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terça-feira, 6 de outubro de 2015

nl04_13_Convocação Familiar

CVDEE Centro Virtual de Divulgação do Estudo do Espiritismo

 - Sala Virtual de Estudos Nosso Lar

Estudos da obra de André Luiz.

Sala Nosso Lar

Livro em Estudo: Libertação

Capítulo: XIII - Convocação Familiar

RESUMO DO CAPÍTULO

Alcançando a grande residência em que Margarida descansava, Gúbio, assistido agora pelo enorme respeito de Saldanha, dirigiu-lhe a palavra, examinando a oportunidade de conversarmos com o juiz e analisar a situação da filhinha de Jorge ali refugiada..

- É possível - informou nosso Instrutor - promovermos benéfica reunião, convocando  alguns encarnados a possível ajuste..

Saldanha concordou, através de monossílabos, ao modo do aprendiz que se vê na obrigação de aderir... 

Entramos respeitosamente, mas confesso que o sono do magistrado não poderia ser tão calmo quanto desejaria, em virtude do grande número de entidades sofredoras que lhe batiam às portas internas. Algumas rogavam socorro em altos brados. A maioria reclamava justiça..

Dispunhamo-nos a visitar os aposentos particulares do dono da casa, quando um rapaz encarnado nos surge à frente, cauteloso, deslocando-se a caminho do pavimento inferior.. Era Alencar, irmão de Margarida e perseguidor da filha de Saldanha..

Seguimos o jovem, que nem de longe conseguiu registrar-nos a presença, e observamos que após descer alguns degraus, se postava à entrada de compartimento modesto, tentando forçá-la..

Todas as noites - comentou Saldanha - procura abusar de nossa filha. Não tem o mínimo respeito de si mesmo. Reparando a resistência de Lia, estende os processos de perseguição, com ameaças  diversas e acredito que se ainda não atingiu os fins indignos é porque permaneço a postos..

....

Logo após, em companhia de nosso devotado orientador, passamos ao apartamento privado do juiz. O magistrado se mantinha de corpo repousado sobre o colchão macio, mostrando contudo, a mente inquieta, flagelada com pensamentos: "Onde estariam centralizados meus supremos interesses da vida?.."

Crescera, estudara, casara-se. Todas as lutas, no fundo, não lhe haviam modificado a personalidade.. Entretanto experimentava intraduzível fome de Deus...

Nesse comenos, o Instrutor recomendou a Elói e a mim, o trazimento de Jorge, fora do veículo carnal..

A essa altura, o dono da casa e a neta de Saldanha, provisoriamente libertos das teias fisiológicas, já se encontravam ao lado de Gúbio, que recebeu Jorge em desvelado carinho, e unindo os três, emprestou-lhe forças à mente para que o ouvissem acordados, em espírito..

Após breve conversa, Jorge ao perceber que estavam agindo em favor do "condenado", fala em tom de orgulho ferido:

 - Mas fui eu o Juiz da causa. Consultei os códigos antes de emitir a sentença.. Não posso aceitar tardias argumentações que o inocentem..

Gúbio contemplando-o e considerou:

- Compreendo-te a negativa. Os fluídos da carne tecem um véu pesado demais para os que ainda não se afeiçoam ao véu da espiritualidade superior.. Invocas tua condição de sacerdote da lei para esnagara o destino de um trabalhador.. não fosse a compaixão divina que te ampara as ações, as vítimas  de teus erros involuntários não te permitiriam o cargo..

Após uma longa pausa..

 - Benfeitor ou vingador, ensina-me o caminho! Que faço em benefício do condenado?

- Facilitarás a revisão do processo e dará-lhe a liberdade.

-É então ele inocente?

- Ninguém sofre sem necessidade à frente da Justiça Celeste .. Explicaremos tudo..

- Ampara em tua casa, a filha dele, que assim receberá boa educação..

- amo essa menina não é minha filha..

- Não serias convocados por nós a semelhante encargo se não fosses capaz de recebê-lo.. Crês que só seja possível os compromissos com os seus consanguíneos..

Liberta o coração amigo.. respira em mais alto clima..

- Como agir porém?

Amanhã - (...) te erguerás do leito sem a lembrança integral do nosso entendimento de agora, porque o cérebro de carne é um instrumento delicado, incapaz de suportar a carga de duas vidas, mas idéias novas surgir-te-ão formosas e claras, com respeito ao bem que necessitas praticar. A intuição é o disco milagroso da consciência.. Funcionará livremente de forma a lembrar-te destas horas.. Chegada esta hora, não permita que o cálculo te abafe o impulso das boas obras.. A intuição, contudo, que é o disco milagroso da consciência, funcionará livremente, retransmitindo-te as sugestões desta hora de luz e paz(...)

(...)

_ Gostarias (...) Entretanto, a existência humana é precioso tecido de que os olhos mortais apenas enxergam o lado avesso. Nos sofrimentos de hoje, solvemos os débitos de ontem. Com isto , não desejamos dizer que nossas falhas, muitas vezes oriundas da ociosidade ou da impenitência de agora, gerando resultados ruinosos para nós mesmos e para outrem, sejam recursos providenciais ao pagamento de alheias dívidas, porque assim consagraríamos a fatalidade por soberana do mundo, quando, em todas as horas, criamos causas e consequências com os nossos atos cotidianos.(...)
(...)

_ Juiz, (...). Já te auscultei , no entanto, os arquivos mentais e vejo os quadros que o tempo não destrói.(...) 

Todavia, nem a dor, nem a morte apagam as aflições da responsabilidade que só o regresso à oportunidade de
reconciliação consegue remediar. E aqui te encontras, de novo, diante do condenado, junto ao qual sempre te inclinaste à antipatia gratuita, e ao lado da jovem a quem prometeste amparar por filha muito querida ao coração.

Trabalha, meu amigo! Vale-te dos anos,porque(...) . Age enquanto podes. Todo bem praticado felicitará a ti mesmo, porquanto outro caminho para Deus não existe, fora do entendimento construtivo, da bondade ativa, do perdão redentor.

(...)

 Saldanha, nenhum júbilo, depois do amor de Deus, é tão grande quanto aquele que recolhemos no amor espontâneo de um amigo. Semelhante alegria, é nossa, porque te sentimos a amizade nobre e sincera no coração.

(...)

Questões iniciais para o Estudo:

01) Gubio, referindo-se a Alencar , irmão de Margarida, fala que ele, por estar possuído em forças degradantes precisa de colaboração energética para que possa Ter uma higiene mental e , então, aplica-lhe passes magnéticos.

Assim:

A) O que é passe?

B) Qual a finalidade do passe?

C) Quando se deve receber ou procurar o passe?

D) Há diferentes tipos de passes? Justifique.

E) Há regras específicas para se ministrar o passe? Por que? Quais? Justificar.

02) Gúbio, ante o momento de mente inquieta do magistrado, dirigiu-lhe a intuição. Assim, justificar as respostas:

A) Comentar sobre a intuição: o que é?

B) Ela ocorre com frequência?

C) Todos nós estamos sujeitos a ela?

D) Qual o motivo de sua utilização?

E) Comentar a seguinte assertiva de Gúbio: "A intuição, contudo, é disco milagroso da consciência, funcionará livremente, retransmitindo-te as sugestões desta hora de luz e paz (...)"

3) Comentar , justificando, as seguintes assertivas:

A)" Entretanto, a existência humana é precioso tecido de que os olhos mortais apenas enxergam o lado avesso. 

