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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Conselho Oportuno para formação dos pais na educação dos filhos – Parte III


ELUCIDAÇÕES DOUTRINÁRIAS
  • Deveres não são negociáveis!

A infância é o período em que os espíritos recém-encarnados, preparam-se para assumir os compromissos que assumiram perante as Leis da Vida, com o auxílio dos pais.

Quando a criança atingir sua maturidade, se não tiver sido educada na escola da disciplina e for capaz de ser responsável com suas obrigações, não terá com quem negociar as consequências de seus comportamentos.

Tanto as Leis da Vida como a nossa consciência não são passíveis de negociações. Nós sofremos as consequências de tudo o que fazemos e deixamos de fazer.

Portanto, quando o pequeno virar o prato de sopa para não tomá-lo, faça-o limpar a sujeira e deixe-o assumir as consequências de ter jogado a comida fora. Deixe-o sem comer e o acompanhe de perto. Não vai demorar para que a fome mostre a ele que sua escolha não foi inteligente. Ele perceberá que sempre lhe foram servidos alimentos cuidadosamente preparados, que nunca a mamãe lhe deu algo estragado para comer.

Depois de ele ter se desculpado por seu comportamento e pedir a gentileza de ser servido novamente, dê-lhe a sopa, e não alimentos que lhe sejam mais agradáveis ao paladar, como prêmio por ter se desculpado.

Isso seria descartar todo o esforço feito para que ele aprenda a comer de tudo e a valorizar e respeitar o que é colocado à mesa. Ele continuaria se comportando como um pequeno tirano.

É necessário que se explique à criança o porquê de cada coisa, de cada providência que for tomada em resposta à sua forma de agir. E é obrigação dos pais exigirem que os filhos cumpram seus deveres, que se resumem em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmos1.

Todas as crianças, independente da sua fase de desenvolvimento, usam da sua inteligência e apreciam muito quando essa é respeitada. É preciso ter atitudes coerentes com o que se diz à criança, do contrário, perdemos a sua confiança.

Quando ela desdenhar a roupa que lhe for oferecida, pegue-a pelas mãos, leve-a até o tanque de lavar roupas, ensinando-a que aquela camiseta sem furos, limpa, passada e dobrada na gaveta cobra da mamãe e do papai muito tempo e trabalho. Ela não só aprenderá a lavar a roupa, mas que a vestimenta, cuja função é resguardar a dignidade do corpo e protegê-lo contra o frio, sempre lhe foi garantida através do esforço dos pais.

Há pais que afirmam que seus filhos não gostam da merenda que a escola oferece gratuitamente e, por isso, enviam bolinhos recheados e salgadinhos ao gosto dos pequenos.

Não é necessário discutir o que é mais saudável e nutritivo entre o pão com manteiga acompanhado do copo leite e o salgadinho. Mas, nessa história de atender às vontades da criança, o pai alimenta sem saber a vaidade dela e abre brecha para que os coleguinhas nutram por ela a inveja. O recreio perde o significado do momento em que devemos repor as energias do nosso organismo para continuarmos estudando. A hora do lanche passa a ser o momento em que ela se sobressai aos companheiros e “desfruta” a inveja dos colegas que não têm como comprar os tais bolinhos recheados.

Só espíritos adiantados resistiriam a oportunidades como essa de expressão do egoísmo e da vaidade. Possibilitar esse tipo de situação a espíritos como nós, é dar a arma ao bandido e querer que nada de ruim aconteça.

Se diante dos “nãos” que receber, a criança fizer birras, não nos agastemos. Ela só é um espírito que precisa de ajuda para amadurecer, tanto quanto nós mesmos.

