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sábado, 21 de janeiro de 2012

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 51


Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel


PALAVRA FALADA


"Porque não há coisa oculta que não haja de manifestar-se, nem escondida que não haja de saber-se e vir à luz. Vede, pois, como ouvis." - Jesus. (Lucas, 8:17-18.)

           No tema em estudo Emmanuel1 aborda dois aspectos muito importantes a respeito da "Palavra Falada". Num primeiro momento reflete sobre a importância da palavra, a responsabilidade e disciplina do ponto de vista de quem a profere; em seguida destaca que muito mais importante do que saber o que se fala é o "saber ouvir" pois segundo ouvimos podemos semear alívio ou veneno, paz ou guerra, treva ou luz. Isso porque a reação da palavra, a resposta, a continuidade do seu impacto depende de quem a ouve e se não tivermos entendimento, equilíbrio, acabaremos por agravar problemas ao invés de solucioná-los. A oportunidade desses esclarecimentos surge justamente porque ainda não damos à palavra o valor que lhe é devido. Achamos que ela é nada, no entanto, é de importância fundamental, poderoso instrumento de que nos utilizamos no dia-a-dia. Veículo do pensamento é força carreando nosso magnetismo pessoal. Com a palavra podemos construir ou destruir e mais poderosa se torna se for seguida do exemplo pessoal. 
           "(...) por ela recolhemos o ensinamento dos grandes orientadores da Humanidade (...), igualmente com ela recebemos toda espécie de informações no plano evolutivo em que se nos apresenta a luta diária1."
           Alguns exemplos significativos da História demonstram a força e o poder da palavra.
           "Homens como Napoleão Bonaparte e Hitler manobraram tropas e até mesmo nações inteiras sob o encantamento de suas personalidades, conduzindo-as a terríveis confrontos de incalculáveis perdas materiais e humanas (...). Jesus Cristo trouxe pela palavra a Boa Nova e a demonstrou com sua bondade (...); Mahatma Gandhi, (...) conseguiu a independência de seu país com a ordem da "não violência" e o seu exemplo direto (...)2."
           É necessário agir neste campo com a maior prudência, com disciplina e responsabilidade para que não sejamos instrumentos da futilidade e da propagação do mal, pois "nada é tão difícil de abafar como um rumor, nada é tão difícil de cicatrizar como os efeitos de uma história maligna e ociosa."2
Uma vez lançada a palavra foge ao nosso controle.
           Informações, idéias, sugestões de toda espécie nos chegam a cada instante. Compete-nos a reflexão, "o saber ouvir", "lubrificar as engrenagens da audição com óleo do amor puro, a fim de que a nossa língua traduza o idioma da compreensão e da paciência, do otimismo e da caridade, porque nem sempre o nosso julgamento é o julgamento da Lei Divina e, conforme asseverou o Cristo de Deus, não há propósito oculto ou atividade transitoriamente escondida que não hajam de vir à luz".
           Sugerimos para o exercício da boa palavra e do "saber ouvir", o tema "Palavras" de Emmanuel3.

Bibliografia:

  1. Xavier, Francisco Cândido. "Palavras de Vida Eterna: Palavra Falada". Ditado pelo Espírito Emmanuel. CEC. 17a ed. Uberaba, MG. 1992.
  2. Palhano Jr., L. "A Carta de Tiago. O Uso da Palavra". Editora FRÁTER. Niterói, R.J. 1992.
  3. Xavier, Francisco Cândido. "Vinha de Luz: Palavras" Ditado pelo Espírito Emmanuel. FEB. 4a. ed. Rio de Janeiro, RJ. 1997.

Iracema Linhares Giorgini
Outubro / 2005

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O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 41


SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO V

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 41 - Itens 111, 112 e 113 - Teoria da Alucinação.
         A seguir, apresentamos definições da ciência sobre a alucinação e, concluindo os estudos das Manifestações Visuais, apresentamos a análise científica de Allan Kardec contida na Teoria da Alucinação.
         Alucinação: percepção sem estímulo externo a qual pode ocorrer em qualquer campo sensorial: auditivo, visual, olfativo, gustativo e tátil.
         É uma sensação, implicitamente vivida pelo indivíduo em/ou de um objeto no mundo externo, mas que na realidade gera-se nele próprio.
         Observadas as mais das vezes, em psicoses, as alucinações também podem ocorrer por efeito de certas drogas e substâncias tóxicas e por irritação mecânica de certas áreas do cérebro como parte de síndromes orgânicas cerebrais.
         Em pessoas saudáveis, podem ocorrer alucinações na hipnose e em estados parciais de sono. Em geral, são projeções de desejos e conflitos profundos. (ver BlaRiston - Dicionário Médico, 2ª ed).
Teoria da alucinação na visão espírita.
         Analisando criteriosamente o assunto, Allan Kardec explica que os que não admitem o mundo incorpóreo e invisível julgam tudo explicar pela palavra alucinação. Esta palavra exprime o engano, a ilusão de quem pensa ter percepções que realmente não tem. Origina-se do latim allucinari, errar, que vem de ad lucem. Mas os sábios ainda não apresentaram, que o saibamos, a razão fisiológica desse fato. 
         As explicações dadas pela Ótica e pela Fisiologia, ainda não esclarecem a natureza e a origem das imagens que se mostram ao Espírito em dadas circunstâncias. Tudo querem explicar pelas leis da matéria; forneçam então, com o auxílio dessas leis, uma teoria, boa ou má, da alucinação. Sempre será uma explicação.
         A causa dos sonhos, a ciência atribui a um efeito da imaginação; mas, não nos diz o que é a imaginação, nem como esta produz as imagens tão claras e tão nítidas que às vezes nos aparecem. Consiste isso em explicar uma coisa, que não é conhecida, por outra que ainda o é menos. A questão permanece. 
         Dizem ser uma recordação das preocupações no estado de vigília. Porém, mesmo que se admita esta solução, que nada resolve, ainda restaria saber qual é esse espelho mágico que conserva assim a impressão das coisas. Como se explicar, sobretudo, essas visões de coisas reais jamais vistas no estado de vigília e nas quais jamais se pensou? Só o Espiritismo nos pode dar a chave desse estranho fenômeno que passa despercebido por ser muito comum, como todas as maravilhas da Natureza que menosprezamos.
         Os sábios não quiseram ocupar-se com a alucinação, mas quer seja real ou não, constitui um fenômeno que a Fisiologia deve poder explicar, sob pena de confessar a sua incompetência. Se, um dia, algum sábio resolver dar não uma definição, mas uma explicação fisiológica veremos se a teoria resolve todos os casos, se não omite os fatos tão comuns de aparições de pessoas no momento da morte, se esclarece a razão da coincidência da aparição com a morte da pessoa. Se fosse um fato isolado, se poderia atribuí-lo ao acaso, mas como é bastante freqüente, o acaso não o explica. Se aquele que viu a aparição houvesse tido a idéia de que a pessoa estava para morrer... Mas a aparição é, na maioria das vezes, da pessoa de quem menos se pensa: a imaginação, portanto, nada tem com isso. 
         Os partidários da alucinação dirão que a alma (se é que admitem uma alma) tem momentos de superexcitação em que suas faculdades são exaltadas. Estamos de acordo, mas quando o que ela vê é real, não há ilusão. Se na sua exaltação a alma vê à distância, é que ela se transporta; e, se ela pode se transportar, por que a da outra pessoa não se transportaria para nos ver? Que na teoria da alucinação levem em conta esses fatos, não se esquecendo de que uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariem é necessariamente falsa ou incompleta.
         Aguardando a explicação que venham a oferecer, Allan Kardec afirma: provam os fatos que há aparições verdadeiras, que a teoria espírita explica perfeitamente e que só podem ser negadas pelos que nada admitem fora do organismo. Mas ao lado dessas visões reais existem alucinações, no sentido que se dá a essa palavra? Não se pode duvidar. Qual a sua origem? Os Espíritos é que vão esclarecer-nos sobre isso, porquanto a explicação, parece-nos, está toda nas respostas dadas às seguintes perguntas:
         a) As visões são sempre reais ou são algumas vezes efeito da imaginação? Não serão, algumas vezes, efeito da alucinação? Quando vemos em sonho, ou de outra maneira, o diabo, ou outras coisas fantásticas, que não existem, não será isso um produto da imaginação? 
         — Sim, algumas vezes, quando dá muita atenção a certas leituras, ou a histórias de feitiçarias, que impressionam, a pessoa, lembrando-se mais tarde dessas coisas, julga ver o que não existe. Mas, também, já temos dito que o Espírito, sob o seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as formas para se manifestar. Pode, pois, um Espírito brincalhão aparecer com chifres e garras, se o quiser, para divertir-se à custa da credulidade daquele que o vê, do mesmo modo que um Espírito bom pode mostrar-se com asas e com uma figura radiosa.
         b) Podem-se considerar como aparições os rostos e outras imagens que, muitas vezes, se mostram, quando cochilamos ou simplesmente quando fechamos os olhos? 
         — Desde que os sentidos entram em torpor, o Espírito se desprende e pode ver longe, ou perto, aquilo que lhe não seria possível ver com os olhos. Muito freqüentemente, tais imagens são visões, mas também podem ser efeito das impressões que a vista de certos objetos deixou no cérebro, que lhes conserva os vestígios, como conserva os dos sons. Desprendido, o Espírito vê nos seu próprio cérebro as impressões que aí se fixaram como numa chapa fotográfica. A variedade e a mistura dessas impressões formam os conjuntos estranhos e fugidios, que se apagam quase imediatamente, ainda que se façam os maiores esforços para retê-los. A uma causa idêntica se devem atribuir certas aparições fantásticas que nada têm de reais e que muitas vezes se produzem durante uma enfermidade.
         Admite-se que a memória seja o resultado das impressões conservadas pelo cérebro, mas, por qual fenômeno essas impressões tão variadas e múltiplas não se confundem? Mistério impenetrável, porém, não mais estranho que o das ondas sonoras, que se cruzam no ar e que se conservam distintas. Num cérebro são e bem organizado, essas impressões se revelam nítidas e precisas; num estado menos favorável, elas se apagam e confundem; daí a perda da memória, ou a confusão das idéias. Ainda menos extraordinário parecerá isto, ao se admitir, como se admite, em frenologia, uma destinação especial a cada parte e, até, a cada fibra do cérebro.
         As imagens transmitidas ao cérebro pelos olhos deixam ali sua impressão, que permite lembrar-se de um quadro como se ele estivesse presente, embora se trate de uma questão de memória, pois nada se vê. Ora, em certos estados de emancipação, a alma vê o que está no cérebro, onde torna a encontrar aquelas imagens, sobretudo as que mais o chocaram, segundo a natureza das preocupações, ou as disposições íntimas. E assim que reencontra a impressão de cenas religiosas, diabólicas, dramáticas, mundanas, figuras de animais esquisitos, que ela viu outrora em pinturas ou ouviu em narrações, porque também as narrativas deixam impressões. Assim, a alma vê realmente, mas, apenas uma imagem fotográfica no cérebro. 
         No estado normal, essas imagens são fugidias, efêmeras, porque todas as secções cerebrais funcionam livremente, ao passo que, a doença, o cérebro enfraquece, o equilíbrio entre todos os órgãos deixa de existir, conservando somente alguns a sua atividade, enquanto que outros se acham de certa forma paralisados. Daí a permanência de determinadas imagens, que as preocupações da vida exterior não mais conseguem apagar, como se dá no estado normal. Essa a verdadeira alucinação e causa primária das idéias fixas. 
         Como se vê, explicamos esta anomalia por uma lei fisiológica muito conhecida, a das impressões cerebrais. Porém, foi sempre necessário fazer intervir a alma. Ora, se os materialistas ainda não puderam apresentar uma explicação satisfatória desse fenômeno, é porque não querem admitir a alma. Por isso mesmo, dirão que a nossa explicação é má, pois nos apoiamos num princípio que é contestado. Mas contestado por quem? Por eles, mas admitido pela maioria dos homens, desde que há homens na Terra. A negação de alguns não pode constituir lei.
 
