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terça-feira, 3 de agosto de 2010

O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 31

SEGUNDA PARTE
DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS
CAPITULO V
MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS
Estudo 31 - Itens 92 a 95 - Lançamento de Objetos
No capítulo que estamos estudando, Allan Kardec explica que tais fenômenos, cuja manifestação se poderia considerar como de prática espírita natural, são muito importantes, porque excluem as suspeitas de conivência. Afirma ainda, que as manifestações físicas têm por fim chamar a nossa atenção para alguma coisa e convencer-nos da presença de um poder superior ao do homem. Também disse que os Espíritos elevados não se ocupam com esta ordem de manifestações; que se servem dos Espíritos mais imperfeitos para produzi-las. Atingida a finalidade acima indicada, cessa a manifestação. Na sequência estudaremos a causa do lançamento de objetos.
Causa do lançamento de objetos
Podemos considerar que os fenômenos de movimentação dos corpos inertes, os ruídos, as pancadas, o deslocamento de objetos tem uma mesma causa; são produzidos pela mesma força que levanta objetos. São produzidos em ambientes onde há a presença de médiuns, os quais muitas vezes ignoram suas faculdades e que por isso são chamados de médiuns naturais.
A intervenção voluntária ou involuntária de pessoa dotada de aptidão especial parece necessária, na maioria dos casos, para a produção desses fenômenos, embora haja aqueles em que o Espírito parece agir sozinho, mas, ainda nesse caso, ele poderia tirar o fluido animalizado de uma pessoa distante. São necessárias algumas condições para que o fenômeno se dê: primeiro, que o Espírito queira fazê-lo, a seguir que encontre uma pessoa apta a ajudá-lo, coincidência que só raramente ocorre. Se essa pessoa aparece inesperadamente, ele a aproveita.
Mas apesar das circunstâncias favoráveis, ele poderia ainda ser impedido por uma vontade superior que não lhe permitisse agir como quer, ou, permitir que aja dentro de certos limites, desde que as manifestações sejam consideradas úteis, para os que a vivenciam.
O Espírito São Luis, questionado por Allan Kardec sobre fenômeno ocorrido em junho de 1860 na rua Des Noyers, em Paris, em que um Espírito se divertia brincando com os moradores do local, esclarece que os fatos foram verdadeiros apesar dos exageros de imaginação do povo. Os detalhes se encontram na Revista Espírita de agosto de 1860.
Esclarece que esses fenômenos são sempre provocados pela presença, entre os moradores, de alguém com mediunidade espontânea e involuntária. Um Espírito mora num lugar de sua predileção e, enquanto ali não aparece uma pessoa de que se possa servir, fica sem ação. Quando essa pessoa aparece, ele se diverte quanto pode.
A presença desse médium no local é o mais comum, porque o Espírito pode buscar os recursos necessários em outro local. Allan Kardec pergunta se há afinidade moral entre o médium e o Espírito, e São Luis afirma que não, precisamente, e sim, há uma aptidão que decorre de afinidade fluídica, mas há que se considerar uma tendência material que seria preferível não possuir, pois quanto mais elevada moralmente, mais a pessoa atrai os Bons Espíritos, que necessariamente afastam os maus.
Os objetos atirados são quase sempre encontrados no próprio lugar ou na vizinhança, e uma força que sai do Espírito os lança no espaço e os faz cair onde ele quer.
Considerando que a finalidade dessas manifestações é chamar a atenção para a existência do Espírito, sobre a realidade do mundo espiritual, como entender, pergunta Kardec, que alguns incrédulos que vivenciaram essas experiências, não as consideraram concludentes? Não dependeria dos Espíritos dar-lhes alguma prova sensível?
Novamente o Espírito São Luis afirma que, "os ateus e os materialistas não testemunham a cada instante os efeitos do poder de Deus e do pensamento? Mas isso não os impede de negar a Deus e a alma. Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Os fariseus que lhe diziam: "Mestre, fazei-nos ver algum prodígio", não se pareciam com esses que hoje pedem para ver as manifestações? Se não se deixam convencer pelas maravilhas da Criação, não seriam mais tocados pelo aparecimento de um Espírito, mesmo da maneira mais evidente, pois o seu orgulho os transforma em animais empacados. Não lhes faltariam ocasiões de ver, se eles a procurassem de boa fé. É por isso que Deus não julga conveniente fazer por eles mais do que não faz nem mesmo para aqueles que sinceramente buscam instruir-se. Essa incredulidade não impedirá que se cumpra a vontade de Deus, assim como não impediu a expansão da Doutrina. Felizes os que crêem sem ter visto, disse Jesus, porque eles não duvidam do poder de Deus”.
Concluindo nosso estudo com essas reflexões do Espírito São Luis, convidamos o leitor a buscar em O Livro dos Médiuns, a descrição da evocação do Espírito perturbador de rua Des Noyers feita por Allan Kardec, e que contém as razões do Espírito para a provocação dos fenômenos. Ver cap V, item 95.