Precisamos ter paciência para com ela, tanto quanto esperamos paciência daqueles que convivem com as nossas imperfeições.
Gritos são desnecessários. A segurança e a serenidade com que os assuntos mais graves devem ser tratados não dependem de ruído.2

Com firmeza e ternura, mostremos a ela o que está fazendo de errado. Se ainda assim não se sensibilizar, sendo necessária a reprimenda de um tapa, esse não deve ser dado porque recebemos a altivez da criança como uma provocação à nossa vaidade. O tapa, o puxão de orelha, ficar sem sobremesa, são práticas que não devem ser tomadas como atos de vingança.

Recobremos o equilíbrio antes de qualquer atitude, ou corremos grande risco de provocarmos a revolta e a desconfiança ao invés de despertar-lhe a consciência.

Não exponhamos as crianças ao veneno das novelas, programas televisivos e músicas que lhes excitem a violência, a sensualidade e a vileza. Nós encarnamos justamente para modificar esses sentimentos. Se temos dificuldade de estimular as suas virtudes, pelo menos não lhes estimulemos os vícios.

Não julguemos que domingos, feriados e momentos de cansaço sejam justificativas para não nos preocuparmos com a educação dos filhos. Paternidade é trabalho vinte e quatro horas para toda a encarnação.

Grandes oportunidades de renovação e estreitamento entre pais e filhos podem ser perdidas.

Com certeza, é uma exigência constante de renúncia.

Quantas vezes momentos agradáveis em família são interrompidos para que um mau comportamento possa ser educado? Que mãe e pai tem prazer em deixar o filho sem aquela sobremesa preparada especialmente para ele ou de acompanhá-lo até a escola e dizer à professora que ele copiou o trabalho do colega de classe?

Além do que, quando o filho fica sem sobremesa, os pais também ficam. Quando a criança está de recuperação escolar, os pais também estão, pois precisam ajudá-lo a restabelecer as suas notas.

Às vezes, sentimos vontade de relevar algumas atitudes das crianças para mantermos a “descontração” e a “tranqüilidade” do lar, para não criar confusão. Pura ilusão!

Não percamos a oportunidade de educá-los, é o que esperam de nós. Ser conivente com maus comportamentos assemelha-se ao ato de oferecer uma taça de sorvete a um doente da garganta, provocando maior irritação, ao invés de ministrar-lhe o remédio amargo que lhe sanaria as dores. Se não corrigirmos os maus pendores quando tivermos oportunidade, estaremos estimulando-os ainda mais.

Ser amigo dos filhos, amá-los, não é sempre lhes sorrir e agradar. São amigos, aqueles pais que levam com seriedade o compromisso de educação que assumiram, que se esforçam por educar-se, buscando o que oferecer ao filho. Ser amigo é dar aos espíritos que estão sob a nossa responsabilidade as condições necessárias para libertarem-se do egoísmo que tanto sofrimento impõe a todos nós.

Existe a possibilidade de que eles não reconheçam em nossas admoestações o respeito e o carinho que lhes devotamos e que façam escolhas bem diferentes daquelas que lhes aconselhamos fazer. Recordemos a misericórdia do Pai, que não obstante a nossa insistência no cultivo de velhos vícios, sem negociar suas Leis, sempre nos renova as oportunidades de aprimoramento.

Sejamos dignos da confiança daqueles por quem somos responsáveis não permitindo que sucumbam às mesmas faltas em que incorreram no passado.


Débora

1 Apostila do Seminário de Evangelização (1991/1992)
2 Jesus no Lar - Néio Lúcio psic. de Francisco C. Xavier - lição 30


Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.


