terça-feira, 10 de março de 2009

O LIVRO DOS MÉDIUNS- Estudo nr.10*

Estudo nr.10* Capítulo III - Método

Notável pensador expressou, com toda razão, que "para achar a verdade é preciso procurá-la com o coração simples".

A Doutrina Espírita referenda a assertiva, especialmente as verdades transcendentes, as que pairam acima da craveira do mundo material, não podem ser encontradas pelos preconceituosos, sejam eles sábios, em qualquer ramo da ciência humana, escravizados a métodos rotineiros, sejam simples investigadores imbuídos de idéias e teorias preconcebidas.

Homens inteligentes e de coração simples, dotados de espírito independente, de grande amor à verdade e alto teor de bom senso compreendem – muito mais facilmente que aqueles outros mergulhados em vasta cultura especializada, mas dominados pelo terrível preconceito – que não se devem escravizar aos métodos das ciências da terra, quando estão em causa os fatos e suas conseqüências relacionadas como Espírito, sua natureza e tudo que lhe diz respeito.

É muito lógico o princípio estabelecido de que, a elementos diferentes como - matéria e espírito - devem-se aplicar métodos de estudo e investigação de naturezas diferentes.

Allan Kardec foi claro e positivo ao distinguir a autoridade para julgar as questões pertinentes às ciências comuns e as que se referem aos conhecimentos da ciência espírita. São dois campos diferentes, com competência também distinta e inconfundível.

Transcrevemos a seguir o que diz o Codificador no nr. VII da Introdução ao estudo da Doutrina Espírita (*), peça notável por sua clareza e firme orientação a quantos, por seu amor a ciência, julgam, equivocadamente, serem os cientistas do mundo as pessoas mais aptas a proferir a última palavra em matéria de Espiritismo:

·         Às ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fenômenos espíritas repousam na ação de inteligências dotadas de vontade própria e que nos provam a cada instante não se acharem subordinadas aos nossos caprichos. As observações não podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condições especiais a outro ponto de partida. Querer submetê-las aos processos comuns de investigação é estabelecer analogias que não existem.

·         A ciência propriamente dita e, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo; não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter.

·         O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal, que os sábios, como indivíduos, podem adquirir, abstração feita à qualidade dos sábios. Pretender deferir a questão à ciência equivaleria a querer que a existência ou não da alma fosse decidida por uma assembléia de físicos ou de astrônomos. Com efeito o Espiritismo está todo na existência da alma e no seu estado depois da morte. Ora, é soberanamente ilógico imaginar-se que um homem deva ser um grande psicologista, porque é eminente matemático ou notável anatomista. Dissecando o corpo humano, o anatomista procura a alma e, porque não a encontra, debaixo do seu escalpelo, como encontra um nervo, ou porque não a vê evolar-se como um gás, conclui que ela não existe, colocado num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se que tenha razão contra a opinião universal? Não. Vedes, portanto, que o Espiritismo não e da alçada da Ciência." (*) "O Livro dos Espíritos, 63º ed. FEB.

Eis aí as razões pelas quais o Espiritismo não tem que subordinar-se à Ciência, por mais avançado seja seu atual estágio.

Por desconhecimento desses princípios e por confusão de métodos, não tem procedência de alguns setores espíritas ajustar a Doutrina Espírita às conclusões da Ciência. É uma proposição infeliz que peca pelo desconhecimento da natureza e da índole da Doutrina dos Espíritos, que tem em si mesma os mecanismos necessários à retificação de quaisquer desvios , como pontificou o Codificador.

Ainda como conseqüência de confusões na aplicação de métodos, verificam-se choques e discussões, por exemplo, nas deduções da medicina terrena e nas ações da medicina espiritual, com intermináveis incompreensões a respeito dos fatos e curas, quando o espírita atento e estudioso sabe que se trata de duas formas respeitáveis de tratamento, cada qual com seu método, seus princípios e seus conhecimentos específicos.

Próxima edição : Capítulo III - Método

Bibliografia: 
Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns, 

Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos 

Borges, Juvanir – Tempo de Transição

 

Elisabeth Maciel 

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