         Nossa explicação é boa? Damo-la pelo que possa valer na falta de outra, e, se quiserem, a título de simples hipótese, enquanto outra melhor não aparece; ela pode explicar todos os casos de visões? Certamente que não. Contudo, desafiamos os fisiologistas a apresentarem uma que explique todos os casos. Porque nada apresentam quando pronunciam as palavras - superexcitação e exaltação. Assim sendo, desde que todas as teorias da alucinação se mostram incapazes de explicar os fatos, é que alguma outra coisa há, que não a alucinação propriamente dita. Seria falsa a nossa teoria, se a aplicássemos a todos os casos de visão, pois que alguns poderiam contradizê-la. Pode ser legítima, se aplicada a alguns efeitos. 
         E concluímos o estudo do capítulo VI, transcrevendo as observações de Herculano Pires, tradutor de O Livro dos Médiuns, ao término desse capítulo:
         "As teorias atuais da alucinação referem-se em geral a alterações do sistema nervoso, com excitações dos neurônios sensoriais, especialmente os da visão e da audição. Insiste-se na explicação fisiológica de todos os caso. Mas a recente aceitação científica dos fenômenos paranormais abriu novas perspectivas nesse campo. Os casos referidos por Kardec são aceitos como de natureza extrafísica por toda a escola de Rhine e mesmo as escolas fisiológicas admitem a veracidade das percepções à distância, da transmissão do pensamento, das previsões e da retrocognição ou visão do passado. A alma, como afirma, Allan Kardec, mostra-se novamente indispensável à formulação de uma teoria satisfatória da alucinação".
BIBLIOGRAFIA:
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. Ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte.
KARDEC, Allan - Revista Espírita, julho de 1861: EDICEL - Ensaio sobre a Teoria da Alucinação e Variedades: As visões do Sr. O.