Nos sofrimentos de hoje, solvemos os débitos de ontem."

B) "Já te auscultei, no entanto, os arquivos mentais e vejo os quadros que o tempo não destrói. (...) Todavia, nem a dor, nem a morte apagam as aflições da responsabilidade que só o regresso à oportunidade de reconciliação consegue remediar"

C) "Trabalha, meu amigo! Vale-te dos anos, porque(...) . Age enquanto podes.

Todo bem praticado felicitará a ti mesmo, porquanto outro caminho para Deus não existe, fora do entendimento construtivo, da bondade ativa, do perdão redentor."

D) "depois do amor de Deus, é tão grande quanto aquele que recolhemos no amor espontâneo de um amigo

ibliografia Sugerida:

 Leitura completa do Capítuo XIII , do Livro Libertação

 L. E

 L. M

 ESE

Um dia repleto de amor e paz pra vcs

Conclusão:

De retorno à residência da enferma, Gúbio dirigiu-se a Saldanha sondando-o sobre a possibilidade de, juntos, conversarem, durante o desprendimento pelo sono físico, com o Juiz que condenara injustamente seu filho,  À conversa, Jorge, o filho de Saldanha, também em estado de emancipação da alma, seria trazido para participar da tentativa de reconciliação com o juiz, protagonistas que foram, em passagens pretéritas, de episódio  que gerou o drama atualmente vivenciado por ambos.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1 - Gubio, referindo-se a Alencar, irmão de Margarida, fala que ele, por estar possuído em  forças  degradantes precisa de colaboração  energética  para  que  possa  ter  uma  higiene  mental  e,  então,  aplica-lhe  passes magnéticos. Assim:

a) O que é passe?

No livro "Nos Domínios da Mediunidade", André Luiz conceitua o passe como uma transfusão de energias que altera o campo celular. Esclarece, ainda, que essas energias não são unicamente anímicas, ou seja, originadas do próprio médium, mas, também, espirituais, através dos fluidos doados pelos benfeitores.

Já Emmanuel, em "O Consolador", na questão 98, o define como uma transfusão de energias psíquicas, que são retiradas das forças espirituais e que operam uma renovação das forças físicas.

b) Qual a finalidade do passe?

 passe é utilizado com múltiplas finalidades. Sendo uma transfusão de energias, tal  qual  uma  transfusão de sangue, podemos resumir as utilidades do passe, até onde é dado ao homem  conhecer,  como  sendo  as
seguintes:

- renovação da quota de fluido vital do paciente, podendo, em muitos casos, prolongar a vida  do  corpo  físico  (passes de cura);  

- através do magnetismo, substitui células envenenadas por outras sãs;

 - limpa o organismo da ação deletéria causada por maus atos e pensamentos  ou  mesmo  pela  alimentação inadequada;

- atua no perispírito, neutralizando a ação de fluidos negativos;

- fortalece a pessoa na fé, renovando-lhe as forças para prosseguir na caminhada evolutiva.

É possível que a aplicação do passe tenha outras repercussões em nossos organismos físico e perispirítico.

Todavia, ainda não nos é dado conhecer além do que a Doutrina Espírita veio revelar.

c) Quando se deve receber ou procurar o passe?

 Trazendo a aplicação do passe todos os benefícios acima descritos, devemos sempre procurá-lo, como uma maneira de precavermo-nos de males físicos e psíquicos. Na questão 424 do Livro dos Espíritos, os Espíritos reveladores responderam a Kardec que o magnetismo "constitui, muitas vezes, poderoso meio de ação, porque restitui ao corpo o fluido vital que lhe falta para manter o funcionamento dos órgãos".
   
d) Há diferentes tipos de passes? Justifique.

Podemos classificar o passe em dois tipos:

- o passe em que se utiliza as energias do próprio magnetizador e das entidades espirituais. É o tipo de passe em que podemos ver o momento da sua aplicação. Os Espíritos derramam os fluidos espirituais sobre o médium que serve de veículo para esse derramamento sobre o paciente;

- o passe em que é transmitido unicamente fluidos espirituais. Nessa modalidade, os Espíritos atuam diretamente sobre o paciente, sem a intermediação do médium. Esse tipo não nos permite ver a sua aplicação, pois  o  agente transmissor é um espírito desencarnado.


e) Há regras específicas para se ministrar o passe? Por que? Quais?

 A transmissão do passe dispensa qualquer tipo de ritual específico.  O amor ao próximo e ao trabalho e a assistência dos bons espíritos são os requisitos essenciais e suficientes para a sua aplicação.  Para o médium aqui na Terra, basta a imposição de mãos, conforme Jesus ensinou. André Luiz, em várias de suas obras, nos relata mais de uma modalidade de passe.

Porém, há que se considerar que os desencarnados que se dedicam a esse trabalho, pela sua evolução, têm condições de examinar o organismo do paciente por dentro, a fim de adotar a maneira mais conveniente de aplicar o passe, coisa que, para o médium, é impossível.

2 - Gúbio, ante o momento de mente inquieta do magistrado, dirigiu-lhe a intuição. Assim, justificar as respostas:

a) Comentar sobre a intuição: o que é?

Na questão 459 do Livro dos Espíritos, as Entidades reveladoras disseram a Kardec que os espíritos influem em nossos pensamentos e em nossos atos muito mais do que imaginamos, a tal ponto que, em geral, são eles que nos dirigem.  Essa influência em nossos pensamentos é o que denominamos intuição.  Em certas ocasiões, acode-nos, sobre determinado assunto, repentinamente, um pensamento, por vezes sugerindo-nos como  enfrentar determinado problema.  É a influência espiritual sobre nossa mente, em forma de intuição.

b) Ela ocorre com freqüência?

Segundo revelaram os Espíritos na resposta à questão acima citada, sim. Freqüentemente, recebemos a influência spiritual em forma de intuição.

c) Todos nós estamos sujeitos a ela?

Sem dúvida.  Cabe-nos, porém, definir a qualidade da intuição, boa ou má, conforme a companhia espiritual de que nos cercamos.

d) Qual o motivo de sua utilização?

Os bons espíritos a utilizam para nos ajudar a enfrentar as provas necessárias à nossa evolução; os maus, procuram, através dela, nos induzir à prática de atos que nos prejudiquem e atrasem a nossa evolução.

e) Comentar a seguinte assertiva de Gúbio: "A intuição, contudo, é disco milagroso da consciência, funcionará livremente, retransmitindo-te as sugestões desta hora de luz e paz (...)".

Gúbio estava explicando ao Juiz como proceder ao retomar o veículo físico, ao despertar, pela manhã. 

Mostrou-lhe que aqueles aconselhamentos que lhe dirigia seriam por ele absorvidos em forma de intuição. 

Utilizou-se o benfeitor da figura "disco milagroso da consciência", para passar-lhe a idéia de um disco que toca em nossa consciência independente da nossa vontade, transmitindo-nos a influência espiritual.

3 - Comentar, justificando, as seguintes assertivas:

a) "Entretanto, a existência humana é precioso tecido de que os olhos mortais apenas enxergam o lado avesso. 

Nos sofrimentos de hoje, solvemos os débitos  de ontem."

O Instrutor procurou demonstrar que apenas apreciamos a existência humana sob a restrita ótica da matéria.