Em continuidade ao estudo desse capítulo, veremos Fenômeno de Transporte.
BIBLIOGRAFIA
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap. V - 2ª Parte
Tereza Cristina D'Alessandro
Fevereiro / 2004

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Livro dos Espíritos Estudo 28

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA


Entre tantas acusações e controvérsias, habituais e normais nesse início, a objeção - ortografia isto é - a escrita correta das palavras - não se constitui com tantos fundamentos ou gravidade.
Estabelecido que:
·      Os Espíritos são as almas daqueles que um dia estiveram encarnados
·      Constituem população imensa, incalculável, em meios físicos e hiper-físico que se interpenetram
·      cada qual conserva sua individualidade e se exteriora segundo a bagagem que lhe é própria, há que se entender, ser impossível, que todos se expressem através da escrita, da palavra ou qualquer outro meio, com a correção e perfeição desejadas.
Necessariamente, nem todos possuem a elegância da frase, o purismo no encadear das palavras para que se expresse a idéia. A grande maioria, não só dos Espíritos, como médiuns também não têm noção ou freqüentaram cursos de gramática que lhes ensinou escrever corretamente ou expressar o pensamento de forma mais clara, simples e correta.
Sob esses raciocínios percebe-se, que os adversários, detêm-se a detalhes primários, insignificâncias não convincentes, onde a grande causa do engano está em crer que o Espiritismo emana de uma só fonte ou da opinião de um só homem. Não percebe que está ele por toda parte, uma vez que não há lugar onde os Espíritos não possam se manifestar.
A causa, portanto, está na própria natureza do Espiritismo, cuja força não provindo de uma só fonte, permite a cada qual receber diretamente comunicações dos Espíritos e certificar-se através delas, na comprovação dos fatos, a veracidade ou não da proposta.
Essa universalidade das manifestações confere os princípios da Doutrina... "segundo o ensinamento dos Espíritos Superiores, através de diversos médiuns”...
É uma força que não podem explicar aqueles que desconhecem o mundo invisível, assim como os que desconhecem as leis da eletricidade não compreendem a rapidez com que se transmite por exemplo um telegrama, um e-mail.
Entende-se portanto, ser normal nem sempre se receber uma mensagem com grafia e estilo impecáveis.
Funciona aqui, o mesmo critério da linguagem, onde o que se deve buscar é o conteúdo, a proposta moral contida na instrução, no trecho, na mensagem, no livro etc. Se procedem de Espíritos elevados, a idéia será a mesma em qualquer tempo e lugar, independendo-se da forma, da grafia certa ou errada, da construção da frase, da caligrafia fluente, fina ou grosseira e tosca.
Não julgar portanto, a qualidade do Espírito pela forma material na incorreção do estilo. Sondar-lhe o íntimo, analisar, pesar friamente sem prevenção.
Qualquer divergência, distanciamento, inovação, ofensa à lógica, à razão, à ponderação ao bom senso, não deixarão dúvida quanto à procedência, sejam quais forem as palavras bonitas ditadas, a grafia perfeita ou o nome sob o qual se apresente o Espírito.
O teor de uma mensagem inferior aborda e discorre sobre tudo com desassombro, uma vez que não há preocupação com a verdade. Predizem o futuro, explicam o passado, fixam acontecimentos em datas e circunstâncias. Ao escrever e falar, são pomposos, ostensivos, bombásticos, justamente meio que, empolgando, oculta o vazio das suas idéias. Essa linguagem pretensiosa, ridícula ou obscura tem o objetivo de querer parecer profunda, filosófica, séria. Mescla-se em meio a palavras bonitas onde a imposição é velada nas ordens que dão e que querem ser obedecidas. Elogiam, estimulam o orgulho, a vaidade, exaltam a importância pessoal, fazem promessas e tratos, pactos e acordos em meio às suas pregações de humildade, desapego, fraternidade...
Os bons, os comprometidos com a Verdade nas propostas de renovação moral, ao contrário, só dizem o que sabe; calam-se ou confessam ignorância sobre o que desconhecem. Não determinam datas em previsões. Não direcionam a mensagem, especificando que é para este ou aquele. Abordam o assunto de tal forma generalizando-o, que cada ouvinte ou leitor, sente-se como destinatário único.
Exprimem-se com simplicidade, em estilo sucinto, resumido, breve, exato, sem exigir muito esforço para sua compreensão. Dizem muito em poucas palavras, porque exatamente cada uma delas é empregada com exatidão e com o sentido que têm e não a que o homem queira dar-lhe. Não ordenam, não impõem, mostram utilidade, objetivos, ideal a ser alcançado, benefícios que de modo geral atraem esta ou aquela atitude, deixam o ser em liberdade. Se não são aceitos, entendidos, escutados, retiram-se. Não lisonjeiam, aprovam o bem feito, com reservas, sem estardalhaço, sem elogios. Objetivam sempre fim sério e eminentemente útil - em todas as circunstâncias - só prescrevem o Bem e tudo o que passarem estará estritamente conforme com a pura caridade evangélica.
Esse conhecimento é essencial para se aferir, para se ter presente quando do recebimento de uma mensagem, da leitura de um livro que se qualifica como espírita, como de mensagens psicofônicas, tanto em relação à sua procedência, como em relação à pureza da Doutrina.

