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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

DURA REALIDADE (FINAL)

Dos cinco casos selecionados para compor este material, o reproduzido a seguir é o único que não foi obtido pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier.
Na verdade, trata-se de depoimento apresentado na obra “TESTEMUNHO DE AMOR”, em que Antonio Carlos Borelli Jr., espírito de um jovem desencarnado de forma trágica, procura confortar, esclarecer e orientar seus pais abalados com a perda do filho.
A médium é Eni de Carvalho Rocha Costa -, de Belo Horizonte, MG.
Na Colônia a que fora acolhido, depois de um período de convalescença, tem autorização para visitar as demais instalações da instituição, reencontrando-se com alguns familiares, entre os quais seu tio Geraldo que lhe relata seus primeiros tempos no Plano Espiritual, Parte desse depoimento é o que apresentamos à apreciação dos leitores.
HERDEIROS DE NÓS MESMOS.
“- Eu passei por uma grande perturbação.
Sem ser propriamente um mau Espírito, enquadrava-me no grupo de levianos e ajustei-me com aqueles com quem me afinava espiritualmente.
A vida, fosse como fosse, era uma festa que precisava ser comemorada e nós estávamos à disposição para o que desse e viesse.
Vez por outra nos afligíamos com nossa situação de “Mortos-vivos”, mas esta inquietação não durava muito.
Divertir era nossa lei e, em busca de baixos prazeres, percorríamos bares e botequins, e sorvendo as emanações do álcool e drogas outras, adentrávamos em antros podres, soltando as rédeas de nossos instintos primitivos.
Embora eu não compactuasse com determinadas atitudes de meus companheiros, ou melhor, meus comparsas, também não me opunha e, assim, ia tocando o barco.
Expandindo-me à noite e me encostando durante o dia em lares alheios, cujas portas encontrava aberta, vivi três anos.
O tédio e o cansaço ameaçavam-me freqüentemente e muitas vezes pensei em abandonar aqueles arruaceiros, mas a sensualidade desgovernada não me ajudava e depois de semanas de reclusão, retornava animadíssimo à boêmia.
Porém, em uma madrugada, ao deixarmos um dos antros de perdição que visitávamos com certa assiduidade, eis que um bando de criaturas horripilantes caiu de surpresa sobre nós.
Houve gritos, discussões, troca de empurrões e um, após o outro, meus parceiros foram sendo subjugados de modo violento, cruel e impiedoso (...)
Não sei porque, os patrulheiros das trevas não me notaram a fuga.
Aproveitando-me da confusão que se generalizara, pois que outro grupo de soldados se acercava e disputava as mesmas vítimas, qual verme gigantesco, colado ao chão rastejei de volta ao antro de onde saíra e, buscando a entrada dos fundos, tomei a direção oposta à deles e corri como um louco desesperado.
Imaginando-me perseguido, enveredei-me por ruelas sombrias e lamacentas, pelas quais nunca havia transitado, embrenhei-me em matagais pegajosos que terminavam em becos fétidos e escorregadios e por fim, sem fôlego, exausto, tropecei em alguma coisa e fui caindo, caindo, caindo...
Minutos, que me pareceram séculos, passaram-se e porque eu nada escutasse, além dos ruídos de minha respiração ofegante e dos meus dentes batendo uns contra os outros, bem devagar abri os olhos e me reconheci perdido.
Estava em um vale sinistro, cercado por montanhas negras e pontiagudas.
Força estranha pressionava-me o cérebro e além da dolorosa sensação de abandono e risco, eu pressentia que olhos debochados e magnetizantes vigiavam-me todos os movimentos.
Levantei-me e logo me estendi no chão.
Estava como que chumbado ao solo.
Sem saber o que fazer e em nada conseguindo pensar, aguardei o pior.
Alguém bateu no meu ombro e estremeci de pavor.
Voltei-me e vi uma Entidade de cor negra e cabelos tão brancos quanto algodão.
Apoiando-se em um cajado, com voz doce e enérgica a um só tempo, ele perguntou-me:
- “Meu filho o que faz por aqui? Você não sabe que estas bandas são muito perigosas? Vamos, vamos sair desse lugar.”
O frágil e trêmulo velhinho abraçou-me e depois de um belo vôo, chegamos a uma das Estâncias do Invisível, chamada, carinhosamente, por ele e seus irmãos, de Senzala de Luz.
Gentis, amorosos, dedicados ao extremo, os ex-escravos levaram-me para uma cachoeira e só depois de delicioso banho, é que me dei conta do estado miserável em que me achava.
Como pude descer tanto? – indaguei a mim mesmo, ralado de remorso e vergonha, mas não tive tempo para me recriminar, porque logo em seguida recebi roupas limpas e fui colocado em um leito de lençóis brancos e perfumados e quando me serviram leite com açúcar queimado e mel, ah, não tive dúvidas, finalmente eu havia encontrado uma das dependências do Céu.
Excelentes psicólogos, no dia seguinte, acordaram-me cedo e começaram a trabalhar comigo.
Pacientes, tolerantes, não mediam esforços no sentido de me libertarem das perturbações que ainda me envolviam.
Aos poucos fui melhorando e eles passaram a me orientar no dificílimo caminho do “CONHECE-TE A TI MESMO” e, paralelamente, iniciaram-me nos Estudos dos Evangelhos do Cristo Jesus.
“Todos os dias eu agradeço a Deus por ter sido sempre gentil no tratar com as pessoas pobres e humildes. O “infeliz mendigo”, a quem tive a sorte de poder ajudar um dia, estava ligado a este Grupo de Espíritos por termos e poderosos laços de afeição e o respeito, o carinho que lhe dispensei, despertou a simpatia de todos eles pela minha pessoa.
Ah, não fosse “Pai Joaquim”, outra seria a minha sorte.
Aliás, não sei o que seria do mundo, pois cada noite, sob a direção de Entidades de elevada hierarquia no Mundo espiritual, vestidos de humildade pura e santa, como “Milicianos do Bem”, eles saem em trabalho de socorro e proteção aos encarnados e desencarnados também e tem conseguido evitar muitas dores e muitas tragédias.
Pena que nos Grandes Centros Espíritas - claro que existem exceções – eles sejam esquecidos pelos médiuns, que preferindo sempre trabalhar com Entidades, cujos nomes são mais conhecidos, ignoram que possuem irmãos outros, que embora pertencentes às regiões mais simples do invisível, nem por isso os deixam de proteger e auxiliar nos momentos mais críticos e dolorosos!”

“INFORMAÇÃO”:
REVISTA ESPÍRITA MENSAL
ANO XXX N° 355
MAIO 2006
Publicada pelo Grupo Espírita “Casa do Caminho” -
Correspondência:

Cx. Postal: 45.307 - Ag. Vl. Mariana/São Paulo (SP)

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