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segunda-feira, 7 de março de 2016

ceuinferno_054_2a. partecap. IV - Espíritos Sofredores - Ferdinand Bertin

ceuinferno_054_2a. partecap. IV - Espíritos Sofredores - Ferdinand Bertin

TEXTO PARA ESTUDO

Um médium, habitante do Havre, evocou o Espírito de uma pessoa que lhe era conhecida. Esse Espírito respondeu: 

“Quero me comunicar, mas não posso vencer o obstáculo que há entre nós; sou obrigado a deixar esses infelizes que sofrem se aproximarem de vós.” 

Recebeu, então, espontaneamente, a comunicação seguinte:

“Estou num terrível abismo! Ajudai-me! Oh! Meu Deus, quem me tirará deste abismo?... 

Quem terá mão que socorre para o infeliz que o mar engoliu?... 

A noite é tão negra que tenho medo...

Por toda parte o bramida das vagas, e nenhuma palavra amiga para me consolar e me ajudar nesse momento supremo; porque esta noite profunda é a morte com todo o seu horror, e eu não quero morrer!... 

Ó meu Deus! Não é a morte por vir, é a morte passada!... 

Estou para sempre separado daqueles que amo... 

Vejo o meu corpo, e o que provei há instantes não é senão a lembrança da horrível angústia da separação... 

Tende piedade de mim, vós que conheceis os meus sofrimentos; orai por mim, porque não quero mais sentir, assim como o fiz desde aquela noite fatal, todos os dilaceramentos da agonia!... 

Aí está, todavia, a minha punição; eu a pressinto... 

Orai, a isso vos conjuro!... 

Oh! O mar... o frio... vou ser engolido!... Socorro!... 

Tende, pois, piedade; não me repilais!... 

Oh! Eu sufoco!... 

As vagas vão me engolir, e os meus não terão mesmo a triste consolação de me reverem... Mas não; vejo que o meu corpo, não está mais sacudido pelas vagas... 

As preces de minha mãe serão ouvidas... 

Minha pobre mãe! Se pudesse imaginar o seu filho, tão miserável que é na realidade, oraria melhor; ela, porém, crê que a causa de minha morte santificou o passado; ela me chora mártir, e não infeliz e castigado!... 

Oh! Vós que sabeis, sereis sem piedade? Não, vós orareis.

FANÇOIS BERTIN

Esse nome, inteiramente desconhecido do médium, não lhe sugeria nenhuma lembrança; ele se disse que, sem dúvida, era um Espírito de algum infeliz náufrago que vinha se manifestar espontaneamente a ele, assim como isso lhe ocorreu várias vezes. 

Soube um pouco mais tarde que, com efeito, era o nome de uma das vítimas de um grande desastre marítimo, que ocorrera, nessas paragens, no dia 2 de dezembro de 1863. 

A comunicação foi dada no dia 8 do mesmo mês, seis dias depois da catástrofe. O individuo perecera fazendo tentativas inauditas para salvar a tripulação, e no momento em que acreditava a sua salvação assegurada. 

Esse indivíduo não se ligava ao médium por nenhum laço de parentesco ou de conhecimento; por que, pois, se manifestou a ele antes que a qualquer membro de sua família? 

É que os Espíritos não encontram, em todo o mundo, as condições fluídicas necessárias a esse efeito; na perturbação em que estava, não tinha, aliás, a liberdade de escolha; foi conduzido instintiva e atrativamente para o médium, dotado, ao que parece, de uma aptidão especial para as comunicações espontâneas desse gênero; sem dúvida, pressentia também que ali encontraria uma simpatia particular, como outras encontrara em circunstâncias semelhantes. Sua família, estranha ao Espiritismo, talvez antipática para essa crença, não acolheria a sua revelação como poderia fazê-lo esse médium. 

Embora a morte remontasse a alguns dias, o Espírito ainda lhe sentia todas as angústias. É evidente que não se dava conta, de nenhum modo, de sua situação; acreditava-se ainda vivo, lutando contra as ondas e, todavia, fala de seu corpo como se estivesse separado dele; chama por socorro e diz que não quer morrer, e um instante depois fala da causa de sua morte, que reconhece ser um castigo; tudo isso denota a confusão de idéias que, quase sempre, segue-se às mortes violentas.

Dois meses mais tarde, em 2 de fevereiro de 1864, se comunicou de novo, espontaneamente, pelo mesmo médium, e lhe ditou o que segue:

“A piedade que tivestes por meus sofrimentos tão horríveis aliviou-me. Eu compreendo a esperança; entrevejo o perdão, mas depois do castigo da falta cometida. 

Sofro sempre, e se Deus permite que, durante alguns momentos, entreveja o fim de minha infelicidade, não é senão às preces de almas caridosas, tocadas pela minha situação, que devo esse abrandamento. 

Ó esperança, raio do céu, quão benigna és quando te sinto nascer em minha alma!... 

Mas, ai de mim! O abismo se abre; o terror e o sofrimento fazem apagar essa lembrança da misericórdia...

 A noite; sempre a noite!... 

A água, o ruído das vagas que vão engolir o meu corpo, não são senão uma fraca imagem do horror que cerca o meu pobre Espírito... 

Sou mais calmo quando posso estar perto de vós; porque do mesmo modo que um terrível segredo, depositado no seio de um amigo, alivia aquele a quem oprimia, do mesmo modo a vossa piedade, motivada pela confidência de minha miséria, acalma o meu mal e repousa o meu Espírito. 

Vossas preces me fazem bem; não mas recuseis. 

Não quero mais cair nesse horrível sonho que se faz realidade quando eu o vejo.. Tomai o lápis mais frequentemente; isto me faz tanto bem, em me comunicar por vós!”

Daí há alguns dias, este mesmo Espírito tendo sido evocado numa reunião espírita, de Paris, foram-lhe dirigidas as perguntas seguintes, às quais respondeu por uma única e mesma comunicação, e por um outro médium.

Que vos levou a se manifestar espontaneamente ao primeiro médium pelo qual vos comunicastes? 

– Quanto tempo fazia que estáveis morto, quando vos manifestastes? 

– Quando vos comunicastes, parecíeis incerto se estáveis ainda morto ou vivo, e provastes todas as angústias de uma morte terrível; agora, dai-vos melhor conta da vossa situação? 

– Dissestes, positivamente, que a vossa morte era uma expiação; quereis nos dizer a sua causa: isso será uma instrução para nós, e um alívio para vós. Por essa confissão sincera, atraireis a misericórdia de Deus, que solicitaremos em nossas preces.

Resposta. – Parece impossível, à primeira vista, que uma criatura possa sofrer tão cruelmente. Deus! como é penoso ver-se constantemente no meio das vagas em fúria, e sentir, sem cessar, essa amargura, esse frio glacial que aumenta, que oprime o estômago!

Mas, para que serve sempre vos entreter com tais espetáculos? 

Não devo começar por obedecer às leis do reconhecimento em vos agradecendo a todos vós, que tornais os meus tormentos num tal interesse? 

Perguntais se me comuniquei muito tempo depois de minha morte? 

Não posso responder facilmente. Pensai, e julgai em que horrível situação estou ainda! 