Tereza Cristina D'Alessandro
Dezembro / 2004
 Centro Espírita Batuira
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO – ESTUDO 103

 – ALLAN KARDEC

CAPÍTULO XI – AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: ITEM 14

CARIDADE COM OS CRIMINOSOS

                Elizabeth de França lembra, nesta mensagem, da caridade em relação aos criminosos, aos infelizes, também filhos de Deus, a quem Ele ama e lhes dará o perdão e a misericórdia, após seu arrependimento, dando-lhes novas oportunidades de reparação e de aperfeiçoamento, como faz para com todos.

             O amor de Deus, sempre absoluto, não faz distinção de pessoas, porque Ele é imutável e a parábola da ovelha perdida, narrada por Mateus, 18: 10 a 14, por Lucas, 15:3 a 7, a dos Trabalhadores da Última Hora, Mateus, 20: 1 a 16, dando oportunidades a todos que quiseram trabalhar, a parábola do Filho Pródigo, Lucas, 15:11 a 32, contadas por Jesus, atestam bem o amor do Pai por todos os seus filhos.

             Seu amor e misericórdia são imutáveis e sua justiça também, portanto, cada um receberá sempre segundo suas obras.

             Lembra a autora que caridade não é só dar esmolas nem mesmo quando acompanhadas de palavras de consolação. É muito mais do que isso.

             É ser benevolente, constantemente, e em todas as coisas para com o próximo, e ser benevolente é ter boa vontade para com os outros, tanta quanto a deseja para si.

             Assim, ser caridoso com os criminosos não é deixar-lhes livres para continuar cometendo desatinos, mas sim, compreendê-los como pessoas equivocadas.

             Considerá-los como doentes, muito necessitados, filhos de Deus, criados como todos os demais, que um dia, graças às leis divinas, tornar-se-ão bons e sábios, exatamente, como todos.

             Ser caridoso com os criminosos é pensar neles, com piedade pelo que fazem orar por eles, pedindo a Deus, que eles possam conhecer a realidade da vida espiritual, eterna e progressiva, a fim de que se arrependam e busquem transformar-se, ao invés de pensar e dizer: “É um miserável; deve ser extirpado da Terra”.

             Jesus diria isso?!

             Afirma a autora que se deve sempre perdoar os criminosos. Recusando esse perdão, a pessoa está sendo mais repreensível, mais culpada do que eles, porque quase sempre esses criminosos “não conhecem a Deus como o conheceis, e lhes será pedido menos do que a vós”.

             Não se deve esquecer nunca de que os homens são julgados pelas leis divinas, exatamente com julgam os outros, e que enquanto Espíritos em desenvolvimento, estamos, todos nós, sujeitos a erros, a enganos e todos precisamos de indulgência.

             Menciona ela algo muito importante, nem sempre evidenciado, no viver cotidiano: “Não sabeis que há muitas ações que são crimes aos olhos do Deus de pureza, mas que o mundo não considera sequer como faltas leves?”

             No processo evolutivo do Espírito imortal, sua responsabilidade nos seus atos, é sempre de acordo com seu entendimento. Quanto mais inferior, menos se lhe é exigido, pois, ninguém pode dar o que não possui; quanto mais evolui em entendimento, mais responsável é pelo que sente, pensa e faz.

             Perdoar aos criminosos, não é, pois, livrá-los das conseqüências dos seus atos, mas amenizá-las tanto quanto possível, na confiança de sua regeneração, na sua perfectibilidade e nas leis de Deus.

             Um dia, a lei divina trazida por Jesus reinará no mundo. Para isso é preciso que nos amemos uns aos outros como filhos de um mesmo Pai, com a mesma origem, o mesmo destino, as mesmas potencialidades, as mesmas oportunidades.

             Por isso, não devemos desprezar ninguém. A presença de grandes criminosos na Terra é possível, por ser ela um mundo de expiações e de provas, onde estamos todos nos desenvolvendo, nas variadas experiências que este viver nos propicia.