O esquecimento do passado não nos permite uma idéia completa de nossa existência como um todo.  Apenas vemos o presente. Por isso, às vezes, muitos se consideram injustiçados, devido à incapacidade de entender a unicidade da existência humana através das sucessivas reencarnações. Os corpos são outros,  mas a  vida  é uma só.

Jorge era inocente no crime pelo qual fora injustamente apenado pela lei dos homens naquela existência física.

Todavia, conforme esclareceu Gúbio, estava resgatando débito contraído em existência pretérita, em que matara e se suicidara. Seria o caso de os que desconhecem os mecanismos da reencarnação e da lei de  causa  efeito dizerem que "Deus escreve certo por linhas tortas". Na verdade, porém, era a Justiça divina que se cumpria. E por linhas certas.

b) "Já te auscultei , no entanto, os arquivos mentais e vejo os quadros que o tempo não destrói.

(...) Todavia, nem a dor, nem a morte apagam as aflições da responsabilidade que  só  o  regresso  à  oportunidade  de  reconciliação consegue remediar"

 A lei de ação e reação é inexorável. Faz-se cumprir sempre e a ninguém é dado dela escapar. Para remediar a responsabilidade pelo mal ocasionado é indispensável a reconciliação com o adversário.  A nova experiência na vida corporal que a reencarnação proporciona é o mecanismo que Deus nos concede para esse fim.

c) "Trabalha, meu amigo! Vale-te dos anos, porque (...) . Age enquanto podes.

Todo bem praticado felicitará a ti mesmo, porquanto outro caminho para Deus não existe, fora do entendimento construtivo, da bondade ativa, do perdão redentor."

O benfeitor estava tentando incutir na mente do Juiz a lei de amor, que é a lei maior de Deus. Tentava fazer com que, ao despertar do sono físico, retomando o veículo carnal, ele recordasse, em forma de intuição, a orientação que ali recebia, em desprendimento pelo sono, para servir ao próximo e praticar o perdão, única maneira de evoluir.

d) "nenhum júbilo, depois do amor de Deus, é tão grande quanto aquele que recolhemos no amor espontâneo de um amigo".

Mais uma vez o Instrutor reafirma a supremacia do amor. Depois do amor de Deus, afirmou,  o  maior  júbilo  que podemos alcançar é o amor sincero do nosso próximo.



Muita paz a todos.


Equipe Nosso Lar


CVDEE
Céu inferno_053_2ª parte cap. IV - Espíritos Sofredores - Pascal Lavic

TEXTO PARA ESTUDO

Havre, 9 de agosto de 1863)

Nota - Este Espírito, sem que o médium o conhecesse em vida, mesmo de nome, comunicou-se espontaneamente.

"Creio na bondade de Deus, que, na sua misericórdia, se compadecerá do meu Espírito. Tenho sofrido muito, muito; pereci no mar. Meu Espírito, ligado ao corpo, vagou por muito tempo sobre as ondas. Deus...

(A comunicação foi interrompida, e no dia seguinte o Espírito prosseguiu.)

...houve por bem permitir que as preces dos que ficaram na Terra me tirassem do estado de perturbação e incerteza em que me achava imerso. Esperaram-me por muito tempo e puderam enfim achar meu corpo. Este repousa atualmente, ao passo que o Espírito, libertado com dificuldade, vê as faltas cometidas. Consumada a provação, Deus julga com justiça, a sua bondade estende-se aos arrependidos.

"Por muito tempo, juntos erraram o corpo e o Espírito, sendo essa a minha expiação. Segui o caminho reto, se quiserdes que Deus facilite o desprendimento de vosso Espírito. Vivei no seu amor, orai, e a morte, para tantos temerosa, vos será suavizada pelo conhecimento da vida que vos espera. Sucumbi no mar, e por muito tempo me esperaram. Não poder desligar-me do corpo era para mim uma terrível provação, eis por que necessito das preces de quem, como vós, possui a crença salvadora e pode pedir por mim ao Deus de justiça. Arrependo-me e espero ser perdoado. A 6 de agosto foi meu corpo encontrado. Eu era um pobre marinheiro e há muito tempo que morri. Orai por mim.

Pascal Lavic."

- P. Onde foi achado o vosso corpo?
- R. Não muito longe de vós.
Nota - O Journal du Havre, de 11 de agosto de 1863, continha o seguinte tópico, do qual o médium não podia ter ciência:

"Noticiamos que a 6 do corrente se encontrara um resto de cadáver encalhado entre Bléville e La Hève. A cabeça, os braços e o busto tinham desaparecido, mas, apesar disso, pôde verificar-se a sua identidade pelos sapatos ainda presos aos pés. Foi reconhecido o corpo do pescador Lavic, que fora arrebatado a 11 de dezembro de bordo do navio LAlerte, por uma rajada de mar. Lavic tinha 49 anos de idade e era natural da cidade de Calais. Foi a viúva quem lhe reconheceu a identidade."

Nota - A 12 de agosto, como se tratasse desse acontecimento no Centro em que o Espírito se manifestara pela primeira vez, deu este de novo, e espontaneamente, a seguinte comunicação:

"Sou efetivamente Pascal Lavic, que tem necessidade das vossas preces. Podeis beneficiar-me, pois terrível foi a provação por mim experimentada. A separação do meu Espírito do corpo só se deu depois que reconheci as minhas faltas; e depois disso, ainda não totalmente destacado, acompanhava-o no oceano que o tragara. Orai, pois, para que Deus me perdoe e me conceda repouso. Orai, eu vo-lo suplico. Oxalá este desastrado fim de uma infeliz vida terrena vos sirva de grande ensinamento!

Deveis ter sempre em vista a vida futura, não deixando jamais de implorar a Deus a sua divina misericórdia. Orai por mim; tenho necessidade que Deus de mim se compadeça.
Pascal Lavic."

QUESTÕES PARA ESTUDO E REFLEXÃO

1.A que provação este espírito se refere e por que ele teve que passar por ela?

2.Qual o conselho que ele nos dá para evitar a mesma sorte?

3.De que modo a oração dos amigos o ajudarão? Como se dá esse processo?

4.Que providências tenho tomado, em minha vida atual, para ter um desencarne sereno e um fácil desprendimento do corpo carnal?

CONCLUSÃO

1. A provação a que este espírito se refere foi em relação a sua impossibilidade de afastar-se do corpo morto, sofrendo como se no corpo estivesse, devido as suas faltas quando encarnado. Essa situação foi uma expiação pela vida que ele levou na Terra.

2. Que não devemos esquecer da vida futura e nem esquecer das lições que devemos aprender e ensinar. Podemos completar que a vivência no bem e o amor ao próximo já nos colocarão em posição de merecer um desencarne mais tranquilo.

3. A oração em intenção do espírito desencarnado o ajudará a ser merecedor de encontrar seu caminho, separando-se definitivamente do corpo já morto e arrependendo-se de suas faltas. A oração leva, através do pensamento, o "remédio" que cura os males do espírito.