Entretanto, fui conduzido para junto do médium, eu creio, por uma vontade estranha à minha; e, coisa impossível de me dar conta, eu me servi do seu braço com a mesma facilidade com que me sirvo do vosso neste momento, persuadido de que me pertence. 

Sinto mesmo, neste momento, que é um gozo bem grande, assim como uma consolação particular que, ai! logo vai cessar. Mas, ó meu Deus! Teria uma confissão a fazer; terei força para isso?

Depois de muitos encorajamentos, o Espírito acrescentou: Sou bem culpado! 

O que sobretudo me dá pena é que se crê que sou um mártir; não é nada disso...

Numa precedente existência, fiz meter num saco várias vítimas e lançar ao mar... Orai por mim!

Instruções de São Luís sobre esta comunicação:

Esta confissão será, para esse Espírito, uma causa de grande alívio. Sim, ele foi bem culpado Mas a existência que acaba de deixar foi honrada; era amado e estimado por seus chefes; foi o fruto do seu arrependimento e das boas resoluções que tomou antes de retornar à Terra, onde quis ser humano tanto quanto foi cruel. 

O devotamento, do qual deu provas, era uma reparação; mas lhe era necessário resgatar faltas passadas por uma última expiação, a da morte cruel que sofreu; ele mesmo quis se purificar, sofrendo as torturas que fizera outros sofrerem; e notai que uma idéia o perseguia: o lamento de ver que se lhe considerava como um mártir. 

Crede que lhe será tido em conta esse sentimento de humildade. Doravante, deixou o caminho de expiação para entrar no de reabilitação; por vossas preces podeis sustentá-lo, e fazê-lo caminhar mais firme e mais seguro.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1. Mesmo não se ligando ao médium por nenhum laço de parentesco ou de conhecimento, por que esse Espírito se manifestou por meio dele e não de um membro de sua própria família? 

2. Por que, mesmo depois da morte do corpo físico, ainda sentia todas as angústias pelas quais passou no momento do desencarne? 

3. Por que era necessário que Ferdinan tivesse um desencarne tão violento, sendo ele honrado nesta existência? Explique.

Conclusão:

1. Porque os Espíritos não encontram em qualquer um as condições fluídicas necessárias a esse efeito. Na perturbação em que estava, não tinha a liberdade de escolha; foi conduzido instintiva e atrativamente para o médium, dotado de uma aptidão especial para as comunicações espontâneas desse gênero. Pressentia também que ali encontraria uma simpatia particular, como já havia encontrado em circunstâncias semelhantes. 

Sua família, estranha ao Espiritismo, talvez antipática para essa crença, não acolheria a sua revelação como poderia fazê-lo esse médium. 

2. Ele ainda não se dava conta de sua situação. Acreditava que ainda estava vivo, lutando contra as ondas e, todavia, fala de seu corpo como se estivesse separado dele; chama por socorro e diz que não quer morrer, e um instante depois fala da causa de sua morte, que reconhece ser um castigo. Tudo isso indica a confusão de idéias que, quase sempre, se segue às mortes violentas. 

3. Segundo o próprio Ferdinand: “Numa precedente existência, fiz meter num saco várias vítimas e lançar ao mar...”. 

Sua existência que acabara de deixar foi honrada: era amado e estimado por todos. Foi o fruto do seu arrependimento e das boas resoluções que tomou antes de retornar à Terra, onde quis ser humano tanto quanto foi cruel. O devotamento, do qual deu provas, era uma reparação, mas lhe era necessário resgatar faltas passadas por uma última expiação, a da morte cruel que sofreu. Ele mesmo quis se purificar sofrendo as torturas que fizera outros sofrerem. Uma idéia o perseguia: o lamento de ver que o consideravam como um mártir. Esse sentimento de humildade lhe será levado em conta. Agora, deixou o caminho da expiação para entrar no da reabilitação.

NL03-17 LIVRO NO MUNDO MAIOR - NO LIMIAR DAS CAVERNAS

nl03_17_lLIVRO NO MUNDO MAIOR - No limiar das cavernas

     Reunidos agora, Calderaro e eu, à comissão de trabalho socorrista que operaria nas cavernas de sofrimento, fui surpreendido pela expressão da Irmã Cipriana, que chefiava as atividades dessa natureza.

     Constituía-se a turma de reduzido número de companheiros: ste ao todo.
     Avistando-me ao lado do Assistente, perguntou Cipriana com singeleza, feitas as saudações usuais:

     _ Pretende o irmão André seguir em nossa companhia?

     O abnegado amigo respondeu que o próprio Instrutor Eusébio lembrara a conveniência de minha visita aos abismos purgatoriais; esclareceu que eu me achava interessado em obter informes da vida nas esferas inferiores, para os relatar aos companheiros encarnados, auxiliando-os na preparação necessária à ciência do bem viver.

     A diretora ouviu, bondosa, e objetou:

     _ Sim, a sugestão de Eusébio é valiosa, em se tratando de observações preliminares no Baixo Umbral. Como responsável, porém, pelos serviços diretos da expedição, não posso admití-lo, por enquanto, em todas as particularidades.

     Fixou em mim o olhar lúcido e meigo, como a lastimar a impossibilidade, e acrescentou:

     _ Nosso estimado André não tem o curso de assistência aos sofredores nas sombras espessas.

     Afagou-me de leve, com a destra carinhosa e acrescentou:

     _ Se nos é indispensável obter difíceis realizações preparatórias, a fim de colhermos o benefício das Grandes Luzes, é-nos imprescindível a iniciação, para ministrarmos esse mesmo benefício nas “grandes trevas”.
     (...)

     _ No entanto, (...). Cada Situação a que somos conduzidos é portadora de ocultos ensinamentos para nosso bem. Os desígnios superiores jamais nos propõem questões de que não necessitemos, na arena das circunstâncias. Se Eusébio foi elvado a sugerir esta oportunidade, é que André Luiz tem nestes sítios urgente serviço a prestar. (...)

     (...)
     Estacamos em enorme planície pantanosa, onde numerosos grupos de entidades humanas desencarnadas se perdiam de vista, em assombrosa desordem, à maneira de milhares de loucos, separados uns dos outros, ou aos magotes, segundo a espécie de desequilíbrio que lhes era peculiar.
     (...)

     Logo após, Calderaro e eu nos achamos a sós na atra vastidão povoada de habitantes estranhos.

     As conversações em torno eram inúmeras e complexas. Pareceu-me que aquele “povo desencarnado” não se dava conta da própria situação, pelo que me foi possível ajuizar de início.

     Enquanto densas turbas de almas torturadas se debatiam em substância viscosa, no solo, onde andávamos assembléias de Espíritos dementes enxameavam não longe, em intermináveis contendas por interesses mesquinhos.
     (...)

     Os grupos de infortunados agiam, ali, desconhecendo os padecimentos uns dos outros. Certos grupos volitavam a pequena altura, como bandos de corvos negrejantes, mais escuros que a própria sombra (...)

     (...)
     _ Será que estes míseros precitos nos vêem?

     _ Alguns sim, mas não nos ligam maior importância: estão muito preocupados consigo mesmos; abrigaram no coração sentimentos rasteiros e tardarão em se libertarem deles.

