sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Psicologia das Virtudes


Adenáuer Novaes 


   Virtude é uma qualidade moral particular. Virtude é uma disposição estável em ordem a praticar o bem; revela mais do que uma simples característica ou uma aptidão para uma determinada ação boa: trata-se de uma verdadeira inclinação. Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Virtude, segundo Aristóteles, é uma disposição adquirida de fazer o bem; e as virtudes se aperfeiçoam com o hábito.
   O ser humano nasce com aptidões próprias, herdadas de suas experiências reencarnatórias, disponíveis para novos aprendizados. A educação que recebe pode, ou não, contribuir para a consolidação e ampliação das virtudes, cuja aquisição iniciou durante sua trajetória evolutiva. Não basta ao espírito ter vivido uma única experiência em que praticou alguma virtude. 
O processo de integração de uma qualidade requer repetição de várias experiências no exercício daquela virtude. Uma única encarnação em que exercitou essa ou aquela virtude pode não ter sido suficiente para tê-la integrado ao seu ser. Aprender não é apenas conhecer algo, mas, principalmente, vivenciar e internalizar o que é vivido de forma natural, espontânea e prazerosa. Virtude é uma qualidade positiva do caráter de alguém, cuja utilização sempre resulta num bem pessoal e coletivo. Nesse sentido, graças ao paradigma de que o espírito sempre evolui, todos temos virtudes, quer as utilizemos, ou não.
   Se tomarmos virtude como uma qualidade ou aptidão para fazer algum bem que resulte em benefício para si e para o próximo, a caridade seria uma das grandes virtudes, ao lado da bondade e do amor praticados em favor das pessoas e da vida. Para o cristão, não é difícil saber disso, porém não tem sido fácil vivenciar qualquer dessas virtudes num mundo tão competitivo e pobre de exemplos públicos. Todos querem ganhar, mais por ignorância do que por maldade; mais por não acreditarem em algo para além dos limites da matéria do que por convicção materialista. 
   O mundo tem sido pobre de valores, sobretudo espirituais; aqueles que nem as traças corroem, nem os ladrões roubam. Por isso, uma grande oportunidade de serviço, em favor de si mesmo e da sociedade, é o trabalho do espírita em adquirir e promover experiências significativas, nas quais as virtudes propagadas pelo Espiritismo possam ser de fato por ele vivenciadas na dimensão coletiva.

Adenáuer Novaes é Psicólogo Clínico, residente no Brasil. É um dos diretores da Fundação Lar Harmonia, Salvador-BA.



Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 8 Janeiro e Fevereiro 2010
The Spiritist Psychological Society 

Um comentário: