Powered By Blogger

domingo, 24 de junho de 2012

Depressão, Cura e Espiritualidade


Adenáuer Novaes

Quando da sua estada em Londres, facilitando o seminário  Depressão, Cura e Espiritualidade, atendendo  convite  da  Casa, Adenáuer  Novaes  concedeu  a seguinte entrevista:
1.  Adenáuer. Na sua visão, como você definiria a depressão?
Depressão é fuga da vida e de viver o desafio apresentado pela própria personalidade. É um processo de perda de vitalidade, que deveria ser utilizada para a realização dos objetivos da vida. Do ponto de vista clínico, é um transtorno do humor que atinge a vontade e a dimensão emocional da pessoa. É mais comum entre as mulheres e na fase adulta.
2.  Qual a causa da depressão?
A depressão tem muitas causas, não existindo uma especial. Em geral, decorre da fragilidade emocional e do despreparo do indivíduo em lidar com suas frustrações. Quando se criam expectativas sem o preparo para lidar com decepções e perdas, surge a predisposição para a depressão.
3. Por que tantas pessoas, atualmente, sofrem de depressão?
Na realidade, não há muita gente com depressão. O que existe é muita gente se automedicando e acreditando que está com depressão, sem um diagnóstico claro a respeito de seu problema. Tristeza e retraimento não quer dizer depressão.

Redução da vontade de fazer as coisas também não quer dizer que se esteja com depressão. É necessário que os sintomas clássicos da depressão ocorram por mais de sessenta dias corridos, para que se diagnostique a doença.
4. Poderíamos dizer que o autoconhecimento contribui para a pessoa prevenir-se da depressão?
Mais do que o autoconhecimento, é necessário que se tenha  a consciência dos processos inconsciente para se prevenir da doença.
Isso significa que se deve buscar um maior contato com a dimensão inconsciente, estando atento aos complexos psicológicos que atuam e interferem na vida consciente. Além de se conhecer, a pessoa deve se descobrir e buscar constantemente a auto-transformação
5.  Qual a  importância da espiritualidade na vida de uma pessoa depressiva, ou não?
Entendendo espiritualidade como autopercepção da condição de que se é um espírito imortal, dificilmente a pessoa terá uma depressão, pois entenderá que não poderá postergar a solução de qualquer conflito, tendo de enfrentá-lo a todo custo.
6. Quais são as terapêuticas recomendadas para o tratamento da depressão, considerando-se a individualidade de cada pessoa?
Diagnosticada com precisão clínica, a depressão deve ser tratada de várias formas. Em todos os casos de depressão, o tratamento deve ser psicoterápico, isto é, psicológico.
Muito raramente o depressivo deve tomar qualquer medicação, já que seu problema é de ordem psicológica. A propalada deficiência de serotonina, quando ocorre, e raramente ocorre, é consequência. Administrar uma medicação que venha a contribuir para sua captação posterga  a solução  do problema e, muitas vezes, mascara a doença.
Além do tratamento psicoterápico, deve se buscar manter a vida relacional da pessoa, incluindo atividade laboral.
7. Quais são os recursos terapêuticos que o Espiritismo oferece para quem sofre de depressão?
O espiritismo oferece sua doutrina de libertação da alma. Os Centros Espíritas, em geral, oferecem o passe e o aconselhamento. No entanto, nem sempre estão preparados para escutar a alma do outro que se encontra com medo de reconhecer seus processos psíquicos e enfrentar seu desafio. O recurso da conversão evangélica, muitas vezes, posterga a solução do conflito, também mascarando o problema.
Há necessidade de se estruturar equipes de atendimento psicológico, tendo por base a Terapia do Espírito, para se atender melhor o portador de qualquer transtorno psíquico, principalmente os que têm o componente da obsessão espiritual.
8. Finalizando, a depressão tem cura?
Claro que tem cura. Basta que seu portador readquira a vontade de viver, sem medo de enfrentar o que se passa em seu mundo interior.

Adenáuer Novaes é Psicólogo Clínico, residente no Brasil. É um dos diretores da Fundação Lar Harmonia - Salvador-BA.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II   N° 4  Maio e Junho 2009
The Spiritist Psychological Society 

O Que é Ansiedade?