             Assim, o bem e o mal se mesclam, para que os homens aprendam e distingui-los, acolhendo um e rejeitando o outro, mas amparando sempre o que faz o mal.

             Dessa maneira, o mal na Terra pode se constituir em instrumento de aprendizado para a evolução espiritual do Espírito imortal.

             Quando a lei do amor imperar na Terra, não haverá mais necessidade dessa mescla de bem e mal “e todos os Espíritos impuros serão dispersados pelos mundos inferiores, de acordo com as suas tendências” , onde irão continuar seu desenvolvimento moral.

Bibliografia:
KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Leda de Almeida Rezende Ebner
Janeiro/ 2010


Citações bíblicas

MATEUS 18
10 Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai, que está nos céus.
11 [Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.]
12 Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir buscar a que se extraviou?
13 E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.
14 Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.

LUCAS 15
3 Então ele lhes propôs esta parábola:
4 Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?
5 E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo;
6 e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido.
7 Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

MATEUS 20
1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha.
2 Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha.
3 Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça,
4 e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
5 Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.
6 Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?
7 Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele: Ide também vós para a vinha.
8 Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.
9 Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.
10 Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.
11 E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:
12 Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.
13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?
14 Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.
15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
16 Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.

LUCAS 15
11 Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.
12 O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.
13 Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
14 E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.
15 Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.
16 E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.
17 Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
18 Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
19 já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.
20 Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
21 Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
22 Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;
23 trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos,
24 porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.
25 Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;
26 e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
27 Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
28 Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.
29 Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com meus amigos;
30 vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
31 Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;
32 era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O LIVRO DOS ESPIRITOS - Estudo 39

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DOUTRINA ESPÍRITA

Livro Primeiro

As Causas Primárias

Capítulo I

Deus

I.    Deus e o Infinito
II.    Provas da Existência de Deus
III.    Atributos da Divindade
IV.    Panteísmo

II - Provas da Existência de Deus - 4 a 9

"(...) 4 - Onde podemos encontrar as provas da existência de Deus?

__ Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá".

      Comentário de Allan Kardec:

"(...) Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pode fazer alguma coisa".

      Crer em algo superior é intuitivo, isto é, o homem traz consigo, se bem que não em crença racional, mas como sentimento inato de um ser que lhe é superior.

Reconhece, embora não explique e nem entenda, uma força maior inerente à própria vida, natural e não decorrente de uma cultura imposta de fora para dentro.

      Nos estágios primitivos entende-a como algo que lhe governa a vida determinando-lhe o destino.

      Esse desconhecido inspira-lhe medo, e ele cria cultos que em síntese, representam o reconhecimento da própria fraqueza, da necessidade de socorro e proteção.

      Como materializa essa idéia de ajuda ?

      Segundo o que pensa, o que acha que pode preservá-lo dos males. Cria, plasma, simboliza nessa criação uma força superior em formas que podem ir desde um animal muito forte, a um indivíduo brutal, ou sábio, ou belo, enfim, que reconhece com qualidades que não tendo, não tem e que não entendendo admira.

      O passo seguinte, será criar formas de como agradar essa força, de como atrair simpatia, comunicar-se com ela, organizando agora cerimônias, oferendas e rituais, capazes na sua idéia de manter os cuidados do "deus" sobre si e os que lhe são caros, incluindo todas as posses e bens que dispõe.

      Sol, lua, estrelas, montanhas, enfim, tudo quanto não entende, receia, teme será digno de receber aquilo que possua de melhor: oferece a colheita, sacrifica animais, seres humanos em meio a cânticos e danças, com os quais busca agradar prestando culto.

      Essa mente embrionária não oferecia condições para entender de outra forma. Dessa insegurança, desconhecimentos e busca, surgem, nascem os vários deuses, representando como que uma especialização das forças divinas ajustando-se cada um às necessidades e interesses do momento com divindade para fertilidade, guerra, amor, ódio, vingança, colheita, poder, etc.

      Todos tinham algo em comum: eram antropomórficos, isto é, tinham as formas e os atributos humanos, conceitos, paixões, comportamentos próprios do homem que não tendo desenvolvido seu psiquismo interpreta e projeta em todas as coisas em apreciações e termos exclusivamente humanos.

      Deus nessa época é visto como um homem, que vive nas alturas, rodeado das coisas que o mesmo homem acha que é bom: belezas, delícias, músicas, odaliscas, como na morada dos deuses orientais; pessoas sempre belas e jovens com entre os deuses gregos ou a idéia sombria, vingativa e irritada do Jeová dos Judeus que pune até a terceira ou quarta geração.

