sábado, 9 de julho de 2016

MARATONAS E VITÓRIAS

*MARATONAS E VITÓRIAS*

_Assaruhy Franco de Moraes_

Estou muito feliz, acho que Deus quis me testar com esse acontecimento  Vanderlei Cordeiro de Lima.

A televisão e os jornais estão mostrando a figura de um brasileiro simples e consciente do seu valor, que talvez não tenha exata noção da importância de sua participação em um evento mundial como as Olimpíadas.

Anos de preparação, autoconfiança trabalhada, seriedade e, de repente, com a vitória garantida, surge um agente fortuito, um homem insano, que o agride e tira-lhe a oportunidade de ganhar uma medalha de ouro.

Vanderlei reúne suas forças e volta à corrida, conseguindo chegar em terceiro lugar e ganhar uma medalha de bronze.

Em meio à revolta geral, pedidos de desagravo, exigências e clamores por justiça, vem o nosso maratonista e declara estar muito feliz. Não comenta o ato do insano com qualquer sinal de raiva, ódio ou mágoa.

Diz que seu objetivo era uma medalha e queria provar a si mesmo que era possível.

E provou. Via-se claramente a sinceridade em suas palavras...

Mais ainda, em suas declarações, afirmou que Deus quis testá-lo e, por isso, aquilo havia acontecido. E esse teste deu ao Vanderlei mais do que uma medalha, deu-lhe um tesouro daqueles que nem os ladrões roubam, nem a ferrugem corrói; que vai garantir, não a perenidade do gesto de um tresloucado, mas a grandeza da sua atitude de esportista.

Não há dúvida de que a vontade do Pai tem seus caminhos. Foi buscar um anônimo atleta para exemplificar, não só para o Brasil, mas para o mundo, a importância incondicional do perdão, a relevância da renúncia e, sobretudo, a alegria despretensiosa por uma vitória maior que os limites humanos.

Certamente, o nosso atleta vai receber homenagens, será exaltado em muitos aspectos, mas quantas pessoas, por esse mundo afora, não ficarão a meditar sobre a estranha química que forja essas almas que superam a frustração, que perdoam, que são naturalmente otimistas diante da vida e suas artimanhas.

Vanderlei Lima saiu do Brasil com seu caminho traçado. Foi muito objetivo quando declarou que tinha certeza da sua vitória e isso só aqueles que possuem a fé maior podem conquistar.

Não sei quais são as convicções religiosas do nosso amigo, ele certamente as tem. Não se esqueceu de agradecer a Deus no momento em que atingiu a linha de chegada, mas no memorável dia 29 de agosto de 2004 ele foi elevado ao ecumenismo de tantos outros exemplos de dignidade cristã.

Muito ainda se falará sobre esse moço humilde, seu desprendimento, sua coragem e, principalmente, seu exemplo. São coisas que acontecem num país como o nosso, destinado a exportar outros exemplos dignificantes, ao longo de uma caminhada em busca de um mundo de regeneração, conforme nos reporta Humberto de Campos em Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho.

Para isso, o planejamento espiritual forja valores que cada vez mais aparecerão e emocionarão o mundo.

Não nos deixemos impressionar pelos níveis de violência, de corrupção e desmandos que estão acontecendo. São os nossos irmãos que recebem mais uma oportunidade de compensar centenárias faltas e, infelizmente, falham.

Chico Xavier nos ensinou que o mal é perecível, mas o bem é eterno.

Eterno como somos todos, caminhantes e aprendizes, em busca das nossas medalhas, em meio a quedas e obstáculos, mas, como o nosso exemplar atleta, confiantes na vitória.


Conselho Espírita Internacional
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Sábado, 11/9/2004 - no 1902


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