sexta-feira, 9 de julho de 2010

89 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 – ALLAN KARDEC

CAPÍTULO X: BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS

INSTRUÇÃO DOS ESPÍRITOS: PERDÃO DAS OFENSAS, ITEM 14



O autor da mensagem, datada de 1862, assinou Simeon, sobre o qual não encontrei referências. Mas, pela sublimidade de suas palavras, poderia ser – não estou afirmando, peço apenas licença para divagar um pouco - “Simeão, homem justo e piedoso, que ao tomar o menino Jesus nos braços, no templo, disse: ‘ Agora, Senhor despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque meus olhos já viram a tua salvação, a qual preparaste diante de todos os povos... ’, conforme Lucas, II: 28 a 31.

             Simeon inicia dizendo que o ensino de Jesus sobre perdoar o irmão setenta vezes sete vezes é um dos que “devem calar em vossa inteligência e falar bem alto ao coração.”

             Ensina, pois, que o homem, para agir, acertadamente, de acordo com as leis do bem, deve usar de raciocínios para compreender e entender a necessidade dos ensinos de Jesus, na Terra, moradia de espíritos em evolução.

             Esses ensinos devem calar, penetrar fundo, ou seja, “atingir ou alcançar o âmago, a essência de (algo) ou o íntimo de (alguém), produzindo impressão forte, profunda”.(1)

             A palavra calar, vinda do grego khaláõ, que significa, soltar, relaxar, chegou ao português e ao espanhol, como penetrar, descer, abaixar, mergulhar (1)

Devem também “falar bem alto ao coração” ou seja, ser captado pela sensibilidade espiritual, para que, juntamente com o uso da inteligência possam ser sentidos, percebidos, compreendidos, aceitos, despertando a vontade de praticá-los. 

             Todos os dias, milhões e milhões de pessoas oram a Prece do Pai Nosso ensinada por Jesus, sem prestar muita atenção na frase: “Perdoai as nossas dívidas assim como perdoamos os nossos devedores”, na qual está condicionada, ao perdão de Deus às nossas faltas, o nosso perdão às faltas dos outros.

E continuam, pela vida toda a dizê-la sem, pelo menos, tentar colocar em prática essa lei divina, que é básica para a paz e felicidade do homem e da humanidade. 

             Quem perdoa, está vivenciando o esquecimento de si mesmo, o que o torna invulnerável às agressões, aos maus tratos e às injúrias, porque não os recolhe ao coração, porque busca, pelo raciocínio, compreender as dificuldades alheias, não se sentindo, pois, ofendido.

             Evidentemente, que só na prática perseverante de perdoar o mais possível, esse ideal será atingido e o que perdoa irá se tornando uma pessoa doce e humilde de coração, fazendo aos outros o que deseja que Deus faça por ela.

             “Ouvi, pois, essa resposta de Jesus, e como Pedro aplicai-a a vós mesmos. Perdoai, usai a indulgência, sede caridosos, generosos, e até mesmo, pródigos no vosso amor. Dai, porque o Senhor vos dará; abaixai-vos, que o Senhor vos levantará; humilhai-vos, que o Senhor vos fará sentar à Sua direita.

             Ide, meus bem-amados, estudai e comentai essas palavras que vos dirijo, da parte d”Aquele que, do alto dos esplendores celestes, tem sempre os olhos voltados para vós, e, continua com amor a tarefa ingrata que começou há dezoito séculos. Perdoai, pois, aos vossos irmãos, como tendes necessidade de serdes perdoados.”
             Conclama os espíritas a não tornar, em palavras e em atos, o perdão, uma expressão vazia. 

             “Se vos dizeis espíritas, sede-o de fato: esquecei o mal que vos tenham feito e pensai apenas uma coisa: no bem, no bem que possais fazer. Aquele que entrou nesse caminho não deve afastar-se dele, nem mesmo em pensamento...”

O espiritismo nos ensina que somos todos responsáveis por tudo que fazemos. Para fazermos algo, essa ação ou ato existiu antes, na idéia, e essa surgiu do que se sentiu diante de alguma coisa.
             Um sentimento de mágoa ou de rancor leva o ser a pensamentos rancorosos, que por sua vez, podem levar a um ato de ofensa, de vingança.

             Daí a chamada de Simeon quanto à responsabilidade do espírita no esforço de esquecer o mal, pensar somente no bem que pode fazer, não dando lugar a pensamentos maus, a fim de poder sentir-se feliz, conforme suas palavras: “Feliz aquele que pode dizer cada noite, ao dormir: nada tenho contra o meu próximo.”

Bibliografia:
KARDEC, Allan -“ O Evangelho Segundo o Espiritismo”
1 – Dicionário Houaiss


Outubro / 2008

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