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sábado, 2 de abril de 2016

LINGUAGEM TORPE X LINGUAGEM EDIFICANTE

LINGUAGEM TORPE X LINGUAGEM EDIFICANTE

Umberto Ferreira

Na sua infinita sabedoria, o Criador dotou o homem da faculdade de falar, para que pudesse comunicar-se com as outras pessoas. Deu-lhe, também, o livre-arbítrio de escolher a melhor maneira de transmitir as suas ideias; assim, pode usar uma linguagem edificante ou elevada, ou não edificante ou torpe. As palavras são símbolos que representam as ideias. Por elas, o homem exterioriza os seus pensamentos, convicções, valores, conhecimentos; pela maneira com que se expressa, revela a sua maneira de ser, o respeito pelo semelhante, a sua personalidade e dá uma ideia da sua evolução espiritual.

O uso de linguagem não edificante, depreciativa, ou torpe é muito comum em diferentes ambientes, como o lar, o local de trabalho e o meio social.

Essa prática costuma causar desentendimentos e transtornos diversos, muitas vezes, de solução difícil. As palavras depreciativas desestimulam, desanimam, desencorajam, inibem, constrangem, destroem, confundem, diminuem a auto-estima...

Quantas pessoas se sentem tristes, desestimuladas, derrotadas, arrasadas, depois de ouvi-las!...

Esse tipo de linguagem exerce grande influência na formação de um ambiente espiritual negativo; é usada pelos Espíritos inferiores, que se sentem atraídos pelos homens que costumam empregá-la.

As gírias, mesmo quando designam coisas ou situações boas, não são recomendáveis; não têm sonoridade agradável, e podem levar à dupla interpretação; além disso, são apreciadas pelos Espíritos de má-índole.

A linguagem construtiva, utilizada com discernimento, não gera descontentamento ou ofensa, e sempre dá bons frutos.

As palavras edificantes estimulam, animam, encorajam, constroem, apoiam, elevam a auto-estima...

Quantas pessoas sentem suas forças aumentarem bastante após ouvi-las e superam situações difíceis!...

Elas contribuem, de maneira significativa, para a manutenção de um ambiente espiritual saudável; é usada pelos Espíritos bons e os superiores, que demonstram simpatia pelos homens que as utilizam, e tendem a afastar-se dos que preferem a linguagem torpe.

Cuidados são necessários, no entanto, para que não sejam confundidas com elogios, que alimentam o orgulho e a vaidade.

Ao recomendar aos discípulos que mantivessem a vigilância, Jesus referia-se, também, ao uso das boas palavras, porque procedem do bom coração.

Conselho Espírita Internacional
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Sábado, 3/11/2007  no 2066

ESTUDO EVANGÉLICO #39 LIVRO PALAVRAS DE VIDA ETERNA - NO AUXILIO A TODOS

ESTUDO EVANGÉLICO

Livro: Palavras de Vida Eterna

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel

- ESTUDO 39


  
 "No auxílio a todos"

"Pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida justa e sossegada em toda a piedade e honestidade”
Paulo (I Timóteo, 2:2)
É comum, vermos boa parte de pessoas preocupar-se, segundo seu entendimento, com os que considera menos afortunados, menos felizes. Oram a Deus, pedindo por eles e procuram mobilizar recursos para ajudar de alguma forma objetivando que a sua situação possa melhorar. 
Nas catástrofes, vemos o sentimento de solidariedade abrindo-se, até mesmo com povos de outras nações. O êxito das campanhas para arrecadar recursos que são enviados, confirmam que não temos dificuldade em apiedarmo-nos dos que estão em desespero ou vitimados por flagelos.
É uma preocupação legítima, mas, essas não são as únicas pessoas que precisam das nossas orações, do nosso apoio moral ou material. Equivocadamente, achamos que aqueles que estão em posição de destaque, não precisam que nos preocupemos com eles, pois, devem ter uma vida sem problemas. 
O Apóstolo Paulo, na 1a. carta que escreveu a Timóteo, em suas recomendações lembra o auxílio espiritual que devemos a todos que ocupam cargos de autoridade, de comando, seja dirigindo, orientando, esclarecendo e instruindo.
São Espíritos que reencarnam com a difícil tarefa do poder, da riqueza, da administração, que carregam tentações e provas de toda espécie e que quase sempre desconhecemos.
Essas pessoas são formadoras de opinião e nem sempre sob formas desejáveis influenciam coletividades negativamente, quando não se compenetram dos deveres que lhe são próprios, quando não têm noção da extensão da sua responsabilidade sobre pessoas ou povos.
Esses companheiros, que deveriam com a sua atuação levar o progresso material e moral para as populações, criam calamidades morais e moléstias coletivas de longa duração, que atrasam a evolução.
O estudo, portanto, desperta-nos para que nas nossas preces e vibrações lembremo-nos de dirigentes, responsáveis em pequena ou grande escala, por percebermos que temos para com esses companheiros responsabilidades, não ao que se refere aos seus atos em si, mas, em relação à sustentação espiritual que podemos e devemos oferecer a eles, pois, não desconhecemos o poder do pensamento, das vibrações que emitimos.
"Não nos esqueçamos, pois, da oração pelos que dirigem, auxiliando-os com a benção da simpatia e da compaixão, não só para que se desincumbam zelosamente dos compromissos que lhes selam a rota, mas, também, para que vivamos com o sadio exemplo deles, na verdadeira caridade uns para com os outros, sob a inspiração da honestidade, que é base de segurança em nosso caminho".