A CARNE É FRACA


Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque se prendem mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes a conseqüência do organismo, e, por este motivo, a gente se julga menos responsável. Tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.
Está perfeitamente reconhecido hoje, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas tem a bossa da música porque seu Espírito é músico.1
Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é, assim, o artífice de seu próprio corpo, por assim dizer, modela-o, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e às manifestações de suas tendências.2
Por uma conseqüência natural deste princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe mais ou menos atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bile ou outros fluidos. É assim, por exemplo, que o glutão sente vir a saliva, à vista de um prato apetitoso. Não é o alimento que pode superexcitar o órgão do paladar, pois não há contato; é, pois, o Espírito cuja sensibilidade é despertada, que age pelo pensamento sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro Espírito, a vista daquele prato nada produz.
Dá-se o mesmo com todas as cobiças, todos os desejos provocados pela visão. A diversidade das emoções não pode se explicar, numa multidão de casos, senão pela diversidade das qualidades do Espírito.
Seguindo esta ordem de idéias, compreende-se que o Espírito irascível deve levar ao temperamento bilioso; de onde se segue que um homem não é colérico porque é bilioso, mas que ele é bilioso, porque é colérico. Assim ocorre com todas as outras disposições instintivas. Um Espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de atonia em relação com o seu caráter, ao passo que se for ativo e enérgico, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades muito diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente, que se vêem, frequentemente, graves desordens orgânicas se produzirem pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: A emoção lhe fez subir o sangue não é assim destituída de sentido quanto se poderia crê-lo. Ora, o que pode alterar o sangue, se não as disposições morais do Espírito?
Seja qual for a sutileza que se use para explicar os fenômenos morais unicamente pelas propriedades da matéria, cai-se, inevitavelmente num impasse, no fundo do qual percebe-se, com toda a evidência, e como a única solução possível, o ser espiritual independente, para quem o organismo não é senão um meio de manifestação, como o piano é o instrumento das manifestações do pensamento do músico. Do mesmo modo que o músico afina o seu piano, pode-se dizer que o Espírito afina o seu corpo para colocá-lo no diapasão de suas disposições morais.
Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta.
O Espiritismo a demonstrou como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma conseqüência natural da espiritualidade do ser. Eis porque certas pessoas temem o Espiritismo que as perturbaria em sua quietude, levantando diante delas o temível tribunal do futuro.
Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade, é levantar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual o Espiritismo conduz pela força das coisas.
Conforme as observações fisiológicas, pode-se, pois, admitir que há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, uma doença passageira, etc. O moral do Espírito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada.
Desculpar-se de seus defeitos sobre a fraqueza da carne não é, pois, senão uma fuga falsa para escapar à responsabilidade. A carne é fraca porque o Espírito é fraco, é em que se torna a questão, e deixa ao Espírito a responsabilidade de todos os seus atos.”3

1Revista Espírita Jul/1860 e Abr/1862
2A Gênese, cap. XI
3Revista Espírita – Mar/1869
(Compilado por Pedro Abreu)
Correio da Fraternidade
ANO 20 – nº 238- Abril de 2009 Distribuição Gratuita
Abril de 2009
Grupo Espírita “Irmão Vicente”
O Grupo Espírita “Irmão Vicente”, abreviadamente GEIV, foi fundado em 1º de janeiro de 1962, como Associação religiosa e filantrópica, de duração ilimitada e com fins não econômicos, com sede e foro na cidade de Campinas, estado de São Paulo.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

