandado para a prisão. - Digo-te, em verdade, que de lá não sairás, enquanto não houveres pago o último ceitil. (S. MATEUS, cap. V, vv. 25 e 26.)

Na prática do perdão, como na do bem, não há somente um efeito moral: há também um efeito material. A morte não nos livra dos nossos inimigos; os Espíritos vingativos perseguem, muitas vezes, com seu ódio, no além-túmulo, aqueles contra os quais guardam rancor; O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão.
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O obsediado e o possesso são quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, a que provavelmente deram motivo por sua conduta. Deus permite a situação atual, para os punir do mal que praticaram, ou, se não o fizeram, por haverem faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando. Importa, do ponto de vista da tranquilidade futura, que cada um corrija, quanto antes, os males que tenha causado ao seu próximo, que perdoe aos seus inimigos, para assim se extinguirem, antes da morte, todos os motivos de discórdia, toda causa profunda de animosidade posterior.
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Deus não consente que aquele que perdoou sofra qualquer vingança.
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Quando Jesus recomenda que nos reconciliemos o mais cedo possível com o nosso adversário, não é somente objetivando eliminar as discórdias no curso da nossa atual existência; é para que elas não continuem nas existências futuras. Não sairás da prisão, enquanto não houveres pago até o último centavo, isto é, enquanto não houver satisfeito completamente a justiça de Deus.
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O sacrifício mais agradável a Deus

Se quando fores apresentar tua oferenda no altar, te lembrares de que o teu irmão tem qualquer coisa contra ti, - deixa o teu donativo junto ao altar e vai, antes de mais nada, reconciliar-te com o teu irmão; depois, então, volta à oferecê-la. - (S. MATEUS, cap. V, vv. 23 e 24.)

Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Senhor é o do próprio ressentimento; que, antes de se apresentar para ser por Ele perdoado, precisa o homem haver perdoado e reparado o mal que tenha feito a algum de seus irmãos. Só então a sua oferenda será bem aceita, porque virá de um coração livre de todo e qualquer pensamento mau.
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O cristão não oferece dons materiais, pois espiritualizou o sacrifício.

Com isso o ensinamento ainda mais força ganha. Ele oferece sua alma a Deus e essa alma tem de estar purificada. Entrando no templo do Senhor, deve deixar fora todo sentimento de ódio e de animosidade, todo mau pensamento contra seu irmão.

O argueiro e a trave no olho

Por que vês um argueiro no olho do teu irmão, quando não vês uma trave no teu olho? - Ou, como é que dizes ao teu irmão: Deixa-me tirar um argueiro no seu olho, tu que tens no teu uma trave? - Hipócritas, tirem primeiro a trave do seu olho e depois, então, vejam como poderão tirar o argueiro do olho do seu irmão. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 3 a 5.)

Uma das insensatezes da Humanidade consiste em ver o mal nos outros, antes de vermos o mal que está em nós.
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Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a disfarçar, para si mesmo, os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos.
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Esta insensatez é totalmente contrária à caridade, porque a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente. Caridade orgulhosa é um contra-senso, visto que esses dois sentimentos se neutralizam um ao outro.
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Por isso mesmo, porque é o pai de muitos vícios, o orgulho é também a negação de muitas virtudes. Ele se encontra na base e como razão de quase todas as más ações. Essa a razão por que Jesus se dedicou tanto em combatê-lo como principal obstáculo ao progresso.
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Não julgueis, para não serdes julgados. - Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

Não julgues, a fim de não seres julgados; - porque serás julgados conforme houveres julgado os outros; empregar-se-á contigo a mesma medida de que te tenhas servido para com os outros. (S. MATEUS, cap. VII, vv. 1 e 2.)

Então, os escribas e os fariseus lhe trouxeram uma mulher que fora surpreendida em adultério e, pondo-a de pé no meio do povo, - disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher acaba de ser surpreendida em adultério; - Moisés, pela lei, ordena que se lapidem as adúlteras.

Qual sobre isso a tua opinião?” - Diziam isto para o tentarem e terem de que o acusar. Jesus, porém, abaixando-se, entrou a escrever na terra com o dedo. - Como continuassem a interrogá-lo, ele se levantou e disse: “Aquele dentre vocês que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” - Em seguida, abaixando-se de novo, continuou a escrever no chão. - Quanto aos que o interrogavam, esses, ouvindo-o falar daquele modo, se retiraram, um após outro, afastando-se primeiro os velhos. Ficou Jesus a sós com a mulher, colocada no meio da praça. Então, levantando-se, perguntou-lhe Jesus: “Mulher, onde estão os que te acusaram?

Ninguém te condenou?” - Ela respondeu: “Não, Senhor.” Disse-lhe

Jesus: “Também eu não te condenarei. Vai-te e de futuro não tornes a pecar.” (S. JOÃO, cap. VIII, vv. 3 a 11.)

"Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver sem pecado", disse Jesus.

Esse ensinamento faz da indulgência um dever para nós, porque ninguém há que não necessite, para si mesmo, de indulgência.
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Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros do que julgamos a nós mesmos, nem condenar nos outros o que desculpamos em nós mesmos. Antes de reprovar a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.
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A censura lançada à conduta alheia pode ter dois motivos: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem justificativa nunca este último propósito, porque neste caso só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever porque um bem deverá daí resultar, e vez que, a não ser assim, jamais na sociedade se combateria o mal.
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A autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura.
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A consciência íntima recusa respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo.
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Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apoia no exemplo que dá do bem.

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Perdão das ofensas
Simeão –Bordéus,1862

Quantas vezes perdoarei a meu irmão? Perdoar-lhe-ei não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes. Perdoarás, contudo ilimitadamente; perdoarás cada ofensa tantas vezes quantas ela te for feita; ensinarás a teus irmãos esse esquecimento de si mesmo, que torna uma criatura invulnerável ao ataque, aos maus procedimentos e às injúrias; serás doce e humilde de coração, sem medir a tua mansuetude; farás o que desejas que o Pai Celestial por ti faça. Não está ele a te perdoar frequentemente? Conta as vezes que o Seu perdão vem apagar as tuas faltas?
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Perdoa, usa de indulgência, seja caridoso, generoso, pródigo até do seu amor.
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Perdoe aos teus irmãos, como precisas que te perdoe. Se atos pessoalmente te prejudicaram, mais um motivo tens para ser indulgente, porque o mérito do perdão é proporcional à gravidade do mal. Nenhum merecimento teriam em relevar os erros dos teus irmãos, desde que não passassem de simples arranhões.
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Jamais se esqueça de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser uma expressão vazia e inútil. Pois quem se diz espírita, seja-no de fato. Esqueça o mal que te tenham feito e não pense senão numa coisa: no bem que podes fazer. Aquele que entrou por esse caminho não tem que se afastar daí, ainda que por pensamento, uma vez que é responsável por seus pensamentos, os quais todos Deus conhece.
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Faz que os pensamentos sejam desprovidos de qualquer sentimento de rancor. Deus sabe o que existe no fundo do coração de cada um de seus filhos. Feliz daquele que pode todas as noites adormecer dizendo: Nada tenho contra o meu próximo.
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Paulo, o Apóstolo –Lião, 1861

Perdoar aos inimigos é pedir perdão para si próprio; perdoar aos amigos é dar-lhes uma prova de amizade; perdoar as ofensas é mostrar-se melhor do que era antes. Perdoes a fim de que Deus te perdoe, porque se fores duro, exigente, inflexível, se usares de rigor até por uma ofensa leve, como queres que Deus esqueça de que cada dia maior necessidade tens de perdão?
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Infeliz daquele que diz: "Nunca perdoarei", pois pronuncia a sua própria condenação.
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Quem sabe se, descendo ao fundo de si mesmo, não reconheça que fora o agressor? Quem sabe se, nessa luta que começa por uma alfinetada e acaba por uma ruptura, não fora quem atirou o primeiro golpe, se não lhe escapou alguma palavra injuriosa, se não procedeu com toda a moderação necessária? Sem dúvida, o seu adversário andou mal em se mostrar excessivamente suscetível; razão a mais para que sejas indulgente e para não merecer ele a tua reprovação.
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Admitamos que, em dada circunstância, fostes realmente ofendido: quem dirá que não envenenastes as coisas por meio de represálias e que não transformastes em disputa grave o que houvera podido cair facilmente no esquecimento? Se dependia de ti impedir as consequências do fato e não as impedistes és culpado.
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Há duas maneiras bem diferentes de perdoar: há o perdão dos lábios e o perdão do coração. Muitas pessoas dizem a respeito de seu adversário:

"Eu lhe perdoo", mas, interiormente, alegram-se com o mal que lhe acontece, comentando que ele tem o que merece. Quantos não dizem:

"Perdoo" e acrescentam. "mas não me reconciliarei nunca; não quero tornar a vê-lo em toda a minha vida." Será esse o perdão, segundo o Evangelho? Não!
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O perdão verdadeiro, o perdão cristão é aquele que lança um véu sobre o passado; esse o único que te será cobrado, visto que Deus não se satisfaz com as aparências. Ele sonda o fundo do coração e os mais secretos pensamentos. Ninguém se impõe a Deus por meio de vãs palavras e de fingimentos.
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O esquecimento completo e absoluto das ofensas é próprio das grandes almas; o rancor é sempre sinal de baixeza e de inferioridade.
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Não esqueças que o verdadeiro perdão se reconhece muito mais pelos atos do que pelas palavras.


SEGUE próximo estudo 10.2

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