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Setembro / 2004

I TIMÓTEO 2
2 pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e sossegada, em toda a piedade e honestidade.

CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA
cebatuira@cebatuira.org.br  

Ribeirão Preto - SP

sexta-feira, 1 de abril de 2016

NOTAS DA GRANDE IMPRENSA - CONSUMA COM MODERAÇÃO

NOTAS DA GRANDE IMPRENSA

CONSUMA COM MODERAÇÃO

A maioria das norte-americanas tem em média 19 pares de sapatos, embora só usem quatro pares regularmente, e chegam mesmo algumas delas a esconder os sapatos que compram dos maridos, receando críticas. É o que apontou uma pesquisa do Centro Nacional de Pesquisas do Consumidor para a revista de compras ShopSmart. O estudo revelou ainda que, das 1.057 mulheres entrevistadas, 15% têm mais de 30 pares de sapatos; 13% escondem suas aquisições de seus parceiros; e seis em cada dez delas se arrependem de pelo menos um par de sapatos comprado.
Falo com freqüência com mulheres que têm uns 400 pares de sapatos. Uma mulher com quem falei tinha 400 pares, dos quais 300 eram botas pretas até o joelho  disse a especialista em sapatos Meghan Cleary, que também apresenta um programa de TV chamado Shoe Terapy (sapato-terapia), transmitido por um canal de compras.

A reportagem, divulgada em 10 de setembro pela agência de notícias Reuters, é assinada pela jornalista Belinda Goldsmith e pode ser lida na íntegra na página http://noticias.click21.com.br/artigo_53683html.

No livro Vereda familiar, psicografado por José Raul Teixeira e publicado pela Editora Frater, a benfeitora espiritual Thereza de Brito aborda a questão do consumismo doméstico, ao qual dedica todo um capítulo da obra.

Ninguém está impedido de consumir, de obter pequenos supérfluos, atendendo ao gosto pela vida e às possibilidades que ela consente  diz Thereza. Contudo  pondera , o excesso (...) certamente será a geratriz de tormento sem conta, nos caminhos terrenos.

E complementa: Alguém poderá banquetear-se nos melhores restaurantes, gastando o próprio dinheiro como queira. Porém, se a seu lado algum irmão padece fome, sem contar com sua cooperação amiga, estará consignado o crime de lesa-fraternidade.
Alguém poderá viver as férias viajando por toda parte, nos mais modernos aviões ou nos mais caros cruzeiros, despendendo suas moedas valiosas. Mas, se a seu redor algum companheiro desloca-se a pé para atender aos deveres, por falta de recurso para a mínima condução, aí estará o ônus moral, caracterizando o acinte às Leis de Amor.

Alguém poderá viver na mais suntuosa mansão, no palácio mais exuberante, rodeado por todas as facilidades que o progresso da tecnologia permita, aplicando suas riquezas mais grandiosas. Todavia, se na sua estrada comum houver um ser que não tenha o mínimo teto para albergar-se, nisso estará assinalado o egoísmo infelicitador, demarcando com perspectivas expiatórias os passos futuros.

Alguém terá condições de vestir-se com as mais formosas sedas, com os mais custosos linhos, nos galarins da moda mais atual, empregando seus ganhos abundantes.

Porém, se no circuito da sua existência algum irmão estiver ao frio, tiritante ou desnudo, sem um pano qualquer que o resguarde, aí estará o crime da indiferença, responsável por dores morais dantescas.

E prossegue a autora, afirmando que o problema não está em ter isso ou ter aquilo.
Está sim no modo como as coisas são tidas, obtidas e mantidas. E pondera sobre a importância de se buscar viver com pouco ou com muito, sem que se escravize aos gastos improcedentes, frutos da ilusão da propaganda, aquisições que logo estarão nas gavetas, nos cantos de armários, nos porões, sem utilidade.

Quando descubra que o seu lar, atrelado ao consumismo tresloucado, ajuntou coisas e coisas que não são usadas, faça as passar a outras mãos, com a sua vibração de fraternidade, é certo, mas também, com o compromisso de você realizar o esforço da educação das suas despesas, sem que se faça sovina ou onzenário, porém, responsável multiplicador dos bens divinos que, por agora, você administra  conclui.

