quarta-feira, 11 de julho de 2012

Obsessão Espiritual


Ana Cecília Rosa

Segundo o Espiritismo, obsessão espiritual é a influência nociva que certos espíritos inferiores exercem sobre os encarnados, objetivando causar-lhes sofrimento. Em todas as épocas da história da civilização, existiram esses fenômenos. As páginas dos Evangelhos estão repletas de passagens em que Jesus, através da sua autoridade moral, libertou fiéis do “jugo dos obsessores”, e instruiu seus apóstolos a fazerem o mesmo, conferindo-lhes a seguinte missão: “ restituí a saúde dos doentes, (...) expulsai os demônios” (Mateus, Cap. X, vs. 5 a 8).
O Mestre sabia que a obsessão seria uma realidade a infelicitar o homem durante os anos vindouros, decorrente da sua inabilidade temporária de fazer prevalecer os sentimentos nobres.
   Entre os fatores condicionantes dessa perseguição espiritual, destacam-se o ódio e o sentimento de vingança.
Suelly Caldas Schubert, no livro Obsessão e Desobsessão, afirma: É a obsessão, cobrança que bate às portas da alma. É um processo bilateral. Faz-se presente porque existe de um lado o cobrador, sequioso de vingança, sentindo-se ferido e injustiçado, e de outro o devedor, trazendo impresso no seu perispírito as matizes de culpa, o remorso ou do ódio que não se extinguiu. 
A origem de todo processo obsessivo reside na imperfeição moral dos indivíduos, que gera atitudes infelizes de agressão e revides com prejuízo mútuo, principalmente quando aquele que se considera vítima for incapaz de praticar o recurso do perdão. Na ocasião do desencarne, o ofendido leva, junto consigo, os sentimentos de rancor e ódio incontroláveis e aguarda a desforra na forma que considera a mais correta: através das suas próprias mãos. Assim, ele articula a melhor maneira de influenciar seu desafeto, estudando as suas imperfeições e fraquezas. No momento em que o encarnado entra em sintonia mental com o obsessor, este inunda-o com fluidos perniciosos,    desejando   desencadear desequilíbrios mental e orgânico que, dependendo da duração, promoverão as diferentes formas de apresentação do processo obsessivo. 
   Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, classifica a obsessão em simples, fascinação e subjugação. Essa divisão didática dá-nos a idéia da complexidade do fenômeno e está intrinsecamente relacionada com o mecanismo de sua instalação e duração. Na forma simples, as características sutis preponderam, como irritabilidade, impaciência, indisposição e dor de cabeça, muitas vezes categorizadas como estresse. Caso esses sintomas persistam, outras manifestações ocorrerão. Entre elas, as alterações do humor e, em especial, a depressão determinam comprometimento maior da constituição física do encarnado levando grande prejuízo à sua auto-estima e ao seu livre arbítrio. Com o agravamento do processo obsessivo, há a exaltação da vaidade (fascinação) ou a anulação da vontade do obsidiado, com seu constrangimento aos desmandos do obsessor (subjugação). Nesse estágio, é comum encontrarmos as consequências dos fluidos deletérios no campo físico e mental, promovendo diversas doenças. Exemplo disso são as psicopatias, como esquizofrenia, síndrome do pânico e psicoses, e alguns tipos de câncer.
Em certos casos, o obsessor une-se ao seu desafeto através de laços fluídicos mentais, ainda no período fetal, o que traz graves modificações na organogênese desse indivíduo, causando debilidades físicas severas e grande limitação da sua vivência carnal, como, por exemplo, a “idiotia”.          
   Devemos entender que qualquer atuação do plano invisível não ocorre à revelia de Jesus. Segundo Emmanuel, no livro O Consolador, “todos estes movimentos têm uma finalidade sagrada, como a de ensinar-vos a fortaleza moral, a tolerância, a paciência, a conformação, nos mais sagrados imperativos da fraternidade e do bem”. O auxílio espiritual no alívio dos portadores dos transtornos obsessivos ocorre, imperceptivelmente, a todo momento. Basta colocarmo-nos em atitude receptiva e trabalho perseverante de reforma interior.  

Ana Cecília Rosa é médica pediátrica, residente no Brasil. É membro do Instituto de Divulgação Espírita - Araras/SP.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 6  Setembro e Outubro 2009  
The Spiritist Psychological Society 

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