sábado, 7 de março de 2009

O LIVRO DOS MÉDIUNS Estudo nr. 8

Estudo nr. 8

Capitulo II - O maravilhoso e o sobrenatural - ( continuação )

Busquemos agora refletir sobre a palavra milagre, procurando entendê-la a ponto de perceber que não estará deslocada do tema maravilhoso. 

Na sua acepção bem primitiva e por sua etimologia a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável de ver. 

Hoje seu sentido desviou-se do sentido original, como de tantas outras palavras, e se diz de um ato da potência divina contrário às Leis Naturais. 

Não é duvidoso para ninguém que , no pensamento das massas, milagre implique na idéia de um fato extranatural. 

É importante verificar se todos aqueles que acreditam nos milagres os analisam como efeitos naturais. 

Nosso objetivo se prende, nesse momento, em estimular raciocínios acerca dos fenômenos espíritas, que por mais extraordinários que pareçam, não derrogam de maneira alguma as Leis da Natureza, não possuem um caráter miraculoso e, não são portanto, nem maravilhoso, nem sobrenatural. 

O milagre não tem explicação, os fenômenos espíritas, ao contrário, são explicados de maneira racional, não são portanto milagres, mas simples efeitos ou ainda a aplicação dessas mesmas leis, os quais tem a sua razão de ser. 

Ele tem ainda outro caráter: o de ser insólito e isolado. Um fato que se reproduz várias vezes, à vontade e por meio de pessoas diversas, não pode ser um milagre. 

Assim como o progresso das ciências físicas destruiu uma porção de preconceitos, e fez entrar na ordem dos fatos naturais um grande números de efeitos outrora considerados miraculosos, o Espiritismo, pela revelação de novas leis, vem restringir ainda o domínio do maravilhoso. 

Se os que crêem nos milagres entendessem esta palavra na sua acepção etimológica (coisa admirável), admirariam o Espiritismo, em vez de rechaçá-lo. 

Em vez de por Galileu na prisão por ter demonstrado que Josué não podia ter parado o sol, teriam lhe enaltecido por ter revelado ao mundo coisas, de outro modo, admiráveis e que atestam infinitamente melhor a grandeza e o poder de Deus. 

A ciência faz milagres todos os dias aos olhos dos ignorantes, esse é o motivo pelo qual antigamente aqueles que sabiam mais do que os leigos passavam por feiticeiros. 

E, como se acreditava que toda ciência sobre-humana era diabólica, eles eram queimados. 

Com a civilização e o conhecimento, hoje basta enviá-los para os hospícios. 

Dentre os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários é indiscutivelmente o da escrita direta, um dos que demonstram da maneira mais evidente a ação de inteligências ocultas. 
Por ser produzido por esses seres invisíveis, ocultos, esse fenômeno não é miraculoso, porque esses seres invisíveis que povoam os espaços, são uma das potências da Natureza que atuam incessantemente sobre o mundo material, tão bem como sobre o moral.
 

A Doutrina Espírita dá-nos a chave de uma infinidade de coisas inexplicadas e inexplicáveis, que em tempos distantes puderam passar como prodígios. 

Ela revela como aconteceu com o magnetismo, uma lei desconhecida ou pelo menos mal compreendida. 

Uma lei cujos efeitos eram conhecidos, porque fora produzidos em todos os tempos, mas ela mesmo sendo ignorada, isso deu origem à superstição. 

Conhecida essa lei o maravilhoso desaparece e os fenômenos se reintegram na ordem das coisas naturais. 

Os espíritas fazendo mover uma mesa ou com que os mortos escrevam, não fazem mais milagres do que um médico ao reviver um moribundo ou o físico ao provocar um raio. 

Os fenômenos espíritas são contestados por algumas pessoas precisamente porque parecem escapar à leis comuns e não podem ser explicados. 

Se for dado a essas pessoas uma base racional a dúvida cessa. A explicação, em uma época em que não se contenta com meras palavras, é portanto um forte motivo de convicção. 

Todos os dias vemos pessoas que não presenciaram nenhum fato, não viram uma mesa mover-se, nem um médium escrever e se tornaram tão convictas unicamente porque leram e compreenderam. Se só devêssemos crer no que vemos com os nossos próprios olhos, nossas convicções seriam reduzidas a bem pouca coisa.

Próxima edição: Capítulo III - Método

Bibliografia:

  • Kardec, Allan – O Livro dos Médiuns,
  • Kardec, Allan – O que é o Espiritismo.
  • Kardec, Allan – Revista Espírita 1859

Elisabeth Maciel
Janeiro / 2002

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