Conselho Espírita Internacional
Boletim SEI: E-mail: boletimsei@gmail.com
Sábado, 3/11/2007  no 2066

A Fé Ativa construindo uma Nova Era - OS MILAGRES DO EVANGELHO

A Fé Ativa construindo uma Nova Era 13
Módulo/Eixo Temático: A Fé Ativa

 Os Milagres do Evangelho 
(Allan Kardec, in “A Gênese” – cap. XV)

Curas

Tempestade aplacada
45. - Certo dia, tendo tomado uma barca com seus discípulos, disse-lhes ele: Passemos à outra margem do lago.
Partiram então. Durante a travessia, ele adormeceu. - Então, um grande turbilhão de vento se abateu de súbito sobre o lago, de sorte que, enchendo-se d’água a barca, eles se viam em perigo. Aproximaram-se, pois, dele e o despertaram, dizendo-lhe: Mestre, perecemos. Jesus, levantando-se, falou, ameaçador, aos ventos e às ondas agitadas e uns e outras se aplacaram, sobrevindo grande calma. Ele então lhes disse: Onde esta a vossa fé? Eles, porém, cheios de temor e admiração, perguntavam uns aos outros: Quem é este que assim dá ordens ao vento e às ondas, e eles lhe obedecem? (São Lucas, cap. VIII, vv. 22 a 25.)
46. - Ainda não conhecemos bastante os segredos da Natureza para dizer se há ou não inteligências ocultas presidindo à ação dos elementos. Na hipótese de haver, o fenômeno em questão poderia ter resultado de um ato de autoridade sobre essas inteligências e provaria um poder que a nenhum homem é dado exercer.
Como quer que seja, o fato de estar Jesus a dormir tranquilamente, durante a tempestade, atesta de sua parte uma segurança que se pode explicar pela circunstância de que seu Espírito via não haver perigo nenhum e que a tempestade ia amainar.
Bodas de Caná
47. - Este milagre, referido unicamente no Evangelho de S. João, é apresentado como o primeiro que Jesus operou e nessas condições, devera ter sido um dos mais notados. Entretanto, bem fraca impressão parece haver produzido, pois que nenhum outro evangelista dele trata. Fato não extraordinário era para deixar espantados, no mais alto grau, os convivas e, sobretudo, o dono da casa, os quais, todavia, parece que não o perceberam.
Considerado em si mesmo, pouca importância tem o fato, em comparação com os que, verdadeiramente, atestam as qualidades espirituais de Jesus. Admitido que as coisas hajam ocorrido, conforme foram narradas, e de notar-se seja esse, de tal gênero, o único fenômeno que se tenha produzido. Jesus era de natureza extremamente elevada, para se ater a efeitos puramente materiais, próprios apenas a aguçar a curiosidade da multidão que, então, o teria nivelado a um mágico. Ele sabia que as coisas úteis lhe conquistariam mais simpatias e lhe granjeariam mais adeptos, do que as que facilmente passariam por fruto de grande habilidade e destreza (nº 27).
Se bem que, a rigor, o fato se possa explicar, até certo ponto, por uma ação fluídica que houvesse, como o magnetismo oferece muitos exemplos, mudado as propriedades da água, dando-lhe o sabor do vinho, pouco provável é se tenha verificado semelhante hipótese, dado que, em tal caso, a água, tendo do vinho unicamente o sabor, houvera conservado a sua coloração, o que não deixaria de ser notado. Mais racional é se reconheça aí unia daquelas parábolas tão frequentes nos ensinos de Jesus, como a do filho pródigo, a do festim de bodas, do mau rico, da figueira que secou e tantas outras que, todavia, se apresentam com caráter de fatos ocorridos. Provavelmente, durante o repasto, terá ele aludido ao vinho e à água, tirando de ambos um ensinamento. Justificam esta opinião as palavras que a respeito lhe dirige o mordomo: « Toda gente serve em primeiro lugar o vinho bom e, depois que todos o têm bebido muito, serve o menos fino; tu, porém, guardas até agora o bom vinho. »
Entre duas hipóteses, deve-se preferir a mais racional e os espíritas não são tão crédulos que por toda parte vejam manifestações, nem tão absolutos em suas opiniões, que pretendam explicar tudo por meio dos fluidos.
Multiplicação dos pães
48. - A multiplicação dos pães é um dos milagres que mais têm intrigado os comentadores e alimentado, ao mesmo tempo, as zombarias dos incrédulos. Sem se darem ao trabalho de lhe perscrutar o sentido alegórico, para estes últimos ele não passa de um conto pueril. Entretanto, a maioria das pessoas sérias há visto na narrativa desse fato, embora sob forma diferente da ordinária, uma parábola, em que se compara o alimento espiritual da alma ao alimento do corpo.
Pode-se, todavia, perceber nela mais do que uma simples figura e admitir, de certo ponto de vista, a realidade de um fato material, sem que, para isso, seja preciso se recorra ao prodígio. É sabido que uma grande preocupação de espírito, bem como a atenção fortemente presa a uma coisa fazem esquecer a fome. Ora, os que acompanhavam a Jesus eram criaturas ávidas de ouvi-lo; nada há, pois, de espantar em que, fascinadas pela sua palavra e também, talvez, pela poderosa ação magnética que ele exercia sobre os que o cercavam, elas não tenham experimentado a necessidade material de comer.
Prevendo esse resultado, Jesus nenhuma dificuldade teve para tranquilizar os discípulos, dizendo-lhes, na linguagem figurada que lhe era habitual e admitido que realmente houvessem trazido alguns pães, que estes bastariam para matar a fome à multidão. Simultaneamente, ministrava aos referidos discípulos um ensinamento, com o lhes dizer:
« Dai-lhes vós mesmos de comer. » Ensinava-lhes assim que também eles podiam alimentar por meio da palavra.
Desse modo, a par do sentido moral alegórico, produziu-se um efeito fisiológico, natural e muito conhecido. O prodígio, no caso, está no ascendente da palavra de Jesus, poderosa bastante para cativar a atenção de uma multidão imensa, ao ponto de fazê-la esquecer-se de comer. Esse poder moral comprova a superioridade de Jesus, muito mais do que o fato puramente material da multiplicação dos pães, que tem de ser considerada como alegoria.
Esta explicação, aliás, o próprio Jesus a confirmou nas duas passagens seguintes.
O fermento dos fariseus
49. - Ora, tendo seus discípulos passado para o outro lado do mar, esqueceram- se de levar pães. - Jesus lhes disse: Tende o cuidado de precatar-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. - Eles, porém, pensavam e diziam entre si: É porque não trouxemos pães.
Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Homens de pouca fé, por que haveis de estar cogitando de não terdes trazido pães? Ainda não compreendeis e não vos lembrais quantos cestos levastes? - Como não compreendereis que não é do pão que eu vos falava, quando disse que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?
Eles então compreenderam que ele não lhes dissera que se preservassem do fermento que se põe no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (S. Mateus, cap. XVI, vv. 5 a 12.)
O pão do céu
50. - No dia seguinte, o povo, que permanecera do outro lado do mar, notou que lá não chegara outra barca e que Jesus não entrara na que seus discípulos tomaram, que os discípulos haviam partido sós - e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, após render graças, os alimentara com cinco pães; - e como verificassem por fim que Jesus não estava lá, tampouco seus discípulos, entraram naquelas barcas e foram para Cafarnaum, em busca de Jesus. - E, tendo-o encontrado além do mar, disseram-lhe: Mestre, quando vieste para cá?
Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que me procurais, não por causa dos milagres que vistes, mas por que eu vos dei pão a comer e ficastes saciados. -Trabalhai por ter, não o alimento que perece, mas o que dura para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará, porque foi nele que Deus, o Pai, imprimiu seu selo e seu caráter.
Perguntaram-lhe eles: Que devemos fazer para produzir obras de Deus? - Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é que creiais no que ele enviou. Perguntaram-lhe então: Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? - Nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.
Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, - porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.
Disseram eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê não terá sede. - Mas, eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.
Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. - Eu sou o pão da vida. – Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. - Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vv. 22-36 e 47-50.)
51. - Na primeira passagem, lembrando o fato precedentemente operado, Jesus dá claramente a entender que não se tratara de pães materiais, pois, a não ser assim, careceria de objeto a comparação por ele estabelecida com o fermento dos fariseus: « Ainda não compreendeis, diz ele, e não vos recordais de que cinco pães bastaram para cinco mil pessoas e que dois pães foram bastantes para quatro mil? Como não compreendestes que não era de pão que eu vos falava, quando vos dizia que vos preservásseis do fermento dos fariseus? » Esse confronto nenhuma razão de ser teria, na hipótese de uma multiplicação material. O fato fora de si mesmo muito extraordinário para ter impressionado fortemente a imaginação dos discípulos, que, entretanto, pareciam não mais lembrar-se dele.
É também o que não menos claramente ressalta, do que Jesus expendeu sobre o pão do céu, empenhado em fazer que seus ouvintes compreendessem o verdadeiro sentido do alimento espiritual. « Trabalhai, diz ele, não por conseguir o alimento que perece, mas pelo que se conserva para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará. » Esse alimento é a sua palavra, pão que desceu do céu e dá vida ao mundo. «Eu sou, declara ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê nunca terá sede. »
Tais distinções, porém, eram por demais sutis para aquelas naturezas rudes, que somente compreendiam as coisas tangíveis. Para eles, o maná, que alimentara o corpo de seus antepassados, era o verdadeiro pão do céu; aí é que estava o milagre. Se, portanto, houvesse ocorrido materialmente o fato da multiplicação dos pães, como teria ele impressionado tão fracamente aqueles mesmos homens, a cujo benefício essa multiplicação se operara poucos dias antes, ao ponto de perguntarem a Jesus: « Que milagre farás para que, vendo-o, te creiamos? Que farás de extraordinário? » Eles entendiam por milagres os prodígios que os fariseus pediam, isto é, sinais que aparecessem no céu por ordem de Jesus, como pela varinha de um mágico. Ora, o que Jesus fazia era extremamente simples e não se afastava das leis da Natureza; as próprias curas não revelavam caráter muito singular, nem muito extraordinário. Para eles, os milagres espirituais não apresentavam grande vulto.
Tentação de Jesus
52. - Jesus, transportado pelo diabo ao pináculo do Templo, depois ao cume de uma montanha e por ele tentado, constitui uma daquelas parábolas que lhe eram familiares e que a credulidade pública transformou em fatos materiais 9.
A explicação que se segue é reprodução textual do ensino que a esse respeito de um Espírito.
53. - «Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, embora muito curto fosse este, às sugestões do demônio e que, como o diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram dados. O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos. A tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e o seu poder: « Adora-me, que te darei todos os remos da Terra? » Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele não ignorava que seria repelido por aquele que viera destruir-lhe o império sobre os homens.
« Compreendei, portanto, o sentido dessa parábola, que outra coisa aí não tendes, do mesmo modo que nos casos do Filho Pródigo e do Bom Samaritano. Aquela mostra os perigos que correm os homens, se não resistem à voz íntima que lhes clama sem cessar: «Podes ser mais do que és; podes possuir mais do que possuis; podes engrandecer-te, adquirir muito; cede à voz da ambição e todos os teus desejos serão satisfeitos. » Ela vos mostra o perigo e o meio de o evitardes, dizendo às más inspirações: Retira-te, Satanás ou, por outras palavras: Vai-te, tentação!
« As duas outras parábolas que lembrei mostram o que ainda pode esperar aquele que, por muito fraco para expulsar o demônio, lhe sucumbiu às tentações. Mostram a misericórdia do pai de família, pousando a mão sobre a fronte do filho arrependido e concedendo-lhe, com amor, o perdão implorado. Mostram o culpado, o cismático, o homem repelido por seus irmãos, valendo mais, aos olhos do Juiz Supremo, do que os que o desprezam, por praticar ele as virtudes que a lei de amor ensina.

