quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A SUBLIME PERFEIÇÃO

Giovanni Scognamillo

Franz Liszt, que até então havia produzido mais de mil e quinhentas peças musicais, é tocado por dedos invisíveis e experimenta uma grande vontade de relatar, em música, a epopeia de Jesus Nazareno e mais uma vez sua mediunidade musical seria acionada para enaltecer Aquele que os Espíritos Instrutores apontaram como sendo o espírito mais perfeito enviado à Terra para servir de guia e modelo para a humanidade, consoante a questão 625 de O Livro dos Espíritos.

O compositor, como que num mergulho nos tempos idos, traz as minúcias, os detalhes, as experiências, o poema representado pelo Sermão do Monte e revive todo o cenário daqueles tempos memoráveis e os personagens tomam forma e se movimentam através das ondulações melódicas do inspirado Liszt, que cumpria, desta forma, promessa feita a alguns amigos de que não sairia deste mundo sem antes render esta homenagem, esta reverência à memória do Mestre que, para ele, como para todos nós, representou o protótipo da sublime perfeição. A encarnação do ideal superior e a minha verdadeira vocação  afirmava. E assim, passou a trabalhar no poema sinfônico Cristo.

Foi munido desses sentimentos ardorosos quanto altruísticos e que traduzem igualmente gratidão ao benfeitor da humanidade que ele dedicou dois longos anos à composição desse Oratório que chega às raias do sublime e veio juntar-se às obras anteriormente feitas por Sebastian Bach (Jesus, a Alegria dos Homens) e este insuperável Messias, de Haendel, vistas como as mais sublimes obras sacras produzidas por estes médiuns da música em momentos de sublimadas inspirações.

Grande e agradável surpresa o aguardava. Uma como que resposta às evocações da memória do filho querido que tão prematuramente retornara ao Mundo da Verdade e de onde vibrava em amor filial envolvendo o pai-amigo em serenos eflúvios de admiração e simpatia. E foi assim que se tornou realidade aquilo que seria a maior prova do afeto e da imortalidade da alma.

Tendo sido convidado por Luis Bonaparte, e aceitando o convite, Liszt se fez presente no faustoso Palácio das Tulherias, em Paris, onde deveria receber o laço, a fita, de comandante da Legião de Honra de França. E para um evento de tamanha significação, e sendo o agraciado pessoa tão querida, podia-se notar a presença da todo-poderosa Princesa de Metternich, o influente Sr. Emile de Girardin, o Conde de Rothschild, o escritor Henry Heine e tantos outros representantes da cultura e da nobreza de então.

E Liszt era merecedor desta e de outras homenagens, embora mantivesse sempre uma atitude de tranquila aceitação, de recôndita humildade, pois não dava grande valor a estas manifestações. Espírito superior que era, aceitava e delas participava, mas não se deixava envaidecer e sua robusta simplicidade nem de leve era tocada por tais envolvimentos.

Então, terminada a nobre cerimônia, entre abraços e votos para uma vida longa e produtiva, retira-se, sozinho, e começa a descer a longa e espaçosa escadaria. É quando se depara com o Espírito do amado filho Daniel que assistira, do mundo invisível, aquela imponente reunião em que todos rendiam justas homenagens ao músico-pai. Liszt reconhece o filho, semimaterializado, que o saúda com leve aceno de mão e discreto sorriso emoldurado por fisionomia alegre e feliz. O mundo não viu as lágrimas que lhe rolaram pelas faces.

Sim, ele retornara lá das sombras do insondável através do fenômeno da ectoplasmia, ou materialização espontânea, quando o Espírito, lançando mão do fluido ectoplásmico, densifica o corpo perispiritual fazendo-se visível, audível e até tangível.

As homenagens humanas lhe foram gratificantes... A homenagem do céu lhe fora arrebatadora e comovente, e Liszt lembrou de parte do seu Oratório Cristo, quando ele mesmo musicou a apoteótica aparição do Mestre na vitoriosa ressurreição do terceiro dia.

Liszt continua em sua trajetória e nós com ele, colhendo eventos e relatos para melhor compreendermos a intervenção do mundo espiritual sobre este nosso mundo de formas.

SERVIÇO ESPÍRITA DE INFORMAÇÕES
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Sábado, 22/1/2005 - no 1921

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