5. Resposta pessoal.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Série Psicológica Joanna de Ângelis – Edição Comemorativa dos 25 anos (Capa Dura)
Profunda, esclarecedora e surpreendente.
Com 16 volumes ditados pelo Espírito Joanna de Ângelis e psicografados pelo médium e orador espírita Divaldo Franco, entre os anos 1989 e 2011, esta série apresenta um novo enfoque da Psicologia Transpessoal, enriquecendo os conceitos junguianos e conduzindo o leitor a compreender os mais variados e intrigantes temas da existência humana à luz da Doutrina Espírita.
 1 – JESUS E ATUALIDADE
2 – HOMEM INTEGRAL (O)
3 – PLENITUDE
4 – MOMENTOS DE SAÚDE E DE CONSCIÊNCIA
5 – SER CONSCIENTE (O)
6 – AUTODESCOBRIMENTO: UMA BUSCA INTERIOR
7 – DESPERTE E SEJA FELIZ
8 – VIDA DESAFIOS E SOLUÇÕES
9 – AMOR, IMBATÍVEL AMOR
10 – DESPERTAR DO ESPÍRITO (O)
11 - JESUS E O EVANGELHO À LUZ DA PSICOLOGIA PROFUNDA
12 – TRIUNFO PESSOAL
13 – CONFLITOS EXISTENCIAIS
14 – ENCONTRO COM A PAZ E A SAÚDE
15 – EM BUSCA DA VERDADE
16 – PSICOLOGIA DA GRATIDÃO

KIT SÉRIE PSICOLÓGICA JOANNA DE ÂNGELIS - 25 ANOS - CAPA DURA
 14  recordação das existencias anteriores

 A TERCEIRA CRIANÇA II

O filósofo ORIZON MARDEM, fala sobre o valor da castidade.

_É honrosa para o homem, a pureza de pensamentos, e a honestidade de linguagem.

Cada qual é conforme são os seus mais vivos sentimentos. Se de índole generosa, todas as suas emoções tomarão aspectos dessa virtude.

As paixões brutas são como marinheiros amotinados que é preciso encerrar nos porões.

Nosso fonógrafo mental reproduzirá uma conversação obscena, enquanto a vida durar.

Afirmam os fisiológicos que todas as partículas de nosso organismo se renovarão periodicamente, mas nenhum químico é capaz de fazer desaparecer da memória, por completo, os vestígios de um pensamento sinistro. 

O homem perde-se quando perde a sua pureza. Não existe na vida, mais inestimável tesouro que a "castidade" que em rigor é a pureza aplicada aos pensamentos, palavras , obras, leituras, atitudes, gestos, companhias, ocupações e até alimentos.

É tão necessário manter puro o corpo físico alimentando-o e nutrindo-o, como manter puro também os sentimentos generosos e nobres. Só assim é possível conservar o harmônico equilíbrio Espiritual e Corporal .

A imaginação é o cinzel da alma e a chave do destino. 

"Sede limpos de coração. Este é o grande mandamento. Não escuteis aqueles que vos disserem que o vicio é uma necessidade. 

Nada do que é mau e pernicioso, é necessário.

Toda malícia é fraqueza. O vicio e a força, não tem parentesco algum

A pureza é a força, a saúde é o poder.

Só há um remédio eficaz contra a impureza:- a constante ocupação em coisas úteis.

Milhares de homens , deixariam cortar a mão direita, se por tal preço se pudessem ver livres das conseqüências da impureza.

As novelas e literaturas imoral, são como canos de esgoto, por onde corre, viscosa, a vaza concentrada das mais horrendas paixões, dos mais degenerados costumes e dos mais dissolutos tipos. É horrível que tão hediondas cloacas, despejem a sua imundície sobre a cabeça de nossos filhos. Quem pode matar os répteis que surgem da mente de um escritor licencioso? 

Mantende Ho! jovens ! bem puros os vossos corações.

Não percais a inocência, porque se tal vos acontecer, tereis perdido o mais precioso Dom de Deus, e não mais volvereis a encontra-lo, ainda que com lágrimas de arrependimento o busqueis.


Se uma harpa se quebra, há um artífice que a repara, se uma luz se apaga, outra luz se reascende, mas quem há que restitua louçania e fragrância, a uma flor fanada? Se um aroma se evola, quem há que o concentre de novo?

Valor da Castidade.

Quem subirá à montanha do Senhor?

Quem permanecerá nesse sacratíssimo lugar?

Quem for limpo de mãos e puro de coração. "DAVID"

Pois que ? Não sabeis que o vosso corpo é o Templo do Espírito Santo? (São Paulo)

Um coração sem mancha, não se intimida facilmente. (Shakespeare)

Se a alma é limpa, o corpo resplandece. (Hunt)



FIM
Estudo sobre o passe 6

FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA
            CAMPO EXPERIMENTAL DE BRASÍLIA

Estudo sobre o passe: o passe nas reuniões mediúnicas

                      Marta Antunes Moura

6. RECOMENDAÇÕES AOS PASSISTAS

§ Não tocar o beneficiado do passe.
§ Não prestar orientações mediúnicas durante a aplicação do passe.
§ Não transmitir o passe em estado de psicofonia  ou de transe mediúnico.
§ Evitar qualquer tipo de exibicionismo, tais como: gesticulação excessiva, ruídos, respiração ofegante, bocejos e cacoetes diversos.
§ Manter sintonia com os benfeitores espirituais para repor o gasto energético, evitando o recebimento de passe após a doação fluídica realizada em benefício de outrem.
§ Manter-se num clima de vibrações elevadas por meio da prece, estudo e esforço de melhoria moral.
§ Cuidar da nutrição  e da saúde de forma satisfatória.
§ Participar das reuniões de estudo ou de esclarecimento doutrinário que, em geral, antecedem o trabalho de passe.
§ Não aplicar passe  se:  faz uso de substâncias tóxicas viciantes, de qualquer natureza (álcool, fumo, psicotrópicos etc.); se encontra em estado de desequilíbrio emocional ou mental; está organicamente debilitado por doença, idade e tratamento médico.
§ Seguir as orientações da Doutrina Espírita para a aplicação do passe.


BIBLIOGRAFIA

1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 120.ed. Rio de Janeiro:FEB, 2003. Cap. XXVII, item 10, p. 373-374.
2. ___. Item 11, p. 374.
3. ___. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 42.ed. Rio de Janeiro:FEB, 2003. Cap. XIV, item 18, p. 285-286.
4. ___. Item 31, p. 294-295.
5. ___. p. 295.
6. ___. Item 32, p. 295.
7. CHIBENI, Clarice.
8. EQUIPE DO PROJETO MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA. Terapia pelos passes. Salvador ]BA]: Livraria Espírita Alvorada Editora, 1996. Cap. 7, p. 76.
9. ___. p. 103-104.
10. ___. p. 104-105.
11. ___. p. 106.
12. FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA. Apostila do Curso Estudo e Educação da Mediunidade. 2.ed. Brasília: FEB, 2001. Programa I. Módulo 2, 1.ª parte, roteiro 3, cont. 3, p. 88.
13. ___. Módulo 2, 2.ª parte, anexo, p. 120.
14. ___. p. 122.
15. ___. O Reformador. Editorial. Rio de Janeiro: FEB, 1992.
16.  FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO RIO GRANDE DO SUL. Fluidoterapia.  s/ed.s/data. Cap. 3, p.37.
17. FRANCO, Divaldo Pereira e TEIXEIRA, José Raul. Diretrizes de Segurança. Rio de Janeiro: Fráter Livros Espíritas. Cap. VII, questão 69.
18.  GURGEL, Luiz Carlos M. O Passe Espírita. 3.ed. Rio de Janeiro: FEB, 1996. Cap. VII, p. 109.
19.  ___. p. 111.
20.  HOUAISS, Antônio. et al. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Objetiva. 2001, p. 2.144 (passe).
21.  NOBRE, Marlene R.S. A Obsessão e suas Máscaras: um estudo da obra de André Luiz. São Paulo: Editora Jornalista Fé, 1997. Cap. 17, p. 142.
22.  PAULA, João Texeira. Dicionário Parapsicologia, Metapsíquica e Espiritismo. Volume III. São Paulo:Banco Cultural Brasileiro Editora, 1970, p. 57.
23.  TOLEDO, Wenefledo. Passes e Curas espirituais. São Paulo: O Pensamento. Lição oitava, p. 123-124.
24.  XAVIER, Francisco Cândido.  O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 11. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1985, questão 98, p.67-68.
25.  ___. Questão 99, p. 68.
26. ___. Os Mensageiros. Pelo Espírito André Luiz. 1.ª ed. Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Cap. 44, p. 271.
27. ___. Os Missionários da Luz. Pelo Espírito André Luiz. 1.ª ed. Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Cap. 19, p. 350.
28.  ___. Nos Domínios da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 1.ª ed. Especial. Rio de Janeiro: FEB, 2003. Cap. 17, p. 163.
29.  ___. Segue-me. Pelo Espírito Emmanuel. 2. ed. Matão [SP]: Casa Editora O Clarim, p. 99.
30.  XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Desobsessão. Pelo Espírito André Luiz. 20. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2000. Cap. 52, p. 183-184.
31.  ___.  Mecanismos da Mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1973. Cap. XXII, p. 160-161.
32.  ___. p. 161-162.
33.  ___. Opinião Espírita. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 4. ed. Uberaba[MG]: Edição CEC, 1973. Cap. 55, p.180.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

