segunda-feira, 20 de junho de 2016

FAMILIA

FAMÍLIA

D. Villela


No mundo animal, em seus estágios mais simples, não ocorre convivência entre genitores e descendentes: insetos nascem prontos para a sua existência que, geralmente, é curta, e as tartarugas marinhas enterram os ovos fecundados na areia, dos quais, após cerca de 60 dias, saem as crias que se encaminham instintivamente para o mar, percurso este, aliás, no qual muitas encontram a morte, vitimadas por predadores naturais. Aves e mamíferos alimentam e protegem os filhos até que estes possam cuidar de si, quando se desligam completamente deles.

Para o homem é diferente a situação, porque ele surge em meio a uma sociedade organizada e no seio de uma família, junto da qual, num período de vários anos, se dará seu desenvolvimento físico, intelectual e moral com aquisição da independência de escolha, precisando, assim, aprender a usar sua liberdade.

Os animais não erram, pois têm seu comportamento governado pelo instinto, agindo os da mesma espécie de forma sempre semelhante, enquanto o ser humano é único e sua vida se desenvolve em comunidades complexas e mutáveis, em constante relacionamento com pessoas que pensam, sentem e agem de forma diferente da sua com a consequente necessidade de utilizar sua liberdade respeitando a liberdade e os interesses alheios.

A família entre os homens cumpre papel diferente daquele observado junto aos irracionais, aos quais ela assegura exclusivamente a vida física. Em nosso caso é no círculo familiar que nos capacitamos para viver proveitosamente em comunidades maiores, pois no relacionamento muito mais próximo no grupo doméstico nos habituamos a conviver diariamente com diferenças de percepção, aspirações e maturidade.

 Apesar da extrema variabilidade, no espaço e no tempo, quanto às suas formas de organização, a família é sempre o espaço privilegiado de acolhimento, proteção e fortalecimento e nela formamos vínculos de pertencimento indispensáveis à nossa segurança emocional.

A Doutrina Espírita acrescenta uma informação relevante para o estudo da família que é a sua dimensão espiritual, esclarecendo que no lar de hoje encontram-se habitualmente pessoas que já se conheceram no passado, não raro, igualmente vinculadas pela consanguinidade, e que voltam a reunir-se para a continuidade do progresso.

Considerando os múltiplos fatores que influenciam a vida familiar e a conduta individual, entendemos a observação do orientador espiritual Emmanuel, no capítulo 67 do livro Religião dos Espíritos, psicografado por Chico Xavier, quando, ao comentar o materialismo, destaca a impropriedade de se estabelecerem parâmetros para o ser humano tomando por alicerce o comportamento de drosófilas e de ratos nas atividades reprodutivas.

A família terrena não é, habitualmente, a reunião de espíritos afins e equilibrados que nela desfrutam de convivência harmoniosa e feliz; longe disso, pois, dada a nossa situação espiritual, nos grupamentos familiares defrontamos, não raro, aversões e conflitos que provêm de nosso passado e para cuja superação voltamos a nos aproximar, beneficiados, agora, pelo esquecimento temporários dos deslizes que deram causa às dificuldades atuais. E, na orientação religiosa em geral, e particularmente na espiritista, encontraremos sempre os recursos hábeis para o enfrentamento e superação de tais desafios que, além do mais, nunca estarão acima de nossas possibilidades para solucioná-los à luz do bem.


“O Livro dos Espíritos” (questões 773 e 774).

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Agosto 2013 – no 2227

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