Bibliografia

Kardec, Allan - "O Livro dos Espíritos" - Introdução XIV

Kardec, Allan - "O que é o Espiritismo" - 1o dialogo

Kardec, Allan - "O Livro dos Médiuns" - cap. XXIV

Leda Marques Bighetti
Outubro / 2003

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 40


Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel
ENQUANTO PODES
"Tu, porém, por que julgas teu irmão? e tu, por que desprezas o teu? pois todos compareceremos perante o Tribunal de Cristo." - Paulo. (Romanos, 14:10.)
         O questionamento apostólico tem como objetivo fazer com que cada um reflita nas próprias condições.
         Da mesma forma que outrora, é comum ao homem moderno deter-se destacando as imperfeições alheias. Estamos sempre prontos a apontar, a ressaltar, a divulgar as mazelas, os aspectos ruins de todos e de tudo. "Sempre encontramos motivos para a ofensa, a recriminação, a transferência de culpas, para depreciar a movimentação alheia, para rebaixar o outro".
         Destacando este aspecto, não estamos criticando ou desconsiderando a capacidade do ser humano de analisar, perquirir, identificar o erro quando e onde ele exista, uma vez que essa habilidade, desenvolvida ao longo das oportunidades reencarnatórias, não é um mal, pelo contrário, é uma ferramenta e como tal precisa ser bem utilizada para que traga proveito, benefício.
         Como pode ser isso?
         Toda vez que uso o discernimento e analiso as atitudes do outro, seus desacertos, desequilíbrios e tiro disso experiências para as recomposições pessoais, saio do simples julgar, para os aprendizados em que cresço analisando as repercussões das variadas respostas que o outro colha. Tal atitude representa a ação de Espíritos amadurecidos. Na juventude, não acontece tal ação. Imaturo, a duras penas paga-se o preço da inexperiência que ensinará na dor, a que se aprenda mais tarde analisando a semeadura e a colheita do próximo, lendo ali lições, convites para que o mesmo engano não nos surpreenda em vigilante. Desse modo aplica-se o engano alheio como instrumento de correção pessoal a fim de não estimular a negligência, a conivência com o erro, e não unicamente para ressaltar o lado sombrio e difícil de pessoas e coisas.
         Emmanuel reflete que cada um deve perceber-se como criatura que também caminha de mãos dadas com erros e dificuldades pois "almas imaculadas não povoam ainda a Terra"; faz-nos ver a necessidade e urgência do trabalho pessoal em desenvolver qualidades essenciais à convivência em sociedade, à própria paz e ao progresso geral. Quais são essas qualidades? A indulgência, o entendimento, a paciência e a bondade para com todos "que se enganaram sob a neblina do erro, para que te não faltem a paciência e a bondade (...) a que te arrimarás no dia em que a sombra te ameace o campo das horas." Dentro desse programa educativo, mesmo percebendo os enganos nos quais o outro se detém e usando-os para crescimento pessoal o grande desafio (segundo Ermance Dufaux) consiste em "estarmos afetivamente focados no "lado" bom, nas qualidades, nos instantes bem sucedidos de alguém, conquanto tenhamos (...) possibilidades de perceber-lhe as imperfeições e mazela. Continua dizendo que "Compreender, estimular, perdoar, reconhecer valores alheios, dividir responsabilidades, apoiar, ser afetuoso (...) é muito mais trabalhoso". Conquanto seja trabalhoso é preciso investir nas qualidades necessárias ao progresso e elevação, que em síntese representarão a libertação de cada um.
         Jesus é o padrão. Onde O vemos em destaque ao mal?
         Conclui Emmanuel: 
         "Auxilia, enquanto podes.
         Ampara, quanto possas.
         Socorre, quanto possível.
         Alivia, quanto puderes.
         Procure o bem, seja onde for.
         E, sobretudo, desculpa sempre, porque ninguém fugirá ao exato julgamento na Eterna Lei."
Bibliografia:
§  Oliveira,Wanderley S. "Laços de Afeto: Caminhos do Amor na Convivência". Ditado pelo Espírito Ermance Dufaux. 3a ed. Belo Horizonte - MG - Editora INEDE. 2002.
§  Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Enquanto Podes". Ditado pelo Espírito Emmanuel. 17a ed. Uberaba - MG - CEC . 1992.