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Livro: Libertação
Cap. XII - Missão de amor

Voltando a casa, algumas horas transcorreram tocadas para nós de singular expectativa; entretanto, à noitinha Saldanha manifestou o propósito de visitar o filho hospitalizado.

Com espanto, reparei que o nosso Instrutor lhe pedia permissão para que o acompanhássemos.

O perseguidor de Margarida, algo surpreso, acedeu, indagando, porém quanto ao móvel de semelhante solicitação:

- Quem sabe se poderemos ser úteis ? - respondeu Gúbio, otimista.

Não houve relutância.

Guardadas rigorosas precauções por parte de Saldanha, que se fez substituir, junto à doente, por Leôncio, um dos dois implacáveis hipnotizadores, rumamos para o hospício

Entre variadas vítimas da demência, relegadas a reajuste cruel, a posição de Jorge era de lamentar. Encontramo-lo de bruços, no cimento gelado de cela primitiva. Mostrava as mãos feridas, coladas ao rosto imóvel.

O genitor, que até ali se nos afigurara impermeável e endurecido, contemplou o filho com visível angústia nos olhos velados de pranto e elucidou com infinita amargura na voz:

- Está, certamente, repousando depois de crise forte.

Não era, contudo, o rapaz tresloucado e abatido quem mais inspirava compaixão. Agarradas a ele, ligadas ao círculo vital que lhe era próprio, a mãezinha e a esposa desencarnadas absorviam-lhe os recursos orgânicos. Jaziam igualmente estiradas no chão, letárgicas quase, como se houvessem atravessado violento acesso de dor.

Irene, a suicida, trazia a destra jungida à garganta, apresentando o quadro perfeito de quem viviam sob dolorosa aflição de envenenamento, ao passo que a genitora enlaçava o enfermo, de olhos parados nele, exibindo ambas sinais iniludíveis de atormentada introversão. Fluidos semelhantes a massa viscosa cobriam-lhes todo o cérebro, desde a extremidade da medula espinhal até os lobos frontais, acentuando-se nas zonas motoras e sensitivas.

Concentradas nas forças do infeliz, como se a personalidade de Jorge representasse a única ponte de que dispunham para a comunicação com a forma de existência que vinham de abandonar, revelavam-se integralmente subjugadas pelos interesses primários da vida física.

- Estão loucas - informou Saldanha, na intenção evidente de ser agradável -, não me compreendem, nem me reconhecem, embora me fixem. Guardam o comportamento de crianças, quando fustigadas pela dor. Corações de porcelana, quebrados facilmente.

E franzindo o sobrecenho, transtornado agora por insofreável rancor, acrescentou:

- Raras mulheres sabem conservar a fortaleza nas guerras de revide. Em geral, sucumbem rapidamente, vencidas pela ternura inoperante,

Nosso orientador, desejando anular as vibrações de cólera no companheiro, cortou-lhe o rumo das impressões destrutivas, confirmando, pesaroso:

- Demoram-se, efetivamente, em profunda hipnose. Nossas irmãs não conseguiram, por enquanto, ultrapassar o pesadelo do sofrimento, no transe da morte, qual acontece ao viajante que inicia a travessia de vasta corrente de águas turvas, sem recursos para alcançar a outra margem. Ligadas ao filho e esposo, objeto que lhes centralizou, nas horas finais do corpo denso, todas as preocupações afetivas, combinaram as próprias energias com as forças torturadas dele e aquietam-se, aflitivamente, no centro dos fluidos que lhes constituem criação individual, como acontece ao "Bombyx mori" imobilizado e dormente sob os fios, tecidos por ele mesmo.

O obsessor de Margarida registrou as observações, demonstrando indisfarçável surpresa no olhar e acentuou, mais calmo: 

- Por mais que eu me procure insinuar, gritando-lhes meu nome aos ouvidos, não conseguem entender-me. Em verdade, movem-se e se lastimam, através de longas frases desconexas, mas a memória e a atenção parecem mortas. Se insisto, carregando-as, a custo, ansioso por infundir-lhes vida nova com que me possam auxiliar na vingança, vejo baldado todo esforço, porquanto regressam
imediatamente para Jorge, logo que as suponho livres, num impulso análogo ao das agulhas que um ímã recolhe a distância. 

- Sim - corroborou o nosso diretor -, mostram-se temporariamente esmagadas de pavor, desânimo e sofrimento. Pela ausência de trabalho mental contínuo e bem coordenado, não expeliram as "forças coagulantes" do desalento, que elas mesmas produziram, inconformadas, ante os imperativos da luta normal na Terra e entregaram-se, com indiferença, a deplorável torpor, dentro do qual se alimentam das energias do enfermo. Drenado incessantemente nas reservas psíquicas, o doente, hipnotizado por ambas, vive entre alucinações e desesperos, naturalmente incompreensíveis para quantos o rodeiam.

Com sincera disposição de servir, Gúbio sentou-se no piso cimentado e, num gesto de extrema bondade, acomodou no regaço paternal as cabeças das três personagens daquela cena comovente de dor, e, endereçando olhar amigo ao algoz da mulher que pretendia salvar, que o observava espantadiço, indagou:

- Saldanha, permite-me algo fazer em benefício dos nossos ?

A fisionomia do perseguidor modificou-se.

Aquele gesto espontâneo do nosso orientador desarmava-lhe o coração, emocionando-o nas fibras mais íntimas, a julgar pelo sorriso que lhe inundou o semblante até então desagradável e sombrio.

- Como não? - falou quase gentil... - E' o que procuro realizar inutilmente.

Impressionado com a lição que recebíamos, contemplei a paisagem ao redor, cotejando-a com a da câmara em que Margarida experimentava aflição e tortura. Os impedimentos aqui eram muito mais difíceis de vencer. O cubículo transbordava imundície. Nas celas contíguas, entidades de repugnante aspecto se arrastavam a esmo. Mostravam algumas características animalescas, de pasmar.