Ana Cecília Rosa

A ansiedade e o transtorno do pânico, contrariamente ao que se acredita, não são um problema moderno. Na mitologia grega, encontra-se seu exemplo mais antigo: o Deus Pã (metade homem e metade carneiro), pertencente ao inconsciente coletivo daquele povo, fonte de sustos aos que se “aventuravam” por florestas e origem do termo pânico. Os sintomas da ansiedade, como palpitações, sudorese, náuseas e dor torácica, foram, durante séculos, relacionados aos distúrbios dos órgãos, sendo negligenciada a sua causa mental pela medicina. Porém, com o advento da Psicanálise, comprovou-se que certas debilidades  mentais (desordens  sexuais) mediavam essas manifestações.
    Segundo a teoria psicanalítica, a ansiedade é oriunda do conflito entre o Id e o Superego, o que leva à repressão de impulsos inaceitáveis pelo Ego, gerando desequilíbrio mental e os sintomas. O Espiritismo, por Joanna de Angelis, explica que o distúrbio “está enraizado no ser que desconsiderou as Soberanas Leis e se reencarna com predisposição fisiológica, imprimindo nos gens a necessidade da reparação dos delitos transatos”. Assim, estão na nossa programação reencarnatória, mais precisamente no nosso corpo somático, as condições necessárias para a eclosão da doença, desencadeadas por fatores sociais e psíquicos (estresse, traumas, perfeccionismo) geradores de conflitos e insegurança, principalmente na infância.
    A disfunção orgânica requer tratamento com ansiolíticos e antidepressivos, além da psicoterapia para o enfrentamento dos medos. Os cuidados emocionais, provenientes da lei da caridade, amor e justiça, e o reconhecimento do indivíduo como doente da alma são fundamentais para o restabelecimento da confiança em busca da cura, proporcionando condições de aprendizado e evolução.

    Ana Cecília Rosa é médica pediátrica, residente no Brasil. É membro do Instituto  de Divulgação Espírita  - Araras/SP.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II   N° 4  Maio e Junho 2009
The Spiritist Psychological Society 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Medicina e Espiritismo


Rodrigo Machado Tavares

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define: “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de afecção ou doença”. Tal conceito, apesar de buscar ser abrangente, não está completo. Isto pode ser afirmado porque o processo saúde-doença é complexo, haja vista que tem, como causas, fatores de ordem natural, socio-econômica, psicos-social e espiritual.
   Em verdade, a Saúde deve ser vista como uma condição relativa e dinâmica, e não como um estado absoluto e estático. Saúde é diferente de adaptabilidade; é a interação do homem com o meio, na qual o ser humano é ativo. Em resumo, para nós, espíritas - que já sabemos que o mundo espiritual é a verdadeira realidade -, a saúde é um contínuo agir do homem em frente aos universos físico, mental, social e espiritual em que vive, buscando sempre modificar, transformar e recriar aquilo que deve ser mudado (L. E., a reforma íntima  tão  promovida  e  bem explicada pelo Espiritismo).
    Sendo assim, a Medicina, para poder melhor compreender o processo saúde-doença e consequentemente agir de forma mais eficaz, necessita não apenas aceitar, mas sobretudo entender que somos todos Espíritos. Dessa forma, os pesquisadores das áreas médicas e afins irão entender que todos, Espíritos,  encarnados e desencarnados, podem ser fatores influenciadores, mas também determinantes e, em muitos casos, causadores desse processo.
    A Medicina, indubitavelmente, desde o seu surgimento na Grécia Antiga, através  de  Hipócrates, avançou bastante. Contudo, esse avanço poderia ter se dado de forma mais completa se todos os fatores citados anteriormente tivessem sido considerados. Mas como tudo evolui, a humanidade começa a vislumbrar a verdadeira realidade, o mundo espiritual e descobertas recentes, tais como: “água com amor” e “o perdão na saúde” entre outras, evidenciam que a Medicina  necessita  do Espiritismo para poder progredir ainda mais.

