sexta-feira, 8 de julho de 2016

UM HOSPITAL INVISÍVEL

UM HOSPITAL INVISÍVEL

Frederico Guilherme Kremer

Os Centros Espíritas espalhados pelo Brasil são núcleos de divulgação da Doutrina Espírita e de trabalho no bem, tanto para os espíritos domiciliados temporariamente na Terra, quanto para os que estão na erraticidade, no mundo espiritual.

O modelo organizacional dos Centros, com seus organogramas e atividades, foi elaborado, ao longo do tempo, segundo recomendações da Federação Espírita Brasileira, com a concepção original do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, seu segundo presidente. Ele continua, no plano espiritual, a ajudar e orientar as atividades dos Centros Espíritas nas terras brasileiras, com seu imenso amor aos que ainda estão na retaguarda evolutiva. Esse modelo, provavelmente, será adotado em outros países, adequando-se à cultura de cada um.

As atividades de um Centro Espírita devem refletir as duas recomendações essenciais do capítulo 6, item 5, de O Evangelho segundo o Espiritismo: amor e instrução. Evidentemente que essas atividades abrangem os dois planos da vida. Acrescentamos que, para o êxito do trabalho e proteção contra as investidas da espiritualidade inferior, devemos manter a disciplina, evitar os personalismos e o imobilismo.

Embora a literatura espírita venha trazendo informações esclarecedoras sobre a dimensão das atividades de um Centro Espírita, não temos ainda uma noção exata sobre o assunto. Certamente deve existir um trabalho coordenado de integração dos Centros na atividade socorrista. Assim, quando visitamos um Centro Espírita de aparência modesta, não temos ideia das suas instalações no mundo espiritual.

Nas reuniões mediúnicas é comum os Espíritos sofredores relatarem que se encontram num hospital, fazendo referências à presença de médicos, enfermeiros e camas. O Centro Espírita seria, assim, um pronto-socorro ou um hospital de campanha, que são instalados nos fronts das guerras, para atendimento aos soldados feridos.

Este atendimento hospitalar também é utilizado para socorro aos espíritos encarnados. Recentemente vivenciei um caso que confirmou esta atividade, como relataremos a seguir.

Trabalho numa grande empresa sediada na cidade do Rio de Janeiro e ocorreu uma mudança gerencial no escalão superior, o que é normal nas grandes organizações. Já conhecia o meu novo gerente geral, mas nunca havia trabalhado com ele. Logo demonstrou as suas habilidades gerenciais inegáveis. Entretanto, em certas ocasiões, agia energicamente em situações que não exigiam tal comportamento. Na convivência posterior, soubemos de sua mediunidade não trabalhada, o que nos fez entender o seu comportamento. Ele conhecia a Doutrina, mas não frequentava um Centro Espírita.

Numa segunda-feira, assim que chegamos na empresa após o fim de semana, tivemos a triste notícia da sua internação, vitimado por um infarto que, devido a outras complicações, o deixou em estado grave. Naquela segunda, ao término do expediente, fui ao Centro Espírita Maria Angélica (Cema), no bairro Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para realizar uma palestra doutrinária, e aproveitei para pedir à diretora dos trabalhos para que fizéssemos uma irradiação em favor do companheiro que muito necessitava.

Ao término de dois meses, ele retornou, recuperado, para o trabalho. Coincidentemente, naquele dia voltei ao Cema para mais uma palestra, com a mesma diretora, onde agradeci pela ajuda recebida. Até aí, nada de novo. Entretanto, o que se seguiu foi muito gratificante para mim.

Eu e meu gerente geral temos uma amiga em comum, que é uma pessoa de sua confiança e que o ajudou muito durante a internação. Sabedora da minha con¬dição de espírita, veio, um dia, conversar comigo para relatar que ele estava procurando na internet um Centro Espírita no Recreio!

Interiormente eu já sabia que Centro ele procurava, mas estava curioso para saber a razão. Fui conversar com ele reservadamente e tive a oportunidade de escutar e refletir o relato que resumimos a seguir:

Kremer, disse ele, quando entrei em coma induzido, acordei num quarto de hospital que tinha uma janela ao lado da cama. Eu olhava através dela e parecia estar num hospital suspenso, acima de região que me pareceu ser o Recreio dos Bandeirantes, o que me surpreendeu. Fui atendido, diariamente, por um médico que, após me examinar, perguntava, enigmaticamente e insistentemente, se eu sabia onde estava. Eu fui internado num hospital na Barra da Tijuca, onde resido, bairro contíguo ao Recreio, e sempre respondia que sim, às vezes até irritadamente, pois imaginava que era um teste para avaliar as minhas condições mentais. Sorrindo, ele sempre respondia que eu estava no Recreio. Este hospital me pareceu ter um movimento de pessoas muito grande. Os quartos circundavam uma espécie de auditório para os visitantes. Um dia recebi as visitas de minha esposa e de minha mãe encarnadas, acompanhadas de um tio já desencarnado. Minha mãe, ansiosa, queria que eu retornasse logo, mas meu tio falava que não era o momento.

Lembro-me que um dia perguntei para a enfermeira que remédio eles estavam injetando na minha veia, como se fosse um soro. Ela respondeu, carinhosamente, que eram as preces formuladas em minha intenção.

Até que um dia o médico trouxe a notícia que ele iria desligar os meus aparelhos. No momento exato que ele fez o procedimento, acordei no quarto no hospital na Barra da Tijuca, onde fora internado.

Aproveitei, então, e contei a minha parte da história, informando que o Cen¬tro que ele procurava era o Cema. Feliz, meditei sobre a ajuda recebida pelo meu companheiro e que, para nós que estamos matriculados na escola da Terra, em mais uma etapa encarnatória, não podemos subestimar jamais a honra e a oportunidade de participar de um Centro Espírita.

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Janeiro 2014  no 2232

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