A atmosfera para nós se fizera sufocante, saturada de nuvens de substâncias escuras, formadas pelos pensamentos em desequilíbrio de encarnados e desencarnados que perambulavam no local, em deplorável posição.

Confrontando as situações, monologava mentalmente- por que motivo singular não operara nosso orientador no quarto da simpática senhora, que amava por filha espiritual, para entregar-se, ali, sem reservas, ao trabalho de assistência cristã? Vendo-lhe, porém, a solicitude na solução do problema afetivo que atormentava o adversário, entendi, pouco a pouco, através da ação do mentor magnânimo, a beleza emocionante e sublime do ensinamento evangélico: "Ama o teu inimigo, ora por aqueles que te perseguem e caluniam, perdoa setenta vezes sete".

Gúbio, sob nosso olhar comovido, afagava a fronte das três entidades sofredoras, parecendo liberar cada uma dos fluidos pesados que as entorpeciam, em profundo abatimento. Decorrida meia hora na evidente operação magnética de estímulo, endereçou novo olhar ao verdugo de Margarida, que lhe analisava os mínimos gestos com dobrada atenção, e interrogou:

- Saldanha, não te agastarias se eu orasse em voz alta? 

A pergunta obteve os efeitos de um choque.

- Oh! oh!. .. - fez o interpelado, surpreendido -, acreditas em semelhante panacéia?

Mas, sentindo-nos, de pronto, a infinita boa vontade, aduziu, confundido:

- Sim... sim... se querem...

Nosso Instrutor valeu-se daquele minuto de simpatia e, alçando o pensamento ao Alto, deprecou, humilde:

- Senhor Jesus !

Nosso divino amigo ...
Há sempre quem peça pelos perseguidos,
Mas raros se lembram de auxiliar os perseguidores!
Em toda parte, ouvimos rogativas em benefício dos que obedecem, entretanto, é difícil surpreendermos uma súplica em favor dos que administram. 
Há muitos que rogam pelos fracos para que sejam, a tempo, socorridos; 
no entanto, raríssimos corações imploram concurso divino para os fortes, a fim de que sejam bem conduzidos

(...)

Senhor, 
Infunde-nos o dom de nos ampararmos mutuamente. 
Beneficiaste os que não creram em Ti, protegeste os que te não compreenderam, ressurgiste para os discípulos que te fugiram, legaste o tesouro do conhecimento divino aos que te crucificaram o esqueceram ... 

Por que razão, nós outros,  míseros vermes do lodo ante uma estrela celeste,  quando comparados contigo, recearíamos estender dadivosas mãos aos que nos não entendem ainda?!...

Gúbio transformara-se, gradualmente. As vibrações vigorosas daquela súplica, que arrancara ao róprio coração, expulsaram as partículas obscuras de que se havia tocado, quando penetrávamos a colônia penal em que conhecêramos Gregório, e sublimada luz brilhava-lhe agora no semblante que o pranto de amor e compunção irisava com intraduzível beleza. Parecia ocultar desconhecido alampadário no peito e na fronte, que despediam raios luminosos de intenso azul, ao mesmo tempo que formoso fio de claridade incompreensível o ligava com o Alto, perante nosso aturdido olhar.

Findo o intervalo, fez incidir toda a luminosidade que o envolvia sobre as três criaturas que asilava no regaço e exorou :

(...)

Nesse ponto, o orientador interrompeu-se. Intensos jorros de luz projetavam-se em torno dele, atirados por mãos invisíveis aos nossos olhos. Com perceptível emotividade, Gúbio aplicou passes magnéticos em cada um dos três infelizes e, em seguida, falou ao rapaz encarnado:

- Jorge, levanta-te! Estás livre para o necessário reajustamento.

O interpelado arregalou os órgãos visuais, parecendo acordar de pesadelo angustioso. Inquietação e tristeza desapareceram-lhe do rosto, celeremente. Num impulso maquinal, obedeceu à ordem recebida, erguendo-se com absoluto controle do raciocínio.

A interferência do benfeitor quebrara os elos que o prendiam às parentas desencarnadas, liberando-lhe a economia psíquica.

Presenciando o acontecimento, Saldanha gritou, em lágrimas:

- Meu filho!  meu filho!... 

O doente não registrou as exclamações nascidas do entusiasmo paterno, mas procurou o leito singelo onde se aquietou com inesperada serenidade.

Vencido nos melhores sentimentos de que era detentor, o algoz de Margarida aproximou-se do nosso dirigente, com as maneiras de uma criança humilhada que reconhece a superioridade do mestre, mas antes que pudesse tomar-lhe as mãos, para osculá-las talvez, pediu-lhe Gúbio, sem afetação:

- Saldanha, acalma-te. Nossas amigas despertarão agora.

Afagou a cabeça de Iracema e a infortunada mãe de Jorge voltou a si, gemendo:

- Onde estou?!...

Reparando, no entanto, a presença do marido, ao lado, nomeou-o por apelido carinhoso de família e bradou, desvairada de emoção:

- Socorre-me! onde está nosso filho? nosso filho?

Passou, logo após, para a fraseologia particular de quem reencontra um ser amado, depois de ausência longa.

O obsessor da doente que nos interessava de mais perto, tangido nas fibras recônditas do ser, derramava agora abundantes lágrimas e buscava o olhar de Gúbio, Instintivamente, rogando-lhe, sem palavras, medidas salvacionistas.

- Em que mau sonho me demorei? - indagava a desventurada irmã, chorando convulsiva- mente - que cela imunda é esta? Será verdade que já atravessamos o túmulo?

E, em crise de desespero, acrescentava:

- Temo o demônio! temo o demônio! Ó Deus meu! salva-me, salva-me!...

Nosso Instrutor dirigiu-lhe palavras encorajadoras e indicou-lhe o filho que descansava, bem ao nosso lado.

Recompondo-se, gradualmente, ela perguntou a Saldanha porque emudecera, faltando à palavra amorosa e confiante de outro tempo, ao que o verdugo de Margarida respondeu, significativamente:

- Iracema, eu ainda não aprendi a ser útil... Não sei confortar ninguém.

A essa altura, a sofredora mãe, então desperta, passou a interessar-se pela companheira de infortúnio, que fazia a mão direita movimentar-se sobre a garganta. Crendo a custo tratar-se da nora, que se lhe fizera irreconhecível, apelou aflita:

- Irene! Irene!

Interveio Gúbio, com o poder de despertamento que lhe era peculiar, distribuindo vigorosas energias aos centros cerebrais da criatura que continuava abatida.

Transcorridos alguns instantes, a nora de Saldanha ergueu-se, num grito terrível.

Sentia dificuldade em articular a voz. Sufocava-se, ruidosamente, presa de angústia infinita.

Nosso orientador, vigilante, segurou-lhe ambas as mãos com a destra e com a mão esquerda ministrou-lhe recursos magnético-balsâmicos sobre a glote e, sobretudo, ao longo das papilas gustativas, acalmando-a, de alguma sorte.

Embora despertada, a suicida não mostrava a relativa consciência de si mesma. Não guardava a menor idéia de que seu corpo físico se desfizera no túmulo. Era o tipo da sonâmbula perfeita, acordando de súbito.

Adiantou-se na direção do esposo, reintegrado nas próprias faculdades e exclamou, estentórica:

- Jorge, Jorge! ainda bem que o veneno não me matou! Perdoa-me o gesto impensado... Curar-me-ei para vingar-te! Assassinarei o juiz que te condenou a tão cruéis padecimentos!

