domingo, 8 de março de 2009

M E D I U N I D A D E *ESTUDO 11

ESTUDO 11: Influência moral dos médiuns

                O desenvolvimento da mediunidade se processa na razão do desenvolvimento moral do médium ? 
                 _ Não. A faculdade propriamente dita é orgânica e, portanto, independente da moral. Mas já não acontece o mesmo com seu uso, que pode ser bom ou mau, segundo as qualidades do médium.

                Como entender essa explicação contida em O Livro dos Médiuns, questão 226?

                Necessário relembrarmos que se todos são médiuns , isto é, servem como instrumentos para o intercâmbio entre o mundo espiritual e o material, a mediunidade independe se pessoas dignas ou indignas a possuem. É faculdade orgânica como a visão, e assim como Deus concede faculdades que malfeitores usam para a propagação do mal, o mesmo acontece com a mediunidade. Essa concessão visa o aperfeiçoamento daquele que a possui, isto é, a mediunidade é concedida a todos indistintamente pois deve ser utilizada como ferramenta de crescimento espiritual, e aquele que a possui responderá pelo uso que dela fizer, considerando-se o seu próprio desenvolvimento moral. 


                Assim, se a mediunidade possibilita o crescimento moral, pode-se entender que o mais forte obstáculo à utilização da mediunidade é o conjunto das imperfeições do médium, pois favorece a interferência dos maus Espíritos, dos frívolos, que com ele se afinam, mantendo sintonia de propósitos de natureza inferior. Lembremos que os médiuns não são criaturas privilegiadas, agraciadas, mas Espíritos em evolução, sujeitos às provas da vida, com dificuldades e desvios de comportamento ainda não superados, os quais se refletem, inevitavelmente, nas suas relações interpessoais, nas quais se insere também o exercício mediúnico.
 


                Ao analisar essas questões, Allan Kardec identificou inclusive que as comunicações espontâneas, tratando de questões morais, muito freqüentemente, tem por finalidade esclarecer ou corrigir certos defeitos daquele que a transmite. É por isso que os Espíritos tanto esclarecem acerca da caridade, do orgulho, da ambição, do egoísmo, que são sentimentos muito presentes nos homens.
 
                Em razão das inúmeras dificuldades e perigos a que está exposto, deve o médium trabalhar pelo próprio aprimoramento íntimo constantemente, usando sua faculdade mediúnica com nobreza e desinteresse por qualquer tipo de retribuição, ainda porque, tal experiência , quando vivenciada com seriedade, vai ajudá-lo na sua melhoria moral, abrindo-lhe as portas do serviço de natureza superior.
 


                Esclarece ainda Kardec, que os Bons Espíritos dão suas lições quase sempre com reserva, de maneira indireta, paras deixarem maior mérito aos que as aproveitam. Mas são tais a cegueira e o orgulho de certas pessoas, que elas não se reconhecem nas lições recebidas. Cabe ao médium esforçar-se, a todo custo, para libertar-se do orgulho, da presunção, da indolência e da irresponsabilidade, muitas vezes presentes em suas experiências diárias, e que certamente contaminam suas relações mediúnicas.
 


                Por invigilância, o orgulho tem destruído as mais belas expressões mediúnicas, impossibilitando aos seus detentores cumprirem o compromisso de se tornarem instrumentos benfazejos e úteis para o progresso próprio quanto o da Humanidade. No médium, o traço característico do orgulho, é a confiança cega nas comunicações e na infalibilidade dos Espíritos que atuam por seu intermédio.
 
                Com uma confiança absoluta na superioridade do que obtém, isolado do convívio salutar das pessoas que podem auxiliá-lo através da crítica construtiva, aliada a uma irrefletida importância dada aos nomes de Entidades Venerandas que assinam as mensagens, torna-se presa fácil de Espíritos mistificadores e perversos.

Necessário ainda salientar a influência perniciosa dos que ao seu redor, estimulam a presunção e a vaidade através do endeusamento inconseqüente. Enquadram-se aqui, os diferentes trabalhadores da seara espírita, que muitas vezes são assediados por pessoas que buscam o favorecimento de seus próprios problemas.


                Ainda Kardec, em
 O Livro dos Médiuns, questão 228, lembra: "...que o orgulho é quase sempre excitado no médium pelos que dele se servem. Se possui faculdades um pouco além do comum, é procurado e elogiado, julgando-se indispensável e logo afetando ares de importância e desdém, quando presta seu concurso. Já tivemos de lamentar, várias vezes, os elogios feitos a alguns médiuns com a intenção de encorajá-los." 


                Por essas e outras razões, o médium deve esforçar-se pelo próprio aperfeiçoamento moral, buscando, no trabalho de edificação do bem e da caridade, na oração e no estudo doutrinário, as forças para superar os impedimentos inerentes à sua própria condição moral.
 


                As dificuldades encontradas para alcançar os patamares necessários à sua libertação servirão de estímulo à permanência no Bem, e aos poucos, insistindo na decisão de atingir seus objetivos, surgem os primeiros resultados e, perseverando, chega-se ao hábito.
 


                O trabalho no Bem, o estado de vigilância e oração, associados ao estudo doutrinário, são fundamentais para o crescimento moral, porque através destes compromissos, percebe-se as próprias limitações e descortinam-se as condições de superá-las. Através do estudo, o médium compreende melhor sua faculdade, bem como as leis que regem as relações mediúnicas, habilitando-o a educá-la com maior eficácia.
 


                Assim, as próprias relações mediúnicas oferecerão campo de trabalho àqueles interessados em vivenciá-las dentro dos princípios do Bem, e no esforço de condução do próprio crescimento, pautando-se pelo prática do Evangelho de Jesus, o médium conseguirá
 mais aprender para melhor servir.

 

Bibliografia

·         Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. XX , q. 223 - 228

·         Neves, J. Azevedo, G. Calazans, N. Ferraz, J. - " Vivência Mediúnica - Projeto Manoel P. de Miranda ", 1.ed. Salvador: LEAL, 1994, Cap. 1 e Cap. 11

 

Tereza Cristina D'Alessandro

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