sábado, 2 de março de 2013

AFETIVIDADE: UNIÃO e DIVÓRCIO


Afeição: afeto, amizade, amor
Afeto:
1. disposição de alma, sentimento
2. amizade, simpatia
Afetividade: conjunto dos fenômenos afetivos (tendências, emoções, sentimentos, paixões, etc...)
L.E. - Q695 – O casamento, ou seja a união permanente de dois seres é contrária à lei da Natureza?
- É um progresso na marcha da Humanidade.
   A solidão do Ser gera a busca do outro. Sócrates definiu o amor como um vazio que procura preencher-se.
A busca do outro é o preenchimento do vazio, que dá ao homem e à mulher a capacidade da reprodução da espécie, o poder criador.No casamento o homem busca a sua metade feminina e a mulher a sua metade masculina.Se não predominar esse critério dos opostos não se completa a unidade biológica e espiritual que sustenta a espécie humana, pois a finalidade do casamento em todas as sociedades é a constituição da família e a preservação da espécie.
   O casamento ou a união permanente de dois seres implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Ambos devem caminhar juntos na criação e no desenvolvimento de valores para a vida.Ele tem por meta a comunhão física, afetiva, o desenvolvimento da emoção psíquica e o companheirismo.Exercita a fraternidade e o entendimento.
   Um jovem e uma jovem se amam e o amor que os atrai é o amor de Deus nas criaturas.A bênção do amor já os ligou e eles não necessitam de palavras, ritos ou sacramentos para se unirem, pois unidos já estão.Se não houver amor entre eles, não estão unidos e de nada valerá a união formal por meios sacramentais. É por isso que no Espiritismo não há sacramento, nem formalismo algum, pois tudo depende, em todas as circunstâncias da essência única e verdadeira, que é o amor.Lembremos a resposta à questão 701 do L.E.O casamento segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem.
   O Espiritismo reconhece a necessidade humana de disciplinação social, e por isso recomenda apenas o casamento civil.Imperioso porém que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, respeito e consideração pelo cônjuge, firmando-se na fidelidade e nos compromissos da camaradagem, da afetividade, em qualquer estágio da união.
   O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, é o local onde as criaturas se harmonizam e se completam.Dinamizam os compromissos que se desdobram em realizações que dignificam a sociedade, pois os envolvidos passam a compreender a grandeza das emoções profundas e realizadoras, administrando as dificuldades que surgem, prosseguindo com segurança e otimismo.Eles se sentem membros integrantes do grupo social, com o qual contribui a favor do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em conjunto.
   Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço, estabelecendo diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.Em muitos lances da experiência é a própria individualidade, antes da reencarnação, que assinala a si mesmo o casamento difícil que faceará na existência, chamando a si o parceiro ou a parceira de existências pretéritas para os ajustes que lhe pacificarão a consciência, à vista de erros perpetrados em outras épocas.Em tese, o agrupamento doméstico se forma a partir de princípios de afinidade. Devemos entender bem que afinidade psíquica não significa simpatia, mas sim atração devido a compromissos emocionais.Por isso que nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias e também dento delas somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações.
   Quando nos relacionamentos conjugais surgirem dificuldades de entendimento, estes devem ser solucionados mediante o diálogo, ajuda especializada e principalmente por intermédio da oração que facilita melhor entendimento dos objetivos existenciais. Desse modo, a tolerância toma o lugar da irritação, a compreensão satisfaz os estados de desconforto, favorecendo com soluções hábeis para que sejam superadas essas ocorrências.A amizade assume o seu lugar, amenizando o conflito e proporcionando o companheirismo agradável e benéfico, que refaz a comunhão, sustentando a afeição.Em verdade, o que mantém o matrimônio não é o prazer sexual, sempre fugidio, mesmo quando inspirado pelo amor, mas a amizade, que responde pelo intercâmbio emocional através do diálogo, do interesse nas realizações do outro, na convivência compensadora, na alegria de sentir-se útil e estimado.