O ESPIRITISMO ELUCIDANDO A FÉ


Visão Espírita

por: Rafael Bernardo

É evidente, que para compreendermos a Doutrina Espírita com clareza, é necessário muito esforço e dedicação da nossa parte.
Na medida em que avançamos nos estudos, deixamos para trás a nossa ignorância espiritual, mergulhamos num mar de informações, cheio de luz, entendimento e verdade.
As revelações do Espiritismo são extremamente valiosas. Descortinam a nossa mente da escuridão, das armadilhas e ilusões das quais nos aprisionamos no mundo terreno, e que nos causam tanta infelicidade.
Basicamente o Espiritismo nos aponta cinco questões fundamentais e que norteiam a Doutrina: melhor compreensão de Deus, imortalidade da alma, pluralidade das existências, reencarnação, e a comunicação com os Espíritos.
Nesse artigo, vamos nos deter apenas no primeiro item, na tentativa de compreendermos melhor esse ponto tão importante, e que muda a forma de como encaramos as vicissitudes da vida.
Sabemos que ainda somos “pequenos”, criaturas muito ignorantes para compreendermos Deus na sua totalidade. Mas, com um pouco de esforço, conseguiremos compreendê-lo minimamente.
Utilizando a razão deixaremos para trás a fé cega, mecânica, conquistando uma fé raciocinada e madura.
Dizemos com muita facilidade: “vai com Deus irmão!”, “fique com Deus amigo!”, “eu tenho fé em Deus!”. E logo na primeira prova, dificuldade e ou perda, nos revoltamos, julgamos e não aceitamos. Onde foi parar a nossa fé?
Na prática, qual está sendo o nosso verdadeiro entendimento, interpretação e vivência das leis de Deus?
Os Espíritos benfeitores nos alertam a respeito da necessidade de racionalizar, estudar e compreender a verdadeira essência de Deus, para sermos criaturas mais equilibradas e felizes. Contudo, a pergunta já não é mais se Deus existe, pois a maioria de nós compreende a existência de uma força soberana que rege o todo.
Necessitamos, portanto, de a partir de agora estudar Deus. Isso mesmo, estudar Deus!
 Não por acaso, essa é a primeira pergunta de O Livro dos Espíritos, em que Allan Kardec indaga aos benfeitores da plêiade de Espíritos da verdade “O que é Deus?”.
 Segundo o dicionário Aurélio, “Deus é a inteligência que está acima de tudo do conjunto de tudo quanto existe (incluindo-se a terra, os astros, as galáxias e toda a matéria disseminada no espaço), origem primeira de todas as coisas”.
Se, sabemos que Deus é o “todo poderoso”, porque insistimos no nosso orgulho e tentamos mudar o que não deve ser mudado?
Não aceitamos os seus desígnios?
Só Ele sabe das nossas reais necessidades, e cada um, por sua vez, deve responder pelas consequências dos próprios atos, seja da atual, ou de pretéritas existências.
A Doutrina Espírita alarga a nossa visão, nos oferecendo a amplitude verdadeira da eternidade, pois a ótica estreita da vida, apenas para essa atual existência física, é incompleta e vazia, nos dando até a impressão de que Deus não é justo e nem bom.
Assim concluímos que as leis de Deus ou lei natural, é a lei que rege as condições da vida da alma, contém toda a essência da verdadeira vida: soberana, eterna, perfeita e que nunca muda.

JORNAL VERDADE  E  VIDA
ADDE - ASSOCIAÇÃO DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA E SPIRITA 
 ANO 02 - NÚMERO 04 - ABRIL/ MAIO 2012
Este jornal é uma publicação da ADDE - Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
(CNPJ 08.195.888/0001-77) - para a região de São José do Rio Preto/SP.
Os textos assinados são de responsabilidade de seus autores.
Coord. Editorial: Rafael Bernardo - contato@rafabernardo.com.br
Diagramação: Junior Pinheiro - jrpinheironanet@yahoo.com.br
Jornalista Resp: Renata S. Girodo de Souza - renatagirodo@ig.com.br - MTB 67369/SP
Receba o jornal em sua Casa Espírita cadastrando-se no site ou por meio do e-mail: verdadeevida@adde.com.br
Tiragem: 5.000 exemplares
Distribuição Gratuita