     _ Toda esta gente permanece, porém, desamparada, entr4egue a si mesma?

     _ Não – respondeu Calderaro, paciente - ; funcionam, por aqui, inúmeros postos de socorro e variadas escolas, em que muita gente pratica a abnegação. Os padecentes e as personalidades torturadas são atendidas, de acordo com as possibilidades de aproveitamento que demonstram.
     (...)

     _ As regiões inferiores jamais estarão sem enfermeiros e sem mestres, porque uma das maiores alegrias dos céus é a de esvaziar os infernos.
     (...)

     Vendo bandos de seres a se locomoverem no ar (...) recordei que em nossa colônia as faculdades de volitação não eram comumente exercidas para não melidrarmos aqueles que as não possuiam desenvolvidas, mas...e ali? (...)
     (...)

     _ Não te surpreendas. A volitação depende, fundamentalmente, da força mental armazenada pela inteligência; importa, contudo, considerar que os voos altíssimos da alma só se fazem possíveis quando à intelectualidade elevada se alia o amor sublime.(...)É mais fácil recolher criaturas de maiores cabedais de amor com reduzida inteligência, e convivermos com elas, no processo evolucionário comum, do que abrigarmos pessoas sumamente intelectuais sem amor aos semelhantes; com estas últimas, a vida em comum, no sentido construtivo, é quase impraticável.    (...).

     (...)
    _ Já vistes, (...) Aqui, no entanto, se congregam verdadeiras tribos de criminosos e deliquentes, atraídos uns aos outros, consoante a natureza de faltas que os identificam. Muitos são inteligentes e, intelectualmente falando, esclarecidos, mas , sem réstia de amor que lhes exalce o coração, erram de obstáculo a obstáculo, de pesadelo a pesadelo...(...)

     (...)
     _ O Érebo (...) Prisioneiros de si mesmos, cerram o entendimento às revelações da vida e restringem os horizontes mentais, movimentando-se em seu próprio interior, em ação exclusiva, nos impulsos primários, a cultivar o pretérito que deveriam expungir.(...) Autoridades mais graduadas de nossa esfera, atendendo a imperativos superiores, improvisam tribunais com funções educativas, cujas sentenças, ressumando amor e sabedoria, culminam sempre em determinações de trabalho regenerador,a través da reencarnação na Crosta Terrestre, ou de tarefas laboriosas no seio da Natureza, quando há suficiente compreensão e arrependimento nos interessados que feriram a Lei, ofendendo a si mesmos.

     Deste vastíssimo arsenal de alienação da mente, ensombrada de culpas, sai o maior coeficientes das reencarnações dolorosas que povoam os círculos carnais. (...) Poucos conseguem valer-se da oportunidade terrena, no sentido de restaurar as próprias energias. É sempre fácil fugir ao caminho reto; muito difícil, porém, o retorno...
     Nesse instante aproximou-se de nós enorme e bulhenta colmeia de sofredores(...)
     (...)

     Condoí-me . Quis deter alguns, confabular com eles fraternalmente, de modo a esclarecê-los; no entanto, o instrutor paralisou-me os braços, murmurando:
     _ Que fazes? Seria inútil. Impossível é reajustar , num momento, apenas com palavras, tantas mentes em desequilíbrio cruel. 
     (...)"

Questões iniciais para o estudo :

01) “Nosso estimado André não tem o curso de assistência aos sofredores nas sombras espessas.”

a) Por que Cipriana informa que a ação necessita de curso específico?

b) Se é importante , qual é a importância de cursos ou de conhecimento para o desenvolvimento de qualquer ação fraterna? Por que? Justifique.

02) Comente explicando a seguinte assertiva: “Cada Situação a que somos conduzidos é portadora de ocultos ensinamentos para nosso bem. Os desígnios superiores jamais nos propõem questões de que não necessitemos, na arena das circunstâncias.”

03) Faça uma comparação entre as seguintes afirmativas e o mundo terreno em que vivemos: 

03 a) “As conversações em torno eram inúmeras e complexas. Pareceu-me que aquele “povo desencarnado” não se dava conta da própria situação, pelo que me foi possível ajuizar de início.

 Enquanto densas turbas de almas torturadas se debatiam em substância viscosa, no solo, onde andávamos assembléias de Espíritos dementes enxameavam não longe, em intermináveis contendas por interesses mesquinhos.”

03 b) “Alguns sim, mas não nos ligam maior importância: estão muito preocupados consigo mesmos; abrigaram no coração sentimentos rasteiros e tardarão em se libertarem deles.”

03 c) “Não te surpreendas. A volitação depende, fundamentalmente, da força mental armazenada pela inteligência; importa, contudo, considerar que os voos altíssimos da alma só se fazem possíveis quando à intelectualidade elevada se alia o amor sublime.(...)É mais fácil recolher criaturas de maiores cabedais de amor com reduzida inteligência, e convivermos com elas, no processo evolucionário comum, do que abrigarmos pessoas sumamente intelectuais sem amor aos semelhantes; com estas últimas, a vida em comum, no sentido construtivo, é quase impraticável.(...).”


03 d) “Prisioneiros de si mesmos, cerram o entendimento às revelações da vida e restringem os horizontes mentais, movimentando-se em seu próprio interior, em ação exclusiva, nos impulsos primários, a cultivar o pretérito que deveriam expungir”

04) O que é sintonia? Como ela se dá? De que forma ela age? Quais suas consequências?

05) O que é afinidade? Como ela se dá? De que forma ela interage conosco?

06) O que é vício? O que é defeito? Quais suas consequências? De que forma eliminá-los?

07) Calderaro diz a AL que “_ Que fazes? Seria inútil. Impossível é reajustar , num momento, apenas com palavras, tantas mentes em desequilíbrio cruel.” De que forma , então, pode se dar o reajuste da mente?

Bibliografia básica:

Leitura do capítulo completo do Livro No Mundo Maior
LE
ESE

Conclusão:

André Luiz e Calderaro uniam-se, agora, à expedição socorrista que iria
comparecer a regiões de cavernas de sofrimento, habitadas por espíritos em estado  de alto desequilíbrio psíquico.

 Cipriana, que dirigia os trabalhos, não permitiu a André Luiz o acesso às zonas de maior sofrimento, alegando não estar ele ainda preparado  para  tanto. Sendo assim, ao Autor foi permitidio, juntamente com o Assistente,  que  percorresse  as zonas periféricas, cujo resultado observado é relatado neste capítulo. 

                             Questões propostas para estudo 

 01) “Nosso estimado André não tem o curso de assistência aos sofredores nas sombras espessas.”

a)   Por que Cipriana informa que a ação necessita de curso específico?

b)   Se  é  importante,  qual  é  a  importância  de  cursos  ou de conhecimento para o desenvolvimento de qualquer ação fraterna? Por que? Justifique.

Cipriana, que dirigia os trabalhos, entendia que para se ministrar qualquer  benefício em regiões das grandes trevas era necessária uma iniciação,  ou  seja,  um  processo preparatório de aprendizado específico.  Isto porque os espíritos que lá se encontravam eram dos mais desequilibrados, todos portadores de problemas muito graves  e  com suas mentes em desajuste total.  Mantinham um sintonia vibracional  extremamente baixa, exigindo dos benfeitores uma evolução que André Luiz ainda não havia alcançado, pois, como ela disse, ele ainda possuía problemas substanciais a resolver.

02) Comente explicando a seguinte assertiva: “Cada situação a que somos conduzidos é portadora de ocultos ensinamentos para nosso bem.  Os desígnios superiores  jamais nos propõem questões de que não necessitemos, na arena das circunstâncias.”

Quis a benfeitora dizer que somos sempre levados pelos desígnios  superiores  a
situações que, embora não sejam as por nós desejadas, são as que necessitamos para nosso aperfeiçoamento.  Esse princípio se aplica tanto no plano espiritual  como  nas nossas experiências na carne.

 03) Faça uma comparação entre as seguintes afirmativas e o mundo terreno  em  que vivemos: 

03 a) “As conversações em torno eram inúmeras e complexas. Pareceu-me que aquele “povo desencarnado” não se dava conta da própria situação, pelo que me foi  possível ajuizar de início." ...  "Enquanto densas turbas de almas torturadas  se  debatiam  em substância viscosa, no solo, onde andávamos, assembléias de Espíritos  dementes enxameavam não longe, em intermináveis contendas por interesses mesquinhos.”

Sendo o mundo terreno uma cópia do mundo espiritual e os espíritos permanecendo com o mesmos valores morais e intelectuais que possuíam  ao  desencarnarem,  é natural que a nossa sociedade desencarnada assemelhe-se com a encarnada. Tal como aqui, no plano da matéria, lá, também, os espíritos afins se congregam  em  torno  de  seus interesses.  Estando numa região de baixíssima vibração, a população não poderia ser de outra qualidade, pelo que os seus interesses não poderiam ser dos mais nobres. 

No nosso plano, também vamos encontrar esse tipo de situação, onde espíritos ainda muito apegados aos interesses mesquinhos se encontram para disputarem a prevalência  de suas vontades.

03 b) “Alguns sim, mas não nos ligam maior importância:  estão  muito  preocupados consigo mesmos; abrigaram no  coração  sentimentos  rasteiros  e  tardarão  em  se libertarem deles.”

Isto vemos cotidianamente na Terra.  Pessoas há que apenas consigo mesmas  se
preocupam, ignorando as necessidades do próximo.  Como no caso  desses  espíritos a que Calderaro se refere, muitos dos que aqui se encontram encarnados também  se fecham em torno de seus interesses, deixando prevalecer em seus corações  o  reinado do egoísmo, que Emmanuel chamou de "chaga da humanidade".

03 c) “Não te surpreendas. A volitação depende, fundamentalmente,  da  força  mental armazenada pela inteligência; importa, contudo, considerar que os vôos altíssimos  da alma só se fazem possíveis quando à intelectualidade elevada se alia o amor sublime. 

(...)  É mais fácil recolher criaturas  de  maiores  cabedais  de  amor  com  reduzida  inteligência, e convivermos com elas,  no  processo  evolucionário  comum,  do  que abrigarmos pessoas sumamente intelectuais sem amor aos semelhantes;  com  estas últimas, a vida em comum, no sentido construtivo, é quase impraticável.(...).”

É a afirmação da supremacia da importância da evolução moral sobre a intelectual. 

O benfeitor destaca ser preferível conviver com pessoas possuidoras  de  inteligência reduzida mas portadora do sentimento de amor ao próximo,  do  que  com  pessoas intelectualmente mais desenvolvidas sem, contudo, portarem o amor em seus corações. 

Isso vale tanto para a vida no plano espiritual como para a vida material.

03 d) “Prisioneiros de si mesmos,  cerram  o  entendimento  às  revelações  da  vida  e restringem os horizontes mentais, movimentando-se em seu próprio interior,  em  ação exclusiva, nos impulsos primários, a cultivar o pretérito que deveriam expungir”.

São espíritos que não estão ainda preparados para receberem  a  mensagem  divina. 

Recusam-se a aceitar a luz que os tirará das trevas, preferindo manter-se em seu próprio mundo interior, voltados para si mesmos. Comprazem-se em cultivarem as idéias e ações delituosas praticadas no passado, ao invés de expurgá-las de suas mentes. Como nas passagens anteriores, é uma situação comum aos dois planos de vida.

 04) O  que  é  sintonia?  Como  ela  se  dá?  De  que  forma  ela  age?  Quais  suas conseqüências?

Sintonia é a identidade de freqüência entre dois circuitos ou, figuradamente, significa harmonia, reciprocidade.  Em Doutrina Espírita, sintonia é a identidade de pensamentos e interesses entre dois ou mais espíritos.  Como vivemos mergulhados num mar de fluidos e regidos pela lei de ação e reação, o pensamento e o interesse de agir do espírito é que vai qualificar o tipo de influência que ele sofrerá de outros espíritos. É a sintonia espiritual, que tem como conseqüência a ação e a influência que uns espíritos  exercem  sobre outros.

05) O que é afinidade? Como ela se dá? De que forma ela interage conosco?

Afinidade é a coincidência de gostos ou pensamentos entre duas pessoas.  É  a 
afinidade que vai definir a sintonia do espírito. Espíritos afins no pensar e agir sintonizam-se entre si, promovendo uma troca de influência recíproca. É o caso dos espíritos encontrados por André Luiz e Calderaro.  Sendo todos ainda recalcitrantes na prática do mal,  tinham uma identidade de agir e pensar, ou seja, uma afinidade, que determinava uma sintonia irresistível entre eles.

06) O que é vício? O que é defeito? Quais suas conseqüências? De que forma eliminá-los?

Vício é um costume enraizado da prática de um ato reprovável e defeito  tudo aquilo que é oposto à perfeição.  As suas conseqüências estão diretamente ligadas à afinidade e à sintonia entre os espíritos. A forma de eliminá-los é, em primeiro lugar, o desejo de fazê-lo.  É preciso uma vontade determinante de se modificar  e  buscar  força  nos benfeitores espirituais que estão aí para nos ajudar.  A doutrina espírita, como nenhuma outra, nos dá a receita para essa transformação interna que todos necessitamos operar,  esclarecendo as conseqüências danosas que nossos vícios e defeitos podem nos causar,  nessa e nas encarnações vindouras.

07) Calderaro diz a André Luiz que “ Que fazes? Seria inútil. Impossível  é reajustar, num momento, apenas com palavras, tantas mentes em desequilíbrio cruel.”  De  que  forma , então, pode se dar o reajuste da mente?