« Pesai bem os ensinamentos que os Evangelhos contêm; sabei distinguir o que ali está em sentido próprio, ou em sentido figurado, e os erros que vos hão cegado durante tanto tempo se apagarão pouco a pouco, cedendo lugar à brilhante luz da Verdade. » - João Evangelista, Bordéus, 1862.

A NOVIÇA E O FARAÓ

LIVRO É NOTÍCIA

A NOVIÇA E O FARAÓ

A reencarnação, com o objetivo de facultar a evolução dos seres, é Lei Universal e uma deferência amorosa do Criador que assim proporciona a todos os filhos da Criação a oportunidade do recomeço para refazimento do próprio destino. 

Reencarnação é oportunidade, é retorno ao campo de lutas materiais, e visa, antes de tudo, liquidar ou diminuir débitos contraídos em experiências anteriores ou, ainda, angariar créditos para a vida futura.

Para enriquecer ainda mais a bibliografia espírita, no capítulo do conhecimento da reencarnação, o professor Hermínio Correia de Miranda, com a sua experiência de respeitado pesquisador, acaba de lançar mais uma expressiva obra sobre este tema.
A Noviça e o Faraó é um mergulho naquele Egito tão decantado pela grandeza das suas obras materiais, tão conhecido e consultado por se tratar de uma nação onde os grandes iniciados, instrutores e mestres da Humanidade renasceram após degredo de uma outra moradia planetária.

O livro descreve a saga de Bentreshit que era uma bela e jovem sacerdotisa do Templo de Osíris, na cidade de Abidos.

Aborda a vida de Seti I, um faraó empreendedor e guerreiro, dos mais bem sucedidos no antigo Egito. O amor entre eles, no entanto, era completamente proibido pelas leis do Templo. A consequência foi uma separação forçada naquela oportunidade, voltando as duas individualidades a reunir-se na Terra, já na época atual, numa impressionante demonstração da reencarnação, conforme a descrição documentada e interessantíssima de Hermínio Miranda.

Renascida na Inglaterra, em 1904, como Dorothy Louise Eady, a antiga amada do Faraó Seti I, que pertenceu a 19a dinastia, desde criança demonstrou um grande interesse pelas coisas do Egito, sua cultura, seus ídolos, suas múmias, rituais e tudo mais que sempre esteve presente na vida daquele povo. A menina causava surpresa e algumas vezes gerou problemas na escola, na igreja que frequentava, entre os coleguinhas de folguedo e, principalmente no lar, juntos aos pais, que não encontravam explicações satisfatórias para tais fenômenos, hoje vistos como flashes de vidas passadas, e que retornavam de forma tão intensa. Foram tão marcantes estas reminiscências que ela adotou, aos três aninhos de idade, o nome de Omm Sety, que em egípcio significa mãe de Seti, e foi com este nome que Dorothy ficou 
conhecida e famosa como a grande egiptóloga que foi e que desencarnou em 1981.

