sexta-feira, 17 de junho de 2016

FAMÍLIA E SOCIEDADE

FAMÍLIA E SOCIEDADE

D. Villela

É fato bem conhecido que, apesar das diferenças que apresenta em sua estrutura, em função do espaço e do tempo, a família é encontrada em todas as sociedades, desde a Antiguidade e mesmo na pré-história a julgarmos pelo que se pode observar ainda hoje entre as populações primitivas que vivem em regiões isoladas, conservando tradições e características ancestrais, entre estas a ausência da escrita e a presença da organização familiar.

A chamada família nuclear, contudo, composta por um casal residindo com os filhos em uma casa, é, dentre suas formas, a mais conhecida e largamente adotada nas culturas mais diversas. A Doutrina Espírita, desde o início, destacou a importância deste modelo, considerando o casamento, ou seja, a união permanente do casal, com base na afeição, como um progresso na marcha da Humanidade.

Todos sabemos, por outro lado, das vicissitudes por que tem passado a instituição familiar, que por vezes se desfaz, com prejuízos para seus membros, fato que vem se intensificando já há algum tempo, sem apresentar, contudo, a dimensão que alguns lhe atribuem sob a influência do noticiário divulgado pelos meios de comunicação.

É interessante observar, a propósito, que estudiosos dessa questão, de formação materialista, têm procurado negar à família o seu caráter natural, isto é, aquele atribuído a qualquer característica comum ao ser humano, como a necessidade de alimentação, repouso, autorrealização, bem como o instinto gregário que leva o homem a viver em grupo e não isolado, buscando, dessa forma, diminuir a importância da família e dos compromissos que se lhe associam, pois, segundo eles, ela seria apenas uma instituição, como a empresa comercial, por exemplo, criada pelo homem para atender a sua conveniência, podendo, assim, ser modificada em função de seus interesses.

A família nuclear, como modelo e aspiração, possui também caráter natural, pois corresponde a um projeto divino com vistas não apenas à perpetuação da espécie mas destinado, igualmente, a funcionar como espaço privilegiado de educação, fortalecimento e preparo para a vida social, pois é em seu âmbito que nos capacitamos a receber, dar e compartilhar, acertar, errar e corrigir, e é claro que a presença da fé sincera no ambiente familiar ainda mais enriquece essa experiência, aproximando-a do modelo para ela concebido pela divina sabedoria.

Foi por isso que os orientadores espirituais responsáveis pela Codificação, quando indagados sobre qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família, responderam categoricamente: Uma recrudescência do egoísmo, o que realmente se constata nos meios onde se verifica aquela tendência e nos quais se observa, igualmente, a preponderância de um modo de vida acentuada, ou até exclusivamente centrado no interesse pessoal, a caminho do desencanto e da solidão que se instalam nos indivíduos à medida que o tempo transcorre e as forças físicas declinam. E é compreensível que assim suceda, pois o egoísmo apresenta sempre custos elevados sob a forma de desilusão e sofrimento.


*“O Livro dos Espíritos” (questão 775).*


SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Outubro 2013 – no 2229

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