Observando, ao contrário do que esperava, que o esposo não reagia, implorou:

- Ouve! atende-me! onde dormi tanto tempo? Nossa filha! onde está?

O interpelado, todavia, que se lhe desligara da influência direta nos centros perispirituais, prosseguiu na mesma atitude fleumática e impassível de quem ajuizava com dificuldade a própria situação.

Foi ainda Gúbio quem se abeirou de Irene, elucidando:

- Aquieta-te, minha fria!

- Sossegar-me? eu? - protestou a infortunada - não posso! Quero tornar a casa... Esta grade me asfixia... Cavalheiro, por quem é! reconduza-me ao lar. Meu esposo permanece encarcerado injustamente... Estará por certo dementado... Não me escuta, não me atende. Por minha vez, sinto a garganta carcomida de veneno mortal... quero minha filha e um médico!

Nosso orientador, contudo, respondeu-lhe com voz triste, não obstante acariciar-lhe a fronte assustadiça:

- Filha, as portas de tua ema no mundo cerraram-se para tua alma com os olhos do corpo que perdeste. Teu esposo jaz liberado dos compromissos do matrimônio carnal e tua filha, desde muito, foi acolhida em outro lar. E' indispensável, pois, que te refaças, de modo a prestar-lhes todo o serviço que desejas.

A desditosa criatura rojou-se de joelhos, soluçando.

- Então, morri? a morte é uma tragédia pior que a vida? - clamou, desesperada.

- A morte é simples mudança de veste - elucidou Gúbio, sereno -, somos o que somos. Depois do sepulcro, não encontramos senão o paraíso ou o inferno criados por nós mesmos.

E adoçando a voz para conversar na condição de um pai, prosseguiu, comovido:

- Porque atiraste fora o remédio salvador, esfacelando o vaso sagrado que o continha? nunca ouviste o choro dos que padeciam mais que tu mesma? jamais te inclinaste para registrar as aflições que vinham de mais fundo? porque não auscultaste o silencioso martírio daqueles que não possuem mãos para reagir, pernas para andar, voz para suplicar?

- A revolta consumiu-me... - explicou a desventurada.

- Sim - confirmou o Instrutor, solicito -, um momento de rebeldia põe um destino em perigo, como diminuto erro de cálculo ameaça a estabilidade dum edifício inteiro.

- Infeliz de mim! - suspirou Irene aceitando a amargosa realidade - onde estava Deus que me não socorreu a tempo ?

- A pergunta é inoportuna - esclareceu nosso dirigente bondosamente. - Procuraste saber, antes, onde te encontravas a ponto de te esqueceres tão profundamente de Deus? A bondade do Senhor nunca se ausenta de nós. Se transparecia da bendita oportunidade terrena que te conduzia à vitória espiritual, reside também agora nas lágrimas de contrição que te encaminham à regeneração salutar.

Admito que possas, em breve, alcançar semelhante bênção; entretanto, cavaste enorme precipício entre a tua consciência e a harmonia divina, que precisarás transpor efetuando a própria recomposição. Por algum tempo, experimentarás a conseqüência do ato impensado. Colher fruto imaturo é praticar violência. Intoxicaste a matéria delicada sobre a qual se estruturam os tecidos da alma e poucas circunstâncias te atenuam a gravidade da falta. Não percas, porém, a esperança e dirige os passos na direção do bem. Se o horizonte, por vezes, se faz mais longínquo, nunca s
                                      
                                                       C O N C L U S Ã O

Voltando da frustrada consulta ao médium vidente, Saldanha, o perseguidor de Margarida, resolveu ir visitar seu filho que estava hospitalizado e que ensejara o seu desejo de vingança contra a enferma. Gúbio decidiu acompanhá-lo e, lá chegando, encontrou o visitado em lastimável  estado  de  perturbação, fortemente ligado fluidicamente à sua mãe e à sua esposa, ambas desencarnadas e que também passavam por grave processo  de desequilíbrio, sugando-lhe as forças. Vendo nessa situação uma oportunidade de operar  a  transformação de Saldanha, realizou o trabalho de socorro aos três, o que levou o obsessor de Margarida a repensar seus objetivos.

                                            QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO
  
1.-  No trecho: "Irene, a suicida, trazia a destra jungida à garganta, apresentando o quadro perfeito de  quem viviam sob dolorosa aflição de envenenamento", verificamos uma das conseqüências do suicídio. Além dessa conseqüência quais podem ocorrer?

 As conseqüências que podem advir do ato de suicídio são muitas e não ocorrem  necessariamente  em todos os casos.  A  uma,  porém,  nenhum  suicida  pode  escapar,  segundo  disseram  os  Espíritos:  o desapontamento. Com efeito, todo suicida busca uma fuga dos problemas que o afligem  na  vida  material, esperando pôr um termo no sofrimento com a morte do corpo físico,  que  acreditam  ser  o  fim  da  vida. Ao constatar que a vida continua após a travessia do túmulo, o espírito suicida sofre, ao despertar,  uma  grande decepção ao ver-se vivo.  

Além disso, não consegue se livrar das aflições que ensejaram o tresloucado ato; o desprendimento do corpo físico é mais penoso e demorado, pois os laços fluídicos que ligam o espírito ao corpo ainda se encontram na plenitude de suas forças,  diferentemente  dos  casos  de  morte  natural,  em  que  vão  se  enfraquecendo gradativamente; o período de perturbação espiritual também é maior, pois,  constatando-se  vivo,  o  espírito conserva a ilusão de que ainda está na vida material; como a ligação com o corpo físico não se desfaz desde  logo, o espírito sente a sensação dos efeitos da sua decomposição.

Outra desastrosa conseqüência a que o suicida não consegue fugir, essa de ordem moral,  é  a  expiação pela falta praticada. Sendo um ato contrário às Leis Naturais, o suicídio acarreta lesões perispirituais de larga extensão, que, certamente, exigirão penosas reparações nas reencarnações futuras, em que serão plasmados corpos defeituosos, fisica ou mentalmente. 

 2.-  Comente o trecho: "Concentradas nas forças do infeliz, como se a personalidade de Jorge representasse a única ponte de que dispunham para a comunicação com a forma de existência que vinham de abandonar":

A citação se refere ao comportamento da mãe e da esposa de Jorge. Segundo a narração de André Luiz, ambas mantinham-se imantadas a ele, fluidicamente ligadas ao enfermo,  a  lhe  absorverem  as  forças, num autêntico processo de vampirização. Seus psiquismos ainda se encontravam ligados à vida física que haviam deixado mas da qual não conseguiam se libertar. O enfermo funcionava, então, como uma ponte, segundo  a imagem do Autor, entre seus estados reais e aquele ao qual suas mentes ainda se encontravam presas.

 3.-  Na prece feita por Gúbio, notamos a importância de orarmos não somente pelas  vítimas  mas  por  seus algozes. Não somente pelos conduzidos, mas pelos condutores. Isto é correto ? Se sim, qual a importância deste ato?

 Em sua prece, Gúbio seguiu à risca o ensinamento de Jesus, de que devemos amar os nossos inimigos.

Isso porque, como ressaltou, somos todos irmãos e, como endividados que estamos para com  a  Lei,  não temos como amaldiçoarmo-nos uns aos outros. A lei é de amor. Enquanto não estivermos todos conscientes de que devemos nos amar reciprocamente, enquanto não estivermos todos moralizados, o reino dos céus não chegará à Terra. Daí a importância de orarmos não só pelos que sofrem mas, também, pelos que causam  o sofrimento, para que todos cresçamos espiritualmente, pois só assim seremos felizes.