Para este espírito, com larga experiência naquele ambiente faraônico, nem mesmo a leitura de hieróglifos era problema. Lia textos inteiros, em tradução simultânea, como se estivesse lendo uma página escrita em inglês, sua língua de origem na presente vida.

Também orientava as escavações, as buscas aos túmulos e relíquias antigas, numa forma que surpreendia a todos. Era como se ela estivesse passeando, à vontade, no jardim de sua casa. De fato, ela retornava à sua antiga moradia, aos lugares onde vivera como a Noviça do Faraó, na recuada época de três mil anos antes da nossa era.
A Noviça e o Faraó tem 352 páginas, 14x21cm e é um lançamento da Editora Lachâtre:

Rua Dr. Miranda de Azevedo, 248  Vila Anglo-brasileira  CEP 05027-000 São Paulo, SP  telefone (11) 3879-3838 e página www.lachatre.com.br

Conselho Espírita Internacional
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Sábado, 3/11/2007  no 2066

ESTUDO #5 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – V

POR ALLAN KARDEC

INTRODUÇÃO lV: SÓCRATES, PLATÃO, PRECURSORES DA DOUTRINA CRISTÃ E DO ESPIRITISMO

Estamos estudando a introdução de Kardec a este livro. Vimos os itens I: Objetivo da obra e o II: Autoridade da doutrina espírita. Deveríamos iniciar o estudo do item III: Notícias históricas, no qual Kardec explica o significado de determinadas palavras que aparecem nos textos evangélicos: samaritanos, nazarenos, publicanos, peageiros, fariseus, escribas, sinagoga, saduceus, essênios e terapeutas.
Considerando, porém, que este estudo é feito para um site, decidimos fazer aquelas explicações quando os termos surgirem no texto a ser estudado ou relacionados com ele.
Deste modo, iniciamos o item IV, com a explicação do termo essênios, citado por Kardec no texto.
Trata-se de uma seita judaica, existente, segundo Flávio Josefo (Jerusalém, 37D.C.- Roma,100) em sua obra História dos Hebreus, desde o ano 150 A C.
A palavra essênios vem de hassidim = piedosos, que derivou para essenói em grego e esseni em latim.
Os essênios possuíam seus próprios livros sagrados e comunidades em vários pontos da Palestina, sempre longe das cidades, onde se dedicavam, principalmente, à agricultura. Usavam roupas brancas, rejeitavam o sacrifício de animais, acreditavam na ressurreição e na imortalidade da alma, com castigos e recompensas futuras. Confiavam na providência de Deus. Eram celibatários, mas cuidavam das crianças que lhes eram dadas para instruírem e educá-las na virtude.
Moravam em edifícios semelhantes a mosteiros; viviam em estreita união, usufruindo seus bens em comum, numa vida virtuosa, austera e metódica.
Flávio Josefo escreveu que a virtude dos essênios “é tão admirável que supera de muito a dos gregos e os de outras nações, porque eles fazem disso todo o seu empenho e preocupação, e a ela se aplicam continuamente." Destaca também o hábito do silêncio nas comunidades essênicas;” Jamais se ouve barulho em suas casas; nunca se vê a menor perturbação, cada qual fala por sua vez e sua posição e seu silêncio causam respeito aos estrangeiros. Tão grande moderação é efeito de sua contínua sobriedade; não comem, nem bebem mais do que é necessário para o sustento da vida." Obra citada acima vol. 5 e 7, respectivamente.
Os essênios tinham um modo de vida semelhante ao dos primeiros cristãos e seus princípios morais "fizeram algumas pessoas suporem que Jesus fizera parte dessa seita, antes do início de sua missão pública. O que é certo, é que Ele devia conhecê-la, mas nada prova que lhe fosse filiado, e tudo quanto se tem escrito a respeito é hipotético" ( Allan Kardec).
Na atualidade, os essênios têm sido citados por causa dos Manuscritos do Mar Morto, encontrados em onze cavernas entre l947 e l956, na região de Qumran, costa noroeste do Mar Morto.
Entrando agora no estudo do item IV, Kardec inicia dizendo que a suposição de que Jesus conhecia a seita dos essênios, não revela que Ele aprendera com os mesmos os ensinos que ensinou e exemplificou.
Sendo Jesus o Espírito mais perfeito que viveu na Terra e considerando que já era perfeito quando a Terra ainda não existia, não podemos aceitar alguém ensinando algo a Ele.
Kardec escreve dizendo que todas as grandes idéias novas que têm por base a verdade nunca surgem de repente. Vão aparecendo devagar, através de precursores, que vão preparando o terreno, aqui e ali, até que alguém vem com a missão de resumir, coordenar e completar os ensinos esparsos.
Assim, as idéias cristãs não sugiram todas com Jesus. Houve precursores, dos quais Kardec destaca como os maiores Sócrates e Platão.
Faz então, uma comparação entre alguns fatos das vidas de Sócrates e Jesus.
Ambos nada escreveram. Ensinaram através das palavras e dos exemplos. Seus ensinos chegaram até nós através dos seus discípulos.