   Há muitos fatores que contribuem para o desencontro conjugal na atualidade, como os houve no passado.Primeiro os de natureza íntima: insegurança, busca de realização pelo método da fuga, insatisfação em relação a si mesmo, transferência de objetivos, que nunca se complementarão em uma união que não foi amadurecida pelo amor real.Segundo: os de ordem psico-social, econômica, educacional, nos quais estão embutidos os culturais, de religião, de raça, de nacionalidade, que sempre comparecem como motivo de desajuste, passados os momentos de euforia e de prazer.Ainda se podem relacionar aqueles que são conseqüências de interesses subalternos, nos quais o sentimento do amor esteve ausente. Nesses casos já se iniciou o compromisso com programa de extinção, o que logo sucede; e outros motivos vários.
   È claro que o casamento não impõe um compromisso irreversível, o que seria terrivelmente perturbador, em razão de todos os desafios que apresenta, os quais deixam muitas seqüelas, quando não necessariamente diluídos pela compreensão e pela afetividade.A separação legal ocorre quando já houve a de natureza emocional, e as pessoas são estranhas uma à outra.Ademais a precipitação faz com que as criaturas se consorciem não com a individualidade, o ser real, mas sim, com a personalidade, aparência, os maneirismos, com as projeções que desaparecem nas convivências, desvelando cada qual conforme é, e não como se apresentava no período da conquista.Essa desidentificação, causa, não poucas vezes, grandes choques, produzindo impactos emocionais devastadores.Ainda por isso o Espiritismo reconhece a necessidade do divórcio, pois no plano ilusório da matéria as criaturas se confundem e misturam sexualidade e desejo com amor.
   É importante observar que existe diferença entre programação e determinismo.Embora eu tenha me comprometido, posso a qualquer momento mudar o meu planejamento, pois tenho o livre arbítrio.Por isso é difícil emitir opinião a respeito de problemas alheios.Cada um precisa analisar-se honestamente e sentir o que vai no fundo do seu Ser, da sua consciência, antes de tomar qualquer decisão.
   Todo compromisso afetivo, portanto, que envolve dois indivíduos, torna-se de magna importância para o comportamento psicológico de ambos. Rupturas abruptas, cenas agressivas, atitudes levianas e vulgaridade geram lesões na alma da vítima, assim como naquele que as assume.A precipitação e o desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e à falência familiar por exclusiva responsabilidade deles mesmos.Enquanto houver o sentimento do amor no coração do homem - e ele sempre existirá, por ser manifestação de Deus inserida na Vida – o matrimônio permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade. Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela necessidade do progresso espiritual, é dever de todos que, unidos, contribuirão para uma vida melhor uma humanidade mais feliz, na qual o bem será a resposta primeira de todas as aspirações.
   Interrogam muitos discípulos do evangelho: Não é mais lícito o divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de matrimônio que culmine em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a desinteligência se instalou, ao prosseguimento de uma vida impossível? Não tem direito, ambos os cônjuges, a diversa tentativa de felicidade, ao lado de outrem, já que se não entendem?E muitas outras inquirições surgem, procurando respostas honestas para o problema que dia a dia mais se agrava e se avulta.
   Inicialmente deve ser examinados que o matrimônio em linhas gerais é uma experiência de reequilíbrio das almas no ambiente familiar e oportunidade de edificação sob a bênção da prole. Não poucas vezes os nubentes, mal preparados para o casamento ou para uma vida a dois, dele esperam tudo, guindados ao paraíso da fantasia, esquecidos de que esse é um sério compromisso, e todo compromisso exige responsabilidades recíprocas a benefício dos resultados que se deseja atingir.A lua de mel é imagem rica da ilusão, porquanto, no período primeiro do casamento, nascem traumas, desajustes, inquietações e receios, frustrações e revoltas que despercebidos, quase a princípio, surgem mais tarde em surdaguerrilhas ou batalhas no lar, em que o ódio e o ciúme explodem,descontrolados, impondo soluções, sem dúvida, que sejam menos danosas do que as trágicas.
   Todavia há de se meditar, no que se refere a compromissos de qualquer natureza, que sua interrupção, somente adia a data da justa quitação. No casamento, não raro, o adiamento promove o ressurgir do pagamento em circunstâncias mais dolorosas no futuro em que, a pesadas renúncias e a fortes lágrimas, somente, se consegue a solução.