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Autodesobsessão


Rodrigo Machado Tavares   

   O Espiritismo nos esclarece que a obsessão consiste na influência negativa de espírito para espírito, quer esteja encarnado, quer desencarnado. Portanto, é correto afirmar que a obsessão pode ocorrer de quatro formas, a saber: de desencarnado para encarnado; de desencarnado para desencarnado; de encarnado para desencarnado e de encarnado para encarnado.
Dentro dessa lógica, podemos acrescentar uma quinta forma de obsessão: a auto-obsessão, que consiste na influência negativa que o espírito, encarnado ou desencarnado, desenvolve em si mesmo, através da mono-ideia. 
   Baseado nisto, é muito importante sempre lembrarmos da auto-desobsessão.
A auto-desobsessão pode ser entendida como um processo de auto-ajuda e, consequentemente, de autotransformação. E como é possível fazer a auto-desobsessão? Por ser um processo bastante pessoal, ela começa pela mente, isto é, pela forma como pensamos. Daí, observamos a importância do bem pensar e, por conseguinte, do bom agir. Foi por isto que o nosso Mestre amado Jesus nos disse: “Vós sois o sal da Terra… Vós sois a luz do Mundo” (Mateus 5:13). Em outras palavras, nós temos força para vivermos pelo bem, evitando os processos de obsessão, incluindo a auto-obsessão. 
   Sabemos da grandeza divina do trabalho de desobsessão que as instituições espíritas desempenham. Busquemos também fazer o trabalho contínuo da auto-desobsessão. 
    
    
Rodrigo Machado Tavares é Engenheiro e pesquisador, residente em Londres. Colabora com diversos Grupos Espíritas. 

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II  N° 7 Novembro e Dezembro 2009 
The Spiritist Psychological Society

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Obsessão Espiritual


Ana Cecília Rosa

Segundo o Espiritismo, obsessão espiritual é a influência nociva que certos espíritos inferiores exercem sobre os encarnados, objetivando causar-lhes sofrimento. Em todas as épocas da história da civilização, existiram esses fenômenos. As páginas dos Evangelhos estão repletas de passagens em que Jesus, através da sua autoridade moral, libertou fiéis do “jugo dos obsessores”, e instruiu seus apóstolos a fazerem o mesmo, conferindo-lhes a seguinte missão: “ restituí a saúde dos doentes, (...) expulsai os demônios” (Mateus, Cap. X, vs. 5 a 8).
O Mestre sabia que a obsessão seria uma realidade a infelicitar o homem durante os anos vindouros, decorrente da sua inabilidade temporária de fazer prevalecer os sentimentos nobres.
   Entre os fatores condicionantes dessa perseguição espiritual, destacam-se o ódio e o sentimento de vingança.
Suelly Caldas Schubert, no livro Obsessão e Desobsessão, afirma: É a obsessão, cobrança que bate às portas da alma. É um processo bilateral. Faz-se presente porque existe de um lado o cobrador, sequioso de vingança, sentindo-se ferido e injustiçado, e de outro o devedor, trazendo impresso no seu perispírito as matizes de culpa, o remorso ou do ódio que não se extinguiu. 
A origem de todo processo obsessivo reside na imperfeição moral dos indivíduos, que gera atitudes infelizes de agressão e revides com prejuízo mútuo, principalmente quando aquele que se considera vítima for incapaz de praticar o recurso do perdão. Na ocasião do desencarne, o ofendido leva, junto consigo, os sentimentos de rancor e ódio incontroláveis e aguarda a desforra na forma que considera a mais correta: através das suas próprias mãos. Assim, ele articula a melhor maneira de influenciar seu desafeto, estudando as suas imperfeições e fraquezas. No momento em que o encarnado entra em sintonia mental com o obsessor, este inunda-o com fluidos perniciosos,    desejando   desencadear desequilíbrios mental e orgânico que, dependendo da duração, promoverão as diferentes formas de apresentação do processo obsessivo. 
   Allan Kardec, no Livro dos Médiuns, classifica a obsessão em simples, fascinação e subjugação. Essa divisão didática dá-nos a idéia da complexidade do fenômeno e está intrinsecamente relacionada com o mecanismo de sua instalação e duração. Na forma simples, as características sutis preponderam, como irritabilidade, impaciência, indisposição e dor de cabeça, muitas vezes categorizadas como estresse. Caso esses sintomas persistam, outras manifestações ocorrerão. Entre elas, as alterações do humor e, em especial, a depressão determinam comprometimento maior da constituição física do encarnado levando grande prejuízo à sua auto-estima e ao seu livre arbítrio. Com o agravamento do processo obsessivo, há a exaltação da vaidade (fascinação) ou a anulação da vontade do obsidiado, com seu constrangimento aos desmandos do obsessor (subjugação). Nesse estágio, é comum encontrarmos as consequências dos fluidos deletérios no campo físico e mental, promovendo diversas doenças. Exemplo disso são as psicopatias, como esquizofrenia, síndrome do pânico e psicoses, e alguns tipos de câncer.
Em certos casos, o obsessor une-se ao seu desafeto através de laços fluídicos mentais, ainda no período fetal, o que traz graves modificações na organogênese desse indivíduo, causando debilidades físicas severas e grande limitação da sua vivência carnal, como, por exemplo, a “idiotia”.          
   Devemos entender que qualquer atuação do plano invisível não ocorre à revelia de Jesus. Segundo Emmanuel, no livro O Consolador, “todos estes movimentos têm uma finalidade sagrada, como a de ensinar-vos a fortaleza moral, a tolerância, a paciência, a conformação, nos mais sagrados imperativos da fraternidade e do bem”. O auxílio espiritual no alívio dos portadores dos transtornos obsessivos ocorre, imperceptivelmente, a todo momento. Basta colocarmo-nos em atitude receptiva e trabalho perseverante de reforma interior.  