O ponto de partida é a vontade do espírito desequilibrado em se reequilibrar.  Sem que enfermo se conscientize dessa necessidade e procure modificar-se internamente, todo o esforço que os benfeitores venham fazer para socorrê-lo resultaria inútil. É uma questão de sintonia.

sexta-feira, 4 de março de 2016


 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI  

MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Estudo 40 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES

Itens 109 e 110

Concluindo os estudos referentes ao Ensaio Teórico sobre as Aparições (itens 101 a 110), recordamos, então: os Espíritos têm um corpo fluídico, a que se dá o nome de períspirito, cuja substância é haurida do fluido cósmico, e que ele é mais ou menos etéreo, conforme os mundos e o grau de depuração do Espírito; que durante a encarnação, o Espírito conserva seu períspirito, sendo o corpo apenas um segundo envoltório mais grosseiro, mais resistente, apropriado aos fenômenos a que tem de prestar-se e do qual se despojará por ocasião da morte.
O períspirito serve de intermediário ao Espírito e ao corpo, sendo o órgão de transmissão de todas as sensações. Não se acha encerrado nos limites do corpo, como numa caixa, e sim, por sua natureza fluídica, é expansível, irradiando-se para o exterior e forma, em torno do corpo, uma espécie de atmosfera que o pensamento e a vontade podem dilatar mais ou menos.
Nos Espíritos desencarnados, devido a sua natureza e em seu estado normal, o períspirito é invisível, tendo isso de comum com uma imensidade de fluidos que sabemos existir, mas que nunca vimos. Pode também, como alguns fluidos, sofrer modificações que o tornam perceptível à vista, quer por uma espécie de condensação, quer por uma mudança na disposição molecular. Pode mesmo adquirir as propriedades de um corpo sólido e tangível e retomar instantaneamente seu estado etéreo e invisível. São as aparições.
Esses diferentes estados do períspirito resultam de vontade do Espírito e não de uma causa física exterior, como acontece com os gases. Entretanto, nem sempre basta ao Espírito a vontade de tornar-se visível: é necessário, para que se opere a modificação, o concurso de uma série de circunstâncias que dele independem. É preciso, inclusive, lhe seja permitido, fazer-se visível, o que nem sempre lhe é concedido, ou somente o é em determinadas circunstâncias, por motivos que nos escapam.
Podendo assumir todas as aparências, o Espírito se apresenta sob aquela que mais reconhecível o possa tornar, se o quiser. Geralmente os Espíritos se apresentam com os atributos característicos de sua elevação, como: resplandecentes demonstrando sua elevação moral, enquanto que outros trajam as que recordam suas ocupações terrenas. 
O Espírito que quer ou pode realizar uma aparição toma por vezes uma forma ainda mais precisa, de semelhança perfeita com um sólido corpo humano, podendo, em alguns casos e sob certas circunstâncias, a tangibilidade tornar-se palpável, Istoé, pode-se tocar a aparição, senti-la resistente como um corpo sólido, o que não impede que ela se desvaneça com a rapidez do relâmpago. 
Todos os fenômenos citados foram estudados mais profundamente nos itens anteriores, e Allan Kardec afirma que, o períspirito é o princípio de todas as manifestações, sendo que o seu conhecimento nos traz a explicação de numerosos fenômenos, permitindo grande avanço à Ciência Espírita, colocando-a numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso. Nele encontramos, graças aos próprios Espíritos, - pois foram eles que indicaram o caminho, - a explicação da possibilidade de ação do Espírito sobre a matéria, da movimentação de corpos inertes, dos ruídos e das aparições e, certamente, como explicação de muitos outros fenômenos ainda por serem estudados, inclusive o das comunicações. Estas serão melhor compreendidas, se nos inteirarmos de suas causas fundamentais. 
Reflete ainda o Codificador que, longe de considerar a teoria que apresenta como absoluta e última palavra na questão, ela será, mais tarde, completada ou retificada através de novos estudos. Mas, por mais incompleta ou imperfeita que se apresente, pode sempre ajudar a compreender os fenômenos por meios que nada tem de sobrenatural. Se é uma hipótese, não se lhe pode negar o mérito da racionalidade e da probabilidade. Por essas reflexões percebemos a postura científica de Allan Kardec e porque foi chamado, por Camille Flammarion, de "o bom senso encarnado", pois razão reta e judiciosa, aplicava sem cessar às suas pesquisas e obras.
Em nosso próximo estudo abordaremos a Teoria da Alucinação.
BIBLIOGRAFIA: 
KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2. ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - 2ª Parte.
KARDEC, Allan - A Gênese: 26.ed.Brasília: FEB, 1984 - Discurso pronunciado por Camille Flammarion junto ao túmulo de Allan Kardec.

Tereza Cristina D'Alessandro
Novembro/ 2004

Centro Espírita Batuira

cebatuira@cebatuira.org.br
Estudo Evangélico
Livro: “PALAVRAS DE VIDA ETERNA”
Francisco C. Xavier / Emmanuel
Estudo n. 22
TEMA:  "COMPREENDENDO”

 “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro para que a
excelência do poder seja de Deus e não de nós"- Paulo. 
(II Coríntios, 4:7)
Somente alcançaremos libertação, quando atingirmos plena luz
Na citação acima, Paulo se refere a tesouro para designar os dons que vem de Deus, que nós, os vasos de barro, recebemos como bençãos e meio de progresso para o Espírito imortal.
Sabendo disso, é preciso, tolerância construtiva para com a caminhada humana, porque as insinuações do mal tentam em toda parte, uma vez que ainda demoramos na realização parcial do bem. Fé, o conhecimento superior, dom de consolar, capacidade de servir, inteligência desenvolvida, etc., constituem os talentos colocados em nossas mãos, como instrumentos, para que trabalhando com eles possamos multiplicá-los cada vez mais, conforme o progresso moral e espiritual.
Não se espere perfeição para começar a servir, a trabalhar no bem, porque de outra forma, será impossível atingirmos os degraus mais altos da evolução.
Criados simples e ignorantes, isto é, desconhecedores da lei, cada Espírito traz em si em gérmen os dons de Deus, sua potencialidade em semente esperando pelo tratamento de cada um para que essa perfeição relativa aflore.
É a isso que Paulo se refere quando cita que "... temos esses tesouros”... Ele é intrínseco, faz parte do Espírito desde o instante da sua criação. A proposta de Emmanuel nesse sentido é exatamente para que percebamos que só com a transformação do "vaso de barro" é que o tesouro esplenderá.
Contra o desejo de alcançar a claridade, há milênios de sombra. Antepondo à mais humilde aspiração de crescer no bem, vigoram os séculos em que os comprazimentos no mal plenificavam.
É por isto que as tentações de todos os tipos, a cobiça, a vingança, a luxúria, encontram ainda facilidade de instalar-se no homem.
Todos convivem com a tribulação, dificuldades, perseguições, desânimo.
Compreendendo esses momentos como naturais, face ao passado estudado acima, não deve haver angústia, perda de ânimo, abatimento, uma vez que trazendo cada qual em si a potencialidade divina, se opere, se exteriorize a vida em plenitude no contínuo superar-se, dinamizando energias que sem esse entendimento permanecerão em descanso, sem ação.
"Não de espantes, assim, à frente do conflito da luz e das trevas em ti mesmo..."
"Segue a luz e acertarás o caminho".
"Riqueza mediúnica, fulgurações da inteligência, recursos geniais e consagração à virtude são tesouros do Senhor que, na feliz definição do Apóstolo Paulo, transportamos no vaso de barro de nossa profunda inferioridade, a fim de que saibamos reconhecer que todo amor, toda sabedoria, toda santificação, toda excelência e toda beleza da vida não nos pertencem de modo algum, mas sim à glória de Nossa Pai, a quem nos cabe obedecer e servir, hoje e sempre".