      Em "O Espírito e o Tempo" do Prof. Herculano Pires, detalha cada fase vivenciada chamando-as de "horizonte", isto é, limites da própria visão e "horizontes culturais", com a significação dos meios em que se desenvolveram as diferentes fases da evolução humana.

      Sob essas reflexões, se perguntarmos como Allan Kardec o fêz aos Espíritos, teríamos igual resposta:

"(...) 5 - Que conseqüência podemos tirar do sentimento intuitivo, que todos os homens trazem consigo da existência de Deus?

__ Que Deus existe: pois de onde lhes viria esse sentimento, se ele não se apoiasse em nada? É uma conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.

6 - O sentimento íntimo da existência de Deus, que trazemos conosco, não seria o efeito da educação e o produto de idéias adquiridas?

__ Se assim fosse, por que os vossos selvagens também teriam esses sentimentos?

      Prossegue o comentário de Allan Kardec:

"(...) Se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento, não seria universal e nem existiria, como as noções científicas, senão entre os que tivessem podido receber esse ensinamento".
Nesse sentimento inato, portanto, encontra-se a noção de Deus, a prova desse existir a exteriorizar-se,

"(...) Onipresente, falar-nos pelas suas cores, pelos sons e pelos movimentos; tem sorrisos para as nossas alegrias, gemidos para as nossas tristezas, simpatia para todas as nossas aspirações. Filhos da Terra, nosso organismo está em consonâncias vibratórias com todos os movimentos que constituem a vida da Natureza: ele os compreende e deles compartilhamos, de modo a nos deixarem nalma uma repercussão profunda, a menos que o artifício nos tenha atrofiado. Congênita do princípio da criação, nossa alma reencontra o infinito na Natureza".
________________________________________

"(...) Deus é potência e ato naturais; vive na Natureza como nele vive ela. O Espírito se faz pressentir através de formas materiais, mutáveis. Sim, a Natureza tem harmonias para a alma, tem quadros para o pensamento, tem tesouros para as ambições do Espírito e ternuras para as aspirações do coração. Sim, ela os tem porque não nos é estranha, não está de nós segregada e somos um com ela.

Ora, a força viva da Natureza, essa vida mental que reside nela, essa organização peculiar ao destino dos seres, essa sabedoria e onipotência no entretenimento da criação, essa comunicação íntima de um espírito universal entre todos os seres, que coisa, outra, poderá significar senão a revelação da existência de Deus, a manifestação de um pensamento criador, eterno, imenso?" 2

Bibliografia:

1.    KARDEC, Allan.O Livro dos Espíritos - 4 a 9
2. FLAMMARION, Camille. Deus na Natureza - cap. V

Leda Marques Bighetti
Outubro / 2004

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

PALAVRAS DE VIDA ETERNA - ESTUDO 50

LIVRO: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”

Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel


"No Solo do Espírito"


"E outra caiu em boa terra e deu fruto; um a cem, outro a
sessenta e outro a trinta." - Jesus
(MATEUS, 13:8)

Emmanuel se baseia na "Parábola do Semeador" para desenvolver o tema desta lição e transfere a imagem para o solo do Espírito, que representa a condição moral e intelectual de cada um, no qual encontramos todos os tipos de terrenos espirituais, ou seja, homens - espinheiros, homens - parasitas, homens - calhaus, homens – superficiais, homens - venenos, etc., mas, também, homens - searas, que trazem consigo o solo produtivo do caráter reto, que sabem acolher as sementes do conhecimento superior, produzindo as colheitas do bem para o próximo.

A Parábola do Semeador resume o caráter, o feitio moral de cada Espírito, ao mesmo tempo em que ensina como distingui-los pela maneira como recebem os ensinamentos espirituais.

Pelo modo de agir vemos aqueles que, diante dos ensinamentos de Jesus, são "beiras de caminho" os quais passam todas as idéias grandiosas sem gravar nenhuma delas, são "pedras" impenetráveis às novas idéias; são espinhos que sufocam o crescimento de todas as verdades, como plantas espinhosas que matam os vegetais que tentam crescer a sua volta.

A "semente" representa os ensinamentos de Jesus, que são sempre os mesmos ensinados em toda parte, desde que o homem se achou em condições de recebê-los.

Se as propostas de aperfeiçoamento não agem com a mesma eficácia em todos, é por causa da variedade e da desigualdade de Espíritos que existem na Terra, uns adiantados, outros atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos.