Iracema Linhares Giorgini
 
Outubro / 2004

 ROMANOS 14
10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus

sexta-feira, 23 de julho de 2010

92 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ALLAN KARDEC


INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A INDULGÊNCIA- ITEM 18
Dufétre, bispo de Nevers, do qual não encontramos referências, traz a terceira e última mensagem deste capítulo, sobre a indulgência, iniciando-a com a mesma recomendação das duas anteriores: “sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias.”
             A insistência do conselho nos mostra a importância da prática dessa ação em nossas vidas, neste planeta de expiações e de provas, como condição sine-qua-non de nossa evolução espiritual, de nossa paz interna e externa.
             Para que possamos conseguir vivenciar no cotidiano essa recomendação, parece-me, indispensável, a aceitação de que somos todos iguais em potencialidades, desde a nossa criação, e que estamos todos fazendo nossa caminhada evolutiva para atingir a perfeição e a felicidade. Para isso há necessidade da aceitação da continuidade da vida do Espírito.
             Essa certeza acaba com o orgulho e o egoísmo, desenvolve a humildade, que leva o homem a sentir-se igual ao outro, nem superior, nem inferior, tornando-o indulgente para as fraquezas alheias, e exigente consigo, porque compreende o que pode exigir de si mesmo.
             Enquanto os homens viverem com a idéia de uma vida única, vivendo-a guiados pelo orgulho e egoísmo, não vendo senão seus próprios interesses, julgando-se mais merecedores do que os outros, as lutas entre pessoas e entre nações continuarão trazendo dores e sofrimentos, além de atrasar o progresso geral.
             O autor dessa mensagem escreve que seguir a recomendação acima é fazer “a santa caridade”, visto que todos nós, os habitantes da Terra, encarnados e desencarnados, temos “más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar”. Temos um fardo mais ou menos pesado para alijar, ou seja, para livrarmo-nos, para retirar de nós, a fim de que possamos atingir o “cume da montanha do progresso”.
             Por que, então, enxergarmos com tanta clareza as falhas alheias, sendo tão cegos com as nossas? Por que faltar com essa caridade?
             “O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo. Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual”.
             Escreve sobre o espiritismo, considerando felizes os que o conhecem e põem em prática seus claros ensinos, que lhes ensinam que a caridade em relação ao próximo tem de ser praticada como para si mesmo.
             “Caridade para com todos e amor a Deus sobre todas as coisas, porque o amor a Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele fez uma lei para todas as criaturas”.
             Enquanto não nos libertarmos do hábito de destacar as imperfeições alheias, por muito que façamos em atividades de beneficência, não estamos sendo caridosos, estamos amparando necessitados, mas não estamos aproveitando essas atividades para nossa transformação moral, visto que estamos sendo malévolos para com nossos irmãos e orgulhosos em não vermos ou camuflarmos as nossas próprias mazelas.