Ana Cecília Rosa é médica pediátrica, residente no Brasil. É membro do Instituto de Divulgação Espírita - Araras/SP.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 6  Setembro e Outubro 2009  
The Spiritist Psychological Society 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Despertar da Consciência


Sônia Theodoro da Silva

O grande pensador da antiguidade, Pitágoras, afirmava que a Terra era a morada da opinião.
Poderíamos asseverar que, se em sua época havia esse reconhecimento, hoje não estamos distante dessa definição. Aproximando-nos dela cada vez mais, distanciamo-nos do processo mais importante e sugestivo que já surgiu entre nós, também trazido por um sábio, que pautava o desenvolvimento do conhecimento a partir do próprio homem. Esse sábio, Sócrates, humilde pela concepção de Jesus pois os verdadeiros  humildes não têm necessidade de agir como “fortes” já  que reconhecem em si mesmos uma parcela  de  divindade  através  do exercício das virtudes latentes, ensinava, ou melhor,  guiava os seus  seguidores  e  ouvintes através dos caminhos ásperos da opinião, até o reconhecimento de que  os  seres  humanos  muito sabiam dos outros, porém, pouco ou nada sabiam de si mesmos.
   O conceito e a ironia socratianos, aplicados no desenvolvimento do verdadeiro e mais profundo de todos os conhecimentos, o saber de si, conduzia o pensamento e o raciocínio, de forma natural, a um outro momento: conheça-se  depois seja sincero com o que descobriu. A humanidade atual parece estar atravessando por esse processo; e é aí que surgem os desvios de rota. O ser humano habituou-se a reduzir a compreensão das coisas às percepções da própria mente, pois é difícil romper com as estruturas de referência e permitir que o Espírito efetue saltos qualitativos para outras dimensões de conhecimento, transcendendo aos limites impostos por vidas  de  pensamento estruturado.
    Foi isso o que o prof. Rivail, futuro Allan Kardec, realizou. Ao ser informado dos fenômenos que ocorriam em todo o mundo, em particular na França, em Paris, mas conhecedor das leis do magnetismo e da inconsequente utilização de seus mecanismos nas mãos de ilusionistas para espetáculos de lazer, transcende a si próprio e às estruturas de saber lineares de sua época, dá um salto de qualidade e vai ao encontro da maior proposta que um ser humano poderia receber: a realização efetiva da própria missão, certamente aceita na vida espiritual, porém passível de alterações oriundas de seu próprio arbítrio, de trazer à consciência humana, de forma despojada de atavismos religiosos, a sua verdadeira e real natureza, a espiritual, com todos os seus desdobramentos.
Isso implicaria em assumir um trabalho de peso, em que o discernimento, a impessoalidade e a renúncia estariam presentes a todo instante, exigindo de si doação plena, trabalho intenso, firmeza e coragem constantes.