Na parábola, o semeador não semeou apenas em terra propícia, mas, em diversos tipos de terreno. Simboliza a misericórdia de Deus oferecendo oportunidade a todos os seus filhos, pois, os ensinos de Jesus não foram dirigidos para um grupo específico, mas, para todos sem distinção, porque são universais.

Como temos liberdade para escolher, a frutificação ou não da semente não depende do Semeador, e sim de cada um de nós.

Emmanuel convida a que façamos um exame, através da meditação, e será fácil reconhecermos que espécie de terreno estamos sendo.

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Setembro / 2005

MATEUS 13
8 Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.

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O LIVRO DOS MÉDIUNS - Estudo 40

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI

MANIFESTAÇÕES FÍSICAS ESPONTÂNEAS

Estudo 40 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES

Itens 109 e 110

           Concluindo os estudos referentes ao Ensaio Teórico sobre as Aparições (itens 101 a 110), recordamos, então: os Espíritos têm um corpo fluídico, a que se dá o nome de perispírito, cuja substância é haurida do fluido cósmico, e que ele é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e o grau de depuração do Espírito; que durante a encarnação, o Espírito conserva seu perispírito, sendo o corpo apenas um segundo envoltório mais grosseiro, mais resistente, apropriado aos fenômenos a que tem de prestar-se e do qual se despojará por ocasião da morte.

           O perispírito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo, sendo o órgão de transmissão de todas as sensações. Não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa, e sim, por sua natureza fluídica, é expansível, irradiando-se para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a vontade podem dilatar mais ou menos.

           Nos Espíritos desencarnados, devido a sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível, tendo isso de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, mas que nunca vimos. Pode também, como alguns fluidos, sofrer modificações que o tornam perceptível à vista, quer por uma espécie de condensação, quer por uma mudança na disposição molecular. Pode mesmo adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível e retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. São as aparições.

           Esses diferentes estados do perispírito resultam de vontade do Espírito e não de uma causa física exterior, como acontece com os gases. Entretanto, nem sempre basta ao Espírito a vontade de tornar-se visível: é necessário, para que se opere a modificação, o concurso de uma série de circunstâncias que dele independem. É preciso, inclusive, lhe seja permitido, fazer-se visível, o que nem sempre lhe é concedido, ou somente o é em determinadas circunstâncias, por motivos que nos escapam.

           Podendo assumir todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela que mais reconhecível o possa tornar, se o quiser. Geralmente os Espíritos se apresentam com os atributos característicos de sua elevação, como: resplandecentes demonstrando sua elevação moral, enquanto que outros trajam as que recordam suas ocupações terrenas.

           O Espírito que quer ou pode realizar uma aparição toma por vezes uma forma ainda mais precisa, de semelhança perfeita com um sólido corpo humano, podendo, em alguns casos e sob certas circunstâncias, a tangibilidade tornar-se palpável, Istoé, pode-se tocar a aparição, senti-la resistente como um corpo sólido, o que não impede que ela se desvaneça com a rapidez do relâmpago.

           Todos os fenômenos citados foram estudados mais profundamente nos itens anteriores, e Allan Kardec afirma que, o perispírito é o princípio de todas as manifestações, sendo que o seu conhecimento nos traz a explicação de numerosos fenômenos, permitindo grande avanço à Ciência Espírita, colocando-a numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, - pois foram eles que indicaram o caminho, - a explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação de corpos inertes, dos ruídos e das aparições e, certamente, como explicação de muitos outros fenômenos ainda por serem estudados, inclusive o das comunicações. Estas serão melhor compreendidas, se nos inteirarmos de suas causas fundamentais.

           Reflete ainda o Codificador que, longe de considerar a teoria que apresenta como absoluta e última palavra na questão, ela será, mais tarde, completada ou retificada através de novos estudos. Mas, por mais incompleta ou imperfeita que se apresente, pode sempre ajudar a compreender os fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se é uma hipótese, não se lhe pode negar o mérito da racionalidade e da probabilidade.

           Por essas reflexões percebemos a postura científica de Allan Kardec e porque foi chamado, por Camille Flammarion, de "o bom senso encarnado", pois razão reta e judiciosa, aplicava sem cessar às suas pesquisas e obras.

           Em nosso próximo estudo abordaremos a Teoria da Alucinação.

BIBLIOGRAFIA:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte.

KARDEC, Allan - A Gênese: 26.ed.Brasília: FEB, 1984 - Discurso pronunciado por Camille Flammarion junto ao túmulo de Allan Kardec.