Bibliografia:
"Pão Nosso"- Emmanuel / F. C. Xavier - lição 101

Maria Aparecida Ferreira Lovo
Abril / 2003

CENTRO ESPÍRITA BATUÍRA - RIB. PRETO – SP
cebatuira@cebatuira.org.br



quarta-feira, 2 de março de 2016

nl03_16 - LIVRO NO MUNDO MAIOR _ Alienados mentais

... Compreenderás, disse Calderaro, a tragédia dos homens desencarnados, em pleno equilíbrio das sensações. Executados os casos puramente orgânicos, o louco é alguém que procurou forçar a libertação do aprendizado terrestre, por indisciplina ou ignorância. Temos neste domínio um gênero de suicídio habitualmente dissimulado, a auto eliminação da harmonia mental, pela inconformação da alma nos quadros de luta que a existência humana apresenta.
Diante da dor, do obstáculo, ou da morte, milhares de pessoas capitulam, entregando-se, sem resistência, à perturbação destruidora, que lhes abre, por fim, as portas do túmulo. A princípio, são meros descontentes e desesperados, que passam desapercebidos mesmo àqueles que os acompanham de mais perto. Pouco a pouco, transformam-se em doentes mentais de variadas gradações, de cura quase impossível, portadores que são de problemas inextricáveis e ingratos. Imperceptíveis frutos da desobediência começam por arruinar o patrimônio fisiológico que lhes foi confiado na Crosta da Terra... São eles homens e mulheres que desde os círculos terrenos padecem, encovardados em precipícios infernais, por se haverem rebelado aos desígnios divinos, preterindo-os, na escola benéfica da luta aperfeiçoadora, pelos caprichos insensatos...
... Acompanhei Calderaro na excursão matinal, ao grande estabelecimento, onde os mentecaptos eram em grande número...
... Uma velha de cabelos nevados, mostrando acerba ferocidade no olhar, envergava o uniforme da casa, como quem arrastasse um vestido real, e dizia a duas companheiras apáticas:
- Na minha qualidade de marquesa, não tolero a intromissão de médicos inconscientes. Creio estar presa por motivos secretos de família... tenho poderosos inimigos na corte, contudo as minhas amizades são mais prestigiosas e fiéis.
Baixou a voz, como receando espias ocultos e disse ao ouvido de uma das irmãs de sofrimento:
- O imperador está interessado em meu caso e punirá os culpados...
Inesperadamente bradou:
-Todos pagarão, todos pagarão...
Aqui, disse Calderaro, quase todos os alienados são criaturas que abdicaram a realidade, atendo-se a circunstâncias do passado sem mais razão de ser.
Essa desventurada irmã já possuiu títulos de nobreza em existência anterior; perpetrou clamorosas faltas, dando expansão ás energias cegas do orgulho e da vaidade... renascendo em aprendizado humilde para o reajustamento imprescindível, alarmou-se ante as primeiras provações mais rudes da correção benfeitora, reagiu contra os resultados da própria sementeira, entregou o invólucro físico ao curso de ocorrências nefastas e por fim, situou-se mentalmente em zonas mais baixas da personalidade, passando a residir, em pensamento, no pretérito de mentiras brilhantes. Agarrou-se, desesperada, às recordações da marquesa vaidosa de salões que já não existem mais, e perambula nos vales da demência em lastimáveis condições.
Não asseguremos-prossegue Calderaro - que todos os casos sejam de escapatória aos imperativos da realidade educadora. Muita gente atravessa este pavoroso túnel, premiada por exigências da prova retificadora... São irmãos revoltados ante os desígnios de Deus que os conduzem a recapitular ensinamentos difíceis qual o de se reaproximarem de velhos inimigos por intermédio de laços consanguíneos, ou o de enfrentarem obstáculos aparentemente insuperáveis.
Para que se efetue a jornada iluminativa do espírito é indispensável deslocar a mente, revolver as ideias, renovar as concepções e modificar, invariavelmente, para o bem maior o modo íntimo de ser, tal qual procedemos com o solo na revivificação da lavoura produtiva ou com qualquer instituto humano em reestruturação para o progresso geral. Negando-se porém a alma a receber o auxílio divino, através dos processos de transformação incessante que lhe são oferecidos, em benefício próprio, pelas diferentes situações de que os dias se compõem no aprendizado carnal, recolhe-se à imagem da estrada, criando paisagens perturbadoras com desejos injustificáveis.
"Quase podemos afirmar que de 100 casos, 90 dos casos de loucura começam nas consequências das faltas graves que praticamos, com a impaciência ou com a tristeza, ou seja por intermédio de atitudes mentais que imprimem deploráveis reflexos ao caminho daqueles que as acolhem e alimentam...
... Penetrávamos extensa varanda no departamento masculino e logo se deparou um homem que decerto se enquadrava entre os esquizofrênicos absolutos. Rodeavam-no algumas entidades de sombrio aspecto... O desditoso era rematado fantoche nas mãos doa algozes tipicamente perversos...
... O processo de desequilíbrio está consumado, diz Calderaro, o infeliz vem sendo objeto de práticas hipnóticas de implacáveis perseguidores; acha-se exposto a emissões contínuas de forças que o deprimem e enlouquecem... trata-se de um homem que em encarnações anteriores, abusou do magnetismo pessoal...
.. Em pretérito não muito remoto, nosso amigo se excedeu em seu potencial de fascínio ... várias mulheres que lhe sofreram a ação corrosiva, atentaram contra ele incessante explosão de ódio doentio e corruptor, da qual hoje ele é joguete...
... Geralmente ao delinquirmos, podemos precisar o instante exato de nossa desarmonia, porém quando será o momento de abandoná-la, jamais sabemos...
... Em verdade, na alienação mental começa a descida da alma às zonas inferiores da morte ...
... Quanto às perturbações que acompanham a alma no renascimento ou na infância do corpo, na juventude ou na senilidade, é mister reconhecer que o desequilíbrio começa na inobservância da Lei, como a expiação começa no crime...
... O louco em geral, considerando-se não só o presente, senão até o passado longínquo, é alguém que aborreceu as bênçãos da experiência humana, preferindo segregar-se nos caprichos mentais...

Questões para estudo

1) No caso da velhinha que havia sido marquesa, Calderaro diz assim:
"alarmou-se ante as primeiras provações mais rudes da correção benfeitora, reagiu contra os resultados da própria sementeira ..."
Qual o comportamento que deveria ter tido essa nossa irmã diante de tal situação?

2) Ainda nesta frase "reagiu contra os resultados da própria sementeira ...", o que Calderaro quer nos afirmar ???

3) "... Geralmente ao delinquirmos, podemos precisar o instante exato de nossa desarmonia, porém quando será o momento de abandoná-la, jamais sabemos... "
Por que algumas pessoas se demoram mais para procurar a harmonia, enquanto outras demoram-se nela?

4) " ... é mister reconhecer que o desequilíbrio começa na inobservância da Lei, como a expiação começa no crime... "
Como fazer tais relações??

5) "... o louco é alguém que procurou forçar a libertação do aprendizado terrestre, por indisciplina ou ignorância..."
Analisando de uma forma geral, não nos é possível fugir da quitação das dívidas e ludibriar a Lei do Pai ??

