segunda-feira, 25 de julho de 2016

A AUTOANÁLISE COMO REQUISITO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

A AUTOANÁLISE COMO REQUISITO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL



O livro “Memórias de um Suicida”, do Espírito Camilo Castelo Branco, psicografado por Yvonne do Amaral Pereira, é uma das obras espirituais mais reveladoras da vasta Literatura Espírita. Ali são relatados alguns casos reais da
atuação da Lei de Causa e Efeito, inclusive no processo evolutivo do próprio autor espiritual.

Vejamos alguns itens da sua biografia e ponderemos sobre a questão da
autoanálise.

Na época da encarnação de Jesus na Terra, a Entidade Camilo era um mendigo cheio de maldade, o qual teve a oportunidade de encontrar o Divino Mestre, naturalmente que induzido por seus Orientadores Espirituais, mas, ao invés de interessar-se, como muitos fizeram, em mudar de vida e seguir o Pastor da humanidade terrestre, foi um dos que o apodaram, irritando-se com Sua postura pacífica e exemplarmente digna diante do sacrifício extremo que Lhe impuseram. Esse Espírito não estava em condições morais de entender a Mensagem do Cristo, apesar de evolvido intelectualmente, pois que os defeitos morais do orgulho, egoísmo e vaidade ainda dominavam sua personalidade. Deve ser um daqueles Espíritos então rebeldes vindos de Capela…

Em programação compatível com seu nível intelecto-moral, seguiu adiante na sua atribulada trajetória evolutiva até que, muitos séculos depois, renasceu com a programação do sacerdócio cristão, todavia, ao invés de renovar-se espiritualmente e encaminhar Espíritos mais necessitados que ele próprio, aproveitou o prestígio que lhe dava o Tribunal da Inquisição, do qual fazia parte, para vingar-se de certa donzela pelo desprezo com que ela recebeu sua proposta de casamento, estendendo seu ódio ao rapaz por ela eleito para esposo, determinando-lhes a morte em espetáculos de humilhação e atrocidade.

Até então pouco evoluíra no sentido ético-moral, mas, devido aos abusos que cometeu naquela encarnação, comprometeu-se mais gravemente com as Leis Divinas.

Na sua última encarnação, como um dos escritores mais ilustres da Literatura portuguesa, já em idade mais avançada, foi acometido pela cegueira e, não conseguindo suportar os sacrifícios que a Lei de Causa e Efeito lhe determinava, cortou o fio da própria existência material pelo suicídio.

No mundo espiritual, depois de passar longos anos em sofrimento necessário ao despertamento espiritual para reconhecer sua própria filiação divina, veio a tomar conhecimento, através de regressão de memoria, da sua biografia, retrocedendo gradativamente até a época do surgimento do Cristianismo na
Terra.

Preparou-se, então, no mundo espiritual, através de anos a fio de estudo e prática para uma nova encarnação, quando voltaria à provação da cegueira.

Pensemos agora em nós próprios, verificando a necessidade de auto-analisarmo-nos, para que nossa encarnação seja realmente proveitosa.

Sabemos, através das informações da Doutrina Espírita, que todas as circunstâncias da vida de cada ser humano têm uma finalidade útil para aquisição das virtudes, que são a humildade, o desapego e a simplicidade.

Não necessitamos de conhecer nossas encarnações passadas para sabermos quais são as nossas deficiências ético-morais, bastando deixar que nossa consciência as aponte.

O auxílio de profissional da Psicologia é aconselhável, mesmo para as pessoas que se julgam absolutamente normais, bem como nossa integração em alguma entidade espírita, com participação efetiva em suas atividades de estudo em grupo, sendo que em ambos os casos teremos oportunidade de aprofundar o autoconhecimento, reprogramando-nos e superando os impulsos primitivistas arquivados nas camadas mais profundas do nosso inconsciente, que lutam por manter-nos atrelados aos instintos multimilenares.

O mergulho periódico no nosso próprio íntimo nos propicia oportunidades de
ouvir a “voz da consciência”.

Essa pesquisa faz parte do autoconhecimento, aconselhado desde o tempo dos filósofos pré-socráticos e foi adotada explicitamente pela Doutrina Espírita.

Simplesmente viver não é suficiente para alguém evoluir, porque a evolução é um processo que exige atuação consciente e esforço persistente: a ascensão é como uma caminhada, que nos cobra a movimentação programada do corpo em rumo determinado.

Devemos dar o exemplo da autoanálise para que outros a adotem, uma vez que grande parte das pessoas ainda não despertou para esse importante item da religiosidade, muitos ficando restritos à prática da caridade material.

No mundo de regeneração, onde estamos adentrando, a autoanálise deverá ser um dos requisitos mais importantes do dia a dia das pessoas.



Luiz Guilherme Marques

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