terça-feira, 2 de agosto de 2016

E se Jesus voltasse?

E se Jesus voltasse?

Autor: Delmo Martins Ramos

Jesus, o Espírito mais perfeito que passou pelo nosso planeta, esteve entre nós há cerca de 2 mil anos e até hoje repercute na humanidade sua mensagem, o que demonstra sua autoridade moral. Naquela época, mesmo sendo o único povo monoteísta, entre os judeus já existiam diversas seitas criadas em conseqüência das disputas teológicas e das inúmeras interpretações das escrituras sagradas. Entre estas inúmeras correntes religiosas destacamos algumas, que formavam grupos sociais distintos, para melhor ilustrar este artigo.

Os Samaritanos eram considerados heréticos pelos judeus ortodoxos em função de só aceitarem a Lei de Moisés, rejeitando todos os demais livros que foram posteriormente anexados ao Pentateuco. Os Nazarenos eram os judeus que faziam os votos, temporários ou perpétuos, para conservarem-se na pureza perfeita. Adotavam a castidade, abstinência de bebidas alcoólicas e não cortavam o cabelo. Os Fariseus eram os mais influentes da época, desempenhando papel ativo nas controvérsias religiosas. Observadores das práticas exteriores do culto e das cerimônias, inimigos das inovações e ardorosos proselitistas. Os Saduceus não acreditavam na imortalidade da alma, na ressurreição e na existência dos anjos bons ou maus. Embora cressem em Deus, nada esperavam após a morte, preocupando-se apenas com as recompensas materiais e temporais. Já os Essênios eram celibatários, viviam em locais semelhantes a mosteiros, tinham as virtudes austeras, condenavam as guerras e escravidão, acreditavam na imortalidade da alma e na ressurreição, ensinavam o amor a Deus a ao próximo (Fonte: ESE - Edição FEESP).

Apesar de existirem estas e outras correntes religiosas oriundas do mesmo texto, Jesus não escolheu nenhuma delas para auxiliá-lo em sua peregrinação, ao contrário, trouxe para junto de si aqueles que estavam à margem da sociedade da época. O Mestre tinha entre seus seguidores pescadores humildes, e um publicano, coletor de impostos e, por isso, odiado pelos judeus. As mulheres, não aceitas nos grupos tradicionais por serem consideradas seres inferiores, estiveram junto a Jesus e foram suas fiéis colaboradoras.

Se Jesus retornasse ao nosso planeta no momento atual, dentre as inúmeras facções existentes no Cristianismo, qual escolheria para auxiliá-lo? Decorridos cerca de dois mil anos de Sua passagem pela Terra, ao analisarmos as religiões atuais, principalmente aquelas que se dizem seguidoras de Seu Evangelho, verificamos que muito pouco ou quase nada mudou, e sem muito esforço podemos identificá-las com as seitas judaicas de outrora. Para decepção daqueles que se acham donos dos Evangelhos e julgam-se os escolhidos, provavelmente Jesus escolheria novamente os excluídos da sociedade atual, tal qual o fez naquela época, em função do fanatismo, da hipocrisia, dos interesses puramente materiais e das práticas exteriores que hoje caracterizam as ditas religiões cristãs.

E o Espiritismo, como podemos avaliar neste contexto? Para melhor análise será necessário diferenciarmos a Doutrina Espírita do movimento espírita, que embora possa parecer uma redundância, não são a mesma coisa. A Doutrina Espírita é sem dúvida o Cristianismo redivivo, pois nos foi revelada pelos Espíritos superiores sobre a tutela de Jesus e, pelos seus ensinamentos filosóficos e científicos, mostra ser uma doutrina reveladora, apropriada para os nossos tempos. Já o movimento espírita, que deveria ser o resultado da prática da Doutrina entre os homens, está repleto de desvios, em virtude de prevalecerem nele interesses momentâneos, estando sob o comando de mentes medievais que aceitam, e até incentivam, práticas que contrariam frontalmente a Codificação.

Lamentavelmente, para nós espíritas, o movimento espírita não seria o grupo escolhido por Jesus caso retornasse ao nosso planeta. Estamos muito distantes do Cristianismo nascente e cada vez mais próximos das seitas que foram rejeitadas pelo Mestre em sua passagem entre nós. Estaremos exagerando nesta avaliação? Para verificarmos a procedência dessas críticas basta percorrermos meia dúzia de centros espíritas para constatarmos as práticas estranhas à Codificação, desde ritualismo até a adoção de teses antidoutrinárias, além da descaracterização das práticas mediúnicas, levando a maioria das casas espíritas à improdutividade e à falta de objetividade.


Infelizmente, não vemos como o movimento espírita possa voltar às suas origens a curto e médio prazo. Isto só se dará após o desencarne dos que ora o dirigem e seu reencarne já reciclados, juntamente com a reencarnação de Espíritos mais evoluídos e comprometidos com as verdades contidas na terceira revelação. Resta aos Espíritas de bom senso, principalmente os fazedores de opinião como palestrantes, dirigentes e articulistas alertarem o movimento espírita com relação a esta situação e da necessidade de iniciar a reversão, principalmente junto aos neófitos, incentivando-os a conhecerem a Doutrina através das obras básicas, codificadas por Allan Kardec

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