Leitura de apoio: Ação e Reação de André Luiz

Conclusão:
André Luiz e Calderaro se preparavam para visitar regiões de sofrimento, habitadas por espíritos ainda muito endividados com a Lei.  Antes disso, fizeram uma rápida visita a um instituto destinado ao abrigo de desencarnados que se encontravam em processo de desequilíbrio mental.
Na rápida passagem pelo local, os dois benfeitores tiveram contato com alguns casos graves de desajustados psíquicos, todos refletindo experiências mal sucedidas no organismo físico, que ocasionaram os desajustes levados para o plano espiritual após a desencarnação.
                          
Questões para estudo

1.-  No caso da velhinha que havia sido marquesa, Calderaro diz assim:  "alarmou-se ante as primeiras provações mais rudes da correção benfeitora,  reagiu  contra  os resultados da própria sementeira ..." Qual o comportamento que deveria ter tido essa nossa irmã diante de tal situação?
Sendo-lhe concedida a oportunidade retificadora através da reencarnação em meio humilde e sujeito a provações, o espírito agora mentalmente enfermo deveria ter aproveitado aquela experiência para se despojar dos sentimentos de orgulho e vaidade que ostentou em existência pretérita, como marquesa.  Cumpria-lhe aceitar aquelas condições com resignação, levando uma vida dedicada ao trabalho digno pela sobrevivência.  Somente assim estaria aproveitando a passagem pela matéria para fazer o indispensável reajustamento que o recolocaria em sintonia com as Leis Naturais, aproximando-o da Divindade.
2.-  Ainda nesta frase "reagiu contra os resultados da própria sementeira...",  o  que Calderaro quer nos afirmar?
Quis o Assistente dizer que a ex-marquesa deixou prevalecer seu inconformismo com a situação desfavorável mas retificadora, perdendo a oportunidade que a misericórdia divina lhe concedeu para retomar o caminho evolutivo. "Resultados da própria sementeira" porque originados de seu próprio comportamento no passado,  em  que  usou  mal as oportunidades que a posição social em que se encontrava lhe propiciava.
3.-  "... Geralmente, ao delinquirmos, podemos precisar o instante exato  de  nossa desarmonia, porém quando será o momento de abandoná-la, jamais sabemos... "  Por que algumas pessoas se demoram mais para procurar a harmonia,  enquanto  outras demoram-se nela?
Os modos e o tempo para a saída do processo de desajuste espiritual varia de acordo com cada espírito.  Todos têm o livre-arbítrio para direcionarem seus atos e pensamentos. Uns, embora ainda muito imperfeitos a ponto de delinquirem, compreendem mais rapidamente a necessidade de se reajustarem às Leis Naturais e, dessa forma, encurtam o caminho, submetendo-se com resignação ao remédio da dor e do sofrimento que o modificará para melhor.  Outros há, contudo, para quem o processo de reajuste é mais penoso e demorado, por não compreenderem a necessidade de se modificarem.  Para estes, com são persistentes no erro, somente o tempo pode se encarregar  de  fazê-los  enxergar  essa necessidade, mediante as expiações  a  que terão de se submeter.
4.-  " ... é mister reconhecer que o desequilíbrio começa na inobservância da Lei, como a expiação começa no crime... ".  Como fazer tais relações?
Como as leis que regem o Universo são perfeitas e harmônicas entre si, qualquer ato ou pensamento que contra elas se insurjam causam um desequilíbrio que, em consequência da lei de ação e reação, vai se voltar contra o seu causador.   Disse o Assistente que a expiação começa no crime porque, a partir da sua execução, o espírito aciona o mecanismo divino que o submeterá ao processo de resgate, geralmente doloroso.
5.-  "... o louco é alguém que procurou forçar a libertação  do  aprendizado  terrestre,  por indisciplina ou ignorância..." Analisando de uma forma geral, não nos é possível fugir  da quitação das dívidas e ludibriar a Lei do Pai?
A lei dos homens até pode-se ludibriar, com artifícios dos mais diversos matizes.

Porém, da aplicação da Lei de Deus ninguém consegue se furtar, pois seus efeitos são fruto de um mecanismo automático introduzido no Universo pelo Criador.  Como ensinou Calderaro, a tentativa de escapar ao império desta Lei, rejeitando o aprendizado através das reencarnações sucessivas, pode levar o espírito a um desequilíbrio mental que o acompanhará mesmo após o seu desenlace do corpo material, como nos exemplos narrados neste capítulo.

céu inferno 53 2a parte cap IV

Céu inferno_053_2ª  parte cap. IV - Espíritos Sofredores - Pascal Lavic

TEXTO PARA ESTUDO

Havre, 9 de agosto de 1863)
Nota - Este Espírito, sem que o médium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente.
"Creio na bondade de Deus, que, na sua misericórdia, se compadecerá do meu Espírito. Tenho sofrido muito, muito; pereci no mar. Meu Espírito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas. Deus...
(A comunicação foi interrompida, e no dia seguinte o Espírito prosseguiu.)
...houve por bem permitir que as preces dos que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturbação e incerteza em que me achava imerso. Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo. Este repousa atualmente, ao passo que o Espírito, libertado com dificuldade, vê as faltas cometidas. Consumada a provação, Deus julga com justiça, a sua bondade estende-se aos arrependidos.
"Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Espírito, sendo essa a minha expiação. Segui o caminho reto, se quiserdes que Deus facilite o desprendimento de vosso Espírito. Vivei no seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos será suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera. Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram. Não poder desligar-me do corpo era para mim uma terrível provação, eis por que necessito das preces de quem, como vós, possui a crença salvadora e pode pedir por mim ao Deus de justiça. Arrependo-me e espero ser perdoado. A 6 de agosto foi meu corpo encontrado. Eu era um pobre marinheiro e há muito tempo que morri. Orai por mim.
Pascal Lavic."
- P. Onde foi achado o vosso corpo?
- R. Não muito longe de vós.
Nota - O Journal du Havre, de 11 de agosto de 1863, continha o seguinte tópico, do qual o médium não podia ter ciência:
"Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cadáver encalhado entre Bléville e La Hève. A cabeça, os braços e o busto tinham desaparecido, mas, apesar disso, pôde verificar-se a sua identidade pelos sapatos ainda presos aos pés. Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio LAlerte, por uma rajada de mar. Lavic tinha 49 anos de idade e era natural da cidade de Calais. Foi a viúva quem lhe reconheceu a identidade."
Nota - A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Espírito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo, e espontaneamente, a seguinte comunicação:
"Sou efetivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces. Podeis beneficiar-me, pois terrível foi a provação por mim experimentada. A separação do meu Espírito do corpo só se deu depois que reconheci as minhas faltas; e depois disso, ainda não totalmente destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara. Orai, pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso. Orai, eu vo-lo suplico. Oxalá este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento!
Deveis ter sempre em vista a vida futura, não deixando jamais de implorar a Deus a sua divina misericórdia. Orai por mim; tenho necessidade que Deus de mim se compadeça.
Pascal Lavic."