Ambos foram considerados criminosos pela justiça dos poderosos da época, condenados à morte, por haverem combatido os preconceitos religiosos, por ensinarem verdades que poucos na época poderiam compreender.
Jesus foi acusado de corromper o povo com seus ensinos, Sócrates por corromper a juventude, ao proclamar a unicidade de Deus, a imortalidade da alma e a existência da vida futura.
Ressalta Kardec que essa comparação em nada diminui a grandeza da missão divina de Jesus e que se trata de fatos históricos que não podem ficar escondidos. " O homem atingiu um ponto em que a luz sai por si mesma debaixo do alqueire e o encontra maduro para a enfrentar. Tanto pior para os que temem abrir os olhos. É chegado o tempo de encarar as coisas do alto e com amplitude, e não mais do ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas ".
Propõe-se Kardec a provar que “se Sócrates e Platão pressentiram as idéias cristãs, encontram-se, igualmente, na sua doutrina os princípios fundamentais do espiritismo.
Antes, porém, vamos transcrever algo sobre Sócrates e Platão.
O primeiro nasceu em Atenas em 470 ou 469 A C. no início da fase áurea da democracia ateniense e, filho de um escultor, Sofronisco e de uma parteira Fenareta. Beneficiou-se da atmosfera cultural da época, das mais brilhantes da cultura grega. Era o famoso “século de Péricles”.
 "Atenas é, no tempo de Sócrates, um ponto de convergência cultural e um laboratório de experiências políticas, onde se firmara, pela primeira vez na história dos povos, a tentativa de um governo democrático, exercido diretamente por todos os que usufruíam dos direitos de cidadania."
Na preparação do indivíduo para a vida pública, importantíssimo era ensiná-lo ao uso correto e hábil da palavra na arte da persuasão.
Sócrates acreditava ter uma missão, devido à declaração do oráculo de Delfos a seu amigo Querefonte, de que ele (Sócrates) era o mais sábio dos homens, que ele entendera que se assim era, seria por ele saber que nada sabia. Considerando então, que "essa consciência da ignorância sobre coisas era sinal e começo da autoconsciência, pôs-se a ensinar aos jovens a pensar por si, partindo do conhecimento de si mesmo dizia Sócrates ser orientado por seu daimon (demônio), provavelmente seu Espírito Guia e Protetor.
Seu método de ensino era conversar com alguém que poderia tornar-se seu discípulo, e através das questões propostas, levá-lo a formular suas próprias idéias. Assim, o interlocutor-discípulo era conduzido a ser ele mesmo e não aceitar o que sua consciência repelia. Sócrates procurava auxiliar as pessoas na concepção de idéias próprias, conseguindo assim, conhecer-se a si próprio, como prescrevia a inscrição do templo de Delfos e de fazer de si próprio o ponto de partida.
Condenado, por perverter a juventude, a beber cicuta, desencarnou em 399 A C. PLATÃO nasceu em Atenas em 428 A C. e morreu em 348 A C.. Viveu entre a fase áurea da democracia ateniense e o final do período helênico.
Foi discípulo de Sócrates, ao qual considerava " o mais sábio e o mais justo dos homens". Com ele aprendeu a necessidade de fundamentar qualquer atividade em conceitos claros e seguros.
No próximo estudo iniciaremos o estudo de Kardec: Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão.
Escreveu muitas obras, iniciando seus primeiros “Diálogos" geralmente chamados " diálogos socráticos" porque o principal personagem era Sócrates. Em "Apologia de Sócrates" reproduz a defesa feita pelo mesmo, diante da Assembléia que o julgou e o condenou. Em outros Diálogos também fez defesa de Sócrates, mostrando que não era ímpio, nem pervertia os jovens.
 Em 387 A C. Platão funda em Atenas a Academia, sua escola de investigação científica e filosófica, importantíssima para a história do pensamento ocidental Platão foi assim, o primeiro dirigente de uma instituição permanente, voltada para pesquisa.
Dentre suas muitas obras, lembramos República, onde apresenta uma organização da cidade ideal, com o objetivo de que todos seus habitantes fossem felizes.
No platonismo, a construção do conhecimento “é uma conjugação de intelecto e emoção, de razão e vontade: a ciência é fruto de inteligência e de amor."
Alguns dados sobre os essênios estão no livro A Grande Espera do Espírito Eurípedes Barsanulfo, médium Corina Novelino; os dados sobre Sócrates e Platão foram tirados dos volumes Sócrates e Platão da coleção Os Pensadores da Editora Nova Cultural de São Paulo.
No próximo mês iniciaremos o estudo do Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão, escrito por Allan Kardec, em prosseguimento ao estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril/2002