Bibliografia:
“KARDEC, Allan - ”O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Fevereiro / 2009 

O Livro dos Espíritos Estudo 27


INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

Recorde-se que o mundo espiritual é constituído por individualidades onde, cada qual mantém suas características, sua personalidade, modo de ser e pensar diferentes umas das outras em tudo: conhecimento, moralidade, sábios, brincalhões, ignorantes etc. etc.... Entende-se, por conseguinte, que emitam sobre os variados assuntos opiniões diferentes, pois sentem, pensam, buscam a Verdade sob objetivos diferentes, pessoais.
1  Como entender, porém, o desacordo, a discordância que leva Espíritos a se expressar, sobre um mesmo assunto, de forma diferente?
Esse é mais um dos pontos que enfatiza a necessidade do estudo contínuo, pois só através da observação profunda é que se conseguirá perceber que a discordância nem sempre é tão real quanto possa parecer num primeiro momento - a idéia fundamental permanece - as definições divergem, na forma da construção da frase, no estilo mais rebuscado ou sintético. Muitas vezes, a diferença se estabelece, decorrente do modo como a pergunta é feita onde, sobre um mesmo assunto, poderá ser enfocado outro ângulo de uma mesma questão. Observados estes pontos, quase sempre onde, num primeiro momento se observa contradição, o que realmente existe são as diferenças de palavras, nas quais os Espíritos superiores não se detêm - a forma em si não lhes importa e sim - a essência do pensamento no estímulo ao Bem.
Livres da matéria, o pensamento rápido constrói frases que levam muito mais que um simples encadear de palavras formando a oração ou o texto.
Ao se comunicar com os encarnados, o processo deve-lhes ser altamente embaraçoso, limitativo, pois não conseguem exprimir a realidade, a amplitude de suas idéias. Somem-se, os limites e incapacidades do médium, as formas ou termos disponíveis na escrita, na linguagem humana, na lentidão no passar e no captar da idéia, da mensagem. Daí, por compreenderem, saberem de tudo isso, não se atêm as divergências ortográficas.
Ao tratar dos profundos e sérios ensinamentos dos quais se ocupam, detêm-se na idéia, no objetivo, na proposta, exprimindo-a em todas as línguas e a todas compreendendo.
Conhecem a correção da linguagem, a forma correta das construções, mas não se agastam, se o médium não a percebe, tanto que, ao ditar, por exemplo, uma poesia - o estilo, a métrica é perfeita, apesar da ignorância ou desconhecimento do médium.
O mesmo acontece em relação ao significado das palavras: - o texto em estudo, exemplifica com a palavra alma, que, não tendo uma definição única, poderá, para quem lê, entender haver divergência.
           Exemplo:
                      — um Espírito poderá usar o termo, afirmando que ela é o princípio da vida;
                      — outro refere-se a ela, como centelha anímica;
                      — um terceiro dirá que é interna;
                      — um quarto, que é externa etc. etc. etc.
Na realidade, todos falam de um mesmo assunto, sob objetivos, propostas e enfoques diferentes.
O mesmo acontecerá, se a idéia a ser trabalhada referir-se a Deus:
                      — alguns falarão Dele, como princípio de todas as coisas
                      — outros o apresentarão sob a face da misericórdia, justiça, inteligência, previdência, providência etc. etc.
Em relação aos Espíritos, a mesma situação:
                      — sabemos de sua existência em incontáveis graus de perfeição ou imperfeição - estabelecer uma escala em classes que sintetizem as qualidades boas ou não, classificá-las, dividi-las em três, cinco ou vinte sub classes, é arbítrio de quem está voltado a esse trabalho, sem que por isso, se coloque em erro, tanto frente a realidade, como em relação aos outros ou fale de algo diferente que colide, contraria, infringe ou diverge do todo.
