quarta-feira, 15 de junho de 2016

ESTUDANDO O PERDÃO

ESTUDANDO O PERDÃO

D.Villela


 Perdoar não significa, necessariamente, esquecer ofensas e prejuízos sofridos, pois alguns deles, por sua intensidade e consequências, não podem ser simplesmente apagados de nossa memória como se faz nos modernos computadores. Experiências que vivenciamos e nos marcaram muito ficam arquivadas com detalhes em nossas lembranças, sempre acessíveis às nossas consultas. Perdoar é não só desligar-se da ocorrência infeliz, prosseguindo normalmente com atividades e compromissos, como, além disso, não associar emoções negativas (ressentimento, tristeza, raiva) à sua eventual evocação.

As religiões afirmam a necessidade do perdão em decorrência do amor ao próximo, apresentado como determinação divina, sendo oportuno observar que mesmo na Bíblia, no Antigo Testamento, onde se costuma lembrar o olho por olho (Êxodo, 21:24; e Levítico, 24:20) de Moisés, portanto o revide ao invés do perdão, figuram também o amor a Deus sobre todas as coisas (Deuteronômio, 6:5) e ao próximo como si mesmo (Levítico, 19:18), sem exceções, destacados por Jesus como mandamentos principais.

É interessante registrar, por outro lado, que a ciência moderna, sobretudo a medicina e a psicologia, constataram os benefícios concretos do perdão para a saúde física e emocional de quem o concede, recomendando-o, em consequência, com fundamento na observação e na razão, caminhando, assim, ao encontro da diretriz religiosa, de base moral.

A Doutrina Espírita aprofunda essa temática, mostrando que a dificuldade  em perdoar provém de nossa imaturidade espiritual, que nos inclina ainda ao desforço a qualquer ofensa, inclusive verbal, ou faz com que aflorem em nós sentimentos de hostilidade e mágoa quando, por qualquer motivo, recordamos o episódio infeliz, alertando-nos, ao mesmo tempo, para a necessidade e utilidade do perdão não apenas como condição de equilíbrio fisiopsíquico mas igualmente como antídoto eficaz contra o estabelecimento de vinculações sombrias que o intercâmbio continuado de vibrações negativas estabelece entre os que as permutam.

As obras doutrinárias mostram igualmente outro aspecto da questão dos conflitos, esclarecendo que, embora possamos ser o ofendido, não é raro sejamos também o causador do problema por alguma palavra ou atitude impensada, que a outra parte não soube neutralizar, desequilibrando-se na agressividade e na violência. Devemos, aliás, nestas considerações, incluir até mesmo a mentalização invigilante com que envolvemos pessoas ou acontecimentos, julgando-os desfavoravelmente, e que pode, por sua continuidade, desencadear confrontos reais, de consequências imprevisíveis.

Oportuno lembrar, por fim, que o verdadeiro perdão se demonstra por atos e não por simples palavras: Perdoo, mas não esquecerei nunca a ofensa; ou: Perdoo, mas não desejo vê-lo nunca mais, não representam atitudes autênticas, não tendo, pois, valor perante as Leis Divinas, que não se contentam com aparências.

Aprendemos com o Espiritismo que a Vida nos reúne sempre, pelo que, amanhã ou mais tarde, voltaremos a encontrar-nos com aqueles com quem tivemos problemas de relacionamento e será muito melhor que isso ocorra já em condições de fraterna normalidade, tendo nós obtido o perdão dos que prejudicamos ou perdoado de coração aqueles que nos fizeram mal.


“O Evangelho segundo o Espiritismo (capítulo 10, item 15).

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Abril 2015  no 2247

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