   Há alguns sinais de  alarme que podem informar a situação de dificuldade antes de agravar a união conjugal:
Silêncios injustificáveis quando os esposos estão juntos;
Tédio inexplicável ante a presença da companheira ou do companheiro;
Ira disfarçada quando o consorte ou a consorte emite uma opinião;
Saturação dos temas habituais, versados em casa, fugindo para interminais leituras de jornais ou inacabáveis novelas de televisão;
Irritabilidade contumaz sempre que se avizinha do lar;
Desinteresse pelos problemas do outro;
Falta de intercâmbio de opiniões;
Atritos contínuos que provocam agressão das mais variadas formas;
E muitos outros mais...
   Antes que as dificuldades abram distâncias e as incompreensões abram feridas, justo que se assumam atitudes de lealdade, fazendo um exame das ocorrências e tomando providências para sanar os males em pauta.Assim, abrindo o coração um para o outro de maneira honesta e sincera consegue corrigir as deficiências e reorganizar o panorama afetivo.
   É natural que ocorram desacertos. Ao invés, porém de separação reajustamento, harmonização.A questão não é de uma nova busca, mas de redescobrimento do que já possui.Antes da decisão precipitada, ceder cada um, no que lhe concerne, a benefício dos dois.Se o companheiro se desloca, lentamente, da família, refaça a esposa o lar, tentando nova fórmula de reconquista e tranqüilidade.Se a companheira se afasta, afetuosamente, pela irritação ou pelo ciúme, tolere o esposo, conferindo-lhe confiança e renovação de idéias.
   O cansaço, o cotidiano, a apatia são elementos constritivos da felicidade. Sem dizer que muitas vezes estamos felizes e não percebemos devido à correria do dia a dia.
   E em tal particular, o Espiritismo, consegue renovar o entusiasmo das criaturas, já que desloca o indivíduo de si mesmo, ajuda-o na luta contra o egoísmo e concita-o à responsabilidade ante as leis da vida, impulsionando-o ao labor incessante em prol do próximo. O Espiritismo com a fé raciocinada, sem dogmas, mitos e rituais, vêm oferecer condições para que gradativamente cada pessoa consiga superar-se a si mesmo evitando choques e desgastes no relacionamento. Tomando consciência de que somos Espíritos imortais, nos dá a certeza de que não vale a pena viver em situação de conflito e sim mudar, renovar, edificar em outras bases.Não tenho o direito de mudar o outro, mas sim o dever de me mudar. Tenho o dever de ser uma pessoa madura, equilibrada, responsável, em condições de superar de forma clara e tranqüila todos os obstáculos que surgem.
   Homem e mulher são duas entidades complexas. São inteligência e emoção. Um deve aprender a entender o outro em suas limitações e não exigir posição que o outro não possa dar. Devemos ser rigorosos conosco e benevolentes para com o próximo nos disse Jesus. E esse próximo mais próximo é o esposo ou a esposa, junto a quem assumimos o dever de amar, respeitar e servir.
   Assim, considerando o espiritismo, mediante o seu programa de ideal cristão, é senda redentora para os desajustados e ponte de união para os cônjuges, em árduas lutas, mas que não encontraram a paz.
                                       Que Jesus nos abençoe –
Carmen Diana Rodrigues Daré (03/06/06)
Bibliografia:
  1. Franco, Divaldo P. - Amor, imbatível Amor. Pelo Espírito Joanna de Angelis
  2. -  S.O.S. Família. Por Joanna de Angelis e outros Espíritos
  3. Kardec, Allan. - O Evangelho segundo o Espiritismo
  4. - O Livro dos Espíritos
  5. Pires, José H. - Curso Dinâmico do Espiritismo
  6. - Pesquisa sobre o Amor
  7. Xavier, Francisco C. - Vida e Sexo. Pelo Espírito Emmanuel
  8. - O consolador.Pelo Espírito Emmanuel

Nenhum comentário:

Postar um comentário