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br
Ribeirão Preto (SP)

EDGAR EVANS CAYCE

EDGAR EVANS CAYCE

Frederico Guilherme Kremer

Edgar Cayce, um dos maiores médiuns do século XX. Nascido em 18 de março de 1877, na zona rural de Hopkinsville, Kentucky, nos Estados Unidos, foi o mais velho de cinco irmãos. Ao longo de 43 anos da sua vida, Cayce realizou mais de 13 mil sessões, onde, numa espécie de sono hipnótico, entrava num transe inconsciente e receitava procedimentos médicos. Posteriormente, também passou a escrever sobre outros temas.
Desde pequeno, Cayce demonstrou a sua paranormalidade, conversando com amigos imaginários e com seu avô, já desencarnado.
Seus pais não se preocupavam, pois consideravam que estes seres seriam fruto de uma imaginação fértil. Edgar desde cedo se afeiçoou à leitura constante da Bíblia e se encantava com as histórias do Novo e do Velho Testamento.
Em 1901, Edgar adoeceu gravemente e não melhorava. Foi quando então entrou em transe e trouxe uma receita para si mesmo. Tinha início assim a sua tarefa missionária. Aos 16 anos, teve que abandonar os estudos e trabalhar para cooperar com o sustento da família. Inicialmente empregou-se numa livraria e, posteriormente, aprendeu o ofício de fotógrafo.
Até 1923, as suas leituras eram apenas voltadas para a saúde, o que, aliás, trouxe grande popularidade para ele nos Estados Unidos, não faltando também as inevitáveis investigações das entidades de medicina.
A partir desse ano, ele também faria leituras sobre espiritualismo, mistérios antigos e uma série de profecias.
Esta mudança ocorreu quando ele fez uma leitura para um amigo filósofo que não estava interessado na sua saúde e sim nos mistérios de sua vida. Após o transe, Edgar surpreendeu-se com a leitura que fizera, pois fazia referência a vidas passadas do seu amigo. Pela primeira vez Edgar tomava conhecimento da reencarnação. A partir de então, procurou estudar a grande lei e sua aderência ao Novo Testamento e acabou por concluir que ela estava em sintonia com os ensinamentos cristãos.
Em 1925, transferiu-se com a família, mulher e filhos, para Virginia Beach. Em 1928, funda um hospital que, infelizmente, teve que fechar as portas em 1931, devido à crise econômica que então atingia o mundo inteiro.
Edgar Cayce desencarnou em 3 de janeiro de 1945. Em 1944, recebera orientação espiritual para realizar apenas duas sessões por dia. Entretanto, condoído com a angústia da família americana, que enfrentava os horrores da Segunda Guerra Mundial, passou a realizar sete reuniões diárias, o que acabou desgastando o seu combalido organismo.
Com relação aos mistérios antigos, comentaremos dois deles trazidos na década de 30. O primeiro acerca dos essênios.
Edgar afirmou que os essênios eram uma comunidade judaica rigorosa e não uma ordem ascética como todos os pesquisadores na época acreditavam. Posteriormente, na década de 40, foram descobertos os famosos manuscritos do Mar
Morto, que trouxeram muitas informações sobre as crenças dos essênios. Além disso, no local, foram encontradas sepulturas de homens e mulheres, confirmando a tese da comunidade apresentada por Edgar.
O segundo, refere-se à civilização Atlante, comentada por Emmanuel no livro “A Caminho da Luz”. Edgar previu que entre as patas da esfinge de Gizé, situada perto do Cairo, no Egito, existiria uma espécie de câmara com escritos referentes a esta grande civilização. No início da década de 90, pesquisadores da Universidade de Boston, dos Estados Unidos, realizaram pesquisas na famosa esfinge e detectaram a presença da referida câmara.
Além disso, analisando a erosão da esfinge, surpreenderam-se com o seu padrão diferente das pirâmides que estão à sua volta.
Nas pirâmides, o padrão é horizontal, característica de uma erosão causada pelos ventos. Na esfinge, a erosão é vertical, padrão causado pela água. Aquela região desértica fora um vale florescente cerca de 10.000 anos atrás. Neste caso precisamos aguardar para que as suas previsões sejam totalmente confirmadas, visto que as autoridades egípcias dificilmente irão autorizar qualquer escavação na esfinge de Gizé.
Finalmente, destacamos as grandes dificuldades para Edgar exercer o seu mandato mediúnico. Ele não tinha uma equipe de encarnados ou mesmo um Centro Espírita que lhe desse apoio. Além disso, foi criado com as interpretações não-espíritas da Bíblia. Por fim, o grande médium sempre foi assediado pelos interesses imediatistas.

Trabalhando inconscientemente, algumas vezes as questões eram formuladas com base apenas no interesse material. Após estas leituras, Edgar Cayce não passava bem e sempre buscava evitá-las.