   A humildade do grande sábio, aquela que lhe revela que o conhecimento real é vastíssimo e que nunca abarca uma só existência, manifesta-se em Rivail e ele então conclui a fase do trabalho imenso que lhe competia, legando, aos que chamou de “espíritas” (palavra nova no vocabulário de então), uma herança grandiosa, verdadeira e que nunca poderia estar sujeita às opiniões transitórias, muito embora estivessem embasadas em níveis de intelectualidade possivelmente invejáveis, porém sempre circunscritas e condicionadas à evolução temporal de quem as elabora, e, portanto, restritivas, limitantes e limitadoras. Assim, o caminho já estava traçado. Liberto das arestas reducionistas, o processo socrático precursor consolida, assim, a rota firme e segura pela qual o ser humano poderia transitar sem receios.
    O autoconhecimento, através da bússola espírita, revelaria ao ser humano que ele evolui em espiral ascendente, perpetuamente, e que, portanto, se bem compreendido, poderia livrá-lo do medo. Livre do medo, acabaria com o ódio. Livre do ódio, estaria livre da ganância, da inveja, da guerra, do ímpeto de matar, de destruir. Ele, o medo, necessário à conservação da vida, quando patológico medo do fracasso, da dor, da morte, da humilhação, da solidão, do desamor, de si mesmo, e, em última análise, medo do medo é insidioso, manipulado e manipulador, instrumento de forças negativas e destrutivas que se impõe ao que se acovarda diante do convite que o autoconhecimento lhe propõe.
    Mensagem clara e enobrecedora, o Espiritismo postula a maiêutica socrática como método de autoconhecimento seguro ao alcance daquele que não teme conhecer-se para renovar-se, sair da caverna escura de seus erros de percepção de uma suposta realidade, a das aparências, para alcançar degraus mais altos, reabilitando-se junto às leis divinas conscienciais, sendo uno com o Pai tal como na promessa de Jesus.
     Joanna de Ângelis, em seu livro O Homem Integral (um dos livros da série psicológica, psicografado pelo querido irmão, o Professor Divaldo P. Franco) afirma que "o homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras".  Portanto, pode-se afirmar que os indivíduos estão vivos para poderem interagir uns com os outros de forma positiva, isto é, de acordo com os ensinamentos de Jesus.
      Apesar disso, o homem, indivíduo social que é, geralmente toma decisões as quais não estão baseadas na moral Divina (L.  E., moral absoluta e imutável, a qual, muitas vezes, a moral dos homens na Terra não consegue vislumbrar). Em outras palavras, o homem, ao invés de agir em concordância com a Lei de Amor, passa, consciente, ou inconscientemente, a ser mais vulnerável, no qual as influências dos fatores externos (impostos pela  sociedade) dominam o seu comportamento.
E, dessa forma, as experiências, que deveriam ser renovadoras, passam a gerar transtornos em todos os níveis de sua vida: pessoal, familiar e profissional.
    Concluindo, somente quando o indivíduo passar a buscar ser o Homem no Mundo e deixar de ser o homem do mundo (vide item 10 do Capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo), ter-se-á uma sociedade melhor, porque cada indivíduo será melhor.  E independentemente dos valores da sociedade na qual se vive, vale lembrar: "todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém" (I Coríntios 6:12).

Sônia Theodoro da Silva é tradutora e graduanda em Filosofia, residente em São Paulo, Brasil, colabora na FEESP, Casas André Luiz  e escreve  para revistas e jornais espíritas.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 5 Julho e Agosto 2009
The Spiritist Psychological Society