QUESTÕES PARA ESTUDO E REFLEXÃO

1.A que provação este espírito se refere e por que ele teve que passar por ela?

2.Qual o conselho que ele nos dá para evitar a mesma sorte?

3.De que modo a oração dos amigos o ajudarão? Como se dá esse processo?

4.Que providências tenho tomado, em minha vida atual, para ter um desencarne sereno e um fácil desprendimento do corpo carnal?

Conclusão:

1.A provação a que este espírito se refere foi em relação a sua impossibilidade de afastar-se do corpo morto, sofrendo como se no corpo estivesse, devido as suas faltas quando encarnado. Essa situação foi uma expiação pela vida que ele levou na Terra.
2.Que não devemos esquecer da vida futura e nem esquecer das lições que devemos aprender e ensinar. Podemos completar que a vivência no bem e o amor ao próximo já nos colocarão em posição de merecer um desencarne mais tranquilo.
3. A oração em intenção do espírito desencarnado o ajudará a ser merecedor de encontrar seu caminho, separando-se definitivamente do corpo já morto e arrependendo-se de suas faltas. A oração leva, através do pensamento, o "remédio" que cura os males do espírito.

5. Resposta pessoal.

Estudo 39 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES



 (Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores) Contém o ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática do Espiritismo.

SEGUNDA PARTE

DAS MANIFESTAÇÕES ESPIRITAS

CAPITULO VI  

MANIFESTAÇÕES VISUAIS

Estudo 39 - ENSAIO TEÓRICO SOBRE AS APARIÇÕES 

Itens 108

Allan Kardec prossegue estudando o fenômeno das aparições, agora fazendo algumas considerações sobre um sistema - um conjunto de hipóteses para explicar determinados fenômenos - especial para as manifestações visuais de Espíritos: o sistema dos Espíritos glóbulos.
Segundo este sistema, a visão de Espíritos por supostos médiuns nada mais séria do que um fenômeno óptico, isto é, uma ilusão decorrente de uma falha da transmissão da luz através dos órgãos receptores (de luz), o aparelho óptico. Essas alucinações visuais limitam-se em geral à percepção de luzes, cores, pontos luminosos ou escuros no campo visual, o que diferirá das alucinações de ordem neuropsiquiátricas, que consistem na visão de objetos conhecidos ou não, com forma, cor, tamanho, profundidade e até movimentos bem definidos. Esse tipo de alucinação será estudado a seguir, ainda neste capítulo de O Livro dos Médiuns.
Considerando agora o aparelho óptico que nos permite enxergar, observaremos que sua função é a de captar a luz ambiente irradiada por fontes primárias - que possuem luz própria - ou secundárias - que refletem a luz de fontes primárias. Além disso, o sistema óptico deve transformar as informações luminosas em impulsos elétricos (neurais) para o sistema nervoso e, daí, reconstruir psiquicamente a informação visual para o Espírito.
Para essa função, destaquemos algumas estruturas importantes: o globo ocular, o nervo óptico e o cérebro. No globo ocular, observamos alguns componentes importantes para a captação e adaptação dos raios luminosos do meio externo para sua posterior decodificação
Alguns raios luminosos emitidos pelo objeto são captados pelo globo ocular. Atravessam a córnea, uma estrutura altamente transparente, cuja função é servir de um meio refratário para direcionar corretamente os raios luminosos para a pupila (a "menina dos olhos"). Esta é a abertura da íris, cuja função é regular o grau de dilatação do orifício pupilar, ou seja, abrir a pupila num ambiente escuro e retraí-la num ambiente muito claro.
Passando pela pupila, os raios luminosos atingem a retina, o componente fundamental para a transdução do sinal luminoso em impulso nervoso (elétrico). Nesse trajeto, a luz é conduzida por dois meios líquidos: o humor aquoso, da córnea à íris e o humor vítreo, da íris à retina. A retina é a camada mais interna do globo ocular, composta de dez sub-camadas de células, que captam a imagem reproduzida e a convertem em impulsos eletrofisiológicos às fibras nervosas, com as quais está conectada. Estas se reúnem num só feixe, formando o nervo óptico, um de cada lado, que seguem para cérebro. Depois de algumas "estações cerebrais", a informação visual chega ao córtex cerebral, no polo occipital, chamado justamente de córtex visual. As informações então são processadas e integradas para gerar a sensação de forma, cor, profundidade e movimento.
Dessa forma, para a formação da imagem na retina e daí para o cérebro é necessário que todas as estruturas estejam íntegras e funcionantes. Se ocorrer alguma perturbação (leve ou importante), a imagem pode não se formar perfeitamente. Além disso, estímulos mecânicos ou de outra ordem podem gerar estímulos sobre essas vias, não necessariamente relacionados com uma fonte luminosa real. Porém a sensação será visual. Essa é a base para as ilusões ou alucinações visuais de natureza óptica.
O Codificador do Espiritismo, no item 108 de O Livro dos Médiuns, aponta algumas explicações para a formação dessas imagens estranhas e sem significados. Menciona Allan Kardec, "discos luminosos", "moscas amauróticas", "centelhas", etc. Hoje, a semiotécnica também menciona "moscas volantes", "escotomas" e outros.
Em verdade, todos os dias ocorrem espontânea e fisiologicamente fenômenos ópticos, muito aproveitados por "ilusionistas" em apresentações públicas. As centelhas ou moscas volantes podem ser decorrentes do excesso de luminosidade do ambiente, quando as pupilas ainda não se fecharam suficientemente. Um "ponto cego" todos possuem no ponto da retina para onde convergem as fibras ópticas para formar o nervo óptico (disco do nervo óptico). Em geral esses tipos de fenômenos são extremamente transitórios ou o córtex adaptou-se a ponto de suprimi-los.
Obviamente, acometimentos patológicos da córnea, íris, humor aquoso ou vítreo, retina, nervo óptico e córtex visual podem provocar sinais e sintomas típicos, clinicamente diagnosticados. Escotomas ou manchas negras no campo visual sugerem uma provável lesão da retina ou dos nervos ópticos; moscas volantes, pontos luminosos duradouros ou "chuviscos" sugerem hipertensão intracraniana; além de muitos outros.
De qualquer forma, e seja lá o que for, essas imagens, por mais que se movam ou façam piruetas no campo visual, estão longe de ser fenômenos mediúnicos. Todo efeito mediúnico possui como causa um ser espiritual inteligente que se manifesta com alguma intenção. "Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente", dizia Allan Kardec, e "todo efeito sem inteligência tem uma causa não inteligente". Assim, essas ilusões ópticas grosseiras jamais poderão ser confundidas com fenômenos mediúnicos, inteligentes e intencionais. É preferível, pois, restringir-se a observar com cautela antes de especular, para não alimentar os incrédulos, "já naturalmente dispostos a procurar o ridículo".
 BIBLIOGRAFIA:

KARDEC, Allan - O Livro dos Médiuns: 2.ed. São Paulo: FEESP, 1989 - Cap VI - item 108 - 2ª Parte

PORTO, Celmo Celeno - Semiologia Médica. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001 - Cap. 11, 12 e 13

Matheus Artioli Firmino
Outubro / 2004

Centro Espírita Batuira
cebatuira@cebatuira.org.br