4.-  De certa forma, as atitudes de Gúbio perante Saldanha  demonstram  uma  forma  de  retirar  alguém  da ignorância persistente no mal. Como isso se dá?

 Somente pelo esclarecimento se consegue corrigir o rumo daquele que persiste no mal. Mostrando-lhe que a prática do mal apenas irá adiar o encontro da felicidade, que é a destinação  de  todas  as  criaturas.  Gúbio exemplificou com a aplicação de passes magnéticos no filho de Saldanha,  impregnados  de  amor,  fazendo-o despertar do angustioso pesadelo em que se encontrava envolvido, reequilibrando-se.  Vendo  seu  filho  livre aquele estado de sofrimento em que o encontrara, Saldanha deixou quebrar a insensibilidade com que  vinha onduzindo.

5.-  Ficou evidente neste capítulo o poder da Prece.  De  que  forma  a  mesma  deve  ser  feita?  Quais  as conseqüências de sua utilização?

     Estando Deus em toda a parte e ligado diretamente ao nosso pensamento, a prece nunca se perde e sempre chega ao seu destino. Deve refletir um sentimento sincero, vindo de dentro.  Não  é  necessário  proferir  palavras
convencionais. Como ensinou Jesus,  "quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está oculto; e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará."  Praticando a prece, estaremos sempre em contato com o Criador e receberemos a influência dos benfeitores espirituais que estão a seu serviço.

6.-  O desencarne para muitos torna-se confuso. Como evitar ou minimizar tal confusão?

 Tendo uma existência conforme as Leis Naturais, principalmente praticando a lei de amor, justiça e caridade, a mais importante de todas. Cada um desencarna como viveu. 
  
7.-  Explique a importância de amarmos nossos inimigos.

 Esse preceito de Jesus, quando cumprido com sinceridade, libera-nos do jugo do ódio e da vingança. Quando perdoamos e passamos à prática da lei do amor, rompemos os liames que nos ligam a fluidos negativos, que duas pessoas que se odeiam trocam entre si. Ao amarmos o inimigo, deixamos com ele o  ódio  e  nos  liberamos,  em conseqüência, de seus efeitos deletérios. 


Um fraternal abraço a todos.

Equipe Nosso Lar


CVDEE
ceuinferno_050_2a. partecap. IV - Espíritos Sofredores - Exprobraçoes de um boêmio

TEXTO PARA ESTUDO

Bordeaux - 19 de abril de 1862)

30 de julho - No presente sou menos infeliz, porque não sinto mais o laço que me ligava ao meu corpo; enfim, sou livre, mas não satisfiz a expiação; é necessário que eu repare o tempo perdido, se não quero ver prolongar os meus sofrimentos. Deus, eu o espero, verá o meu arrependimento sincero e consentirá em me conceder o seu perdão. Orai ainda por mim, isso vos suplico.

Homens, meus irmãos, vivi só para mim; hoje o expio e sofro! Que Deus vos faça a graça de evitar os espinhos nos quais me dilacreo. Caminhai no caminho largo do Senhor e orai por mim, porque abusei dos bens que Deus empresta às suas criaturas!

Aquele que sacrifica aos instintos brutais a inteligência e os bons sentimentos que Deus nele colocou, se assemelha ao animal que freqüentemente maltrata. O homem deve usar com sobriedade os bens de que é depositário; deve se habituar a não viver senão em vista da eternidade que o espera e, por conseguinte, se desligar dos gozos materiais. Seu alimento não deve ter outro objetivo que a sua vitalidade; seu luxo deve subordinar-se às estritas necessidades de sua posição; seus gostos, mesmo seus pendores naturais, devem estar regidos pela mais forte razão, sem o que se materializa em lugar de se depurar. As paixões humanas são um laço apertado que enterra nas carnes; portanto, não o reaperteis mais. Vivei, mas não sede boêmios. Não sabeis o que isso custa quanto de retorna à pátria! As paixões terrestres vos espoliam antes de vos deixar, e chegais ao Senhor nus, inteiramente nus. Ah! Cobri-vos com boas obras; elas vos ajudarão a transpor o espaço que vos separa da eternidade. Manto brilhante, elas esconderão as vossas torpezas humanas. Envolvei-vos de caridade e de amor, vestimentas divinas que nada retira.

Instruções do guia do médium - Este Espírito está num bom caminho uma vez que, ao arrependimento, junta conselhos a fim de se colocar em guarda contra os perigos da rota que segue. Reconhecer seus erros já é um mérito, e um passo de fato para o bem; por isso, sua situação, sem sem feliz, não é mais de um Espírito sofredor. Ele se arrepende; resta-lhe a reparação que se cumprirá numa outra existência de provas. Mas antes dele lá chegar, sabeis qual é a situação desses homens com a vida toda sensual, que não deram ao seu espírito outra atividade que a de inventar, sem cessar, novos gozos? A influência da matéria segue-os além do túmulo, e a morte não põe um termo aos seus apetites que a sua visão, tão limitada quanto na Terra, procura em vão os meios de satisfazer. Jamais tendo procurado o alimento espiritual, a sua alma erra no vazio, sem objetivo, sem esperança, sujeita à ansiedade do homem que não tem, diante dele, senão a perspectiva de um deserto sem limites. A nulidade de suas ocupações intelectuais, durante a vida do corpo, ocasiona naturalmente a nulidade do trabalho do Espírito depois da morte; não mais podendo satisfazer o corpo, nada lhe resta para satisfazer o Espírito; daí um mortal dissabor do qual não prevêem o fim, e ao qual preferem o nada; mas o nada não existe; puderam matar o corpo, mas não podem matar o Espírito; é necessário, pois, que vivam nessas torturas morais até que, vencidos pelo cansaço, se decidam a lançar um olhar para Deus.

QUESTÕES PROPOSTAS PARA ESTUDO

1. Qual o conselho que este Espírito boêmio nos dá com relação à nossa vida carnal, na Terra?

2. Por que este Espírito não se encontra mais em um estado sofredor?

3. Que vida levam aqueles Espíritos voltados apenas ao prazer material, carnal?


CONCLUSÃO

1. Devemos nos habituar a viver em vista da eternidade que nos espera, nos desligando dos gozos materiais. Devemos nos cobrir com boas obras, pois elas nos ajudarão a transpor o espaço que nos separa da eternidade, escondendo nossas torpezas humanos. Devemos também nos envolver de caridade e amor, vestimentas divinas que nada retira.

2. Por ter se arrependido do que fez. Reconheceu seus erros e isso, por si só, jé é um mérito e um passo a frente para o caminho do bem. Resta-lhe apenas a reparação que se cumprirá em uma outra existência de provas.

3. A influência da matéria segue-os além do túmulo e a morte não põe um fim aos apetites que procura, em vão, saciar. Sua alma erra no vazio, sem objetivo, sem esperança, sujeita à ansiedade do homem que só tem a perspectiva de um deserto sem limites. A nulidade de suas ocupações intelectuais, durante a vida, ocasiona a nulidade do trabalho do Espírito depois da morte; não mais podendo satisfazer o corpo, nada lhe resta para satisfazer o Espírito; daí um dissabor do qual não prevêem o fim. É necessário que vivam nessas torturas morais até que vencidos pelo cansaço se dacidam a lançar um olhar a Deus.