Rodrigo Machado Tavares é Engenheiro e pesquisador, residente em Londres.  Colabora  com  a  Revista Reformador

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II   N° 4  Maio e Junho 2009
The Spiritist Psychological Society

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Evangelho: Ética, Amor e Fraternidade


Manuel Portásio Filho

Falar de Evangelho é abordar os valores mais expressivos da cultura humana, inseridos num dos livros mais importantes já compostos pelo homem: a Bíblia, dividida em Antigo e Novo Testamento. O Velho Testamento conta a história do povo hebreu e de outros povos que lhes foram contemporâneos. É uma narrativa que começa com fortes conotações míticas e termina no profetismo judaico. Sua figura exponencial é Moisés. E com ele surgiu uma ética peculiar, dirigida ao povo hebreu e ao relacionamento de cada um de seus membros com os demais e com o seu Deus. O Novo Testamento tem como figura nuclear Jesus e pode ser visto por cinco ângulos, como enfatizou Kardec: "1) Os atos comuns da vida do Cristo; 2) Os milagres; 3) As profecias; 4) As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; 5) O ensino moral" (ESE, Introdução, I). Como os quatro primeiros geraram polêmicas intermináveis ao longo dos séculos, importa relevar o aspecto ético, moral, da didática do Mestre, que se apresenta como um "código divino", onde estão expostos os nossos deveres para com Deus, Inteligência Suprema do Universo, que criou tudo o que existe; para com o próximo, nosso irmão e companheiro de jornada; e para conosco mesmos, Espíritos eternos em busca da perfeição. O ensino de Jesus não está destinado a um único povo mas a toda a Humanidade: é universal, em última análise.
   O que é a ética? A ética é considerada uma disciplina prática, envolvendo a ação humana, e normativa, estabelecendo os seus deveres perante a sociedade. Pela ética estabelece-se uma diferenciação nítida entre o bem e o mal. Há diversas formas de ética, mas em todos os casos ela visa responder à questão: "como agir da melhor forma possível". No sentido etimológico, a palavra ética, de origem grega, pode ser entendida como "a ciência moral"; trasladada para o latim, foi traduzida como "a moral". Por isso, podemos falar de uma ética, ou de uma moral, do Cristo, para significar o conjunto dos seus ensinamentos, voltado para um ideal de comportamento humano. Como diz Joanna de Angelis, "Jesus é a personagem histórica mais identificada com o homem e com a humanidade" (Jesus e Atualidade, p. 24)
    Começamos, então, por dizer que a ética de Jesus está disseminada pelos quatro evangelhos e pelas vinte e uma epístolas que os seguem. Ela começa já no nascimento do Mestre, em sua simplicidade e discreção, projetando-se por toda a sua vida, no seu modo de agir e exemplificar. Eis a sua prática. Nos seus sermões e nas suas parábolas vamos encontrar a base teórica da sua ética, a qual não foi registrada por ele próprio, mas por seus apóstolos e discípulos. Contudo, é no Sermão do Monte, descrito nos capítulos 5, 6 e 7, do Evangelho de Mateus, que se acha a essência da ética cristã, embasada no amor, que se desdobra em humildade, caridade e fraternidade. Por isso, Jesus resumiu toda a sua doutrina nos dois grandes mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mt 22:36-40).
   Isso tudo fica mais claro quando tomamos seus principais ensinos como referência: "tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós"; "amai a vossos inimigos"; "concilia-te depressa com o teu adversário enquanto estás no caminho com ele"; "seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não"; "quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita"; "pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á"; "nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus"; "sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus" etc.
    Eis, em síntese, o que se encontra no Sermão do Monte, um código de moral incomparável, voltado para o aperfeiçoamento do ser eterno que somos nós. É um código que estabelece  direitos (bem-aventuranças) e deveres (ensinos).
     Construindo a ponte entre o homem e Deus, através do exemplo da oração dominical, contida no próprio Sermão, Jesus deu consistência ao ensinamento e preparou o nosso caminho para os planos superiores da vida universal. Ética, amor,  fraternidade: palavras que ecoarão em nosso íntimo pela eternidade a fora.

Manuel Portásio Filho é Advogado, residente em Londres. É membro do The Solidarity Spiritist Group - Londres - UK.

Jornal de Estudos Psicológicos
Ano II N° 3  Março e Abril 2009
The Spiritist Psychological Society