Tereza Cristina D'Alessandro
Novembro/ 2004

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domingo, 15 de janeiro de 2012

102 – O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

 – ALLAN KARDEC

CAPÍTULO XI: AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO

INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS: A FÉ E A CARIDADE – ITEM 13

               O ESPÍRITO PROTETOR, como se intitulou o autor da mensagem, faz uma afirmação, difícil de aceitar à primeira leitura: “Eu vos disse, recentemente, meus queridos filhos, que a caridade sem a fé não seria suficiente para manter entre os homens uma ordem social capaz de fazê-los felizes. Deveria ter dito que a caridade é impossível sem a fé”.

             Pelo texto, compreende-se que ele se refere à fé em Deus, nas Suas leis, na vida futura, à fé religiosa.

             Todavia, sabemos que existem, e sempre existiram, pessoas sem fé em Deus, sem fé religiosa, que usaram de caridade para com o próximo.

             Mas, a caridade a que ele se refere é a do amor em ação, ou seja, é aquela que leva o homem às renúncias de si mesmo em favor de outros; aquela, exercida com abnegação, com dedicação, colocando as necessidades alheias acima das suas; aquela que sacrifica todo o interesse egoísta para pensar nos interesses alheios; aquela que se compraz, sente prazer em beneficiar, não precisando de satisfações pessoais para sentir-se contente, colocando a sua felicidade no ato de tornar os outros felizes; aquela que leva o homem a esquecer-se de si para lembrar-se de outros.

             Essa caridade, somente a fé firme e segura em Deus, no seu amor, na sua justiça, na sua sabedoria, nas suas leis, é capaz de vivenciar, “porque nada além dela nos faz carregar com coragem e perseverança a cruz desta vida”.

             A fé consciente, inabalável, leva o homem a compreender a transitoriedade da vida na Terra, dando, aos valores materiais, a importância relativa que eles têm para o Espírito imortal, não se prendendo a eles, mas buscando usá-los em favor de outros, a fim de suavizar os sofrimentos alheios.

             Somente uma fé religiosa, bastante firme e segura, é capaz de demonstrar ao homem que ele está na Terra para desenvolver-se, intelectual e moralmente, desviando-o da busca ávida de uma felicidade nos prazeres materiais, que lhe dão apenas a ilusão de ser feliz.
             Vivemos em um mundo, “aparentemente” injusto, visto apenas do ponto de vista de uma única existência.

             Todavia, analisando sob o ponto de vista das vidas sucessivas, compreendemos que as “aparentes” injustiças, são os efeitos dos males praticados nesta vida ou em outras: é a lei de ação e reação, ou de causa e efeito, acontecendo, a fim de auxiliar o aperfeiçoamento espiritual do homem.

             Mas, não estamos condenados a viver assim, eternamente. À medida que os homens da Terra forem se desenvolvendo, moralmente, tanto quanto intelectualmente, as dores e os sofrimentos vão se tornando menores até se tornarem desnecessários.

             Aí, nosso mundo se tornará um mundo melhor, mais fraterno, mais solidário, com preocupações de paz e felicidade para todos, em todos os aspectos.

             Até lá, necessário é desenvolver a fé raciocinada, que sabe quem somos quem fomos o que seremos o que aqui devemos fazer e como fazer, para, no desenvolvimento do amor em nós, vivenciarmos o amor ao próximo.
Até lá, precisamos exercitar a solidariedade, a fraternidade, a tolerância, a generosidade, todas as facetas da caridade, uns para com os outros, como pudermos, aperfeiçoando-nos nos valores espirituais que só a fé religiosa tem condição de despertar, de fazer desabrochar.

             Até lá, precisamos aprender a viver na diversidade de gostos, de interesses, de tendências, de necessidades, que esta humanidade apresenta, exercitando-nos na caridade que a fé religiosa estimula, porque “somente à custa de concessões e de sacrifícios mútuos, é que podeis manter a harmonia entre elementos tão diversos”.

             A felicidade plena não existe na Terra, pela própria imperfeição dos seus habitantes.

             Todavia, pode-se gozar de uma felicidade relativa, dedicando-se à prática do bem, sem perder tempo em procurá-la onde não está.

             Diferentemente dos primeiros tempos do cristianismo, hoje não é necessário, para o verdadeiro cristão, o sacrifício da vida, mas faz-se premente “o sacrifício do egoísmo, do orgulho e da vaidade. Triunfareis se a caridade vos inspirar e fordes sustentados pela fé”.

 Bibliografia:

KARDEC, Allan - “O Evangelho Segundo o Espiritismo”


Leda de Almeida Rezende Ebner
Dezembro / 2009

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