Na Ciência humana, encontramos vários sistemas sobre um mesmo objeto em estudo. Normalmente, levam o nome do pesquisador que apresentou, descobriu ou defende aquela idéia ou aquela faceta da verdade. Linneu, Jussieu, Tournefort etc., são sistemas em teses defendidas por esses cientistas e que em Botânica conserva-lhes o nome, que referencia a idéia, a pesquisa por eles feita ou defendida.
A ênfase, entretanto insiste, no sentido, de que é possível que tenha havido sobre um mesmo ponto, discordâncias.
Alertam os Espíritos, a que não se faça dessa aparência motivo de inquietação que podem levar a que se duvide da unidade da crença. Nesse momento, Espiritismo, como que, desabrocha, ajusta-se seu estudo em método, isto é, a ordem lógica a ser seguida na investigação; a precisão das leis que regem, ainda não está completa, o que faz com que esses desvios sejam normais.
A princípio, a Ciência espírita pareceu muito simples, pois, muitos se detiveram no mover das mesas. A observação atenta porém, veio mais tarde revelar ramificações e conseqüências muito mais complexas do que se pudera imaginar
... "as mesas girantes são como a maçã de Newton: na sua queda encerra o sistema do mundo"...
Na realidade, aconteceu o que normalmente se passa com o que é novo: por não se ver o todo, cada um se detém, percebe um lado e comunica ou se atém ao que vê sob seu ponto de vista, suas idéias e preconceitos.
Em relação aos Espíritos são eles julgados, descritos, segundo a natureza das relações com eles estabelecidas, onde alguns são transformados em demônios; outros em anjos - afirmações estas decorrentes da apreciação daqueles que se detém na parte. Sem a visão, sem a busca do todo, cada qual estaciona naquilo que se consiste em objeto de suas preocupações.
Nesse caso, as divergências são decorrentes dos diferentes ângulos, sob os quais o pesquisador se fixa, sem interagir com as demais faces, também em estudos e pesquisas, afastando-se assim, do todo.
Esse estado de discordância ou parcialidade é comum nos sistemas prematuros fechados ou que se fixam em observações pessoais. A tendência é que, pesquisadores idôneos, cada um com suas observações, se unam na busca de uma origem comum.
As várias teorias espíritas, portanto, têm duas fontes:
                      — uma nascida do cérebro humano, onde o homem, crendo possuir todo o conhecimento daquilo que procura, se compromete, afastando-se do ponto central.
                      — a segunda, Espíritos ensinando coisas diferentes sob uma mesma idéia que se inter-relacionando, agindo umas sobre outras, abre-se na descoberta, digamos assim, da causa.
Conhecer a "Escala Espírita" favorece entender melhor essa aparente anomalia de linguagem dos Espíritos.
Conforme a classe em que se situe, tal será a qualidade e abrangência de suas apreciações.
Perceberemos que alguns são incapazes de informações exatas sobre o mundo que habitam ou o lugar em que estão. Considere-se ainda, que essas apreciações poderão provir de um leviano, inconseqüente, zombeteiro, mau, vicioso, mentiroso etc., que oferecerá detalhes segundo seus preconceitos e objetivos, sob os quais acobertam seus verdadeiros fins. Divertir-se, induzir ao erro, afirmar o que não sabem, dar conselhos indicando o que se deve ou não fazer, enganar a boa fé etc. etc., sempre segundo o ponto de vista pessoal descompromissado com os objetivos maiores da Verdade.
Destaque-se que hoje, este estudo e conhecimento de detalhes, tem especial importância. Pelo fato de já termos a Doutrina firma em seus princípios e leis, dispomos de pontos seguros para aferição, que responsabiliza a cada um, no sentido de que a idéia seja buscada, mantida, preservada na sua pureza para que possa ser vivida sem desvirtuamentos, onde a grande fonte de controvérsias passa a ser o desenvolvimento intelectual e moral dos Espíritos encarnados e desencarnados.
Bibliografia
Kardec, Allan — "O Livro dos Espíritos" - Introdução XIII
Kardec, Allan — "Revista Espírita" - Agosto 1858

Leda Marques Bighetti
Setembro / 2003