segunda-feira, 9 de março de 2009

O LIVRO DOS MÉDIUNS * Estudo n°. 9

Estudo n°. 9

Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento na mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

por

ALLAN KARDEC

Capítulo III - Método

O método como o entendemos às vezes não expressa o que vivemos, visto que numa visão macro organiza situações, acontecimentos, fatos e mesmo o ressurgir de um mundo novo que nos é desconhecido, mas que faz parte do que somos e de onde queremos chegar e nós o enxergamos num campo limitado.

Nobre é a tarefa da investigação da verdade e sua divulgação, especialmente sob a inspiração do Evangelho de Jesus, à luz da Doutrina dos Espíritos.

Investigar é divulgar a verdade, é ao mesmo tempo, propagar o bem e elevar a melhores níveis a compreensão da vida.

Nobilíssima é a missão do orador ao transmitir conhecimentos, entusiasmando ouvintes pela palavra equilibrada e orientadora; a do escritor moralista competente, que incita o leitor a aperfeiçoar-se, lutando contra as imperfeições; a do professor que, além do ensino curricular, transmite aos seus alunos, pela palavra e pelo exemplo, as altas expressões da moral cristã; do pai e da mãe, transmitindo aos filhos as primeiras noções de responsabilidade, de dever, de respeito e de trabalho útil; a do investigador das coisas transcendentes, das realidades ocultas às percepções comuns.

Todo trabalho digno, toda atividade útil é tarefa abençoada. Entretanto, aquelas que se prendem mais diretamente à orientação das almas, mostrando-lhes novos horizontes e abrindo janelas para o desconhecido, são esforços nos quais se conjuga o idealismo humano com as inspirações do alto.

Por isso mesmo, os que se colocam a serviço do Bem, os verdadeiros idealistas, não se deixam dominar por interesses rasteiros, pela remuneração do mundo. Nem mesmo os tropeços e dificuldades os abatem, porque a constância na realização do que elegem como tarefa ou missão e granjeia-lhes o auxílio imponderável das Potências Superiores.

Particularizamos o trabalho do obreiro espírita. Mas a realidade do mundo oferece inúmeros exemplos de dedicação admiráveis por toda parte e não somente na seara espírita. A espiritualidade superior não se atém ao rótulo espírita. Onde houver boa vontade, dedicação, fraternidade, amor, caridade, aí estará a influenciação benéfica, sustentando os focos luminosos na imensa treva humana, onde predominam o egoísmo e a ignorância.

Os bons propósitos e os bons sentimentos atraem as elevadas esferas e eflúvios e as ondas vibratórias benéficas que penetram a criatura disposta a servir seus semelhantes, fortalecendo-a em todos os sentidos. Mas é preciso não esquecer que nenhum bem se adquire sem esforço e trabalho e, por isso mesmo, ninguém deve esperar as correntes positivas de energia agindo em seu favor, sem que possa oferecer as bases e o receptáculo condigno a recebê-las, aproveitá-las e dividi-las com seus semelhantes.

Dentre as nobres tarefas acima referidas, vamos localizar alguns aspectos relacionados com as investigações das coisas transcendentes , com as realidades ocultas aos sentidos físicos, pesquisas que muitos julgam devessem ficar a cargo e sob a supervisão dos cientistas e das ciências comuns na Terra.

Acontece, entretanto, que as ciências, dominadas pelo materialismo e pelo preconceito contra tudo que não pertence ao seu domínio, ainda não oferecem condições para uma pesquisa isenta e segura, em questões que transcendem a matéria.

As investigações da verdade nesse terreno, não poderiam subordinar-se ao preconceito e à visão deturpada das realidades. Como admitir pesquisas sobre o Espírito, por parte de quem a priori não admite a sua existência?

Daí a necessidade de delimitar-se a competência da Ciência, de um lado, e do Espiritismo, de outro, pelo menos enquanto verdades e realidades evidentes e comprovadas não se tornarem aceitas e assentes para os dois campos.

Acreditando na evolução das ciências e, em conseqüência, no seu encontro com as realidades matéria / espírito, esperamos que no futuro o Espiritismo e a ciência falem uma mesma linguagem – a da verdade – afastados para sempre os prejuízos do preconceito e da ignorância.

Próxima edição: 

Capítulo III - Método – continua.


Bibliografia:

  • Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns.
  • Kardec, Allan - O que é o Espiritismo.
  • Borges, Juvanir - Tempo de Transição.

*Elisabeth Maciel 

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